{"id":21840,"date":"2020-09-26T09:07:35","date_gmt":"2020-09-26T12:07:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=21840"},"modified":"2020-12-07T18:51:32","modified_gmt":"2020-12-07T21:51:32","slug":"o-menino-poeta-de-henriqueta-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/o-menino-poeta-de-henriqueta-lisboa","title":{"rendered":"O menino poeta de Henriqueta Lisboa"},"content":{"rendered":"<h5>Gabriela Mistral<\/h5>\n<h4>A poeta chilena, que recebeu em 1945 o pr\u00eamio Nobel de literatura, foi a Belo Horizonte e proferiu duas confer\u00eancias, uma das quais sobre <em>O menino poeta<\/em>, de Henriqueta Lisboa, reproduzida a seguir.<\/h4>\n<p>A poesia de crian\u00e7as ou sobre crian\u00e7as oferece, como todos sabeis, as maiores dificuldades, escasseando por isso, em nossa Am\u00e9rica crioula, onde se querem musas mais f\u00e1ceis de menos riscos.<\/p>\n<p>E como n\u00e3o havia de ser dif\u00edcil fazer falar a uma crian\u00e7a? Esta poesia exige nada menos do que o milagre: um pouco de balbucio na fala, uma tal brincadeira alada e \u00edndole de humildade, pois n\u00e3o se trata de brilhar nem de arrebatar. Por\u00e9m, o mais necess\u00e1rio \u00e9 que, por esta poesia, corra, do come\u00e7o ao fim, uma \u00e1gua, um retou\u00e7o, um cosquilhar de gra\u00e7a pura.<\/p>\n<p>Lendo <i>O menino poeta,<\/i> fiquei sabendo que o portugu\u00eas se presta, muito mais do que as l\u00ednguas famosas, \u00e0 poesia infantil. Tendes v\u00f3s outros um idioma mais leve e mais terno tamb\u00e9m. Nem no ingl\u00eas ou no franc\u00eas, nem mesmo no castelhano, existe a ternura do vosso idioma, inef\u00e1vel favor que s\u00f3 com o italiano ele reparte.<\/p>\n<p><i>O menino poeta<\/i>, como todo livro, \u00e9 ao mesmo tempo um mi\u00fado e rico panorama. Dizendo mi\u00fado, quer dizer-se que n\u00e3o \u00e9 vasto nem basto. Assim, a miniatura e a aquarela: uma tal quantidade de temas, uma s\u00e9rie de acidentes. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conter dez ou vinte assuntos dentro de t\u00e3o pouco espa\u00e7o, mas o livro de Henriqueta logrou o milagre dos cart\u00f5es chineses \u2013 a concentra\u00e7\u00e3o sem peso.<\/p>\n<p>Abre-se ele com a apresenta\u00e7\u00e3o do Menino, de corpo inteiro.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Que donosos os primeiros versos:<\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O menino poeta<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0n\u00e3o sei onde est\u00e1.<\/h5>\n<p>Apresenta assim o filho da imagina\u00e7\u00e3o, real\u00edssimo para ela, mas que deve comprovar, em contas claras, para os que n\u00e3o veem vis\u00f5es. Mais longe, confessa que ainda o n\u00e3o viu. D\u00e1-lhe um vizinho not\u00edcias dele; tamb\u00e9m lhe d\u00e1 um romeiro. De repente, ela o v\u00ea, mas n\u00e3o lhe dura a certeza:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ai! que esse menino<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 ser\u00e1, n\u00e3o ser\u00e1?&#8230;<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Procuro daqui<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 procuro de l\u00e1.<\/h5>\n<p>E acrescenta, porque se vai enchendo de d\u00favidas:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O menino poeta<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 quero ver de perto.<\/h5>\n<p>Se o procura \u00e9 para que ele d\u00ea not\u00edcias \u201cdo c\u00e9u e do mar\u201d.<\/p>\n<p>Parece que l\u00e1 para o final est\u00e1 a confiss\u00e3o: nossa poetisa, como todo poeta aut\u00eantico, anda em busca de sua inf\u00e2ncia; quer reviv\u00ea-la tornando a entrar na gruta onde esteve dez anos, cercada de maravilhas. Essa volta \u00e0 inf\u00e2ncia, ao pa\u00eds perdido, ela vai empreender como seus grandes irm\u00e3os \u2013 Tagore, Romain Rolland, Philipp ou Carroll. Um grande pudor, a repugn\u00e2ncia da vaidade, fazem-na escrever o poema em terceira pessoa, quando o poderia fazer na primeira, pois liberdade e capricho est\u00e3o concedidos ao poeta.<\/p>\n<p>Na \u201cCantiga de nen\u00e9m\u201d, n\u00e3o sabemos se Henriqueta, sempre escondida no impessoal, como em mata espessa, nina o menino poeta ou se ele se nina a si mesmo. Tenho visto peraltas, que cantam sua cantiga de ninar, para fingir que v\u00e3o dormir. Henriqueta possui toda a brandura de voz que se quer numa can\u00e7\u00e3o de ber\u00e7o; far\u00e1 surpresas, se se puser a escrever mais, e muitas, para as mam\u00e3es mineiras.<\/p>\n<p>\u00c9 bonito o \u201cCavalinho de pau\u201d, que galopa deveras e nos leva na garupa, porque n\u00e3o se resiste ao ritmo e todos corremos com ele, para ir matar a Lampi\u00e3o, e at\u00e9 damos um suspiro de al\u00edvio ao apearmos. Ou\u00e7am-no e digam se podem ficar quietos, sem vontade nenhuma de saltar \u00e0 garupa do cavalo.<\/p>\n<p>\u00c9 da magia de ritmo, feiti\u00e7aria, poder e mal\u00edcia. E ainda que isso pare\u00e7a mal aos futuristas, que encomendam ao diabo os ritmos cl\u00e1ssicos, digam se n\u00e3o \u00e9 verdade que o poeta \u00e9 um bailarino, uma roda de moinho giradora, um tombo de onda, ou esse golpe que, dado em uma lasca de pau, a manda voando sobre o cavalo mais veraz que nunca se viu galopar.<\/p>\n<p>Ao ritmo po\u00e9tico, que n\u00e3o lhe toquem, que n\u00f4-lo deixem; \u00e9 o joguete do Verbo e, assim, parte da alegria terrestre.<\/p>\n<p>O \u201cSegredo\u201d que a andorinha colheu no fio e levou como recado aos sinos, que se apressaram em espalh\u00e1-lo, parece-me, em sua realiza\u00e7\u00e3o brev\u00edssima, uma fa\u00e7anha. Em onze linhas que n\u00e3o pesam o que pesa uma de outros poetas, Henriqueta conseguiu quanto queria. \u00c9 uma hist\u00f3ria quase sem palavras, com sinais e gestos.<\/p>\n<p>A poetisa tamb\u00e9m \u00e9 crian\u00e7a, pela rapidez com que conta. Em seus admir\u00e1veis <i>Elogios<\/i>, fala-nos Maragall de uma menina que lhe disse tr\u00eas palavras cortadas, apontando tr\u00eas coisas. E assegura que a linguagem foi suficiente. Achamos banais as crian\u00e7as. Que h\u00e3o de fazer? A verborreia culta ainda n\u00e3o as contaminou; falam com um substantivo, um verbo solto, uma interjei\u00e7\u00e3o ou um grito, e nisso fazem caber todo o sentido, como no caso da menina de Maragall.<\/p>\n<p>A \u201cCorrente de formiguinhas\u201d v\u00ea-se, v\u00ea-se! Cabecinhas de alfinete, cinturinhas fininhas, subindo o morro e carregando folhas mortas, que s\u00e3o os andores da prociss\u00e3o do Senhor dos Passos. As correntes de formigas, que em minha casa persigo cada semana e n\u00e3o consigo vencer; e as daquelas outras mais atrevidas, que me entram pela porta, me sobem pelos arm\u00e1rios, me invadem os potes de mel, que enegrecem nuns momentos, n\u00e3o s\u00e3o mais verdadeiras que as do poema. O ritmo foi outra vez bem achado: n\u00e3o h\u00e1 galope e sim o arrastado silencioso dos passos, sigilo hip\u00f3crita, no constante acabar e recome\u00e7ar das pessoinhas infatig\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cTempestade\u201d tem di\u00e1logo. Henriqueta disputa o menino ao vento e \u00e0 chuva:<\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Olha a chuva l\u00e1 na serra,<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 olha como vem o vento!<\/h5>\n<p>Mas o menino defende seu prazer:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u2013 Ah! como a chuva \u00e9 bonita<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 e como o vento \u00e9 valente!<\/h5>\n<p>Eu ainda n\u00e3o havia topado com esse apelativo t\u00e3o justo e t\u00e3o simples do vento: valente. Melhor do que cham\u00e1-lo de louco \u00e9 cham\u00e1-lo apenas de valente. A poetisa n\u00e3o persegue adjetivos, como quem ca\u00e7a fais\u00e3o, pelo gosto do ex\u00f3tico. Aqui est\u00e1 um ep\u00edteto comum, de todo dia, que se casou bem com o objeto: vento valente.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 mais velha falhou, com seu desvelo: os dois \u00faltimos versos, n\u00e3o o dizendo, nos fazem ver o menino l\u00e1 fora, de cabe\u00e7a ao vento e \u00e0 chuva. Entre as sabedorias de Henriqueta est\u00e1 esta de sugerir, com aquele tino do aquarelista chin\u00eas que acaba sem acabar demais.<\/p>\n<p>O menino, sendo menino, \u00e9 andejo, travesso, novidadeiro e fantasista. Agora, ronda uma lagoa de patos. V\u00ea chegar o bando, v\u00ea os patos nadarem com seus flocos de paina, rompendo os c\u00e9us da \u00e1gua. Os leitores tamb\u00e9m os olhamos, com o menino, curiosos como ele, e at\u00e9 rimos, adivinhando as patas velhas, alarmadas com o risco da estreia delas na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Henriqueta, quando escreve, d\u00e1-nos o melhor do contador: o tato das coisas; dar as cores n\u00e3o lhe basta. Essa lagoa de patos \u00e9 um \u00eaxito completo. Estivemos \u00e0 sua margem. Quando nos abeirarmos de alguma outra, de verdade, voltar-nos-\u00e1 esta \u00e0 mem\u00f3ria, porquanto assim acontece quando a arte trabalhou t\u00e3o bem que nos confunde o corpo com seu fantasma.<\/p>\n<p>Vai outra vez atr\u00e1s dele a guardi\u00e3 do menino poeta, quase a tocar-lhe os calcanhares, na poesia \u201cPomar\u201d. Ele, descal\u00e7o, tem mais coragem do que os meninos cal\u00e7ados. Vai de galho em galho, imprudente e ansioso, o ladr\u00e3ozinho. Ela grita por ele, assobia-lhe, enquanto, junto \u00e0 \u00e1rvore, quase o v\u00ea perder p\u00e9 e cair.<\/p>\n<p>Que belo remate \u2013 \u201cpassarinho comeu&#8230;\u201d! O figo melhor, o figo maduro, talvez j\u00e1 rachado, n\u00e3o foi para seu dono, porque foi do passarinho.<\/p>\n<p>Gosto muito de \u201cOs quatro ventos\u201d. Em refega desabalada, os quatro fren\u00e9ticos pediram que o poeta deixasse a rima, para maior desafogo. (Deixasse a rima, em verso branco e n\u00e3o verso livre, pois, gra\u00e7as a Deus, aqui tamb\u00e9m o ritmo se conserva.) Os meninos veem, como num fresco de aer\u00f3dromo, veem os bufadores, os quatro loucos do c\u00e9u a passar, a passar. Como quem arranca ao mundo a sua casca e o lan\u00e7a no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Grande assombro \u00e9 o vento, na inf\u00e2ncia: perturba, excita e convida. Tivemos todos vontade de ir com ele, arrebatados por ele. E o condutor de polens, tomando-nos os cabelos em remoinho, deixou-nos f\u00e9rteis, com a boca seca, mas \u00e9brios das chicotadas.<\/p>\n<p>Bel\u00edssimo o final do poema, magistralmente infantil:<\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Cavalos sem dono<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 cavalos sem p\u00e1tria<\/h5>\n<h5><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>cavalos ciganos,<\/h5>\n<h5><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>sem lei nem rei.<\/h5>\n<h5><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>Quatro cavalos em pelo.<\/h5>\n<p>Esse \u00eaxito, alcan\u00e7ado \u00e0 margem da rima a\u00e7ucarada, est\u00e1 provando que ela n\u00e3o faz a poesia \u2013 como acreditavam nossos av\u00f3s \u2013 mas t\u00e3o somente a aduba e polvilha, com sua calda pegajosa. \u00c9 poss\u00edvel que \u201cOs quatro ventos\u201d sejam dos que mais v\u00e3o atrair a clientela mirim. Trautear\u00e3o um dia suas estrofes todas as bocas dos meninos mineiros.<\/p>\n<p>Os ventos correram desatinados, mas a \u201cEstrelinha do mar\u201d, que segue, tem virtude oposta; \u00e9 quieta como um ser b\u00fadico, preciosa e preciosista. Henriqueta lavrou-a como uma joia; viu-a e faz-nos v\u00ea-la. O primor \u00e9 de m\u00e3o portuguesa, lavradora de prata e rendilhas; a habilidade recorda Eug\u00e9nio de Castro. Mas \u00e9 tudo feminil, quando n\u00e3o ang\u00e9lico, nessa minha irm\u00e3. E aperfei\u00e7oa o esmalte da estrela marinha, contando que dormiu no rega\u00e7o da sereia.<\/p>\n<p>Grande acerto o dos joelhos vermelhos. Talvez n\u00e3o sejam verdes se n\u00e3o escarlates as carnes das sereias que tanto incenderam nautas gregos e fen\u00edcios.<\/p>\n<p>Admiro, como velha mestra, tenha Henriqueta vencido a fatalidade pedag\u00f3gica, no poema \u201cCol\u00e9gio\u201d. S\u00e3o lindos, meninos soltos, \u00e0 vontade; vai-se-lhes, por\u00e9m, todo o donaire quando se p\u00f5em em fila, quando se assentam em bancos de pequenos delinquentes. Salva-os, no entanto, at\u00e9 na pedagogia, a nossa contadora milagrosa:<\/p>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Dois a dois<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0dois a dois<\/h5>\n<h5><\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A fila parece um barco<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0el\u00e1stico<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0movido<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0por in\u00fameros<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0remos.<\/h5>\n<p>Que triunfo tornar em barco de regatas um esquadr\u00e3o escolar! Outros poetas que o tentaram (e eu com eles) jamais conseguimos transfigurar a imagem odiosa do pelot\u00e3o que se move da sala de aula, ou para a sala de aula.<\/p>\n<p>Admiro tanto que quase lhe invejo os \u201cCastelos\u201d de areia e os tenho por um dos primores do livro. Henriqueta gosta de areia, gosta do ar e do floco de paina, como do vapor da n\u00e9voa, porque essas mat\u00e9rias s\u00e3o as de sua alma e tamb\u00e9m de seu corpo. Todos n\u00f3s vamos emp\u00f3s daquilo que se parece conosco e \u00e0s vezes o encontramos com facilidade, como Henriqueta, parenta da areia.<\/p>\n<p>Saboreando os \u201ccastelos\u201d, repetimos com gosto a velha defini\u00e7\u00e3o das Preceptivas: fundo e forma s\u00e3o a mesma coisa quando o poeta se identificou deveras com o assunto, quando se deixou dele embeber como uma esponja. N\u00e3o h\u00e1 poeta e tema aqui: h\u00e1 uma mulher transformada em areia e essa areia se diz a si mesma com l\u00edngua desfiada em gr\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cMam\u00e3ezinha\u201d \u00e9 um poema bem crioulo. Por fim, com ele, a m\u00e3e pobre (a m\u00e3e feia, por cansada) sobe aos cristais da poesia, at\u00e9 onde estamos acostumados a ver apenas m\u00e3es burguesas. Vai o menino, como todos os meninos do mundo, agarrado \u00e0 barra da saia materna, pela casa e pelo p\u00e1tio cobrando de sua m\u00e3e a est\u00f3ria que lhe prometeu. Esta, por\u00e9m, primeiro est\u00e1 ao fog\u00e3o, que n\u00e3o pode desamparar; da\u00ed passar\u00e1 ao tanque, onde n\u00e3o pode deixar um monte de roupa; vinda a noite, cair\u00e1 na cama, com um sono de pedra que lhe n\u00e3o deixar\u00e1 contar coisa alguma. Dormir\u00e1 com a est\u00f3ria na garganta e o filho dormir\u00e1 ao lado, com a boca entreaberta, na sede dessa est\u00f3ria.<\/p>\n<p>Bem puderam os poetas proletarizantes contar a pobreza-mis\u00e9ria como Henriqueta Lisboa, sem gritos nem agruras, e, sem embargo, com um t\u00e3o sombrio e amargo sedimento de convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 mais velha do menino, essa mestra que o ajuda a ver o que n\u00e3o v\u00ea e a dizer o que n\u00e3o diz, agora lhe fala do Tempo. Chama-o de \u201cfio\u201d, folcl\u00f3rica e classicamente, sem medo do lugar-comum, pois fugir sempre deste costuma dar em grande pedantismo.<\/p>\n<p>Nem tudo neste livro \u00e9 jogo, sol e frutas: aqui est\u00e1 a melancolia e seu mont\u00edculo de cinza. Nunca aparece libertada dela o sangue portugu\u00eas. Mas que dist\u00e2ncia entre a li\u00e7\u00e3o catedr\u00e1tica sobre o valor do Tempo, ditada por Franklin, e este suspiro sobre o fio do Tempo, que o vento vai levando.<\/p>\n<p>O menino poeta vive entre um bando de outros como ele; de outros e de outras, pois de repente Henriqueta nos apresenta duas meninas, e de corpo inteiro. S\u00e3o dois \u00e2ngulos opostos: talvez v\u00e3o ser, quando crescerem, Maria Prud\u00eancia e Maria Loucura. O poeta continua, j\u00e1 o sabemos, o seu processo de alus\u00f5es, sem declara\u00e7\u00f5es, n\u00e3o nos dizendo o que t\u00eam essas meninas com o menino poeta. Ser\u00e1 que s\u00e3o ribeiras opostas, entre as quais navegar\u00e1 o coitado, quando cres\u00e7a e tenha m\u00fasculos e bu\u00e7o? \u201cMorena e Clara\u201d! Por qual vai ele padecer ou em qual vai colher a ventura, como um ramalhete de lilases? Quem nos dir\u00e1 o que vai acontecer aos sete aninhos, quando alcance a medida de Ad\u00e3o \u2013 o pobre Ad\u00e3o que nunca foi menino? N\u00e3o o quis que soub\u00e9ssemos a sua m\u00e3e, Henriqueta Lisboa, com o seu gosto de vaguice e mist\u00e9rio, redondo inimigo da pedra de cantos quadrados \u2013 que \u00e9 o relato completo. Contentemo-nos s\u00f3 com a suspeita e com as nossas conjecturas. Em todo o caso, o poeta j\u00e1 nos adianta muito: duas meninas taludas, duas corsas pequenas, sem cornos que ataquem ou firam. Morena e Clara devem ser amigas do menino que as olha intranquilo, vendo-as t\u00e3o opostas, a do \u201ccabelo de doce de leite\u201d e a \u201cde m\u00fasica brusca como arranha-c\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p>Henriqueta criou-se numa regi\u00e3o de rios. Em que lugar do Brasil n\u00e3o haver\u00e1 pelo menos um rio maior do que todos os nossos rios chilenos juntos? Esta terra n\u00e3o se chama de sol t\u00e3o somente, mas tamb\u00e9m de \u00e1guas; ser\u00e1 por isso que seu habitante n\u00e3o se torna fren\u00e9tico e vive isento do calor excessivo. A poetisa devia contar os rios a seu menino, assim vivos, para que ele os veja e ou\u00e7a e lhes aprenda as margens e lhes siga o curso e lhes descubra o segredo com que fogem.<\/p>\n<p>O poema \u201cOs rios\u201d \u00e9 dos melhores do livro. V\u00e1rias vezes o li para que tamb\u00e9m eu ouvisse passar esse rio maior, de \u00e1guas pesadas, velho rio carregado com as experi\u00eancias do seu leito e das circunst\u00e2ncias da margem; rio que, gritado, n\u00e3o ouve e, com desd\u00e9m de her\u00f3i, corre em busca de sua morte; n\u00e3o nos conta seu segredo, talvez porque seja, n\u00e3o de vida, mas de morte. O menino brasileiro e poeta n\u00e3o podia ficar sem esse corno l\u00edquido de abund\u00e2ncia, quer se chame Paraibuna ou S\u00e3o Francisco, o das maravilhas.<\/p>\n<p>Ao menino poeta e a mim faziam falta os \u201cPirilampos\u201d no poema uno e plural. Aqui assomam eles, em cem n\u00f3s de rede voadora, no seu verde de folhas noturnas, de folhas ca\u00eddas de uma \u00e1rvore de fogo que s\u00f3 existe \u00e0 noite e se apaga antes que venha o sol. \u00c9 outro poema dos mais acabados, sobeja prova de que Henriqueta v\u00ea bem o diurno e o noturno e sabe encantar as tr\u00eas idades.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que o poeta \u00e9 um retribuidor dos regalos da luz; n\u00e3o deixa de devolver, como fazem esquecidos e ingratos. Quando estiver longe, em terras frias por onde n\u00e3o se acendam \u00e0 noite os pirilampos, tomarei comigo estes daqui de Minas, que me passem de novo junto ao rosto, por sobre os ombros, com seu estranho sil\u00eancio de sinais ocultos.<\/p>\n<p>Henriqueta faz tamb\u00e9m ironia, quando quer. A ironia costuma ser como uva em agra\u00e7o; n\u00e3o chega a desgostar e evita o fastio do racimo sazonado. Como fica bem essa ironia \u00e0quela que \u00e9 quase sempre terna! N\u00e3o, ningu\u00e9m morreu na selva, nem houve inc\u00eandio e nem passou o jaguar rompendo matagais. Como nas revolu\u00e7\u00f5es crioulas, toda aquela algazarra era de um grito e tr\u00eas mil ecos.<\/p>\n<p>Lindas casas sabe voc\u00ea fazer, minha irm\u00e3 mineira:<\/p>\n<h4>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0CASA<\/h4>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa no mar<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 no fundo do mar.<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa de madrep\u00e9rola<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 com balan\u00e7os de \u00e1gua,<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 carac\u00f3is de espuma<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 e del\u00edcia muita<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 para brincar.<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa no c\u00e9u<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 no topo do c\u00e9u.<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa de luzes<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 com trap\u00e9zio de nuvens,<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 a trombeta dos anjos<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 e muit\u00edssimo \u00e2nimo<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 para brincar.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa na terra<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 num canto ou noutro.<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Casa de tijolo<\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 para morar.<\/h5>\n<p>Anseia pela do mar, como mulher do interior; querer\u00e1 a do c\u00e9u, porque \u00e9 feita de materiais inef\u00e1veis, os mesmos da sua poesia; a da terra, que \u00e9 de tijolos, voc\u00ea a quer por ser a de sua m\u00e3e e n\u00e3o a deixa em segundo plano nem depois de ter visto a da \u00e1gua e a do ar.<\/p>\n<p>Mas, crendo voc\u00ea viver somente nela, vive juntamente em todas tr\u00eas. Entrega-lhe o desejo a do mar e a fome do Eterno lhe antecipa a do c\u00e9u. Como nas figuras cubistas ou nas bonecas russas, as tr\u00eas casas se penetram e acomodam, uma dentro da outra. E sua poesia, Henriqueta Lisboa, voc\u00ea a faz, sem o saber, dentro das tr\u00eas, debaixo do zod\u00edaco, da mar\u00e9 e do tijolo espesso. Por isso, ao mesmo tempo, ela nos faz tocar a altura, a profundidade e o r\u00e9s da terra.<\/p>\n<p>Nessa fant\u00e1stica casa tr\u00edplice me fez voc\u00ea entrar, como h\u00f3spede. Acabando o livro, parece que saio dela, mas na verdade permane\u00e7o nela, como no interior dos forros que envolvem a granada.<\/p>\n<p>Desta vez, receber ser\u00e1 agradecer e segurar bem com as m\u00e3os fechadas, para que n\u00e3o escorregue o tesouro e nem caia nunca ao ch\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(<strong>Henriqueta Lisboa &#8211; Obra completa &#8211; <\/strong><\/em>v. 3, p. 598: Fortuna cr\u00edtica)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriela Mistral A poeta chilena, que recebeu em 1945 o pr\u00eamio Nobel de literatura, foi a Belo Horizonte e proferiu duas confer\u00eancias, uma das quais sobre O menino poeta, de Henriqueta Lisboa, reproduzida a seguir. 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