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	<title>Editora Peirópolis</title>
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		<title>Marie Ange Bordas em entrevista no Portal Cronópios</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/22/marie-ange-bordas-em-entrevista-no-portal-cronopios/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 16:35:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Home]]></category>

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		<description><![CDATA[A autora de Manual da criança caiçara conversa com Pipol sobre suas andanças, seus projetos e sua visão sobre a arte e a cultura. Confira!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A autora de <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=345&amp;nome=Marie+Ange+Bordas" target="_blank">Manual da criança caiçara</a>, lançado no dia 4 de fevereiro de 2012 na Livraria da Vila, em São Paulo, conversou com Pipol, criador e diretor do Portal Cronópios. Na pauta, seu percurso, sua proposta artística, a relação que estabeleceu com as comunidades em que viveu em diversos países e os livros que nasceram da experiência, entre muitos outros assuntos. Para ouvir a conversa, visite o <a href="http://www.youtube.com/videocastcronopios" target="_blank">videocast</a> publicado na Agência Cronópios de Notícias.</p>
<p>Para saber mais sobre a autora e sua obra, navegue nas seguintes páginas:</p>
<p>Página do livro: <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=276&amp;tit=Manual+da+crian%C3%A7a+cai%C3%A7ara+" target="_blank">Manual da criança caiçara</a></p>
<p>Página da biografia da autora: <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=345&amp;nome=Marie+Ange+Bordas" target="_blank">Marie Ange Bordas</a></p>
<p>Página de divulgação do lançamento:<br />
<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/02/lancamento-manual-da-crianca-caicara-de-marie-ange-bordas-42-sp/" target="_blank">Manual da criança caiçara: uma parceria de Marie Ange Bordas com os curumins da jureia</a></p>
<p>Página de entrevista com a autora:<br />
<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/01/30/marie-ange-bordas-ponte-entre-culturas/" target="_blank">Marie Ange Bordas: ponte entre culturas</a></p>
<p>Página do clipping do lançamento:<br />
<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/06/manual-da-crianca-caicara-clipping/" target="_blank">Clipping do livro Manual da criança caiçara</a></p>
<p>Site da   autora, que traz produções realizadas na África, Europa e Estados Unidos   &#8211; <a href="http://www.marieangebordas.com/" target="_blank">http://www.marieangebordas.com/</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Peirópolis presente no Catálogo de Bolonha 2012: 7 títulos</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/17/peiropolis-tem-7-titulos-no-catalogo-fnlij-2012-da-feira-de-bolonha/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 18:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Home]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.editorapeiropolis.com.br/?p=5526</guid>
		<description><![CDATA[Sete lançamentos infantojuvenis da Editora Peirópolis foram selecionados para integrar o catálogo da Feira de Bolonha em 2012. Entre eles, "Inveja", de Renata Borges, e "Passarinha", de Regina Berlim. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A FNLIJ &#8211; Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil &#8211; realiza uma seleção anual de obras brasileiras para integrarem o catálogo que a instituição leva à <a href="http://www.bolognachildrensbookfair.com/" target="_blank">Feira de Bolonha</a>. Na 49a. prestigiada feira dedicada ao livro infantil e juvenil, que acontece de 19 a 22 de março na cidade italiana, a Editora Peirópolis estará presente com sete lançamentos recentes. Para conhecê-los, navegue na página de cada um:</p>
<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=273&amp;tit=Inveja" target="_blank">Inveja</a>, Renata Borges<br />
<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=268&amp;tit=Meu+tio+lobisomem" target="_blank">Meu tio lobisomem</a>, Manu Maltez<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=269&amp;tit=Passarinha" target="_blank"><br />
Passarinha</a>, Regina Berlim<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=255&amp;tit=Vestido+de+menina" target="_blank"><br />
Vestido de menina</a>, Tatiana Filinto<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=260&amp;tit=%C3%81rvores+do+Brasil+-+cada+poema+no+seu+galho" target="_blank"><br />
Árvores do Brasil</a>, Lalau e Laurabeatriz<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=272&amp;tit=Dinos+do+Brasil" target="_blank"><br />
Dinos do Brasil</a>, Luiz E. Anelli<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=271&amp;tit=Lenhador%2C+O" target="_blank"><br />
O Lenhador</a>, Catullo da Paixão Cearense</p>
<p>&nbsp;</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Peirópolis no Acervo básico da FNLIJ: 7 títulos em 5 categorias</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/14/peiropolis-no-acervo-basico-da-fnlij/</link>
		<comments>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/14/peiropolis-no-acervo-basico-da-fnlij/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 18:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Home]]></category>

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		<description><![CDATA[Na categoria "Criança", estão "Saco de mentiras", de Lenice Gomes e Arlene Holanda; "A paixão de A e Z", de Alonso Alvarez; e "Vale quanto pesa", de Verônica Couto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para conhecer os títulos selecinados, navegue na página de cada um:</p>
<p><strong>Categoria Criança</strong><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=239&amp;tit=Vale+quanto+pesa" target="_blank"><br />
Vale quanto pesa</a>, de Verônica Couto, ilustrações de Daniel  Bueno<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=225&amp;tit=Saco+de+mentiras%2C+paix%C3%A3o+de+verdade" target="_blank"><br />
Saco de mentiras, paixão de verdade</a>, de Lenice Gomes e  Arlene Holanda, ilustrações de Taisa Borges<br />
<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=227&amp;tit=paix%C3%A3o+de+A+e+Z%2C+A+-+Uma+hist%C3%B3ria+de+amor+no+alfabeto" target="_blank">A paixão de A e Z: uma história de amor no alfabeto</a>, de  Alonso Alvarez, ilustrações de Marcelo Cipis</p>
<p><strong>Categoria Tradução/adaptação criança</strong><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=250&amp;tit=Grande+Assim%3A+uTshepo+Mde" target="_blank"><br />
Grande assim</a>, de Mhlobo Jadezweni, tradução de Regina  Berlim, ilustrações de Hannah Morris</p>
<p><strong>Categoria Poesia</strong><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=245&amp;tit=Flagrantes+do+tempo+-+Poema-reportagem+na+Pauliceia" target="_blank"><br />
Flagrantes do tempo: poema-reportagem na Pauliceia</a>, de Luciana Tonelli</p>
<p><strong>Categoria Literatura em Língua  Portuguesa</strong><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=249&amp;tit=Dez+contos+do+al%C3%A9m-mar" target="_blank"><br />
Dez contos de além-mar</a>, de Adolfo Coelho e Teófilo Braga,  organizado por Ana Carolina Carvalho, ilustrações Taisa Borges</p>
<p><strong>Categoria Jovem</strong><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=220&amp;tit=Lobisomem+da+Paulista%2C+O" target="_blank"><br />
O lobisomem da Paulista: e outras aventuras para o ano inteiro</a>, de José Arrabal, ilustrações de Taisa Borges</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Manual da criança caiçara &#8211; clipping</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/06/manual-da-crianca-caicara-clipping/</link>
		<comments>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/06/manual-da-crianca-caicara-clipping/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 14:07:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Atendimento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Na Midia]]></category>

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		<description><![CDATA[EM MEIO IMPRESSO: Manual da criança Caiçara no Globinho do RJ: EM MEIO DIGITAL: Portal Cronópios: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5311 &#160; Estação memória: http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/2012/02/01/manual-da-crianca-caicara-uma-obra-que-nao-pode-faltar-na-biblioteca/ Famaliá: http://www.famalia.com.br/?p=10277 &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>EM MEIO IMPRESSO:</strong></p>
<p>Manual da criança Caiçara no <em>Globinho</em> do RJ:</p>
<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/02/o_globo_rio_de_janeiro_rj_pg_3_2012_02_11_74.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-5482" title="o_globo_rio_de_janeiro_rj_pg_3_2012_02_11_74" src="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/02/o_globo_rio_de_janeiro_rj_pg_3_2012_02_11_74-300x291.jpg" alt="" width="300" height="291" /></a></p>
<p><strong>EM MEIO DIGITAL:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Portal Cronópios:</p>
<p><a href="http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5311">http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5311</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estação memória:</p>
<p><a href="http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/2012/02/01/manual-da-crianca-caicara-uma-obra-que-nao-pode-faltar-na-biblioteca/">http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/2012/02/01/manual-da-crianca-caicara-uma-obra-que-nao-pode-faltar-na-biblioteca/</a></p>
<p>Famaliá:</p>
<p><a href="http://www.famalia.com.br/?p=10277">http://www.famalia.com.br/?p=10277</a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Manual da criança caiçara: um livro feito a muitas mãos</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/02/lancamento-manual-da-crianca-caicara-de-marie-ange-bordas-42-sp/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 14:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Home]]></category>

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		<description><![CDATA[Resultante do prêmio Interações Estéticas em Pontos de Cultura, o livro da fotógrafa e educadora Marie Ange Bordas busca diminuir as distâncias entre cultura caiçara e cultura dominante no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de 10 anos desenvolvendo projetos colaborativos de arte e jornalismo em comunidades de refugiados e com crianças e jovens na Europa, África do Sul, Quênia, Etiópia, Sri Lanka e Colômbia, a artista visual e educadora <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=345&amp;nome=Marie+Ange+Bordas" target="_blank">Marie Ange Bordas</a> retornou ao Brasil para dedicar-se a um projeto de valorização das culturas tradicionais brasileiras através dos saberes e fazeres de suas crianças. O <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=276&amp;tit=Manual+da+crian%C3%A7a+cai%C3%A7ara+" target="_blank">Manual da criança caiçara</a> é fruto de seu encontro com os moradores da comunidade da Barra do Ribeira, em Iguape, litoral sul de São Paulo, e foi elaborado de forma a conduzir o pequeno leitor àquele universo cultural.</p>
<p>Para realizá-lo, Marie Ange elaborou um projeto chamado &#8220;Laboratório de Saberes Caiçaras&#8221;, um dos contemplados com o prêmio Interações Estéticas &#8211; Residências Artísticas em Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura. Realizado entre 2010 e 2011, a proposta do laboratório foi criar um espaço onde as crianças fossem as protagonistas do resgate e da valorização de sua cultura caiçara de forma lúdica e participativa.</p>
<p>Um dos exercícios que Marie Ange propôs às crianças foi o diálogo com uma &#8220;marciana&#8221;, no caso ela, no papel de alguém que nada sabe daquele povo e daquele lugar. Com isso, estimulou o reconhecimento e valorização da cultura caiçara, além de combater preconceitos arraigados, como o que diz que o caiçara é &#8220;preguiçoso&#8221;. As fotoilustrações do livro também são resultado deste processo colaborativo, misturando fotos de paisagens e personagens locais com os desenhos realizados pelas crianças e pelo jovem ilustrador local, Henrique Ripari. O livro também conta com quatro histórias da escritora Meire Cazumbá e com um texto do antropólogo Antonio Carlos Guedes sobre cultura caiçara (disponível abaixo).</p>
<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=276&amp;tit=Manual+da+crian%C3%A7a+cai%C3%A7ara+" target="_blank">Manual da criança caiçara</a> foi lançado no dia 4 de fevereiro de 2012, na Livraria da Vila (São Paulo), e contou com a presença de crianças e jovens que assinam o trabalho com Marie Ange. A publicação teve apoio do ProAC &#8211; Programa de Ação Cultural 2010 do Governo da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Durante o processo do &#8220;Laboratório de Saberes Caiçaras&#8221;, Marie Ange contou com a parceria da Associação Jovens da Jureia.</p>
<p>Para conhecer mais o trabalho de Marie Ange Bordas, visite o site da  autora, que traz produções realizadas na África, Europa e Estados Unidos  &#8211; <a href="http://www.marieangebordas.com/" target="_blank">http://www.marieangebordas.com/</a> &#8211; e leia entrevista concedida pela autora e publicada na seção<a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/category/sala-do-professor/" target="_blank"> Sala do Professor</a>.</p>
<p>Confira em seguida o texto de Antonio Carlos Guedes e o sumário do livro.<br />
Convite e release na <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/01/26/manual-da-crianca-caicara-release/" target="_blank">Sala de Imprensa</a>.<br />
<strong>A CULTURA CAIÇARA</strong></p>
<p><em>por Antonio Carlos Guedes</em><br />
<em> Antropólogo e coordenador científico do Nupaub-USP</em></p>
<p>Os caiçaras, até pouco tempo, só eram conhecidos por quem visitava o litoral entre o Paraná e o Rio de Janeiro. Os turistas podiam ver de perto seu modo de vida definido pela pesca tradicional em canoas feitas de um tronco só, o artesanato e o cultivo de pequenas roças. Mas nem sempre chegavam a conhecer esta cultura rica, marcada por músicas e danças como o fandango e as cirandas, e festas como o Reisado. Com seu jeito muito próprio de falar, o caiçara também podia revelar ao visitante todo o seu conhecimento aguçado das plantas, dos peixes e dos animais que vivem na Mata Atlântica.</p>
<p>Infelizmente, tudo isso está ameaçado. As crianças caiçaras e as suas famílias correm o risco de perder sua identidade, sua história e muitas coisas importantes para elas. E por que isso acontece? De um lado, está a especulação imobiliária, que invadiu as praias para a construção de grandes condomínios. Do outro, os parques naturais, onde são proibidas as atividades tradicionais dos caiçaras. O resultado é que eles têm sido forçados a se mudar para os bairros mais afastados das cidades, longe das praias.</p>
<p>Assim como os quilombolas, os índios, os caboclos, os caipiras, os caiçaras são conhecidos como &#8220;povos e comunidades tradicionais&#8221;. Em 2007, uma lei federal &#8211; ou seja, que vale para todo o Brasil &#8211; criou a Política Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais. Essa lei diz que é preciso valorizar essas culturas, garantir que continuam existindo e que sejam conhecidas por cada vez mais gente, para que não se percam as tradições passadas entre gerações.</p>
<p>Este Manual da criança caiçara foi produzido a partir da contribuição das crianças caiçaras da Jureia. Por meio de diálogos, vão surgindo com força os diferentes aspectos da cultura material, como as técnicas de pesca, da pequena agricultura, do artesanato; e também da cultura imaterial, como o fandango, a preparação da comida, as lendas, as representações do mundo natural. Em especial do mar, da mata e dos seres, visíveis e invisíveis, que ali vivem. Tomara que toda esta riqueza entre nas salas de aula, dialogando com outras crianças brasileiras e inspirando seus professores.</p>
<p><strong>SUMÁRIO</strong></p>
<p>Manual para marcianos<br />
Ser criança caiçara é<br />
Palavras em tupi<br />
Peixe na cueca<br />
Brincadeiras<br />
Férias no Grajaúna<br />
No túnel do tempo<br />
Fandango<br />
Comidas<br />
Tecnologia<br />
A árvore que nasce do céu<br />
Seu Sátiro<br />
Cobras e Lagartos<br />
O Teiú<br />
Os Bichos<br />
Mundo Animal<br />
Causos da bicharada<br />
O exército das mutucas<br />
Histórias de assustar<br />
Lixo, não<br />
Quatro em um<br />
Caderno do Lucas<br />
Pesca artesanal<br />
Em extinção<br />
Curiosidades<br />
Conchas do grajaúna<br />
Fazendo livro<br />
A cultura caiçara + Mapa da Jureia</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Bolinho de chuva e outras miudezas &#8211; release</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/02/bolinho-de-chuva-e-outras-miudezas-release/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 12:22:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Atendimento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sala de Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia aqui o release do lançamento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/convite_bolinho_w1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-5454" title="convite_bolinho_w" src="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/convite_bolinho_w1-300x255.jpg" alt="" width="300" height="255" /></a></p>
<p>Leia <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Release_-Bolinho-de-chuva-e-outras-miudezas.pdf">aqui</a> o release do lançamento.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Paulo Netho, autor de Bolinho de chuva</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/02/01/entrevista-com-o-poeta-paulo-netho-autor-de-bolinho-de-chuva/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 17:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>

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		<description><![CDATA[O encantador Bolinho de chuva e outras miudezas, do poeta Paulo Netho, é o mais recente lançamento da linha de poesia para crianças da Peirópolis.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=283&amp;tit=Bolinho+de+chuva+e+outras+miudezas" target="_blank">Bolinho de chuva e outras miudezas</a>, do poeta <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=349&amp;nome=Paulo+Netho" target="_blank">Paulo Netho</a>, é o mais recente lançamento de poesia para o público infantil da Editora Peirópolis. Seu autor integra a tribo de poetas que inspira a vida e a devolve em poesia o tempo todo, levando-a para o contato direto com o público em apresentações com Salatiel Silva, seu parceiro constante no grupo Balaio de Dois. Em entrevista neste post o autor fala da sua concepção de poesia para crianças, da experiência com poesia na escola e dos escritores que o influenciaram, entre eles <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=132&amp;nome=Francisco+Marques+%28Chico+dos+Bonecos%29" target="_blank">Francisco Marques, o Chico dos Bonecos</a>, que teve participação ativa neste lançamento. As ilustrações são de <a href="../biografia/?autor=347&amp;nome=Carla+Irusta" target="_blank">Carla Irusta</a>.</p>
<p>Confira abaixo a entrevista com o autor.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><br />
Entrevista com Paulo Netho: o lugar da poesia na infância, na escola, no mundo</strong></p>
<p><em>No blog Cara de Pavio você revela que o desejo de ser artista nasceu aos 10 anos, quando assistia a uma apresentação do mímico Ricardo Bandeira. Não é curioso que você tenha escolhido justamente a poesia, arte da palavra e em geral solitária, distante de apresentações públicas?</em></p>
<p>Curiosíssimo mesmo porque quando garoto eu nutria o sonho de ser jogador de futebol, mas depois daquele sábado frio de 1975, no auditório da escola, quando o mímico interagiu comigo – talvez porque tenha notado os meus olhos arregalados, o meu queixo caído, sei lá, o meu encantamento de menino esquecido – aquele simples ato marcou-me para todo o sempre. Lembro-me bem, o Ricardo Bandeira estava num ponto do palco fazendo de conta que esticava um chiclete tirado da boca e eu do lado oposto, sentado na plateia; ele se aproximou de mim e me deu a outra ponta daquela goma de mascar inventada e eu puxava com força como se estivesse puxando um cabo de guerra, como se aquilo fosse um legítimo chiclete; e era, e, é, até hoje.</p>
<p>Depois desse dia, houve uma apresentação dos alunos naquele mesmo auditório e eu me encorajei e recitei uns versinhos para a dona Antonieta, minha querida e inesquecível professora de História. Essa foi a primeira vez que recitei para um público e gostei da experiência, mas não sabia se iria fazer isso outra vez. Mas daí quando comecei a escrever poesias, a necessidade de recitar o que escrevia falou mais alto, por causa do desejo que tinha de encontrar interlocutores dispostos a dividir e multiplicar comigo pequenas frações de emoção.</p>
<p>Nessa minha trajetória, a palavra falada sempre foi uma coisa muito forte, tão forte como a solitária arte da escrita. Embora se diga por aí que a poesia não tem utilidade nenhuma, eu logo percebi que as pessoas precisam de vento na alma, passei a escrever e a recolher ventos para depois soprá-los a quem quer que seja sem me importar se alguém quer ouvir ou não, como naquela canção do Milton Nascimento. Enfim, no meu caso, a palavra falada não só alavancou a palavra escrita, como me deu voz e vez na vida. Então, vejo com naturalidade os momentos em que estou me apresentando publicamente. Gosto dessa situação prazerosa.</p>
<p><em>Bolinho de chuva e outras miudezas, seu sexto livro, traz poemas muito bem relacionados entre si, formando uma sequência de leitura muito fluida. Como foi que eles nasceram? São todos de uma mesma safra, ou você foi guardando para uma seleção posterior?</em></p>
<p>Preciso confessar uma coisa antes: já havia a intenção de publicar algo pela Peirópolis por causa do <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=132&amp;nome=Francisco+Marques+%28Chico+dos+Bonecos%29" target="_blank">Chico dos Bonecos</a> (meu amigo-irmão). Quando conheci a <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=247&amp;nome=Renata+Farhat+Borges" target="_blank">Renata Borges</a>, disse a ela que um dia faria um livro especialmente para a editora. Então passei a escrever e a burilar os poemas e mandava para o Chico e recebia suas críticas, opiniões e apoio. Dos 41 poemas do Bolinho de Chuva, apenas três &#8211; &#8220;Mico geral&#8221;, &#8220;Vale ouro&#8221; e &#8220;Como quiser&#8221; &#8211; puxei dos meus guardados. Os outros 38 são inéditos, são frutos dos exercícios de esquecimento que costumo praticar – e foi aí que comecei a povoar as páginas em branco de meninos, pássaros, sonhos, crenças e gracejos.</p>
<p><em>Sua poesia tem um pé na linguagem coloquial contemporânea, cheia de humor, como nos mostra dois títulos de poemas – “Mico geral” e “Mega desamparo” –, ao mesmo tempo em que tem ares muito atemporais. Quais escritores te alimentaram no percurso?</em></p>
<p>São tantos, mas vou começar pelos poetas: Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles, Henriqueta Lisboa, Oswald e Mário de Andrade, Murilo Mendes, Mário Quintana, Manoel de Barros, Adélia Prado, José Paulo Paes, Elias José, Ferreira Gullar, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes, Sérgio Capparelli, e, é claro, o Chico dos Bonecos.</p>
<p>Isso sem contar outros autores que adoro, como: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges, Eduardo Galeano, Italo Calvino, Godofredo Rangel, Guimarães Rosa, José Mauro de Vasconcelos, Henrique Félix, Roseana Murray, Eva Furnari, Tatiana Belinky e mais um monte.</p>
<p><em>Chico dos Bonecos conta que a leitura dos seus poemas não foi apenas uma leitura em si: ela apresentou a ele uma pessoa. Isso diz muito sobre a subjetividade que se encontra no texto poético, mais do que em qualquer outro. Em Bolinho de chuva e outras miudezas o &#8220;eu lírico&#8221; e o &#8220;eu biográfico&#8221; andam juntos?</em></p>
<p>De mãos dadas, abraçadinhos, o tempo todo. Um e outro compõem a minha voz poética.</p>
<p><em>Muito se comenta sobre a falta de disposição das escolas em geral para trabalhar com o texto poético. Considerando que a maior riqueza da poesia não é captada por interpretações racionais que buscam &#8220;qual a mensagem&#8221;, alguns professores preferem evitá-la. Como tem sido a sua experiência em relação a isso? </em></p>
<p>Quando as coisas não passam pelo coração, eu nada entendo. Lendo a biografia de Villa-Lobos, colhi um depoimento do compositor onde ele demonstra a fé que tinha nas crianças e nos jovens ao defender a importância de ensinar o canto orfeônico nas escolas do Brasil de sua época; achava essencial educar os nossos alunos para que tivessem uma educação primária de senso estético.</p>
<p>Transportando essa sabedoria para a poesia, a minha experiência como recitador me mostrou que as crianças e os adolescentes são sensíveis à poesia, sim; o que falta é gente bem treinada para o exercício vital de mediar ventos com essa gente que se entrega aos deslumbramentos das primeiras descobertas, algo que a poesia enseja nas pessoas.</p>
<p>Certa vez, cheguei a uma escola para recitar e a professora foi logo dizendo que os seus alunos não iam me ouvir, porque eles não gostam de poesia, porque eles não gostam de nada. Para encurtar a ladainha, eu disse que mesmo assim queria tentar e o resultado não poderia ter sido melhor: os alunos não só me ouviram como recitaram comigo e não queriam que eu fosse embora. Então, além de ensinar o senso estético, as escolas e os professores precisam urgentemente compreender que a poesia ajuda a construir uma pessoa. Graças ao exercício de ler e recitar poesia consegui vencer os meus medos mais remotos, como uma gagueira emocional e, além disso, a poesia, embora “não sirva para nada”, me ajudou a construir a minha história, uma história todinha feita de palavras.</p>
<p><em>Desde 1997 você se apresenta com seu parceiro Salatiel Silva no grupo Balaio de Dois, fazendo recitais em escolas, bibliotecas, livrarias, Sescs e eventos do mundo do livro. O que mais te marcou nesses 14 anos de andanças e contato com o público infantil?</em></p>
<p>O que mais me marcou nesse tempo todo, sem dúvida alguma, foi notar a disposição que as pessoas têm para voar; voar com palavras altaneiras, repletas de imagens inusitadas. Tanto adultos como crianças, em nossas apresentações, experimentam exercícios de leveza como o que aconteceu com um menininho de uns 5 anos, mais ou menos, chamado Luiz Antônio. Ele esteve em cinco das seis apresentações do Balaio de Dois no SESC Vila Mariana. Sabia tudo de cor: cantou, recitou, tirou foto com a gente, nos ofereceu suco, apresentou a mãe, o pai, a irmãzinha e até deu uma canja para delírio da plateia.</p>
<p>Assim como esse menininho, muitas outras crianças se rendem aos encantos que a boa palavra provoca no ouvinte. E a exemplo do Ricardo Bandeira, acredito que estamos deixando marcas indeléveis nas crianças de hoje, e, por menor que seja, a marca de cada um sempre fica. Todas as vezes em que estou diante das crianças assoprando-lhes delícias poéticas, parece que algo extraordinário acontece. Primeiro, achava que as crianças gostavam de ser provocadas por mim, mas depois observei outras coisas; notei, por exemplo, que a minha ação não se limitava – única e exclusivamente – a uma simples provocação. Tinha algo a mais, a que aqui vou chamar de convocação.</p>
<p><em>E a que você as convocaria?</em></p>
<p>A degustarem o mundo maravilhoso dos livros e da leitura. Aliás, eis a ponte que primeiro nos uniu. Nesses encontros, o meu objetivo sempre é o de presenteá-las com palavras boas de ouvir e dizer, sem nenhuma preocupação moralista e nem mesmo didática. A minha intervenção tem outra natureza, que é a de trazê-las para os mistérios e as alegrias das falas adormecidas. A isso me proponho. Afinal, nunca desejei nada mais do que isto. Apenas isto.</p>
<p><em>A poeta Henriqueta Lisboa, autora de <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=189&amp;tit=Menino+poeta%2C+O" target="_blank">O menino poeta</a>, disse que não existe poesia &#8220;para crianças&#8221;, que não escrevia especificamente para um público &#8220;x&#8221;, e muitos outros escritores concordam com ela. Como é isso pra você? Seu texto surge &#8220;sem endereço&#8221;, ou você considera uma faixa etária?</em></p>
<p>Aprendi isso com o Chico dos Bonecos, não escrevemos para as crianças, escrevemos para a Infância. Fazemos livros em que as pessoas possam se reconhecer e possam trocar afetos novos e afetos esquecidos. Afetos de todas as maneiras.</p>
<p><em>Então você vivencia o &#8220;estado de infância&#8221; de que falam alguns poetas, como Manoel de Barros? Será que a melhor poesia &#8220;para crianças&#8221; é, na verdade, uma poesia que canta a infância, uma poesia que celebra as &#8220;miudezas&#8221; que perdemos pelo caminho?</em></p>
<p>Acredito piamente nisso e é por isso que eu olho para as coisas como se fosse a primeira vez. Respeito os progressos da modernidade, mas me vejo eternamente como um menino antigo que ainda se encanta com a imagem da mãe cantando: “Quando eu morrer me enterre na lapinha/ calça, culote, paletó, almofadinha”. O mundo está atribulado e falar das miudezas perdidas foi o caminho que encontrei, só assim consigo restituir todas as minhas faltas.</p>
<p><em>Você é autor de outros cinco títulos. Como cada livro é como um filho, uma história singular para o autor, o que este lançamento lhe traz em especial?</em></p>
<p>Como disse, escrevi este livro para restituir todas as minhas faltas e sinceramente espero que o lançamento deste “Bolinho de Chuva e outras miudezas” possa fazer moradia no coração do leitor.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Lançamento: Bolinho de chuva, de Paulo Netho &#8211; 11/02, SP</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 00:57:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[O encantador Bolinho de chuva e outras miudezas, do poeta Paulo Netho, terá lançamento com grande festa para a meninada! Confira a programação e leia entrevista neste post.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=283&amp;tit=Bolinho+de+chuva+e+outras+miudezas" target="_blank">Bolinho de chuva e outras miudezas</a>, do poeta <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=349&amp;nome=Paulo+Netho" target="_blank">Paulo Netho</a>, terá sábado de festa! Para celebrar seu lançamento, o autor fará um recital com a participação do poeta e arte-educador <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=67&amp;tit=Galeio+-+Antologia+po%C3%A9tica+para+crian%C3%A7as+e+adultos" target="_blank">Francisco Marques, o Chico dos Bonecos</a>, e dos músicos Salatiel Silva, Edson Santana e Ricardo Kabelo, reunidos no que Paulo Netho chama de &#8220;recitadórico musical”. O evento acontece às 15hs na Livraria da Vila (Unidade Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena).</p>
<p><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=349&amp;nome=Paulo+Netho" target="_blank">Paulo Netho</a> integra a tribo de poetas que inspira a vida e a devolve em poesia o tempo todo, levando-a para o contato direto com o público em apresentações com Salatiel Silva, seu parceiro constante no grupo Balaio de Dois. Em entrevista neste post o autor fala da sua concepção de poesia para crianças, da experiência com poesia na escola e dos escritores que o influenciaram, entre eles <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=132&amp;nome=Francisco+Marques+%28Chico+dos+Bonecos%29" target="_blank">Francisco Marques, o Chico dos Bonecos</a>, que teve participação ativa neste lançamento. As ilustrações são de <a href="../biografia/?autor=347&amp;nome=Carla+Irusta" target="_blank">Carla Irusta</a>.</p>
<p>Confira abaixo a agenda do lançamento e entrevista com o autor.</p>
<p><strong><br />
AGENDA</strong></p>
<p><strong>O que:</strong> lançamento de <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=283&amp;tit=Bolinho+de+chuva+e+outras+miudezas" target="_blank">Bolinho de chuva e outras miudezas</a><br />
<strong>Quando:</strong> dia 11 de fevereiro, às 15hs<br />
<strong>Onde:</strong> Livraria da Vila &#8211; Rua Fradique Coutinho, 915 &#8211; Vila Madalena, São Paulo / SP<br />
Como: com recital do autor em companhia do poeta e arte-educador Francisco Marques, o Chico dos Bonecos, e dos músicos Salatiel Silva, Edson Santana e Ricardo Kabelo.<strong> </strong></p>
<p><strong><br />
Entrevista com Paulo Netho: o lugar da poesia na infância, na escola, no mundo</strong></p>
<p><em>No blog Cara de Pavio você revela que o desejo de ser artista nasceu aos 10 anos, quando assistia a uma apresentação do mímico Ricardo Bandeira. Não é curioso que você tenha escolhido justamente a poesia, arte da palavra e em geral solitária, distante de apresentações públicas?</em></p>
<p>Curiosíssimo mesmo porque quando garoto eu nutria o sonho de ser jogador de futebol, mas depois daquele sábado frio de 1975, no auditório da escola, quando o mímico interagiu comigo – talvez porque tenha notado os meus olhos arregalados, o meu queixo caído, sei lá, o meu encantamento de menino esquecido – aquele simples ato marcou-me para todo o sempre. Lembro-me bem, o Ricardo Bandeira estava num ponto do palco fazendo de conta que esticava um chiclete tirado da boca e eu do lado oposto, sentado na plateia; ele se aproximou de mim e me deu a outra ponta daquela goma de mascar inventada e eu puxava com força como se estivesse puxando um cabo de guerra, como se aquilo fosse um legítimo chiclete; e era, e, é, até hoje.</p>
<p>Depois desse dia, houve uma apresentação dos alunos naquele mesmo auditório e eu me encorajei e recitei uns versinhos para a dona Antonieta, minha querida e inesquecível professora de História. Essa foi a primeira vez que recitei para um público e gostei da experiência, mas não sabia se iria fazer isso outra vez. Mas daí quando comecei a escrever poesias, a necessidade de recitar o que escrevia falou mais alto, por causa do desejo que tinha de encontrar interlocutores dispostos a dividir e multiplicar comigo pequenas frações de emoção.</p>
<p>Nessa minha trajetória, a palavra falada sempre foi uma coisa muito forte, tão forte como a solitária arte da escrita. Embora se diga por aí que a poesia não tem utilidade nenhuma, eu logo percebi que as pessoas precisam de vento na alma, passei a escrever e a recolher ventos para depois soprá-los a quem quer que seja sem me importar se alguém quer ouvir ou não, como naquela canção do Milton Nascimento. Enfim, no meu caso, a palavra falada não só alavancou a palavra escrita, como me deu voz e vez na vida. Então, vejo com naturalidade os momentos em que estou me apresentando publicamente. Gosto dessa situação prazerosa.</p>
<p><em>Bolinho de chuva e outras miudezas, seu sexto livro, traz poemas muito bem relacionados entre si, formando uma sequência de leitura muito fluida. Como foi que eles nasceram? São todos de uma mesma safra, ou você foi guardando para uma seleção posterior?</em></p>
<p>Preciso confessar uma coisa antes: já havia a intenção de publicar algo pela Peirópolis por causa do <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=132&amp;nome=Francisco+Marques+%28Chico+dos+Bonecos%29" target="_blank">Chico dos Bonecos</a> (meu amigo-irmão). Quando conheci a <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=247&amp;nome=Renata+Farhat+Borges" target="_blank">Renata Borges</a>, disse a ela que um dia faria um livro especialmente para a editora. Então passei a escrever e a burilar os poemas e mandava para o Chico e recebia suas críticas, opiniões e apoio. Dos 41 poemas do Bolinho de Chuva, apenas três &#8211; &#8220;Mico geral&#8221;, &#8220;Vale ouro&#8221; e &#8220;Como quiser&#8221; &#8211; puxei dos meus guardados. Os outros 38 são inéditos, são frutos dos exercícios de esquecimento que costumo praticar – e foi aí que comecei a povoar as páginas em branco de meninos, pássaros, sonhos, crenças e gracejos.</p>
<p><em>Sua poesia tem um pé na linguagem coloquial contemporânea, cheia de humor, como nos mostra dois títulos de poemas – “Mico geral” e “Mega desamparo” –, ao mesmo tempo em que tem ares muito atemporais. Quais escritores te alimentaram no percurso?</em></p>
<p>São tantos, mas vou começar pelos poetas: Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles, Henriqueta Lisboa, Oswald e Mário de Andrade, Murilo Mendes, Mário Quintana, Manoel de Barros, Adélia Prado, José Paulo Paes, Elias José, Ferreira Gullar, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes, Sérgio Capparelli, e, é claro, o Chico dos Bonecos.</p>
<p>Isso sem contar outros autores que adoro, como: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges, Eduardo Galeano, Italo Calvino, Godofredo Rangel, Guimarães Rosa, José Mauro de Vasconcelos, Henrique Félix, Roseana Murray, Eva Furnari, Tatiana Belinky e mais um monte.</p>
<p><em>Chico dos Bonecos conta que a leitura dos seus poemas não foi apenas uma leitura em si: ela apresentou a ele uma pessoa. Isso diz muito sobre a subjetividade que se encontra no texto poético, mais do que em qualquer outro. Em Bolinho de chuva e outras miudezas o &#8220;eu lírico&#8221; e o &#8220;eu biográfico&#8221; andam juntos?</em></p>
<p>De mãos dadas, abraçadinhos, o tempo todo. Um e outro compõem a minha voz poética.</p>
<p><em>Muito se comenta sobre a falta de disposição das escolas em geral para trabalhar com o texto poético. Considerando que a maior riqueza da poesia não é captada por interpretações racionais que buscam &#8220;qual a mensagem&#8221;, alguns professores preferem evitá-la. Como tem sido a sua experiência em relação a isso? </em></p>
<p>Quando as coisas não passam pelo coração, eu nada entendo. Lendo a biografia de Villa-Lobos, colhi um depoimento do compositor onde ele demonstra a fé que tinha nas crianças e nos jovens ao defender a importância de ensinar o canto orfeônico nas escolas do Brasil de sua época; achava essencial educar os nossos alunos para que tivessem uma educação primária de senso estético.</p>
<p>Transportando essa sabedoria para a poesia, a minha experiência como recitador me mostrou que as crianças e os adolescentes são sensíveis à poesia, sim; o que falta é gente bem treinada para o exercício vital de mediar ventos com essa gente que se entrega aos deslumbramentos das primeiras descobertas, algo que a poesia enseja nas pessoas.</p>
<p>Certa vez, cheguei a uma escola para recitar e a professora foi logo dizendo que os seus alunos não iam me ouvir, porque eles não gostam de poesia, porque eles não gostam de nada. Para encurtar a ladainha, eu disse que mesmo assim queria tentar e o resultado não poderia ter sido melhor: os alunos não só me ouviram como recitaram comigo e não queriam que eu fosse embora. Então, além de ensinar o senso estético, as escolas e os professores precisam urgentemente compreender que a poesia ajuda a construir uma pessoa. Graças ao exercício de ler e recitar poesia consegui vencer os meus medos mais remotos, como uma gagueira emocional e, além disso, a poesia, embora “não sirva para nada”, me ajudou a construir a minha história, uma história todinha feita de palavras.</p>
<p><em>Desde 1997 você se apresenta com seu parceiro Salatiel Silva no grupo Balaio de Dois, fazendo recitais em escolas, bibliotecas, livrarias, Sescs e eventos do mundo do livro. O que mais te marcou nesses 14 anos de andanças e contato com o público infantil?</em></p>
<p>O que mais me marcou nesse tempo todo, sem dúvida alguma, foi notar a disposição que as pessoas têm para voar; voar com palavras altaneiras, repletas de imagens inusitadas. Tanto adultos como crianças, em nossas apresentações, experimentam exercícios de leveza como o que aconteceu com um menininho de uns 5 anos, mais ou menos, chamado Luiz Antônio. Ele esteve em cinco das seis apresentações do Balaio de Dois no SESC Vila Mariana. Sabia tudo de cor: cantou, recitou, tirou foto com a gente, nos ofereceu suco, apresentou a mãe, o pai, a irmãzinha e até deu uma canja para delírio da plateia.</p>
<p>Assim como esse menininho, muitas outras crianças se rendem aos encantos que a boa palavra provoca no ouvinte. E a exemplo do Ricardo Bandeira, acredito que estamos deixando marcas indeléveis nas crianças de hoje, e, por menor que seja, a marca de cada um sempre fica. Todas as vezes em que estou diante das crianças assoprando-lhes delícias poéticas, parece que algo extraordinário acontece. Primeiro, achava que as crianças gostavam de ser provocadas por mim, mas depois observei outras coisas; notei, por exemplo, que a minha ação não se limitava – única e exclusivamente – a uma simples provocação. Tinha algo a mais, a que aqui vou chamar de convocação.</p>
<p><em>E a que você as convocaria?</em></p>
<p>A degustarem o mundo maravilhoso dos livros e da leitura. Aliás, eis a ponte que primeiro nos uniu. Nesses encontros, o meu objetivo sempre é o de presenteá-las com palavras boas de ouvir e dizer, sem nenhuma preocupação moralista e nem mesmo didática. A minha intervenção tem outra natureza, que é a de trazê-las para os mistérios e as alegrias das falas adormecidas. A isso me proponho. Afinal, nunca desejei nada mais do que isto. Apenas isto.</p>
<p><em>A poeta Henriqueta Lisboa, autora de <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=189&amp;tit=Menino+poeta%2C+O" target="_blank">O menino poeta</a>, disse que não existe poesia &#8220;para crianças&#8221;, que não escrevia especificamente para um público &#8220;x&#8221;, e muitos outros escritores concordam com ela. Como é isso pra você? Seu texto surge &#8220;sem endereço&#8221;, ou você considera uma faixa etária?</em></p>
<p>Aprendi isso com o Chico dos Bonecos, não escrevemos para as crianças, escrevemos para a Infância. Fazemos livros em que as pessoas possam se reconhecer e possam trocar afetos novos e afetos esquecidos. Afetos de todas as maneiras.</p>
<p><em>Então você vivencia o &#8220;estado de infância&#8221; de que falam alguns poetas, como Manoel de Barros? Será que a melhor poesia &#8220;para crianças&#8221; é, na verdade, uma poesia que canta a infância, uma poesia que celebra as &#8220;miudezas&#8221; que perdemos pelo caminho?</em></p>
<p>Acredito piamente nisso e é por isso que eu olho para as coisas como se fosse a primeira vez. Respeito os progressos da modernidade, mas me vejo eternamente como um menino antigo que ainda se encanta com a imagem da mãe cantando: “Quando eu morrer me enterre na lapinha/ calça, culote, paletó, almofadinha”. O mundo está atribulado e falar das miudezas perdidas foi o caminho que encontrei, só assim consigo restituir todas as minhas faltas.</p>
<p><em>Você é autor de outros cinco títulos. Como cada livro é como um filho, uma história singular para o autor, o que este lançamento lhe traz em especial?</em></p>
<p>Como disse, escrevi este livro para restituir todas as minhas faltas e sinceramente espero que o lançamento deste “Bolinho de Chuva e outras miudezas” possa fazer moradia no coração do leitor.</p>
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		<title>Marie Ange Bordas: ponte entre culturas</title>
		<link>http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/01/30/marie-ange-bordas-ponte-entre-culturas/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 19:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sala do Professor]]></category>

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		<description><![CDATA[Confira entrevista com a artista visual e educadora Marie Ange Bordas, autora do livro Manual da criança caiçara, realizado com o objetivo de levar para a escola brasileira saberes e costumes da comunidade dos caiçara do litoral sul de São Paulo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A artista visual <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=345&amp;nome=Marie+Ange+Bordas" target="_blank">Marie Ange Bordas</a> cria imagens densas e de grande beleza. Uma visita ao seu site deixa o navegante encantado com suas fotografias e instalações. No entanto essas imagens guardam uma espécie de incômodo, algo que torna impossível uma &#8220;navegação por águas rasas&#8221;. Para além da beleza, descobrimos que seu trabalho nasce de processos longos e complexos que envolvem comunidades onde ela vive por um tempo. É justamente da interação com as pessoas que ela concebe sua arte.</p>
<p>Marie Ange acredita na criação visual como ferramenta de construção e reconstrução de identidades individuais e coletivas. Ela propõe o exercício criativo a grupos em situação de fragilidade – como no projeto Deslocamentos, em que trabalhou no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia – e outros que vivenciam situações provisórias, situações de espera que podem durar toda uma vida.</p>
<p>Por dez anos ela esteve em trânsito em países diversos, frequentando várias línguas e culturas, tornando-se ela mesma um ser em constante ir-e-vir. Palavras como &#8220;lar&#8221;, &#8220;pertencimento&#8221;, &#8220;fronteira&#8221;, &#8220;memória&#8221;, &#8220;identidade&#8221; estão sempre presentes nos processos criativos vivenciados junto aos coletivos que conheceu.</p>
<p>Ao voltar para o Brasil em 2007, novos encontros: Marie Ange inicia um trabalho com comunidades nativas. Se antes estava ao lado de imigrantes, agora conhece lugares onde vivem potenciais emigrantes, como sertanejos e indígenas. O livro <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=276&amp;tit=Manual+da+crian%C3%A7a+cai%C3%A7ara+" target="_blank">Manual da criança caiçara</a>, lançamento de fevereiro de 2012 da Editora Peirópolis, é fruto de um desses novos encontros. Leia entrevista com a autora a seguir.<strong></strong></p>
<p><strong><br />
ENTREVISTA</strong><br />
<strong><br />
Conte-nos como foi que nasceu o projeto do livro Manual da criança caiçara.</strong></p>
<p>A idéia para o projeto nasceu do meu envolvimento anterior com comunidades tradicionais, combinado com uma conversa com associados do Ponto de Cultura Caiçara da Barra do Ribeira (SP), que sentiam falta de material didático nas escolas sobre a cultura caiçara. Considerei a demanda deles como um ponto de partida para pensarmos um livro para crianças que integrasse arte, literatura e informação de forma divertida e que também servisse para inserir os saberes tradicionais caiçaras nas escolas. Tendo isso claro, escrevemos um projeto de realização de um “laboratório criativo” com as crianças da Barra do Ribeira, agraciado com o Prêmio Interações Estéticas da Funarte/Minc, que promove parcerias entre artistas e Pontos de Cultura e viabilizou o trabalho.</p>
<p><strong><br />
A comunidade sempre tem um papel de protagonismo no seu trabalho. No caso do Manual da criança caiçara, como isso se deu?</strong></p>
<p>No caso da Barra do Ribeira, minha proposta foi criar um espaço na comunidade onde as crianças fossem as protagonistas do resgate e valorização da cultura caiçara de forma lúdica e participativa. O livro deveria surgir do que fosse vivenciado numa dinâmica de “laboratório” – ou seja, da criação a partir de um espaço de convívio onde promovemos encontros intergeneracionais para troca de experiências, contação de histórias e transmissão de saberes locais. A partir desses encontros fui montando uma estrutura com as informações e experiências trazidas e coletadas pelas crianças. Também criamos juntos imagens (desenhos e fotos) para ilustrá-las. Da realização do laboratório até a finalização do livro, foram dois anos de labuta!<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong><br />
Além da escrita do texto, você cuidou também, como já mencionou, da criação das imagens. Como foi isso? As crianças participaram dessa produção também?</strong></p>
<p>Sim. Criei as foto-ilustrações a partir das informações coletadas em diferentes situações. Às vezes tínhamos uma ideia para um assunto ou história, eu pensava numa situação e saíamos juntos para fotografar. Paralelamente ao trabalho com a comunidade, eu fotografava constantemente as paisagens, pessoas, lugares, texturas e atividades das crianças, criando um acervo imagético que serviu de base para muitas ilustrações. Definidos nossos assuntos, fazíamos sessões de desenho (ou as crianças traziam desenhos espontâneos) para ilustrá-los. De volta a São Paulo, com todo esse material em mãos, fui criando cada uma das foto-ilustrações.</p>
<p>Nesse processo de desenhar, foi fundamental a participação de Henrique Ripari, um jovem local com enorme talento que fez muitos dos desenhos que utilizamos, sobretudo dos animais e pessoas. Este é um aspecto de que gosto muito no trabalho: o de não só instigar a criatividade, mas também de descobrir, fomentar e/ou dar visibilidade a talentos latentes. Outro exemplo disso é o Lucas Gabriel, um menino meio prodígio que se diz “pescador-pesquisador” e entende tudo sobre peixes, com o qual criei o capítulo “Caderno do Lucas”.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong><br />
A pluralidade de atividades e histórias presentes no Manual faz dele um guia para quem deseja conhecer a vida dessas crianças. Diante de tanta diversidade e beleza, como foi a escolha de cada uma para a composição da obra?</strong></p>
<p>Acho que a riqueza do resultado se deve à abordagem da cultura caiçara a partir do cotidiano e da experiência de cada um, através da valorização das práticas, costumes e relações do dia-a-dia das próprias crianças. Não pretendemos impingir uma &#8220;tradição&#8221; imposta pelos mais velhos, exaltando apenas fatos, costumes e lendas passados, mas sim valorizar os saberes construídos no seu próprio cotidiano, tais como nomes de animais, plantas e lugares, a relação com o meio-ambiente, a identificação de comidas e de brincadeiras, incluindo um repertório de interesses próprio de uma juventude em contato com a cultura urbana.</p>
<p><strong><br />
Essa abordagem é muito interessante porque trata a cultura indígena, no caso a caiçara, como dinâmica. Uma cultura que inevitavelmente se encontra em diálogo – muitas vezes em atrito – com a cultura dominante no país. O que você observou sobre isso que poderia nos contar?</strong></p>
<p>O conceito de “tradição” muitas vezes imposto no discurso dominante sobre as culturas tradicionais, populares ou indígenas remete a algo estanque, apegado ao passado. Toda cultura é dinâmica, está em movimento; preservar e dar continuidade a saberes e fazeres ancestrais nunca é um ato isolado, alienado do presente.  Considero fundamental que protejamos e valorizemos as culturas tradicionais e seus movimentos de resistência, mas sem amordaçá-las a uma visão redutora e “purista”, que finalmente acaba é fortalecendo um mito de superioridade da tal “cultura dominante”.</p>
<p><strong><br />
Houve alguma dificuldade ou algum atrito a ser superado durante o tempo em que você esteve lá?</strong></p>
<p>Os desafios que se apresentaram são aqueles inerentes a qualquer relação humana e trabalho colaborativo! Mas um ponto que deu “muito pano pra manga” foi tentar assimilar, no resultado final, as reivindicações da comunidade e seu ponto de vista sobre a questão da Estação Ecológica Jureia-Itatins (que expulsou os moradores da região). Vocês podem encontrar mais sobre o assunto <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,area-de-conservacao-na-jureia-divide--governo-e-moradores-,798973,0.htm" target="_blank">neste link</a>.</p>
<p><strong><br />
Antes de chegar aos caiçaras, você realizou diversos outros trabalhos em que a relação com determinado grupo social e o processo vivenciado junto a esse grupo são determinantes para o resultado final. Você poderia contar um pouco como lida com essas duas características do seu trabalho – relação e processo?</strong></p>
<p>Na verdade, o que considero mais importante neste processo colaborativo é que o conteúdo, as informações de base (a “alma do assunto”) venham diretamente da comunidade. Ou seja, não sou eu, um agente de fora, que decide o que é “importante” naquela cultura e apresenta minha visão para o mundo. Como artista, funciono num primeiro momento mais como um “agente provocador”, que instiga as pessoas a enxergarem a riqueza de seu dia a dia, de maneira a irem costurando e dando novas formas aos elementos que o compõem. Num segundo momento, me beneficio da minha inserção social e profissional para servir de interlocutora entre mundos que, infelizmente, nem sempre dialogam.</p>
<p>Não considero ter exatamente “trabalhado” com essas pessoas, prefiro dizer que convivemos juntos com o objetivo comum de resgatar e dar visibilidade à sua cultura. Foram momentos normais de dia-a-dia, tomar café, almoçar, ir para a praia, passear com os meninos, um processo orgânico.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong><br />
Por serem realizados sempre fora de casa e com grupos diversos que muitas vezes se encontram em situações difíceis, seus projetos demandam grande energia. Quais as suas expectativas em relação a eles?</strong></p>
<p>Acredito na criação visual (fotografia/desenho) como uma ferramenta poderosa de construção/reconstrução de identidades individuais e comunitárias. No plano individual, ela provê uma janela para percepção de seu entorno e uma maneira de expressar-se criativamente. No plano coletivo, possibilita que comunidades tenham o controle de sua imagem e da representação de sua cultura. O ato de observar, treinar o olhar para realmente perceber seu entorno, para depois documentá-lo (literal ou abstratamente), abre um novo canal para a compreensão da sua realidade, um canal que pode promover novas interações sociais e conduzir ao fortalecimento de laços dentro da própria comunidade.</p>
<p><strong><br />
E no caso dos caiçaras em particular?</strong></p>
<p>No caso dos caiçaras, ao abraçarem a “missão” de pesquisar e criar histórias e retratar em fotos e desenhos sua realidade, as crianças tornam-se catalisadoras de um processo de revitalização da cultura/identidade local de forma orgânica e natural, contribuindo também para a construção de uma memória coletiva contemporânea. Minha expectativa é dar visibilidade aos saberes e fazeres dessas crianças e jovens e inseri-los “pela porta da frente” no meio cultural (hegemônico) dominante, sem visões estereotipadas e/ou vitimistas. Também é fundamental para mim contribuir para empoderar essa comunidade em sua luta pelo reconhecimento de suas terras, mostrando para o restante da sociedade seu ponto de vista sobre questões que as afetam diretamente.</p>
<p>Enfim, com esse trabalho espero, sobretudo, contribuir para a valorização da cultura tradicional de forma respeitosa e através do ponto de vista de seus protagonistas. Através da fala das crianças caiçaras, outras crianças que desconhecem essa cultura podem interagir e mesmo se reconhecer de igual para igual, sem hierarquias ou estereótipos. Meu desejo maior é de que o livro seja adotado pelo maior número de escolas possível, sobretudo nas redes públicas do litoral do Sudeste, para que os alunos caiçaras de SP, RJ e PR se sintam representados dentro de suas escolas, onde muitas vezes são discriminados.</p>
<p><strong><br />
<em>Para conhecer mais sobre o trabalho de Marie Ange Bordas, visite as seguintes entrevistas:</em><br />
</strong></p>
<p><em>Entrevista realizada por Arrigo Barnabé para o <a href=" http://www.culturabrasil.com.br/entrevistas/marie-ange-bordas-arte-em-estado-de-deslocamento-2" target="_blank">programa Supertônica</a>.</em><br />
<em> Entrevista concedida ao jornal do <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/ExtraClasseSinpro.pdf" target="_blank">Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul</a>.</em></p>
<address><em><strong>E as seguintes páginas deste site:</strong> </em></address>
<address>
<em> Página do livro <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/livro/?id=276&amp;tit=Manual+da+crian%C3%A7a+cai%C3%A7ara+" target="_blank">Manual da criança caiçara</a></em><br />
<em> Página da biografia de <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/biografia/?autor=345&amp;nome=Marie+Ange+Bordas" target="_blank">Marie Ange Bordas</a></em><br />
<em> Página sobre o <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/01/26/lancamento-manual-da-crianca-caicara-de-marie-ange-bordas-42-sp/" target="_blank">lançamento em São Paulo</a></em><br />
<em> Página de divulgação na <a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/2012/01/26/manual-da-crianca-caicara-release/" target="_blank">Sala de Imprensa</a></em> </address>
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		<title>Manual da criança caiçara &#8211; release</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 16:03:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Atendimento</dc:creator>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Leia <em><a href="http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Release_-Manual-da-criança-caiçara_final.pdf">aqui</a></em> o release do lançamento.</p>
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