{"id":22027,"date":"2020-09-30T08:11:13","date_gmt":"2020-09-30T11:11:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=22027"},"modified":"2020-09-30T08:12:14","modified_gmt":"2020-09-30T11:12:14","slug":"presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo"},"content":{"rendered":"<h5>A dial\u00e9tica do imprescind\u00edvel num poema de Henriqueta Lisboa<\/h5>\n<h6><em>Carmelo Virgillo<\/em><\/h6>\n<p>Ao examinar um certo n\u00famero de obras representativas da cr\u00edtica sobre a poesia de Henriqueta Lisboa, L\u00edvia Paulini acha que n\u00e3o existe um verdadeiro consenso de opini\u00f5es com respeito \u00e0 tem\u00e1tica.<sup>1<\/sup> Blanca Lobo Filho, por exemplo, coloca o amor em primeiro lugar, enquanto Lauro Pal\u00fa acredita que esse lugar pertence realmente \u00e0 pr\u00f3pria vida. Jo\u00e3o Gaspar Sim\u00f5es cr\u00ea que o interesse fundamental de Lisboa \u00e9 a morte \u2014 opini\u00e3o que divide com numerosos cr\u00edticos que apelidaram a escritora mineira de o \u201cpoeta da morte\u201d, principalmente em consequ\u00eancia da publica\u00e7\u00e3o do volume <em>Flor da morte<\/em>, em 1949.<\/p>\n<p>Finalmente, F\u00e1bio Lucas nota que, do ponto de vista tem\u00e1tico, Lisboa responde \u00e0 tend\u00eancia do ser humano para os extremos. Destacando a proverbial polariza\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica existencial, o mesmo cr\u00edtico observa que a po\u00e9tica de Lisboa se fundamenta em toda uma s\u00e9rie de oposi\u00e7\u00f5es jogadas para a perquiri\u00e7\u00e3o do ser e do n\u00e3o ser. Isto fica patente no fato de os motivos condutores levitarem entre a f\u00e9 crist\u00e3 e o medo, a carne e o esp\u00edrito, o c\u00e9u e a terra, a vida e a morte.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Todas estas observa\u00e7\u00f5es, por mais distintas que sejam, podem ser aplicadas ao poema \u2018Do sup\u00e9rfluo\u2019, da colet\u00e2nea <em>Pousada do ser<\/em>, livro que, do ponto de vista conceptual e t\u00e9cnico, constitui, sem d\u00favida, a obra mais madura e representativa da escritora mineira. Este poema ser\u00e1 objeto de uma an\u00e1lise pormenorizada, cuja finalidade \u00e9 demonstrar que o tema do amor \u00e9 utilizado na composi\u00e7\u00e3o como s\u00edntese da vis\u00e3o do mundo e da profiss\u00e3o de f\u00e9 de Lisboa. Ao longo deste trabalho, se revelar\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, minuciosamente elaborada, para induzir o leitor a reconhecer o amor como a totalidade dic\u00f3toma e contradit\u00f3ria da vida. Mais especificamente, se constatar\u00e1 que o amor vem sendo representado como uma for\u00e7a impercept\u00edvel e, no entanto, indizivelmente poderosa. De acordo com a vis\u00e3o do poeta, \u00e9 precisa mente esta for\u00e7a que confere coes\u00e3o e significado \u00e0 exist\u00eancia. O po uma sugere, de fato, que at\u00e9 o aparentemente insignificante constitui realmente uma pe\u00e7a imprescind\u00edvel do mosaico que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do sup\u00e9rfluo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as cousas participam<\/p>\n<p>de nossa vida. Un livro. Uma rosa.<\/p>\n<p>Um trecho musical que nos devolve<\/p>\n<p>a horas inaugurais. O crep\u00fasculo<\/p>\n<p>acaso visto num pa\u00eds<\/p>\n<p>que n\u00e3o sendo da terra<\/p>\n<p>evoca apenas a lembran\u00e7a<\/p>\n<p>de outra lembran\u00e7a mais long\u00ednqua.<\/p>\n<p>O esbo\u00e7o t\u00e3o-somente de um gesto<\/p>\n<p>de ferina inten\u00e7\u00e3o. A gra\u00e7a<\/p>\n<p>de um retalho de lua<\/p>\n<p>a pervagar num reposteiro.<\/p>\n<p>A mesa sobre a qual me debru\u00e7o<\/p>\n<p>lcada dia mais temerosa<\/p>\n<p>de meus pr\u00f3prios dizeres.<\/p>\n<p>Tais cousas de \u00edntimo dom\u00ednio<\/p>\n<p>talvez sejam sup\u00e9rfluas.<\/p>\n<p>No entanto<\/p>\n<p>que tenho a ver contigo<\/p>\n<p>se n\u00e3o leste o livro que li<\/p>\n<p>n\u00e3o viste a rosa que plantei<\/p>\n<p>nem contemplaste o p\u00f4r-do-sol<\/p>\n<p>\u00e0 hora em que o amor se foi?<\/p>\n<p>Que tens a ver comigo<\/p>\n<p>se dentro em ti n\u00e3o prevalecem<\/p>\n<p>as cousas \u2013 todavia sup\u00e9rfluas<\/p>\n<p>\u2014 do meu intransfer\u00edvel patrim\u00f4nio?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[em <em>Pousada do ser<\/em>]<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poema consta de duas est\u00e2ncias dialeticamente vinculadas. Na primeira, a mais longa, o pronome pessoal \u2018nos\u2019 indica que a persona po\u00e9tica est\u00e1 falando por conta pr\u00f3pria, bem como em benef\u00edcio de outros. Essa voz lembra ao leitor que mesmo os elementos n\u00e3o-humanos do dia-a-dia desempenham um papel importante em nossa vida, E o texto identifica, arbitrariamente, alguns deles: <em>um livro, uma rosa, o p\u00f4r-do-sol numa terra long\u00ednqua, a mera sugest\u00e3o de um gesto amea\u00e7ador, uma melodia matutina, um raio de lua que flutua sobre uma cortina e, finalmente, a escrivaninha do poeta<\/em>. A esta altura da com posi\u00e7\u00e3o, ocorre uma repentina mudan\u00e7a de ordem referencial: a voz po\u00e9tica coletiva &#8216;n\u00f3s&#8217; das primeiras 12 linhas cede lugar \u00e0 primeira pessoa singular \u2018eu\u2019 que, por sua vez, dominar\u00e1 at\u00e9 a pen\u00faltima linha da estrofe. Da mesma forma, o texto alude ao relacionamento \u00edntimo entre o poeta e a mesinha de trabalho. Na qualidade de destinat\u00e1rios extratextuais, n\u00f3s leitores somos introduzidos na composi\u00e7\u00e3o para participar das dificuldades que o poeta enfrenta. Percebemos, efetivamente, que para o poeta a escrivaninha \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u2018testemunha silenciosa&#8217;, sempre presente quando ele p\u00f5e por escrito tudo quan to jamais ousaria confessar a outro ser. A seguir, num <em>volte face<\/em> imprevisto, a voz po\u00e9tica insinua que as coisas rec\u00e9m-mencionadas talvez sejam desnecess\u00e1rias \u2014 sup\u00e9rfluas \u2014, apesar de nos afetar profundamente. Perante tal afirma\u00e7\u00e3o, aparentemente il\u00f3gica, o leitor permanece na inc\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o de extrapolar o porqu\u00ea da suposta sem-raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o final da primeira unidade estrutural do poema apresenta uma oposi\u00e7\u00e3o que deixa o leitor perplexo, a parte conclusiva \u2014 a segunda est\u00e2ncia \u2013 registra um andamento ainda mais imprevisto e surpreendente que anuncia uma nova dire\u00e7\u00e3o para a composi\u00e7\u00e3o a partir da forma adverbial \u201cNo entanto\u201d, a estrofe revela sua fun\u00e7\u00e3o: servir como oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 inteira primeira parte. A voz po\u00e9tica, em primeira pessoa singular, interpela e repreende um destinat\u00e1rio intratextual an\u00f4nimo, identificado apenas pelo apelativo pronominal \u2018tu\u2019. Pelo visto, este destinat\u00e1rio n\u00e3o quis compartilhar com o falante \u2014 presumivelmente o poeta mesmo \u2014 experi\u00eancias relacionadas com algumas das coisas indicadas no come\u00e7o, sendo estas fundamentais para o poeta. Mediante uma s\u00e9rie de perguntas, \u00e0 guisa de briga de namorados, o falante acusa seu interlocutor de n\u00e3o ter participado com ele da leitura de um certo livro, do plantar de uma determinada rosa e da contempla\u00e7\u00e3o de um dado p\u00f4r-do-sol, no final de seu suposto romance. A composi\u00e7\u00e3o se encerra com o \u2018eu\u2019 l\u00edrico que renega o antagonista\/ex-amante, este que n\u00e3o soube valorizar coisas t\u00e3o preciosas a ela e t\u00e3o desnecess\u00e1rias a outros.<\/p>\n<p>Nesta linha de pensamento, a indica\u00e7\u00e3o mais importante para uma compreens\u00e3o do plano metaf\u00f3rico \u00e9 proporcionada pela declara\u00e7\u00e3o inicial: \u201cTamb\u00e9m as coisas participam de nossa vida.\u201d O adv\u00e9rbio \u2018tamb\u00e9m\u2019 estabelece uma narra\u00e7\u00e3o, <em>in medias res<\/em>, que visa a exist\u00eancia de ainda outra dimens\u00e3o ao assunto que est\u00e1 sendo tratado \u2014 dimens\u00e3o supostamente j\u00e1 revelada. Perante o dilema de ter que justificar o t\u00edtulo, aparentemente incoerente e d\u00fabio, que indicaria, a seguir, um coment\u00e1rio sobre coisas inconsequentes, o leitor \u00e9 obrigado a supor que a dimens\u00e3o ausente, por mais importante que possa ser considerada, foi omitida, justamente por ser \u2018sup\u00e9rflua\u2019. Pelo contr\u00e1rio, somos levados a deduzir que o poema abra\u00e7a assuntos que, de modo geral, podem ser considerados irrelevantes. Contudo, tais assuntos s\u00e3o imprescind\u00edveis. Cientes do jogo urdido com a palavra \u2018sup\u00e9rfluo\u2019, temos que examinar a estrutura dualista e as infer\u00eancias simb\u00f3licas que a l\u00f3gica aut\u00f4noma, de tal estrutura, faz pressupor.<\/p>\n<p>A primeira est\u00e2ncia compreende dois per\u00edodos que, colocados em cada extremo, d\u00e3o a impress\u00e3o de formar um bastidor que enquadra, de modo direto, sete ora\u00e7\u00f5es subordinadas \u00e0 declara\u00e7\u00e3o inicial (\u201cTamb\u00e9m as coisas\/participam de nossa vida\u201d) e, de modo indireto, dependentes da declara\u00e7\u00e3o final (\u201cTais coisas de \u00edntimo dom\u00ednio \/ talvez sejam sup\u00e9rfluas\u201d). Uma avalia\u00e7\u00e3o minuciosa das constru\u00e7\u00f5es subordinadas indica que estas constam dos substantivos \u2018livro\u2019 e \u2018rosa\u2019, acompanhados apenas pelos respectivos modificadores, os artigos indefinidos \u2018um\u2019 e \u2018uma\u2019.<\/p>\n<p>\u2018Livro\u2019 e \u2018rosa\u2019 atuam, simultaneamente, como signos e s\u00edmbolos. Como tais, no plano mais superficial, as duas palavras se referem a percep\u00e7\u00f5es sensoriais: ao prazer da leitura e \u00e0 rea\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel provocada pela contempla\u00e7\u00e3o e fragr\u00e2ncia de uma linda flor. Ao mesmo tempo, atuando na sua capacidade el\u00edptica, ou seja, como verdadeiras ora\u00e7\u00f5es independentes, os substantivos &#8216;livro&#8217; e &#8216;rosa&#8217; assumiriam propor\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas que abririam caminho para novas interpreta\u00e7\u00f5es. Revelariam, em consequ\u00eancia disso, subsequentes dimens\u00f5es no poema.<\/p>\n<p>Antes de analisar as implica\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas das palavras \u2018livro\u2019 e \u2018rosa\u2019, mister se faz considerar os v\u00e1rios contextos em que as restantes cinco ora\u00e7\u00f5es subordinadas v\u00eam sendo empregadas. A suposi\u00e7\u00e3o de que \u2018livro\u2019 e \u2018rosa\u2019 servem textualmente para sugerir percep\u00e7\u00f5es sensoriais \u00e9 comprovada, ao reconhecer a imagem auditiva, gerada pelo sintagma \u201ctrecho musical\u201d, ao identificar a representa\u00e7\u00e3o visual criada pela palavra \u2018crep\u00fasculo\u2019 e ao captar o quadro evocado pela frase \u201cesbo\u00e7o de um gesto de ferina inten\u00e7\u00e3o\u201d. A sucess\u00e3o de imagens sensoriais \u00e9 encerrada por mais duas frases: \u201cretalho de lua\u201d e \u201ca mesa sobre a qual me debru\u00e7o\u201d. Estas frases engendram representa\u00e7\u00f5es mentais do tipo visual e t\u00e1til, respectivamente. Avaliada em sua totalidade, essa imag\u00e9tica representa a tentativa do texto de fazer com que o leitor consiga uma aprecia\u00e7\u00e3o mais profunda do mundo fenomenol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Tendo captado uma no\u00e7\u00e3o geral do segmento central desta primeira est\u00e2ncia, a for\u00e7a de apenas uma avalia\u00e7\u00e3o breve da imag\u00e9tica, cabe agora dirigir a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda frase, ora\u00e7\u00e3o independente que serve de margem externa ou &#8220;bastidor da estrofe\u201d. \u00c9 nesta afirma\u00e7\u00e3o final que se deve buscar, com mais cuidado ainda, para perceber as dimens\u00f5es menos acess\u00edveis da est\u00e2ncia. A \u00faltima frase (\u201cTais coisas de \u00edntimo dom\u00ednio \/ talvez sejam sup\u00e9rfluas\u201d) pareceria, \u00e0 primeira vista, um per feito complemento da frase inicial (\u201cTamb\u00e9m as coisas participam \/ de nossa vida&#8221;). Visto estruturalmente, isto \u00e9 verdade, j\u00e1 que esta \u00faltima frase complementa e completa a declara\u00e7\u00e3o no princ\u00edpio da estrofe. Contudo, h\u00e1 bastantes variantes de consider\u00e1vel relevo. As principais s\u00e3o representadas pelos seguintes elementos: o acrescimento dos qualificativos de \u201c\u00edntimo dom\u00ednio\u201d e \u201csup\u00e9rfluas\u201d, que modificam \u201ccoisas\u201d; a substitui\u00e7\u00e3o do adv\u00e9rbio \u201ctalvez por &#8220;tamb\u00e9m\u201d; e, finalmente, a mudan\u00e7a do modo indicativo para o subjuntivo. Tais discrep\u00e2ncias tornam imprescind\u00edvel uma nova avalia\u00e7\u00e3o dos significados gerados na estrutura profunda deste segmento da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ponto de partida para um aprofundamento \u00e9 a palavra \u2018sup\u00e9rflua\u2019, mencionada pela primeira vez no t\u00edtulo do poema e agora reiterada de forma mais definitiva. Recordando o contexto l\u00fadico no qual esta palavra apareceu inicialmente e levando logo em conta a aplica\u00e7\u00e3o do modificador \u201cde \u00faltimo dom\u00ednio\u201d \u00e0 lista das coisas mencionadas pela voz po\u00e9tica, ela dissipa, afinal, a aparente incongru\u00eancia do t\u00edtulo e suas implica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao poema todo. A raz\u00e3o \u00e9 que este acr\u00e9scimo comprova nossa suposi\u00e7\u00e3o original acerca da exist\u00eancia de duas dimens\u00f5es no assunto tratado pelo poema: uma vis\u00edvel, outra invis\u00edvel ou intang\u00edvel, ambas igualmente v\u00e1lidas. Vemos aqui que o texto alude a uma dessas dimens\u00f5es chamando aten\u00e7\u00e3o para o lado subjetivo ou espiritual do ser humano, denominando aquele como \u201cnosso \u00edntimo dom\u00ednio\u201d. Logo ap\u00f3s, usando o adv\u00e9rbio \u2018talvez\u2019 para atenuar o adjetivo \u2018sup\u00e9rfluo\u2019, que descreve nossa perspectiva espiritual do mundo, o poema esclarece ironicamente, com sua ambiguidade, a estrutura dualista da inteira composi\u00e7\u00e3o. O quadro resultante oferece clara evid\u00eancia de que as coisas indicadas pelo falante po\u00e9tico s\u00e3o reais e verdadeiras, al\u00e9m de elas desempenharem, de maneira objetiva e tang\u00edvel, um papel ativo em nossa vida. Esta no\u00e7\u00e3o, comunicada pelo presente do indicativo \u2018participam\u2019, tamb\u00e9m intenta demonstrar que as mesmas coisas t\u00eam outro aspecto bem diferente. Paralelamente, \u00e9 atrav\u00e9s do presente do subjetivo \u2018sejam\u2019 que o poema se prop\u00f5e investigar essa outra dimens\u00e3o. Desta forma, podemos entender que \u2018sup\u00e9rfluo\u2019 significa tudo aquilo que transcende o \u00e2mbito dos sentidos. Ao mesmo tempo, po demos inferir que o texto utiliza algumas das experi\u00eancias sensoriais mais comuns com a finalidade de traduzi-las em realidade expressivo-art\u00edstica.<\/p>\n<p>Voltando a avaliar as palavras \u2018livro\u2019 e \u2018rosa\u2019, primeiro na qualidade de entidades simples e logo como constru\u00e7\u00f5es el\u00edpticas revestidas das caracter\u00edsticas e prerrogativas pr\u00f3prias das ora\u00e7\u00f5es convencionais, percebe-se, em seguida, que essas palavras representam conceitos diametralmente opostos e, ao mesmo tempo, perfeitamente complementares. Para conscientizar o leitor a este respeito, o texto se serve, no come\u00e7o, de algumas no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre dois elementos que representam pontos opostos do espectro humano. A parte racional vem simbolizada pelo livro, e a intuitiva, pela rosa. A seguir, o texto transcende as conota\u00e7\u00f5es comuns, das duas palavras, para permitir que sejam engendrados novos significados. Embora os livros sejam reconhecidos, ordinariamente, como dep\u00f3sitos de conhecimentos consagrados, n\u00e3o se enfatiza o conte\u00fado, sen\u00e3o a transcend\u00eancia desses mesmos livros.<\/p>\n<p>Esta mesma postura animista, que indicaria que os livros cobram vida pr\u00f3pria dentro de n\u00f3s, \u00e9 refletida tamb\u00e9m na atitude do poema frente \u00e0 rosa. Nesta composi\u00e7\u00e3o, a rosa \u2013 s\u00edmbolo tradicional do intrinsecamente lindo e lamentavelmente ef\u00eamero &#8211; funciona como participante ativa da vida humana. O poema alude novamente ao nosso relacionamento \u00edntimo e intranscendente com esta flor t\u00e3o fr\u00e1gil. Ser vindo-se simbolicamente desse relacionamento, que confere \u00e0 rosa certo poder sobre n\u00f3s, o texto p\u00f5e em relevo o pr\u00f3prio car\u00e1ter da experi\u00eancia est\u00e9tica. Esta pode ser entendida agora como a intera\u00e7\u00e3o do ad mirador com a obra de arte.<\/p>\n<p>Esta met\u00e1fora sutil, que retrata os seres humanos como amantes controlados e, ao mesmo tempo, motivados pela sua vincula\u00e7\u00e3o com o mundo externo, \u00e9 repetida em cada uma das imagens criadas, individual e coletivamente, pelo resto das ora\u00e7\u00f5es subordinadas da estrofe. Ao propor que at\u00e9 uma simples melodia, ouvida por acaso de madrugada, \u00e9 capaz de alterar visivelmente o nosso dia, a primeira constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica, \u201cUm trecho musical que nos devolve a horas inaugurais, engendra toda uma s\u00e9rie de implica\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas de vasto alcance.<\/p>\n<p>Interpretadas em conjunto com o sintagma \u201choras inaugurais\u201d, a palavra \u2018m\u00fasica\u2019, que se refere tradicionalmente a essa express\u00e3o auditiva da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito, vem significar, nesta ambi\u00eancia, a fun\u00e7\u00e3o seminal, regenerativa e onipotente da arte. Da mesma forma que a m\u00fasica desperta o potencial latente (ou \u2018adormecido\u2019) dentro de n\u00f3s, o texto insinua que nosso envolvimento com a obra de arte \u00e9 uma experi\u00eancia capaz de nos devolver \u00e0 idade da inoc\u00eancia, da beleza e verdade e ao nosso ponto de origem. Al\u00e9m disso, a arte \u00e9 representada na qualidade de for\u00e7a que come\u00e7a como comunica\u00e7\u00e3o f\u00edsica e externa e que conduz invariavelmente a incalcul\u00e1vel enriquecimento espiritual.<\/p>\n<p>E poss\u00edvel encontrar afirma\u00e7\u00f5es an\u00e1logas sobre o impacto imediato e derradeiro da experi\u00eancia est\u00e9tica na ora\u00e7\u00e3o que segue: \u201cO crep\u00fasculo acaso visto num pa\u00eds\/que n\u00e3o sendo da terra\/evoca apenas a lembran\u00e7a de outra lembran\u00e7a mais long\u00ednqua.\u201d O texto se aproveita da carga sem\u00e2ntica acarretada pela imagem do p\u00f4r-do-sol e logo adiciona um toque pr\u00f3prio. O poema acrescenta uma nova dimens\u00e3o atrav\u00e9s da fus\u00e3o de tristeza e prazer \u2014 emo\u00e7\u00e3o tradicionalmente ligada com nossa rea\u00e7\u00e3o ao espet\u00e1culo que a natureza nos proporciona no final do dia. A partir desta perspectiva, a composi\u00e7\u00e3o insinua que, ainda que n\u00e3o se possa evitar sentir uma certa nostalgia, as recorda\u00e7\u00f5es evocadas por esse espet\u00e1culo adquirem outro significado. Pois, trata-se de aproxima\u00e7\u00f5es da coisa aut\u00eantica \u2014 aproxima\u00e7\u00f5es das reminisc\u00eancias da nossa pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o subordinada que se segue, \u201cO esbo\u00e7o t\u00e3o-somente de um gesto\/de ferina inten\u00e7\u00e3o\u201d, introduz uma variante importante no bem conhecido padr\u00e3o. O est\u00edmulo externo, essa fonte da impress\u00e3o profunda e memor\u00e1vel aqui indicada, cont\u00e9m ind\u00edcios de algo nitidamente sinistro: nada menos do que um gesto de agress\u00e3o brutal. Contudo, o choque experimentado \u00e0 primeira vista, em consequ\u00eancia desta repentina e inesperada ruptura com as pr\u00e9vias imagens da composi\u00e7\u00e3o, desaparece em seguida. Isso acontece quando, ao examinar com mais. cuidado os tra\u00e7os discursivos do texto, se reconhece o jogo que este continua tramando para o leitor. Nota-se, por exemplo, que n\u00e3o se trata de uma situa\u00e7\u00e3o concreta, como pareceria a princ\u00edpio, sen\u00e3o de uma falsa apar\u00eancia. Atuando nas suas ambi\u00eancias sint\u00e1ticas, as formas individuais produzem imagens que, ainda que sugestivas pelo seu efeito visual\/t\u00e1til, s\u00e3o, na melhor das hip\u00f3teses, t\u00eanues.<\/p>\n<p>No n\u00facleo deste segmento da composi\u00e7\u00e3o, a alus\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o brutal \u00e9 subvertida ainda mais e, praticamente, invalidada por dois ele mentos adicionais: &#8216;esbo\u00e7o&#8217; &#8211; entendido como &#8216;insinua\u00e7\u00e3o&#8217; ou &#8216;sugest\u00e3o&#8217; \u2014 e t\u00e3o-somente que ameniza at\u00e9 a apar\u00eancia do ato agressivo. Tais estratagemas criam uma transpar\u00eancia que provoca uma leitura transcendental. Longe de destoar da avalia\u00e7\u00e3o anterior sobre as primeiras quatro ora\u00e7\u00f5es subordinadas, a leitura refor\u00e7a aquela interpreta\u00e7\u00e3o e contribui novos significados.<\/p>\n<p>Se levarmos em conta a estrutura dualista do poema, com seu esquema de coordenadas, esta interrup\u00e7\u00e3o na sucess\u00e3o de imagens claras e tranquilizantes deve ser considerada como oposi\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e l\u00f3gica. Sua fun\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito metaf\u00f3rico do segmento \u00e9 representar o outro extremo do espectro da rea\u00e7\u00e3o humana \u00e0 experi\u00eancia fenomenol\u00f3gica. O poema perscruta esse extremo desde una perspectiva ir\u00f4nica. Percebida desta maneira, a ideia tratada aqui do grave dano, talvez at\u00e9 da morte, n\u00e3o entrechoca com pr\u00e9vias alus\u00f5es \u00e0 sabedoria, \u00e0 beleza e \u00e0 esperan\u00e7a. Antes funciona como contraponto. A esta altura, o que se apresenta seria o outro lado da realidade. Concebida em uma estru tura meticulosamente orquestrada, confere-se forma art\u00edstica \u00e0 totalidade contradit\u00f3ria e incompreens\u00edvel da vida. No poema, esta realidade est\u00e1 concebida como um di\u00e1logo&#8217; \u00edntimo e afetuoso entre o ser humano e o mundo externo. O poema comenta a vida e suas contradi\u00e7\u00f5es que afetam e modelam o ser humano.<\/p>\n<p>A partir de uma leitura inicial, \u2018esbo\u00e7o\u2019 pode ser interpretado, de modo superficial e instintivo, como \u2018gesto\u2019 ou \u2018sugest\u00e3o\u2019. No entanto, essa palavra aparece aqui despossada de suas conota\u00e7\u00f5es convencionais e devolvida a seu significado original. Da\u00ed, abre caminho para in\u00fameras interpreta\u00e7\u00f5es. Entendida essencialmente como \u2018bosquejo\u2019, o \u2018desenho\u2019 passaria agora a significar o ato de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u2014 ato de amor, concebido por seu criador. Para dissipar as pr\u00f3prias preocupa\u00e7\u00f5es, compartindo-as com o leitor. Segundo evidencia o impacto que resulta do nosso envolvimento pessoal com o texto, a composi\u00e7\u00e3o reafirma a natureza redentora da poesia. Portanto, a poesia revela-se como uma for\u00e7a capaz de enobrecer at\u00e9 a viol\u00eancia e a morte. A for\u00e7a que transmuda a efemeridade da vida em perman\u00eancia espiritual e expressiva.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo segmento, que abra\u00e7a a ora\u00e7\u00e3o \u201cA gra\u00e7a\/de um retalho de lua a pervagar num reposteiro\u201d, perpetua o jogo de oposi\u00e7\u00f5es e ambiguidades. Por\u00e9m, o texto com seu esquema de constantes e variantes continua despertando, atrav\u00e9s de sua atua\u00e7\u00e3o, a curiosidade do leitor. O jogo inicial com imagens claras e escuras vem reiterado e refor\u00e7ado pela inje\u00e7\u00e3o de efeitos novos e surpreendentes. Em marcado contraste com a imag\u00e9tica impactante da ora\u00e7\u00e3o anterior, a nova representa\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia, capaz de exercer em n\u00f3s uma emo\u00e7\u00e3o profunda e duradoura, repousa sobre uma imagem t\u00eanue e delicada: a dos reflexos de um raio de lua que transparece uma cortina. Mais superficialmente, esta imagem, que depende da percep\u00e7\u00e3o do efeito tranquilizante dos raios da lua para criar o impacto, tamb\u00e9m conta com o simbolismo tradicional. As duas alus\u00f5es, a m\u00edtica e a comum, ser vem como ponto de partida para elaborar uma s\u00e9rie de refer\u00eancias de tipo transcendental. Da\u00ed, a escurid\u00e3o da noite tem a fun\u00e7\u00e3o, inicial mente, de representar o universo e seus mist\u00e9rios, enquanto a luz lunar atua como ant\u00eddoto m\u00e1gico. Este com o poder de desvendar todos os enigmas e aquietar o medo do desconhecido. Ao penetrar o texto, al\u00e9m desta representa\u00e7\u00e3o tradicional, encontramos, por outro lado, imagens novas e importantes. Estas se destinam a elaborar ainda mais as duas premissas fundamentais do poema: que dentro de toda criatura existe uma impercept\u00edvel e t\u00e1cita conex\u00e3o afetiva que permite ao ser humano comunicar-se e relacionar-se com o pr\u00f3ximo, bem como com os outros componentes do universo; e que a arte constitui a express\u00e3o mais alta desse v\u00ednculo.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar, ainda, a imagem que o texto projeta para retratar a realidade revestida de todas suas pretens\u00f5es e inconsist\u00eancias: E a representa\u00e7\u00e3o visual duma cortina ondulante, cuja fun\u00e7\u00e3o no quarto da casa \u00e9 meramente ornamental. Ainda mais not\u00e1vel \u00e9 a insinua\u00e7\u00e3o criada pela palavra-chave \u201cgra\u00e7a\u201d. Avaliada em conjunto com coordenadas como \u201crosa\u201d, \u201ctrecho musical\u201d e \u201ccrep\u00fasculo\u201d, sendo estas os \u00edndices mais diretos do coment\u00e1rio que o poema faz sobre a est\u00e9tica, em geral, e, sobre esta composi\u00e7\u00e3o, em particular, esta palavra aludiria ao pr\u00f3prio ato criativo.<\/p>\n<p>A s\u00e9tima e \u00faltima ora\u00e7\u00e3o subordinada, \u201cA mesa sobre a qual me debru\u00e7o\/cada dia mais temerosa\/de meus pr\u00f3prios dizeres\u201d, manifesta tra\u00e7os formais e conceptuais que a separam das outras. A variante mais \u00f3bvia \u00e9 de ordem referencial e consta da mudan\u00e7a na voz po\u00e9tica. O coletivo \u201cn\u00f3s\u201d, utilizado apenas minimamente a partir da abertura da composi\u00e7\u00e3o (\u201cnossa vida\u201d\/\u201cnos envolve\u201d), \u00e9 trocado pelo pronome \u2018eu\u2019 individual. Da\u00ed, depreende-se que a persona po\u00e9tica, que at\u00e9 o momento tinha ficado no \u00faltimo plano, expressando interesses comuns e universais, resolve agora, por raz\u00f5es pr\u00f3prias, abandonar o anonimato e expor uma determinada convic\u00e7\u00e3o. Supostamente, esta afirma\u00e7\u00e3o constitui os pensamentos pessoais e \u00edntimos do poeta, expressados por meio de sua cria\u00e7\u00e3o \u2014 o &#8216;eu&#8217; l\u00edrico que confessa estar preocupado pelas coisas que se atreve a contar em verso.<\/p>\n<p>Tendo assinalado as caracter\u00edsticas mais consp\u00edcuas desta \u00faltima ora\u00e7\u00e3o, cabe identificar agora os n\u00edveis de interpreta\u00e7\u00e3o menos \u00f3bvios, mas nem por isso menos importantes. Novamente, buscaremos as proje\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas nos espa\u00e7os po\u00e9ticos, quer dizer, nas ambiguidades e nos paradoxos que caracterizam a inteira composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ind\u00edcio fundamental \u00e9 proporcionado pela ruptura que a imag\u00e9tica deste segmento apresenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens indagadas anterior mente. Com efeito, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens cada vez mais di\u00e1fanas e sugestivas \u2014 t\u00edpicas das primeiras seis ora\u00e7\u00f5es paralelas \u2013, o texto exibe agora um quadro bem concreto e definido. A luz da mudan\u00e7a abrupta de voz po\u00e9tica, as novas imagens contrastantes n\u00e3o podem se justificar de maneira convencional. S\u00f3 podem ser compreendidas em fun\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica interna e aut\u00f4noma da composi\u00e7\u00e3o. Aquela pressup\u00f5e uma leitura n\u00e3o-literal do texto. Portanto, transcendendo as imagens pl\u00e1sticas produzidas por uma linguagem cristalina, devemos extrapolar a mensagem fundamental das primeiras impress\u00f5es. Claro, sempre cientes do poder mitificador do poema. A esta altura, a infra\u00e7\u00e3o da continuidade convencional deveria deixar de causar perplexidade ao leitor. Pelo contr\u00e1rio, deveria funcionar com a trilha que o conduz ao descobrimento de uma dimens\u00e3o arquet\u00edpica. No \u00e2mbito dessa dimens\u00e3o, percebe-se que a persona po\u00e9tica se transforma na figura sobrenatural do poeta. Este vem apresentando-se como um ser preeminente na ordem c\u00f3smica. Tendo permanecido impl\u00edcita at\u00e9 agora, esta identidade aparece, finalmente, identificada. Seu papel \u00e9 consagrado pelas caracter\u00edsticas referenciais da ora\u00e7\u00e3o. Estas s\u00e3o exemplificadas pela voz da primeira pessoa do singular, &#8216;eu&#8217; \u2014 o modo mais arbitr\u00e1rio, direto e subjetivo de falar a algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Dentro deste esquema, aflora toda uma s\u00e9rie de infer\u00eancias simb\u00f3licas. Por sua vez, estas ressaltam uma sucess\u00e3o de oposi\u00e7\u00f5es que confirmam e conferem coes\u00e3o ao sistema bin\u00e1rio que rege a est\u00e2ncia. Pode-se captar, finalmente, al\u00e9m do dualismo que contrasta a persona po\u00e9tica intratextual com a figura universal do poeta, a intera\u00e7\u00e3o do &#8216;eu&#8217; subentendido com o elemento atuante \u2018mesa\u2019. Os dois entes funcionam reciprocamente e incorporam a perfeita comunh\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o do poeta com sua miss\u00e3o. Da mesma maneira, a forma verbal \u201cme debru\u00e7o\u201d articula o car\u00e1ter dial\u00e9tico do ato criativo. O retrato do artista \u00e9 realizado de tal modo que representa uma pessoa, por um lado, fatigada, e, por outro, sustentada pelo seu trabalho. Atrav\u00e9s do poder mitificador do texto, o artista assume uma tarefa que realiza com amor. Por sua vez, a palavra \u201cdizeres\u201d, interagindo com seu modificador \u201cmeus pr\u00f3prios\u201d, traduz-se em duas no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. Essa pa lavra assinalaria aqueles segredos muito pessoais que deveriam se guardar s\u00f3 para si mesmo. Contudo, no caso dos poetas, \u00e9 seu \u00e1rduo dever revel\u00e1-los. A mesma palavra tamb\u00e9m aludiria \u00e0 vis\u00e3o heterodoxa do poeta. A frase \u201ccada dia mais temerosa\u201d descreve o \u2018eu\u2019 l\u00edrico, assim como a imagem universal do poeta, de um modo que abrange, ao mesmo tempo, a pessoa do artista e a natureza de sua arte. A saber, a poesia \u00e9 representada como um processo cont\u00ednuo que \u00e9 paralelo \u00e0 vida. Da mesma forma, o poeta aparece na qualidade de um ser cada vez mais ciente de sua custosa miss\u00e3o e de suas limita\u00e7\u00f5es humanas. Dessa condi\u00e7\u00e3o existencial, surgiria o crescente receio de sentir-se obrigado a expressar o indiz\u00edvel, traduzindo-o em palavras.<\/p>\n<p>Conforme se sublinhou nas afirma\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias, a segunda est\u00e2ncia introduz uma metamorfose que muda o andamento do poema, encaminhando-o para outro sentido.<\/p>\n<p>A estrofe final consiste numa \u00fanica pergunta ret\u00f3rica dividida em duas partes, cuja resposta l\u00f3gica \u00e9 \u2018nada\u2019. Na primeira parte da pergunta, composta por uma ora\u00e7\u00e3o independente \u2014 \u201cque tenho a ver contigo\u201d &#8211; e por tr\u00eas constru\u00e7\u00f5es paralelas, todas subordinadas a ela, o sujeito \u00e9 o \u2018eu\u2019 l\u00edrico. O sujeito da outra pergunta \u00e9, por outro lado, a segunda pessoa singular \u2018tu\u2019. Essa divis\u00e3o faz com que o leitor sus peite que a segunda parte do poema esteja relacionada com a primeira, por meio do desdobramento da primeira pessoa plural \u2018n\u00f3s\u2019 \u2014 no in\u00edcio da composi\u00e7\u00e3o \u2014, em seus componentes originais, isto \u00e9, &#8216;eu&#8217;\/&#8217;tu&#8217;. Se a persona po\u00e9tica, no come\u00e7o, falava por conta pr\u00f3pria e tamb\u00e9m por conta de um interlocutor an\u00f4nimo, somos levados a depreender disto que ela agora est\u00e1 revelando a identidade do destinat\u00e1rio de seu discurso. Presumivelmente, trata-se de algum amante a quem o falante po\u00e9tico est\u00e1 se dirigindo, pela primeira vez, direta e unicamente para rejeit\u00e1-lo. A causa desta rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 a incompatibilidade. A seguir, as ora\u00e7\u00f5es paralelas apresentam, de modo individual e coletivo, os v\u00e1rios motivos que causaram a dissens\u00e3o e a subsequente rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pergunta \u201cQue tenho a ver contigo\u201d mostra claramente que a persona po\u00e9tica se distancia n\u00e3o apenas de seu interlocutor intratextual, sen\u00e3o tamb\u00e9m de todos aqueles que n\u00e3o compartilhem com ela o amor pelo estudo e sua paix\u00e3o por apreender a ess\u00eancia de tudo quanto fizer parte da cria\u00e7\u00e3o divina. Infer\u00eancias adicionais trazem \u00e0 mente e refor\u00e7am a ideia de que o verdadeiro ju\u00edzo s\u00f3 se atinge mediante a uni\u00e3o espiritual com tudo quanto nos cerca. At\u00e9 com as coisas que parecem insignificantes. Erigindo um claro silogismo, o texto nos induz a concluir que os poetas s\u00e3o indiv\u00edduos extraordin\u00e1rios, precisamente, por possuir a rara d\u00e1diva que \u00e9 essa sabedoria. Estes est\u00e3o capacitados para captar o \u00e2mago das coisas al\u00e9m de poderem se relacionar com elas como nenhuma outra pessoa. Outro silogismo traz \u00e0 tona o v\u00ednculo poesia-amor. Se por amor entendemos a capacidade de o ser humano se identificar profundamente com algu\u00e9m ou algo e, da\u00ed, estabelecer um di\u00e1logo \u00edntimo com estes, os poetas devem ser os \u00fanicos amantes perfeitos do mundo.<\/p>\n<p>Podemos derivar conclus\u00f5es semelhantes da segunda ora\u00e7\u00e3o paralela que reza: \u201cN\u00e3o viste a rosa que plantei.\u201d Obviamente, aqui o poeta est\u00e1 acusando seu antagonista de n\u00e3o ter compartilhado com ele o prazer de plantar uma linda flor e de preferir fugir antes de poder apreciar sua beleza e fragr\u00e2ncia. Devido ao contexto metaf\u00f3rico engendrado pela interpreta\u00e7\u00e3o da primeira estrofe, podemos afirmar, com certeza, que, em fun\u00e7\u00e3o de coordenada, a rosa da segunda est\u00e2ncia vem agora epitomar a sensibilidade ins\u00f3lita do poeta perante a beleza. Da mesma, a rosa representaria tamb\u00e9m a pr\u00f3pria obra de arte \u2014 fruto da \u2018aventura amorosa\u2019 do artista com a vida. A imagem dele plantando uma rosa fornece uma variante que acarreta not\u00e1vel simbolismo. Com efeito, ao considerar o poeta, fazendo as vezes de um jardineiro, que planta a flor como maneira de renovar e prolongar, assim, sua breve exist\u00eancia, a alus\u00e3o fica clara. Como todo jardineiro, o artista tamb\u00e9m pede emprestado \u00e0 natureza aquilo que, de outro modo, o tempo destruiria implacavelmente. O artista d\u00e1 uma nova vida conferindo aquilo perman\u00eancia. No poema, a analogia serve para apresentar a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica como trabalho executado com sacrif\u00edcio e, ao mesmo tempo, carinho.<\/p>\n<p>Desde que a frase \u201cN\u00e3o viste\u201d op\u00f5e, ao poder criativo do poeta, a insensibilidade de seu antagonista (locutor intratextual), ela oferece um contraponto ideal para a met\u00e1fora \u201ca rosa que plantei\u201d. Por outro lado, as afirma\u00e7\u00f5es do falante l\u00edrico estariam dirigidas, extratextual mente, a todos aqueles incapazes de apreciar a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e que a consideram sem import\u00e2ncia ou \u2018sup\u00e9rflua\u2019.<\/p>\n<p>O p\u00f4r-do-sol, com suas imagens agridoces, \u00e9 empregado, neste caso, para projetar uma sucess\u00e3o de conceitos que conduzem \u00e0 apreens\u00e3o do tema principal do poema. Mais uma vez, o amor aparece como for\u00e7a dial\u00e9tica e onipotente. Tal representa\u00e7\u00e3o destaca, por sua vez, v\u00e1rias oposi\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a fus\u00e3o espiritual do mundo humano com o n\u00e3o-humano: vincula\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel, se bem que artisticamente vi\u00e1vel. Definida como &#8216;amor&#8217;, esta uni\u00e3o \u00e9 igualada \u00e0 pr\u00f3pria vida e oposta \u00e0 morte. V\u00ea-se logo o artista retratado como o amante ideal e colocado em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa comum.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o se encerra com mais uma oposi\u00e7\u00e3o. Encontra-se na segunda parte da pergunta ret\u00f3rica: \u201cQue tens a ver comigo\/ se dentro em ti n\u00e3o prevalecem\/ as coisas todavia sup\u00e9rfluas\/ do meu intransfer\u00edvel patrim\u00f4nio?\u201d Esta ora\u00e7\u00e3o constitui uma reitera\u00e7\u00e3o do pensamento fundamental do poema. Completa, outrossim, a mensagem total, reunindo em si os v\u00e1rios planos sem\u00e2nticos. No plano mais superficial, o poema contrasta, a esta altura, a vis\u00e3o ecum\u00eanica e animista da persona po\u00e9tica com a atitude algo mesquinha de seu interlocutor na suposta briga amorosa. Tal como no resto da composi\u00e7\u00e3o, a chave que nos permite entrada na estrutura profunda repousa no esquema de variantes e nas ambiguidades geradas pelos espa\u00e7os po\u00e9ticos. Ava liando a informa\u00e7\u00e3o, proporcionada nesta \u00faltima parte do poema, \u00e0 luz do resto da composi\u00e7\u00e3o, observa-se um fen\u00f4meno que confirma, de novo, a integridade estrutural do poema. Com exce\u00e7\u00e3o de quatro variantes, o segmento final \u00e9 um complemento adequado para a conclus\u00e3o da est\u00e2ncia inicial, tanto assim para o princ\u00edpio da segunda e \u00faltima estrofe.<\/p>\n<p>As variantes, que enfocaremos para acessar o plano metaf\u00f3rico desta parte conclusiva da composi\u00e7\u00e3o, constam dos seguintes elementos:<\/p>\n<p>1) Substitui\u00e7\u00e3o do artigo definido \u2018as&#8217; (\u201cas coisas\u201d) pelo pronome demonstrativo \u2018tais\u2019 (\u201ctais coisas\u201d) que repercute sobre todos os outros artigos definidos usados anteriormente para indicar as coisas preferidas pelo falante po\u00e9tico.<\/p>\n<p>2) Reposi\u00e7\u00e3o do modificador \u2018talvez\u2019, pela forma, tamb\u00e9m adverbial, \u2018todavia\u2019.<\/p>\n<p>3) O sintagma \u201cintransfer\u00edvel patrim\u00f4nio\u201d em lugar do qualificativo de \u201c\u00edntimo dom\u00ednio\u201d \u2014 este \u00faltimo aludindo \u00e0 inestim\u00e1vel riqueza que o falante guarda.<\/p>\n<p>4) Troca de voz po\u00e9tica da primeira pessoa singular \u2018eu\u2019 (\u201cQue tenho a ver contigo\u201d), \u00e0 segunda familiar \u2018tu\u2019 (\u201cQue tens a ver comigo\u201d).<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o mais \u00f3bvia a deduzir das primeiras duas observa\u00e7\u00f5es \u00e9 que o poema tem se deslocado do geral e vago para o espec\u00edfico e concreto. Este fen\u00f4meno, avaliado \u00e0 luz da pr\u00e9via evid\u00eancia textual, aponta a mudan\u00e7a que o poeta efetua ao trocar a posi\u00e7\u00e3o inicial de humildade e subjetividade por uma postura de indisputada autoridade, fundamentada em convic\u00e7\u00f5es firmes. Desse modo, o texto pronuncia a posi\u00e7\u00e3o dualista e paradoxal do artista &#8211; ser que possui todas essas prerrogativas de encarar a vida. Afinal de contas, a arte pode tratar os assuntos mais comuns sem ser descabida, pois nada \u00e9 de pouca import\u00e2ncia para o artista. Contudo, o poema sugere que o poeta, como todo artista, n\u00e3o tem nenhuma obriga\u00e7\u00e3o de ver e expressar a realidade de um modo &#8216;aceit\u00e1vel&#8217;. Nem por isso deve transigir. Pelo visto, este postulado est\u00e1 fundamentado numa tradi\u00e7\u00e3o transmitida de uma gera\u00e7\u00e3o para outra. Eis aqui o \u201cintransfer\u00edvel patrim\u00f4nio\u201d do poeta, a sua heran\u00e7a inalien\u00e1vel. O falante da composi\u00e7\u00e3o que atua como porta-voz do poeta nos diz que, se o que ele sente e trata de comunicar n\u00e3o faz sentido a alguma pessoa \u2013 representada no poema pelo seu locutor silencioso -, existe, para isso, uma raz\u00e3o. A arte n\u00e3o \u00e9 imita\u00e7\u00e3o da vida, nem pretende se comunicar com todo mundo. Pelo contr\u00e1rio, o artista procura entender o enigma da exist\u00eancia, ao passo que se prop\u00f5e transmitir sua cosmovis\u00e3o a quem quiser participar com ele dessa tentativa.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, esta composi\u00e7\u00e3o demonstra que a poesia, igual ao amor, \u00e9 um processo de identifica\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e coparticipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a pr\u00f3pria vida, da qual o amor \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o fundamental, a obra de arte est\u00e1 apresentada, atrav\u00e9s do exemplo deste poema, em fun\u00e7\u00e3o de ato bilateral que comporta prazer e sofrimento por parte do criador e do contemplador. Como leitores, sugere este poema, devemos nos envolver no processo criativo para compreender a mensagem encerrada na obra e torn\u00e1-la parte integral de nossa vida. Tendo provado sua eminente capacidade de desafiar-nos com seu texto, o poema \u2018Do sup\u00e9rfluo\u2019 continuar\u00e1 deleitando-nos com cada esfor\u00e7o que fa\u00e7a mos para decifrar sua estrutura lingu\u00edstica e integrar \u00e0 nossa pr\u00f3pria viv\u00eancia cotidiana a mensagem de amor e de sacrif\u00edcio que a autora nos oferece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> L\u00edvia Paulini<em>, Henriqueta Lisboa e sua mensagem universal<\/em>, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1984.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Idem, p. 23.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> F\u00e1bio Lucas observa que a tens\u00e3o dram\u00e1tica gerada pelas v\u00e1rias oposi\u00e7\u00f5es que caracterizam os textos de Lisboa decorre da sua cosmovis\u00e3o inconformista \u2014 vis\u00e3o que faz com que ela transmude a realidade convencional numa concep\u00e7\u00e3o altamente pessoal. Afirma o cr\u00edtico: &#8220;Sob o ponto de vista conteud\u00edstico, podemos dizer que Henriqueta Lisboa se esmera na contempla\u00e7\u00e3o intimista do mundo interior: transforma objetos, lembran\u00e7as, pronunciamentos em facetas de uma sensibilidade oposta ao uni verso&#8221;, em &#8216;A poesia de Henriqueta Lisboa&#8217;. Suplemento Liter\u00e1rio do <em>Minas Gerais<\/em>, Belo Horizonte, n. 30, 1985, p. 14.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> Henriqueta Lisboa, <em>Pousada do ser<\/em>, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982, pp. 527-8.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup> \u00c9 importante sublinhar aqui que o texto, funcionando n\u00e3o como mero ato discursivo, sen\u00e3o como artefato liter\u00e1rio, instala una situa\u00e7\u00e3o comunicativa amb\u00edgua que se desenvolve em um contexto imagin\u00e1rio, no qual a voz po\u00e9tica \u2018n\u00f3s\u2019 representa uma totalidade humana\/social an\u00f4nima. Levando em conta o costume de Lisboa de transmudar o objetivo e espec\u00edfico em experi\u00eancias puramente est\u00e9ticas de alcance universal, deveria-se supor que o mencionado \u2018n\u00f3s\u2019 l\u00edrico pode incluir a pr\u00f3pria pessoa do poeta, mas n\u00e3o necessariamente. Da mesma forma, o interlocutor do falante po\u00e9tico tamb\u00e9m constitui uma inc\u00f3gnita para o leitor. Para um estudo pormenorizado da t\u00e9cnica referencial, ver \u2018Hablantes po\u00e9ticos\/Oyentes po\u00e9ticos\u2019, em Eliana Rivero, Reflexiones para una nueva po\u00e9tica: la l\u00edrica hispanoamericana y su estudio\u2019, <em>Actas del Sexto Congreso Internacional de Hispanistas<\/em>, Toronto: University of Toronto, 1980, pp. 601-5.<\/p>\n<p><sup>6<\/sup> Nossa percep\u00e7\u00e3o da postura animista patente no texto de \u2018O sup\u00e9rfluo\u2019 \u00e9 confirmada por F\u00e1bio Lucas. Na opini\u00e3o dele, ao longo da maior parte do acervo po\u00e9tico de Lisboa, &#8220;Uma joia, uma \u00e2nfora, o m\u00e1rmore, a rosa, objetos de escala menor, transport\u00e1veis ou simplesmente ao alcance de qualquer manipula\u00e7\u00e3o, tornam-se foco de uma opera\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, ante os olhos de Henriqueta Lisboa\u201d (\u2018A poesia de Henriqueta Lisboa\u2019, p. 14). E o caso de palavras como \u2018reposteiro\u2019, que o poeta usa com regularidade devidamente calculada e na qualidade de formas apositivas. Igual a \u2018Do sup\u00e9rfluo\u2019, duas outras composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas, \u2018Depois da op\u00e7\u00e3o\u2019 (<em>Miradouro e outros poemas<\/em>) e \u2018Condi\u00e7\u00e3o\u2019 (<em>Al\u00e9m da imagem<\/em>), mostram a palavra \u2018reposteiro\u2019 funcionando como \u2018marcador\u2019 ou signo que aponta para o lado escuro, obl\u00edquo, feio da vida. Mais especificamente, este objeto simboliza, no c\u00f3digo po\u00e9tico de Lisboa, a frustra\u00e7\u00e3o da humanidade perante a impossibilidade de aproveitar todo o esplendor e a beleza da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dial\u00e9tica do imprescind\u00edvel num poema de Henriqueta Lisboa Carmelo Virgillo Ao examinar um certo n\u00famero de obras representativas da cr\u00edtica sobre a poesia de Henriqueta Lisboa, L\u00edvia Paulini acha que n\u00e3o existe um verdadeiro consenso de opini\u00f5es com respeito \u00e0 tem\u00e1tica.1 Blanca Lobo Filho, por exemplo, coloca o amor em primeiro lugar, enquanto Lauro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1910],"tags":[2732,2723,2724,1711,118],"class_list":["post-22027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-complementar-interno","tag-carmelo-virgillo","tag-depoimento","tag-fortuna-critica","tag-henriqueta-lisboa","tag-poesia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A dial\u00e9tica do imprescind\u00edvel num poema de Henriqueta Lisboa Carmelo Virgillo Ao examinar um certo n\u00famero de obras representativas da cr\u00edtica sobre a poesia de Henriqueta Lisboa, L\u00edvia Paulini acha que n\u00e3o existe um verdadeiro consenso de opini\u00f5es com respeito \u00e0 tem\u00e1tica.1 Blanca Lobo Filho, por exemplo, coloca o amor em primeiro lugar, enquanto Lauro [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/peiropolis\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-09-30T11:11:13+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-09-30T11:12:14+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"renata\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"renata\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"32 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"renata\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ef3786bdea4f71c5e6b8d1bb5ceef39f\"},\"headline\":\"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo\",\"datePublished\":\"2020-09-30T11:11:13+00:00\",\"dateModified\":\"2020-09-30T11:12:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/\"},\"wordCount\":6331,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#organization\"},\"keywords\":[\"Carmelo Virgillo\",\"depoimento\",\"fortuna cr\u00edtica\",\"Henriqueta Lisboa\",\"poesia\"],\"articleSection\":[\"Conte\u00fado complementar (p\u00e1ginas internas)\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/\",\"name\":\"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2020-09-30T11:11:13+00:00\",\"dateModified\":\"2020-09-30T11:12:14+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/\",\"name\":\"Editora Peir\u00f3polis\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#organization\",\"name\":\"Editora Peir\u00f3polis\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/03\\\/logo_site_2018_laranja-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/03\\\/logo_site_2018_laranja-1.png\",\"width\":366,\"height\":160,\"caption\":\"Editora Peir\u00f3polis\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/peiropolis\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/peiropolis\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCpX4Q1B82myCpHVV9jdqInQ\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/ef3786bdea4f71c5e6b8d1bb5ceef39f\",\"name\":\"renata\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"renata\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/antigo\\\/author\\\/renata-2\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis","og_description":"A dial\u00e9tica do imprescind\u00edvel num poema de Henriqueta Lisboa Carmelo Virgillo Ao examinar um certo n\u00famero de obras representativas da cr\u00edtica sobre a poesia de Henriqueta Lisboa, L\u00edvia Paulini acha que n\u00e3o existe um verdadeiro consenso de opini\u00f5es com respeito \u00e0 tem\u00e1tica.1 Blanca Lobo Filho, por exemplo, coloca o amor em primeiro lugar, enquanto Lauro [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/","og_site_name":"Editora Peir\u00f3polis","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/peiropolis\/","article_published_time":"2020-09-30T11:11:13+00:00","article_modified_time":"2020-09-30T11:12:14+00:00","author":"renata","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"renata","Est. tempo de leitura":"32 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/"},"author":{"name":"renata","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#\/schema\/person\/ef3786bdea4f71c5e6b8d1bb5ceef39f"},"headline":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo","datePublished":"2020-09-30T11:11:13+00:00","dateModified":"2020-09-30T11:12:14+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/"},"wordCount":6331,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#organization"},"keywords":["Carmelo Virgillo","depoimento","fortuna cr\u00edtica","Henriqueta Lisboa","poesia"],"articleSection":["Conte\u00fado complementar (p\u00e1ginas internas)"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/","name":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo - Editora Peir\u00f3polis","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#website"},"datePublished":"2020-09-30T11:11:13+00:00","dateModified":"2020-09-30T11:12:14+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/presenca-de-henriqueta-carmelo-virgillo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Presen\u00e7a de Henriqueta: Carmelo Virgillo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#website","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/","name":"Editora Peir\u00f3polis","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#organization","name":"Editora Peir\u00f3polis","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/logo_site_2018_laranja-1.png","contentUrl":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/logo_site_2018_laranja-1.png","width":366,"height":160,"caption":"Editora Peir\u00f3polis"},"image":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/peiropolis\/","https:\/\/www.instagram.com\/peiropolis\/","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCpX4Q1B82myCpHVV9jdqInQ"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/#\/schema\/person\/ef3786bdea4f71c5e6b8d1bb5ceef39f","name":"renata","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ff0ccc10ce6bd0ee6769df7f430fd5d4f5c17c1797fca8e7a1ec3e597251d72e?s=96&d=mm&r=g","caption":"renata"},"url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/author\/renata-2\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22027"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22027\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22028,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22027\/revisions\/22028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}