sumário Chico dos Bonecos

Escada de maracá

1. O DESAFIO

Na obra “Muitos dedos: enredos”, no capítulo “Mar”, encontramos um álbum de fotografias dos “Instrumentos de Imaginar”. Entre os diversos brinquedos, vocês vão encontrar a Escada-de-Jacó ou a Escada de Maracá. Um brinquedo maravilhoso! A seguir, você conhecerá um pouco da história deste brinquedo e... Não! Não me digam? que você está pensando isso que eu estou pensando que você está pensando. Exatamente. E vocês aprenderão a construir, quadro a quadro, esta verdadeira mirabolância abracadabrante.

Antes, uma advertência divertida! A construção do brinquedo já é uma brincadeira. Portanto, acompanhe a construção da Escada-de-Jacó, ou melhor, da Escada de Maracá, sempre imaginando um ambiente interativo, repleto de trocas, um-ajudando-ao-outro, misturando fitas e caixas com poemas, adivinhas, travalínguas e cantorias.

Você encontrará, aqui, a “Escada de Maracá em quadrinhos” com as legendas explicativas.

Encontrará, também, a “Escada de Maracá em quadrinhos” sem as tais legendas explicativas. Sem as legendas? Por quê?A idéia é a seguinte. Por exemplo...

Sou professora ou professor do ensino fundamental. Apresentei a Escada de Maracá para os meus alunos da terceira série. Em seguida, construímos, juntos, o brinquedo mirabolante. Depois, lancei este desafio:

“Vamos ensinar outras crianças a construir a escada de maracá? Mas, e este é o primeiro “mas”da escada, estas crianças moram em outra cidade. Portanto, só podemos ensinar através do papel, da carta, das palavras e dos desenhos. Para ajudar no nosso desafio, trouxe os desenhos dos diversos passos da construção. Faltam as legendas explicativas. Vamos relembrar,construir o texto, legendar os quadrinhos e criar o nosso Manual de Construção de Escada de Maracá?”

A idéia, portanto, é percorrer este caminho: brincar de construir, brincar com o brinquedo, brincar de ensinar, brincar de escrever. Dos brinquedos para as palavras, das palavras para os brinquedos. Muitos dedos: enredos...


2. A HISTÓRIA

Este objeto mirabolante, milenar e planetário, é um verdadeiro instrumento de imaginar, contemplar, dedilhar.

Conheci este brinquedo, em 1976, pelas mãos do educador e desenrolador de brincadeiras Rodrigo Libânio, de Belo Horizonte (MG). Com as seis madeirinhas ligadas por fitas coloridas, o Mestre Rodrigo vai criando dezenas de formas e desenrolando uma história repleta de personagens, cenários e objetos de cena: menino, cachorro, casa, pássaro, cobra, girafa, microfone, pipa...

Basta pegar o brinquedo, dar um pequeno galeio, um ligeiro tremelique, e as madeirinhas começam a desabar umas sobre as outras, num falatório infinito, pura sapituca. Este movimento abracadabrante sugeriu alguns nomes para o objeto desconcertante: Cascatinha, Tagarela, João Teimoso, Escada-de-Jacó...

Quem conta um conto aumenta um ponto. Ou melhor: Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três. Ou melhor ainda: Quem brinca a brincadeira descobre outro brinquedo, inventa outra brincadeira. Construído com caixas de fósforo, este brinquedo ganhou sons de chocalho. Daí nasceu o novo nome: Escada de Maracá.

Quando o brinquedo estiver pronteco terereco, vivíssimo, saracoteando, verdadeira invencionice no oco das possibilidades, vocês vão descobrir, ao acaso, várias formas – esquisitas, imaginosas, cajumerélicas, acolhedoras, poéticas, provocativas, participativas...

Além do barulhinho de maracá, as caixas de fósforo possibilitam outros movimentos, outras formas. Por exemplo: podemos encaixar o dedo fura-bolo entre as caixas e criar um tesoura dançante... Diante das formas criadas ao acaso - não se preocupem! -, as crianças saberão decifrar todos os enigmas: “uma privada falante”, “uma cobra desmaiada”, “uma cobra no espelho”, “uma casinha de cachorro com uma antena parabólica”, “alguém esqueceu uma cadeira em cima do telhado da casa”, “um homem sonâmbulo”, “uma pessoa se preparando para mergulhar”, “a casinha do saci”, “uma casinha levantando a mão pra poder falar”, “a casinha dançando balé”, “a Tartaruga da história”, “a letra M com asas”...

E como todo caso começa por acaso, logo logo, com carinhosidade - mistura de carinho e curiosidade -, vocês estarão contando histórias no estilo “rodriguiano”.

Podemos descobrir, dentro deste brinquedo, uma outra invencionice: a brincadeira de construir o próprio brinquedo. Então pão mão de mofão será cotão, vamos preparar os nossos badulaques e apetrechos:

Reunir seis caixas de fósforo do mesmo tamanho. Caixas de fósforo vazias, ou melhor, cheias de ar...

Escrever um desejo no fundo de cada caixa de fósforo. Do fundo do coração para o fundo da gavetinha... Precisaremos, portanto, de seis desejos. “Será que eu tenho tudo isso de desejos?”

Agora, cada gaveta receberá sete continhas – essas bolinhas de plástico, tipo miçanga, do tamanho de um grão de feijão. As continhas servem para temperar os desejos. Enquanto temperamos, vamos cantando, conversando, contando histórias, declamando poemas...

Reunir quinze pedaços de fita. Cada pedaço tem 1 cm de largura e 18 cm de comprimento. Podemos usar cinco cores diferentes – neste caso, usaremos três pedaços de cada cor. Para a caixa de fósforo comum (5 cm de comprimento; 3,5 de largura; 1,5 cm de espessura), a medida da fita é aquela mesma: 18 cm de comprimento. Para a caixa de fósforo um pouco maior (6 cm de comprimento; 4 cm de largura; 1,5 cm de espessura), a medida é outra: cada pedaço de fita deve ter 22 cm de comprimento.

Convidar aquela coisa grudenta que vive dentro da sacola. Quer dizer: que vive dentro da palavra “sacola”.

Convidar aquela coisa cortante que rima com a palavra “vassoura”.

E agora gudora de gurrunfora de maracutora xiringabutora, vamos acompanhar, passo a passo, a abracadabrante história da...


3. ESCADA DE MARACÁ EM QUADRINHOS

1. Em cinco caixas, colar três fitas da mesma cor: duas pra lá e uma pra cá. Quase bolero... Primeiro, colamos as fitas das beiradas. Assim, temos uma referência para centralizar a fita do meio. Sim, uma caixa ficará desfitada...
passo 1
2. Psssiu... A cola vai entrar em sono profundo... As “faces coladas” estavam para cima? Pois, então, ficarão para baixo. Este é um grande detalhe. Respirando profundamente... Vai começar a dança das fitas!
passo 2
3. Hãh! A primeira caixa está com frio! Vamos, então, cobrir esta caixinha: as duas fitas da direita passam para o lado esquerdo e a fita da esquerda passa para o lado direito. Psssiu... A cola continua dormindo...
passo 3
4. Nesse instante de puf-puf, vamos pousar a segunda caixa sobre a primeira. Conclusão: de um lado, temos duas fitas curtas e uma comprida; de outro, duas compridas e uma curta. Psssiu...
passo 4
5. Agora, com muito carinho, vamos acordar a cola – e colar as fitas menores sobre a face da segunda caixa. Sobrou um pedacinho de fita? Pode usar a “vassoura”. Detalhes... As caixas devem estar alinhadas: uma exatamente em cima da outra.
passo 5
6. Hãh! A segunda caixa está com frio também! Vamos cobrir ligeirinho: as duas fitas da direita passam para o lado esquerdo e a fita da esquerda passa para o lado direito.
passo 6
7. E agora gudora de gurrunfora de maracutora xiringabutora... A terceira caixa vai pousar sobre a segunda caixa. Detalhes... Observem que a caixa vai pousar sempre com a “face colada” para baixo.
passo 8
8. Colar as fitas menores sobre a face da terceira caixa. Detalhes... As fitas devem ser coladas esticadinhas - nada de barriguinhas nas laterais.
passo 7
9. E viva a dança das fitas! O primeiro verbo é... Cobrir. O segundo verbo é... Pousar. O terceiro verbo é... Colar. Ui ui ui. O frio alcançou a terceira caixa.
passo 9
10. A quarta caixa, ligeirinho, vai pousar sobre a terceira caixa. E por falar em caixa... Que tal um travalíngua? “O Juca ajuda: encaixa a caixa, agacha, engraxa. Haja graxa na caixa!”
passo 10
11. Atenção pão mão de mofão será cotão! Atenção para os “dois nuncas”. Nunca passamos cola nas laterais da caixa. Nunca colamos fitas em cima de fitas.
passo 11
12. O frio outra vez... Ui ui ui! E por falar em frio... Como é mesmo aquele poema? “Desfio no frio um fio de luz um fio de vida um fio de voz na boca da noite.”
passo 12
13. Olha lá! A quinta caixa vai pousar! Na construção da Escada de Maracá, o trançado das fitas se repete – assim como as laçadas do barbante se repetem na tecelagem do rabo-de-gato.
passo 13
14. Vamos colar as fitas? E por falar em fita... Como é mesmo aquela canção? “Não sei se é fato ou se é fita. Não sei se é fita ou se é fato. O fato é que ela me fita. Aaai, me fita, mesmo, de fato. De fato, de fita, de fita, de fatooo.”
passo 14
15. Lá vem o frio esbarrando na quinta caixa...
passo 15
16. Antes de pousar, vamos abrir a derradeira caixa e ler o seu desejo. Diz a tradição que este desejo será... O primeiro desejo a ser realizado!
passo 16
17. E aí está a nossa mirabolante e abracadabrante Escada de Maracá..
passo 17
 

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