sumário Chico dos Bonecos

A árvore da montanha

A canção que você vai ouvir faz parte do cedê “ENROLA-BOLA – brinquedos, brincadeiras e canções”, de Rubinho do Vale, compositor e cantor brasileiríssimo e planetário. Para conhecer os trabalhos deste violeiro do Vale do Jequitinhonha, navegue no endereço www.rubinhodovale.com.br

Na obra “Muitos dedos: enredos (Um rio de palavras deságua num mar de brinquedos)”, o capítulo “Menina Janaína (História com gestos)” sugere exatamente esta canção mirabolante.

Boa cantoria!



(1)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(2)
Nesta árvore tem um galho.
Ó que galho! Belo galho!
Ai ai ai que amor de galho.
O galho da árvore...

(3)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(4)
Neste galho tem um ninho.
Ó que ninho! Belo ninho!
Ai ai ai que amor de ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(5)
A árvore da montanha.
Olé aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(6)
Neste ninho tem um ovo.
Ó que ovo! Belo ovo!
Ai ai ai que amor de ovo.
O ovo do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(7)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(8)
Neste ovo tem um pássaro.
Ó que pássaro! Belo pássaro!
Ai ai ai que amor de pássaro.
O pássaro do ovo
O ovo do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(9)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(10)
Neste pássaro tem uma pena.
Ó que pena! Bela pena!
Ai ai ai que amor de pena.
A pena do pássaro.
O pássaro do ovo.
O ovo do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(11)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(12)
Nesta pena tem uma flecha.
Ó que flecha! Bela flecha!
Ai ai ai que amor de flecha.
A flecha da pena.
A pena do pássaro.
O pássaro do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(13)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(14)
Nesta flecha tem uma fruta.
Ó que fruta! Bela fruta!
Ai ai ai que amor de fruta.
A fruta da flecha.
A flecha da pena.
A pena do pássaro.
O pássaro do ovo.
O ovo do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(15)
A árvore da montanha.
Olê aí aô
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

(16)
Nesta fruta tem uma árvore.
Ó que árvore! Bela árvore!
Ai ai ai que amor de árvore.
A árvore da fruta.
A fruta da flecha.
A flecha da pena.
A pena do pássaro.
O pássaro do ovo.
O ovo do ninho.
O ninho do galho.
O galho da árvore...

(17)
A árvore da montanha.
Olê aí aô.
A árvore da montanha.
Olê aí aô.

“A árvore da montanha” faz parte deste repertório de canções, histórias, brinquedos e brincadeiras tão antigos, tão antigos!, que os seus inventores foram desaparecendo da memória das pessoas.

São brincadeiras, brinquedos, histórias e canções que agradaram tanto, tanto!, e se espalharam com tanta rapidez, tanta!, que as pessoas foram se esquecendo de espalhar o nome de seus autores.

Por causa disso, costumamos tratar este repertório da cultura lúdica como uma cultura de Domínio Público.

Se pesquisarmos bem esta história, entretanto, é bem capaz de descobrirmos muitos desses autores...

Viva a invenção! E viva o inventor!

“A árvore da montanha” é uma canção acumulativa: entra um elemento novo e a gente volta repetindo todos os elementos anteriores. O estilo “acumulativo” funciona como uma estratégia de memorização.

Você deve conhecer outras canções acumulativas. Por exemplo: “Fui na loja do Mestre André”, “A velha a fiar” e “Quando se come a bela polenta”.

CANÇÃO COM GESTOS

Além de cantar, podemos transformar “A árvore da montanha” numa canção com gestos.

No capítulo “Menina Janaína”, da obra “Muitos dedos: enredos (Um rio de palavras deságua num mar de brinquedos)”, encontramos a novíssima literatura corporal: acompanhamos a narração da história e representamos, com gestos, alguns elementos da trama. Para finalizar, a menina Janaína sugere a cantoria da famosa montanha da árvore famosíssima...

Vamos convidar a turma, formar uma grande roda e criar gestos e movimentos para cada refrão e para cada estrofe:

  1. Os braços para o alto representam a Árvore – copada, esgalhada, reta torta, do jeito que quiser. “Parece que está ventando, as árvores balançando – e assim nós vamos cantando...” Com esta brevíssima introdução, começamos a nossa cantoria sesquipedal. Boa viagem!
  2. Um dos braços esticados representa o Galho. Quando cantamos “O galho da árvore”, precisamos fazer o gesto do “Galho” e, em seguida, ligeirinho, no ritmo da canção, o gesto da “Árvore”.
  3. A roda gira para a direita, cantando, saracoteando e batendo palmas no ritmo da canção.
  4. A roda pára. Os dois braços unidos num abraço representam o Ninho. Quando cantamos “O ninho do galho / O galho da árvore”, precisamos fazer, ligeirinho, no ritmo da canção, os gestos do “ninho”, do “galho” e da “árvore”. Esta orientação, é claro, é claríssimo, vale para todas as estrofes.
  5. A roda gira para a esquerda, cantando, saracoteando e batendo palmas no ritmo da canção.
  6. A roda pára. As duas mãos juntas, embodocadas, como se estivessem guardando um segredo, representam o Ovo.
  7. A roda gira para a esquerda novamente, mas... Agora, a roda gira andando de lado. Isso mesmo: de banda! Girar, cantar e bater palmas no ritmo da canção.
  8. De repente, de rompante, a roda vira para a direita e continua girando, mas... Agora, no lugar de bater palmas, a roda vai voar, quer dizer, vai bater as asas, ou melhor, bater os braços no ritmo da canção.
  9. A roda continua girando para a direita, mas... Agora, todos giram de costas! Cuidado para não tropeçar no vizinho.
  10. A roda pára. Uma das mãos caindo levemente, boiando no ar, pra lá e pra cá, desmilingüida, como se fosse... Uma pena!
  11. Virar para a esquerda, mas... Agora, todos caminham agachados!
  12. A roda pára. O arqueiro se posiciona: a mão esquerda lá na frente, sustenta o arco; a mão direita aqui, perto do queixo, estica a corda e firma a flecha. Para tornar este lançamento mais cajumerélico, estacione o pé esquerdo, lá na frente, calcanhar no chão, os dedos para cima, e balançe pra lá e pra cá, como o pêndulo de um relógio...
  13. Vamos realizar um verdadeiro xis-bola-parafuso-guindaste: todos, ao mesmo tempo, trocam de lugar. Nesta troca, todos devem passar pelo centro da roda. Momento de alta periculosidade! Cuidado com as trombadas. Enquanto trocamos de lugar, vamos saracoteando, cantando e batendo palmas no ritmo da canção. Podemos cantar duas vezes este refrão – para dar tempo de todos se agasalharem na nova roda.
  14. Todos já estão em suas novas posições. A roda, portanto, está parada. A palma da mão aberta exibe uma laranja belíssima, graúda, maduríssima – e invisível. Sim, porque aquela flecha acertou esta amarelíssima que estava no galho mais alto da laranjeira central. E por falar em “laranjeira central”, você conhece a história “O Galo e a Raposa”? Então, é só flechar os olhos e acertar na abra “Desvendério (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três)”.
  15. A roda gira, mas... Agora, todos estão de mãos dadas! Neste caso, a batida dos pés marca o ritmo da canção.
  16. A roda pára. Finalmente, felizmente, fechamos o ciclo da canção acumulativa: os braços para o alto representam a Árvore...
  17. A roda continua parada, mas... Agora, de mãos dadas, todos levantam os braços e formam uma Árvore Gigantesca. Então pão mão de mofão será cotão, a roda, no ritmo da cantoria, caminha para o centro e retorna à posição inicial. Ufa! E aqui termina a sesquipedal canção com gestos. Merecemos, portanto, uma salva de dedos!

QUEM BRINCA A BRINCADEIRA INVENTA OUTRA MANEIRA

Depois de muitas cantorias, podemos trazer elementos novos para a canção. Por exemplo: “Nesta flecha tem uma ponta. / Ó que ponta! Bela ponta! / Ai ai ai que amor de ponta...”.

Podemos trazer um elemento novo sem-pé-nen-cabeça. Por exemplo: “Neste galho tem um telefone. / Ó que telefone! Belo telefone! / Ai ai ai que amor de telefone...”

Podemos recriar toda a letra. Por exemplo: “A rua da cidade. / Olê aí aô. / A rua da cidade. / Olê aí aô.”

Podemos criar uma letra poética: “Esta noite eu tive um sonho. / Olê aí aô. / Esta noite eu tive um sonho. / Olê aí aô. // Neste sonho eu vi uma ponte. / Ó que ponte! Bela ponte! / Ai ai ai que amor de ponte. / A ponte do sonho...”

No “Sáiti Gudáiti”, nós aprendemos a construir a “Escada de Maracá”. Você se lembra dos elementos que nós usamos na sua construção?

Esquentando a memória: caixas de fósforo, desejos, continhas, fitas e cola.

Não! Não me digam? que vocês estão pensando isso que eu estou pensando que vocês estão pensando. Vamos experimentar a cantoria? Lá vai!

“A escada de maracá. / Olê aí aô. / A escada de maracá. / Olê aí aô. // Nesta escada tem uma caixa. / Ó que caixa! Bela caixa! / Ai ai ai que amor de caixa. / A caixa da escada... // Nesta caixa tem um desejo. / Ó que desejo! Belo desejo! / Ai ai ai que amor de desejo.”