{"id":2421,"date":"2011-04-16T00:00:13","date_gmt":"2011-04-16T00:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=2421"},"modified":"2011-04-16T00:00:13","modified_gmt":"2011-04-16T00:00:13","slug":"lancamento-sequencia-nossa-vida-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/lancamento-sequencia-nossa-vida-na-rua\/","title":{"rendered":"&#034;Sequ\u00eancia&#034;: a vida de duas meninas nas ruas de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/livro\/?id=244&amp;tit=Sequ%C3%AAncia+-+nossa+vida+na+rua\" target=\"_blank\">Sequ\u00eancia &#8211; Nossa vida na rua<\/a> traz epis\u00f3dios vividos por Maria e Aline, duas meninas entre 10 e 13 anos habitando as ruas de S\u00e3o Paulo. Concebido e organizado por <a href=\"..\/biografia\/?autor=316&amp;nome=Beth+Ziani\" target=\"_blank\">Beth Ziani<\/a>, o livro foi editado por <a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/biografia\/?autor=311&amp;nome=Ver%C3%B4nica+Couto\" target=\"_blank\">Ver\u00f4nica Couto<\/a> e ilustrado por <a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/biografia\/?autor=245&amp;nome=Silvia+Amstalden\" target=\"_blank\">Silvia Amstalden<\/a>, que assina tamb\u00e9m o projeto gr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Leitura para jovens e adultos, <a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/livro\/?id=244&amp;tit=Sequ%C3%AAncia+-+nossa+vida+na+rua\" target=\"_blank\">Sequ\u00eancia &#8211; Nossa vida na rua<\/a> ocupa o lugar h\u00edbrido em que a literatura encontra o documental, resultando em um texto interessante e muito comovente. Amizade, comportamento humano, enfrentamento de dificuldades, problemas sociais e mem\u00f3rias, tudo isso na voz de Maria e Aline, que durante o per\u00edodo em que estiveram entre a rua e os abrigos selaram uma forte amizade.<\/p>\n<p><strong>Maria e Aline hoje<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente Maria mora em Indaiatuba, cidade no interior de S\u00e3o Paulo, onde trabalha como diarista. H\u00e1 tr\u00eas anos vive com Fernando, pai do seu filho Gabriel, e espera o segundo filho. Tem planos de voltar aos estudos.<\/p>\n<p>Aline est\u00e1 em liberdade desde 2010. Atualmente mora num albergue na zona leste de S\u00e3o Paulo e trabalha numa cooperativa de reciclagem de lixo. Ela pretende alugar uma casa em breve e tamb\u00e9m quer retomar os estudos.<\/p>\n<p><strong>Pref\u00e1cio e posf\u00e1cios<\/strong><\/p>\n<p>Abaixo publicamos o pref\u00e1cio e o posf\u00e1cio da organizadora da obra, <a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/biografia\/?autor=316&amp;nome=Beth+Ziani\" target=\"_blank\">Beth Ziani<\/a>, que \u00e9 professora de literatura da USP e pesquisadora de narrativas orais, e o coment\u00e1rio de <a href=\"http:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/livro\/?id=173&amp;tit=Por+tr%C3%A1s+dos+muros+-+Horizontes+sociais+do+graffiti\" target=\"_blank\">Graziela Bedoian<\/a>, coordenadora da \u00c1rea de Ensino e Pesquisa do Projeto Quixote.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nAPRESENTA\u00c7\u00c3O<\/strong><em><br \/>\nBeth Ziani<\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Quando eu nasci, algum anjo disse: \u201cVai, Beth, ser catadora de hist\u00f3rias. N\u00e3o de todas as hist\u00f3rias, mas de hist\u00f3rias de vida\u201d. Comecei a entender o significado desse legado quando ouvi a primeira hist\u00f3ria de vida. Entre linhas, agulhas e la\u00e7adas, minha av\u00f3 me contou sobre os nossos antepassados e mostrou-me um pouco do eterno que existia em n\u00f3s. De l\u00e1 pra c\u00e1, essas narrativas v\u00eam ao meu encontro nas vozes de velhos, crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>Ao conhecer Maria e Aline, havia registrado muitas hist\u00f3rias, mas nenhuma tinha me sensibilizado tanto. O abandono, a fragilidade, a coragem, o medo, a rua e os abrigos foram aspectos que estimularam a cria\u00e7\u00e3o deste livro. O meu principal desafio foi entender a din\u00e2mica da rua e como as crian\u00e7as sobrevivem num ambiente t\u00e3o in\u00f3spito. Nessa \u00e9poca, o Centro da cidade de S\u00e3o Paulo passou a fazer parte da minha vida n\u00e3o s\u00f3 por meio das hist\u00f3rias contadas por elas, mas pelo meu cotidiano. Depois de conhecer suas aventuras, eu n\u00e3o conseguia olhar para aqueles meninos largados nas cal\u00e7adas sem me sentir completamente impotente. Restou-me lutar para que esta publica\u00e7\u00e3o acontecesse, pois nela eles estariam representados.<\/p>\n<p>O livro traz epis\u00f3dios vividos por Maria e Aline entre 10 e 13 anos, \u00e9poca em que selaram uma forte amizade e pareciam ter um pacto: a fuga. \u00c0s vezes, carregavam sacolas e mochilas, outras, largavam tudo e fugiam. Afinal, morar na rua dava liberdade. Em pequenos relatos, narram o cotidiano no abrigo Taiguara, descrevem pessoas e institui\u00e7\u00f5es que apoiam crian\u00e7as e jovens, declaram os perigos da rua e denunciam a viol\u00eancia e as discrimina\u00e7\u00f5es sofridas.<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o da rua e o ritmo de vida dessas meninas est\u00e3o representados na estrutura dos textos e nas pequenas descri\u00e7\u00f5es. Como em um di\u00e1rio compartilhado, Aline e Maria revezam-se na narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa, com linguagem coloquial, muitas g\u00edrias e a espontaneidade caracter\u00edstica da fala.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do livro destaca um costume do grupo \u2013 diante de uma realidade t\u00e3o dif\u00edcil, algumas regras s\u00e3o definidas; entre elas, a necessidade de dividir o que ganham, principalmente a comida. Munidos de um esp\u00edrito solid\u00e1rio, transformam o ato de compartilhar em um jogo, no qual n\u00e3o \u00e9 permitido enganar ou tirar vantagem dos amigos. E definem a palavra \u201csequ\u00eancia\u201d como a senha de manuten\u00e7\u00e3o dessa norma.<\/p>\n<p>Fizeram parte dessa hist\u00f3ria a biblioteca Monteiro Lobato, o Centro Cultural S\u00e3o Paulo, a Igreja da Santa Cec\u00edlia, onde nos encontr\u00e1vamos para as leituras e discuss\u00f5es dos textos; o Parque Villa-lobos, o passeio de bicicleta e muitas risadas; chocolate branco com coca-cola e o pastel do sacol\u00e3o da Rua Dona Veridiana; a Cl\u00e1udia, madrinha da Aline; e a nossa av\u00f3 do cora\u00e7\u00e3o, Julinha (<em>in mem\u00f3riam<\/em>), que nos acolhia em seu apartamento na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nP\u00d3SFACIO<\/strong><em><br \/>\nBeth Ziani<\/em><\/p>\n<p>Maria e Aline conheceram-se ainda crian\u00e7as em um abrigo na cidade de S\u00e3o Paulo, o Taiguara. Ali, encontraram o acolhimento que n\u00e3o tiveram em suas fam\u00edlias. Ambas romperam os v\u00ednculos com os pais muito cedo. Aline, aos 6 anos, saiu do bairro de Santo Amaro em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a da S\u00e9. Maria, aos 9, vendia balas em sem\u00e1foros para uma m\u00e3e de rua.<\/p>\n<p>As duas passaram por v\u00e1rios abrigos e casas de acolhida \u2013 Maria por vinte, aproximadamente, e Aline por quase o dobro \u2013 at\u00e9 atingirem a maioridade. As ruas do Centro da cidade fizeram parte do cotidiano das meninas. Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, Vale do Anhangaba\u00fa, Rua 24 de Maio, T\u00fanel da Roosevelt, Pra\u00e7a da S\u00e9 tornaram-se extens\u00e3o de suas casas; lugares onde dormiram, brincaram, usaram drogas e aprenderam a se virar sozinhas.<\/p>\n<p>Em 2004, conheci Maria e tornei-me sua madrinha \u2013 assim s\u00e3o definidas as pessoas que convivem com crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de abrigo. Percebi, ent\u00e3o, o significado da express\u00e3o \u201ccrian\u00e7a em situa\u00e7\u00e3o de rua e de abrigo\u201d. Em um ano, Maria passou por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es. Maria e Aline reencontraram-se em 2006, dois anos ap\u00f3s deixarem o Taiguara. Maria estava com 15 e Aline 16 anos.<\/p>\n<p>Conheci Aline nesse per\u00edodo. No nosso primeiro encontro, ela apresentou-me a cidade na perspectiva da Noinha do Vale, um dos seus apelidos. E com orgulho, contou suas experi\u00eancias, pouco a pouco colocando Maria como sua companheira de aventuras. Assim nasceu a ideia do livro!<\/p>\n<p>O meu papel foi puxar o fio da mem\u00f3ria e organiz\u00e1-lo. Foi um processo dif\u00edcil, pois a inconst\u00e2ncia e a fragilidade das rela\u00e7\u00f5es eram as refer\u00eancias dessas meninas. As hist\u00f3rias foram selecionadas por elas, contadas, comentadas e depois escritas. Entre 2006 e 2007, nos encontramos semanalmente para conversar sobre os textos. Em determinado momento, senti a necessidade de aproximar-me dos locais descritos por elas. Assim, pude concretizar as seringueiras e os bueiros como guarda-roupas, o coreto da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica como uma extensa cama que acolhia todo o grupo, a pescaria das moedas nas caixas de luz, as brincadeiras, as brisas, os medos e as viol\u00eancias.<\/p>\n<p>O projeto do livro ficou parado por alguns anos, mas continuamos convivendo. Nesse per\u00edodo, tive a parceria de uma pessoa importante, Claudia, madrinha de Aline. Compartilhamos situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis como a guarda provis\u00f3ria rejeitada, as fugas, as drogas, a aus\u00eancia de not\u00edcias, a proximidade da maioridade, a pris\u00e3o de Aline e a gravidez de Maria.<\/p>\n<p>Maria e Aline n\u00e3o conseguiram modificar o que a sociedade reserva a esses jovens. Maria (19 anos) tem um filho e vive com o marido no interior de S\u00e3o Paulo. Aline (20 anos) cumpriu pena por dois anos e vive na cidade. Nossas hist\u00f3rias permanecem entrela\u00e7adas: eu e Maria, Aline e Cl\u00e1udia. Tecemos uma bela hist\u00f3ria. Elas aprenderam a confiar e a cuidar das rela\u00e7\u00f5es sem fugir e largar tudo para tr\u00e1s. E me ensinaram a rever valores e a confiar no afeto como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sequ\u00eancia Maria. Sequ\u00eancia Aline.<br \/>\n<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nUMA OUTRA HIST\u00d3RIA<\/strong><br \/>\n<em>Graziela Bedoian<\/em><\/p>\n<p>Cada vez mais, vemos crian\u00e7as e adolescentes vivendo no circuito das ruas e das organiza\u00e7\u00f5es sociais nos grandes centros urbanos do brasil. Muitas fazem da rua seu espa\u00e7o privilegiado de lazer, sobreviv\u00eancia, moradia, rela\u00e7\u00f5es e apresndizagens.<\/p>\n<p>As motiva\u00e7\u00f5es para sair de casa e viver nas ruas, interrompendo ou rompendo v\u00ednculos afetivos com a fam\u00edlia e a comunidade de origem, s\u00e3o complexas e singulares, mas a falta de dignidade e a viol\u00eancia sempre est\u00e3o em jogo. Viv\u00eancias intensas que deixam marcas.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as e adolescentes que saem de casa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas, rumo ao desconhecido, parecem muitas vezes quixotinhos urbanos. Buscam uma nova realidade e acabam vivendo uma aventura quixotesca, mas arriscada. Na tarefa de situar-se frente a esse mundo e a si mesmos, passam a confrontar-se com uma realidade crua: onde dormir, o que comer, como se divertir, se expressar, ganhar um dinheiro.<\/p>\n<p>E nessa vibe da rua, a aparente liberdade traz tamb\u00e9m muitos desafios. Um encontro frequente para quem est\u00e1 nesse circuito \u00e9 com o uso de drogas e seus perversos mecanismos. Na rua, o tempo ganha imediatismo e oq eu se deseja precisa ser saciado aqui e agora. O uso de drogas encaixa-se a\u00ed como uma luva. Para lidar com as dificuldades da vida, as dores que ficaram em casa e as que se fazem na rua, o uso de drogas funciona muitas vezes como \u201canest\u00e9sico\u201d.<\/p>\n<p>Socialmente, a situa\u00e7\u00e3o de rua faz desse lugar um grande cen\u00e1rio de indigna\u00e7\u00e3o, medo e abandono, mas tamb\u00e9m de pr\u00e1ticas pol\u00edticas, educativas e assist\u00eancia social. Estar na rua \u00e9 pertencer a um lugar de exclu\u00eddos e entrar em um circuito diferente do circuito da casa e do bairro. \u00c9 de alguma forma encontrar um novo lugar, um lugar-den\u00fancia de fracassos anteriores e tamb\u00e9m de apelo. Estas crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o pedindo algo. Querem uma vida melhor.<\/p>\n<p>Muitas hist\u00f3rias como a de Maria e Aline s\u00e3o escutadas em ongs, Conselhos Tutelares, abrigos, escolas, delegacias. Cada uma de seu jeito, com suas dores, alegrias, medos, descobertas. Sair desse circuito da rua exige muito trabalho, esfor\u00e7o, desejo, sobretudo dos protagonistas dessas hist\u00f3rias, suas fam\u00edlias e comunidades.<\/p>\n<p>As oportunidades de encontrar ou reencontrar um lugar melhor para estar e crescer dependem de muitos fatores. No campo dos trabalhos sociais, \u00e9 fundamental uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre as institui\u00e7\u00f5es. Juntas, constroem um circuito alternativo ao de sociabilidade da rua, em que s\u00e3o oferecidas outras aventuras e formas de relacionamento baseado no respeito e no v\u00ednculo.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es sociais possuem uma metodologia pr\u00f3pria para abordar essa quest\u00e3o e desenhar com a crian\u00e7a, o adolescente, e a fam\u00edlia um projeto de sa\u00edda da rua e retorno \u00e0 m\u00e1tria, ao local de origem.<\/p>\n<p>Estar inserido nesse mundo n\u00e3o \u00e9 uma simples quast\u00e3o de entrar para escola, ter um trabalho e voltar a morar em casa. Os v\u00ednculos que foram rompidos ou interrompidos precisam ser revistos com delicadeza, para que novas configura\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias possam ser vividas.Como diz Paulo Freire, nas pr\u00e1ticas educativas a \u201cboniteza e a dec\u00eancia\u201d precisam estar sempre de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>Todo o trabalho das organiza\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 para que outra hist\u00f3ria possa ser ouvida, vivida: a hist\u00f3ria de cria\u00e7\u00e3s e adolescentes que crescem, se divertem, namoram, descobrem, brincam, t\u00eam d\u00favidas, futuro, estudam em suas comunidades e contam com o apoio familiar, social e institucional. Para isso, muita coisa precisa e pode ser feita ainda no Brasil, muito al\u00e9m das pr\u00e1ticas educativas.<br \/>\n<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nPara saber mais:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetotravessia.org.br\/\">www.projetoquixote.org.br<br \/>\nwww.pro-menino.org.cbr<br \/>\nwww.projetotravessia.org.br<\/a><\/p>\n<p>ECA \u2013 Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 Lei 8069 de 13 de julho de 1990.<\/p>\n<p>Sobre a pol\u00edtica nacional de assist\u00eancia social, consultar no Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Social, o SUAS (Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social) e o programa de Prote\u00e7\u00e3o Especial: www.mds.gov.br.<\/p>\n<p>Para obter orienta\u00e7\u00f5es sobre atendimento de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de risco, consultar os Conselhos Tutelares, os Conselhos Municipais da Crian\u00e7a e do Adolescente (CMDCA), os Centros de Refer\u00eancia Especializados de Assist\u00eancia Social (CREAS) regionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sequ\u00eancia &#8211; Nossa vida na rua traz epis\u00f3dios vividos por Maria e Aline, duas meninas entre 10 e 13 anos habitando as ruas de S\u00e3o Paulo. 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