Galeio, o que é?
A obra “Galeio – antologia poética para adultos e crianças” está organizada em cinco saltos. Saltos?
“Galeio” é uma palavra que vem da infância – do nosso dicionário sentimental/muscular repleto de mirabolâncias abracadabrantes. “Galeio” é um impulso, uma ginga, uma quebra-de-corpo repentina, mínima, um movimento invisível que precede o salto, que anuncia o pulo – para que a gente possa alcançar o outro lado, pegar o outro galho, balançar mais alto, mergulhar mais longe, agarrar outras poesias.
Nos capítulos “Diálogos”, “Cochichos e Conchinhas” e “A biblioteca dos Bichos” estão os poemas que escrevi pensando, também!, nas crianças.
No capítulo “Familiaridades” estão seis poemas que os meus filhos e a minha vó criaram. “Bóbi” e “A-a-atchim!”, de Estêvão Marques, foram escritos como poemas. “A Professora e a Aluna”, “Ponto de ônibus” e “Qual a palavra que você mais gosta?”, de Janaína Marques, foram colhidos e acolhidos por um ouvido e por um olhar poetizados. “Pano pra manga”, de Maria Marques, é um trocadilho antigo – que foi encarnado, ao logo dos anos, pela querida Vovó Maria.
No capítulo “Tendepá” estão os poemas que escrevi pensando... Pensando em quem? Nos adultos? Pensando melhor, neste capítulo estão os poemas que escrevi pensando em mim mesmo, pensando em me desafiar, me surpreender – e desafiar e surpreender ao outro por mera conseqüência. Muitas vezes, para a minha surpresa, encontro as crianças se desafiando com estes poemas escritos... Para quem? Escritos para a poesia – ou para as crianças. Sim, por que as crianças se entendem muito bem com os desafios. Afinal, brincar é justamente isso: a possibilidade de surpreender dentro da capacidade de surpreender-se. |