Editora Peirópolis
Home
Institucional
Na Mídia
Contato
 
Catálogo
In English
Autores
Distribuidores
Carrinho
 
Sala do Professor
Sala de Imprensa
Multimídia
Links

Buscar por
em

284063 visitas desde agosto de 2006
 

setembro de 2010


Mário de Andrade & Henriqueta Lisboa: páginas de literatura, confissões, poesia & vida
 
Quem se deliciou com o livro Querida Henriqueta, reunião de cartas que Mário de Andrade escreveu para Henriqueta Lisboa entre 1939 e 1945, ano da morte do autor, pode agora conhecer a voz da sua interlocutora. Duas décadas depois do lançamento da editora José Olympio, uma parceria da Peirópolis com a Edusp e o IEB possibilitou a edição da correspondência completa entre os dois importantes expoentes das letras brasileiras.
 
Sobre a amizade literária

Esse intenso, profícuo e afetuoso diálogo foi alinhavado pela ensaísta Eneida Maria de Souza, professora emérita da Faculdade de Letras da UFMG, pesquisadora do Acervo de Escritores Mineiros, que guarda o acervo de Henriqueta. Correspondência - Mário de Andrade & Henriqueta Lisboa traz, em suas 400 páginas, não apenas cartas e fotografias, mas também material que contextualiza o encontro entre Mário e Henriqueta.

Abaixo publicamos trechos do texto "A Dona Ausente", que introduz o leitor na leitura das correspondências, além de link para o texto de orelhas do professor Wander Melo Miranda, coordenador do citado Acervo.


(...)

Poucas interlocutoras femininas teve Mário de Andrade, por pertencer a um círculo literário dominado por escritores, no qual a participação da mulher no espaço público era bastante limitada. Entre as destinatárias do morador da rua Lopes Chaves, Henriqueta Lisboa ocupou lugar de destaque, embora tenha usufruído a companhia do escritor apenas em seus últimos anos de vida (1939-1945). Essa voz feminina soube cultivar a conversa epistolar de Mário, acatando as sugestões de ordem estética, apesar de destoar de seu programa estético-ideológico, pautado pela defesa de uma arte nacional.

(...)

Mário conhece Henriqueta em 1939, quando a euforia modernista já havia se extinguido e o escritor vivenciado momentos de decepção no campo pessoal e político. O texto se reveste de teor rememorativo, pautado por confissões de ordem familiar e profissional, e fornece testemunho precioso sobre uma das vertentes assumidas pelo escritor quanto à poética modernista. O conteúdo das cartas demonstra ainda o desgosto com o presente, marcado pela guerra e pelas transformações políticas causadas pela ditadura de Vargas. O descompasso entre o escritor dos áureos momentos da década de 1920 - defensor da bandeira modernista - e o dos anos 1940 - leitor do passado não mais visto como glorioso, mas em suas falhas e acertos - confirma a importância dessas cartas para melhor conhecer a trajetória literária e existencial de Mário de Andrade.

(...)

Com a abertura da correspondência pertencente ao espólio de Mário de Andrade - cinquenta anos após sua morte, ocorrida em 1945 - o ofício obsessivo de escrever cartas tornava público o dever do intelectual de não só cultivar amizades que ia fazendo ao longo da vida, como orientar literariamente o trabalho dos jovens escritores. Henriqueta Lisboa, com o primeiro livro de poemas publicado em 1925 (Fogo Fátuo), ao conhecer pessoalmente o autor consagrado, já se notabilizava como escritora e defendia uma poética universalizante. Não é de estranhar que a convivência epistolar entre os poetas tenha contribuído para o aprimoramento estético da autora, ao serem sugeridos reparos e correções que resultaram em ganho literário. Considerada por ele "fora das correntes gerais que interessam atualmente à crítica nacional", por fugir das tendências modernistas e realizar uma obra que se situava dentr dos parâmetros religiosos e universais, Henriqueta pôde sentir que as sensatas opiniões de Mário confirmavam o privilégio de se ter um leitor especial de poesia.


Dos 63 documentos arquivados no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, entre cartas, telegramas, postais e bilhetes, há um material de importância biográfica e estética constituído pela correspondência mantida por Henriqueta com Mário de Andrade. No Acervo de Escritores Mineiros estão arquivados 42 cartas, três bilhetes e dois telegramas endereçados por Mário à poeta mineira, documentos que foram publicados em Querida Henriqueta (José Olympio, 1990). Se antes tínhamos acesso apenas à voz do outro, ao monólogo epistolar e ao silêncio dos destinatários, hoje é possível resgatar na íntegra esse diálogo, documento fascinante e revelador de antigas dúvidas e de instigantes vazios. As cartas se abrem e provocam o tardio encontro entre duas escritas seqüestradas pelo tempo, graças ao desejo expresso de Mário em lacrá-las, evitando-se por algum período, sua exposição pública, por acredita que "ao sol/carta é farol", como se expressa em carta. As outras vozes, silenciadas e guardadas a sete chaves, poderiam ter rompido o lacre e se integrado ao diálogo com o remetente, sem muito prejuízo para a compreensão da vida literária do momento e sem o adiamento do encontro, motivo de decepção ou de júbilo.



Para ler o texto de orelhas escrito pelo professor Wander Melo Miranda, clique aqui.
 
voltar à home         arquivo de notícias
 
Lançamentos

menor ilha do mundo, A



Guia completo dos dinossauros do Brasil, O



Demônios em quadrinhos



Ciência, arte e jogo - Projetos e atividades lúdicas na educação infantil



Belezura marinha



Férias na Antártica



Linguagem, tecnologia e educação



Outros recém-lançados