Histórias gudórias de gurrunfórias de maracutórias xiringabutórias
Num clima de aconchego e suspense, o contador de histórias vai desenrolando as aventuras e lançando os desafios. A personagem principal é a palavra falada – e o seu festival de entonações, ritmos, melodias e pausas. Neste quebra-cabeça sonoro, o ouvinte está convidado a construir as suas próprias imagens.
Estas histórias trazem uma trilha sonora diferente: aqui e ali, alguns barulhos de brinquedos alinhavam os enredos. O barulho do jabolô, do corrupio e da escada de maracá. (Conheça estes brinquedos no vídeo “Tudobolô”.)
Você poderá ouvir as seguintes histórias gudórias:
1) O nome da fruta, da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)”, lançada pela Editora Peirópolis.
2) Bicho Porongo, de autoria de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Aqui, no “Sáiti Gudáiti”, você também poderá ler este conto inédito.
3) O Balaio, da obra “Muitos dedos: enredos”, lançada pela Editora Peirópolis. Neste livro, entretanto, o conto aparece no formato de uma peça teatral – “peça para teatro de fantoches”.
4) Jardineiros e Jardins. Conto de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)” – lançada pela editora Peirópolis.
5) O Sol e o Vento. Conto de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)” – lançada pela editora Peirópolis.
6) O Galo e a Raposa. Conto de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)” – lançada pela editora Peirópolis.
7) O Pernilongo e a Onça. Conto de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)” – lançada pela editora Peirópolis.
8) O Tucano e o Coelho. Conto de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)” – lançada pela editora Peirópolis.
9) Cochichos e Conchinhas. Poema de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Galeio” – lançada pela editora Peirópolis.
10) A lata e as sete notas. Poema de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Galeio” – lançada pela editora Peirópolis.
11) O bolo e a bala. Poema de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Galeio” – lançada pela editora Peirópolis.
12) O menino e a menina. Poema de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Galeio” – lançada pela editora Peirópolis.
13) Vira-vira. Poema de Francisco Marques (Chico dos Bonecos). Da obra “Galeio” – lançada pela editora Peirópolis.
Créditos dos áudios:
de 1 a 3:
Gravado no Estúdio Renato Lemos
Técnico de gravação: Leo Lobato
de 4 a 13:
Gravado no Estúdio Arapuca Técnico de gravação: Beto Pamplona
Produzido por Francisco Marques Vírgula Chico dos Boneco
O nome da fruta
Bicho Porongo
Francisco Marques (Chico dos Bonecos)
Vou contar a história do Bicho Porongo. Tudo começa com aquele provérbio milenar e planetário: Quem conta um conto... Quase. Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três.
Daí nasceu a momentosa canção... Como é mesmo?
“Não sei se é fato ou se é fita.
Não sei se é fita ou se é fato.
O fato é que ela me fita.
Aaai, me fita, mesmo, de fato.
De fato, de fita, de fita, de fatooo.”
Na verdade verdadeira, queridos ouvintes, o fato é o seguinte: Contar história e coçar é só começar.
E essa história me coça exatamente no momento em que o Sapo recebe o convite para a festa da Dona Tartaruga. Ah... O Sapo se encheu de felicidade. E quando a felicidade chega, o Sapo costuma cantar para deixar a felicidade bem à vontade:
- Gudade
de gurrunfade
de maracutade
xiringabutade.
Êi ai ai... Não é que a felicidade foi embora? Tst tst tst tst tst...
- Para chegar à casa da Dona Tartaruga, preciso passar por uma estrada. Nessa estrada tem uma curva. Nessa curva mora a Dona Cobra. Êh, enjoamento!
Tst tst tst tst tst... Quando a felicidade vai embora, o Sapo costuma cantar para ver se a felicidade volta:
- Gudolta
de gurrunfolta
de maracutolta
xiringabutolta.
Ó! Não é que a felicidade voltou? Sim, porque o Sapo tropeçou numa cabacinha. Pelo Brasil afora, ela recebe vários nomes: cuia, cuité, cumbuca, moranga, cabaça, cabacinha, porongo, purunguinha. O Sapo, muito ideúdo e sabereta, tigudum dentro do porongo. Lá de dentro, dava um galeio pra lá e pra cá. Para ajudar no galeio, desandou a cantar:
- Porongolongo
porongo
porongolongo
porongo
porongolongo
porongo
porongolooongo.
Quando chegou na curva do enjoamento, ouviu aquele trovão:
- Êpa! Que que isso?
- Bom dia, Dona Cobra. Eu sou o Bicho Porongo.
- Bicho Porongo? E eu heim... Que coisa mais sem pé nem cabeça.
Bom, o Sapo, quer dizer, o Bicho Porongo continuou todo galante no seu galeio cantante.
- Porongolongo
porongo
porongolongo
porongo
porongolongo
porongo
porongolooongo.
Quando terminava a curva do enjoamento, ouviu outra vez o trovão:
- Senhor Bicho Porongo!
Hãh! O Sapo dentro do cuité, o cuité com o Sapo dentro. O susto dentro do Sapo, o Sapo com o susto dentro. Hãh! Mas quem respondeu foi o Bicho Porongo:
- Sim, sim, sim, Dona Cobra.
- Senhor Bicho Porongo, olha, vou falar uma coisa pra você, viu? Sinceramente, eu... “Não sei se é fato ou se é fita. Não sei se é fita ou se é fato. O fato é que ela me fita. Aaai, me fita, mesmo, de fato. De fato, de fita, de fita, de fatooo.”
E assim termina a história gudória de gurrunfória de maracutória xiringabutória.
- E eu heim... Termina sem acabar e acaba sem terminar?
Trata-se de uma história no estilo Bicho Porongo: uma coisa sem pé nem cabeça. Ou seja: a gente põe a cabeça e o pé onde quiser. E, querendo ou não, olha, vou falar uma coisa pra vocês, viu? Sinceramente, eu... “Não sei se é fato ou se é fita. Não sei se é fita ou se é fato. O fato é que ela me fita. Aaai, me fita, mesmo, de fato. De fato, de fita, de fita, de fatooo.”
Na verdade verdadeira, queridos ouvintes, o fato é o seguinte: Quem conta um conto... Isso. Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três.
HAJA CALCULADORA!
Para que vocês, amigos ouvintes, possam calcular o que foi aumentado e omitido, vou desenrolar as imagens originais que me animaram a desenhar o Bicho Porongo.
Tudo começa com aquele menino curioso, o brasileiríssimo e planetário Sílvio Romero. A história que provocou esta recriação recreativa está registrada em sua obra “Contos Populares do Brasil” – recentemente lançada em 1885.
Preparem as calculadores – e bons calculejos!
O MACACO E A CABAÇA
"O macaco se intrigou com a onça e andava com medo dela. Ora, havia uma festa em certa parte, e o macaco para ir lá, tinha de passar em casa da onça. Então ideou um meio de ir à festa sem ser visto pela onça. Para isso meteu-se dentro de uma cabaça grande e dava certo impulso e assim andava.
Passando em casa do cágado, este acreditou ser um bicho novo. Conversaram, e despediu-se o macaco. Na saída disse:
“Anda, cabaça,
Que nunca andaste,
Sexta, sábado,
Domingo, segunda...
Mas, como quiseram,
Em bicho viraste.”
Assim foi andando e passou por casa da onça, e viu a festa e nada sofreu."
E aí, como foram os calculejos? Qual o resultado da peleja entre os aumentados e os omitidos?
No cálculo geral, gente, olha, vou falar uma coisa pra vocês, viu? Sinceramente, eu... “Não sei se é fato ou se é fita. Não sei se é fita ou se é fato. O fato é que ela me fita. Aaai, me fita, mesmo, de fato. De fato, de fita, de fita, de fatooo.”
(O conto “O Macaco e a Cabaça”, recolhido no Estado de Sergipe, está presente na obra “Contos Populares do Brasil”, de Sílvio Romero. Landy Editora, São Paulo, 2002.)
O balaio
|