{"id":24219,"date":"2021-02-11T13:50:42","date_gmt":"2021-02-11T16:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=24219"},"modified":"2021-02-26T09:18:24","modified_gmt":"2021-02-26T12:18:24","slug":"o-ensino-medio-no-contexto-da-educacao-basica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/o-ensino-medio-no-contexto-da-educacao-basica\/","title":{"rendered":"O ensino m\u00e9dio no contexto da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica"},"content":{"rendered":"<p>O Ensino M\u00e9dio \u00e9 a etapa final da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, direito p\u00fablico subjetivo de todo cidad\u00e3o brasileiro. Todavia, a realidade educacional do Pa\u00eds tem mostrado que essa etapa representa um gargalo na garantia do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m da necessidade de universalizar o atendimento, tem-se mostrado crucial garantir a perman\u00eancia e as aprendizagens dos estudantes, respondendo \u00e0s suas demandas e aspira\u00e7\u00f5es presentes e futuras.<\/p>\n<p>Como bem identificam e explicitam as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino M\u00e9dio de 2011 (DCNEM\/2011):<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Com a perspectiva de um imenso contingente de\u00a0<strong>adolescentes, jovens e adultos que se diferenciam por condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia e perspectivas de futuro desiguais<\/strong>, \u00e9 que o Ensino M\u00e9dio deve trabalhar. Est\u00e1 em jogo a recria\u00e7\u00e3o da escola que, embora n\u00e3o possa por si s\u00f3 resolver as desigualdades sociais, pode ampliar as condi\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o social, ao possibilitar o\u00a0<strong>acesso \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 tecnologia, \u00e0 cultura e ao trabalho<\/strong>\u00a0(Parecer CNE\/ CEB n\u00ba 5\/2011<sup>52<\/sup>; \u00eanfases adicionadas).<\/em><\/p>\n<p>Para responder a essa necessidade de recria\u00e7\u00e3o da escola, mostra-se imprescind\u00edvel reconhecer que as r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica social contempor\u00e2nea nacional e internacional, em grande parte decorrentes do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, atingem diretamente as popula\u00e7\u00f5es jovens e, portanto, suas demandas de forma\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio cada vez mais complexo, din\u00e2mico e fluido, as incertezas relativas \u00e0s mudan\u00e7as no mundo do trabalho e nas rela\u00e7\u00f5es sociais como um todo representam um grande desafio para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e propostas de organiza\u00e7\u00e3o curriculares para a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em geral, e para o Ensino M\u00e9dio, em particular.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>AS JUVENTUDES E O ENSINO M\u00c9DIO<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k-67-top-ae-0945_1.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=aee3e3eda2c0596decb98f8a0c52a8d7\" alt=\"Students learning together in school \" width=\"343\" height=\"229\" \/>Na dire\u00e7\u00e3o de atender \u00e0s expectativas dos estudantes e \u00e0s demandas da sociedade contempor\u00e2nea para a forma\u00e7\u00e3o no Ensino M\u00e9dio, as DCNEM\/2011 explicitam a necessidade de n\u00e3o caracterizar o p\u00fablico dessa etapa \u2013 constitu\u00eddo predominantemente por adolescentes e jovens \u2013 como um grupo homog\u00eaneo, nem conceber a \u201cjuventude\u201d como mero rito de passagem da inf\u00e2ncia \u00e0 maturidade. Ao contr\u00e1rio, defendem ser fundamental reconhecer<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>a juventude como condi\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rico-cultural de uma categoria de sujeitos que necessita ser considerada em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, com especificidades pr\u00f3prias que n\u00e3o est\u00e3o restritas \u00e0s dimens\u00f5es biol\u00f3gica e et\u00e1ria, mas que se encontram articuladas com uma multiplicidade de atravessamentos sociais e culturais, produzindo\u00a0<strong>m\u00faltiplas culturas juvenis ou muitas juventudes<\/strong>\u00a0(Parecer CNE\/CEB n\u00ba 5\/2011; \u00eanfase adicionada).<\/em><\/p>\n<p>Adotar essa no\u00e7\u00e3o ampliada e plural de\u00a0<strong>juventudes<\/strong>\u00a0significa, portanto, entender as culturas juvenis em sua singularidade. Significa n\u00e3o apenas compreend\u00ea-las como diversas e din\u00e2micas, como tamb\u00e9m reconhecer os jovens como participantes ativos das sociedades nas quais est\u00e3o inseridos, sociedades essas tamb\u00e9m t\u00e3o din\u00e2micas e diversas.<\/p>\n<p>Considerar que h\u00e1 muitas juventudes implica organizar uma\u00a0<strong>escola que acolha as diversidades<\/strong>, promovendo, de modo intencional e permanente, o respeito \u00e0 pessoa humana e aos seus direitos. E mais, que garanta aos estudantes ser\u00a0<strong>protagonistas<\/strong>\u00a0de seu pr\u00f3prio processo de escolariza\u00e7\u00e3o, reconhecendo-os como interlocutores leg\u00edtimos sobre curr\u00edculo, ensino e aprendizagem. Significa, nesse sentido, assegurar-lhes uma forma\u00e7\u00e3o que, em sintonia com seus percursos e hist\u00f3rias, permita-lhes definir seu\u00a0<strong>projeto de vida<\/strong>, tanto no que diz respeito ao estudo e ao trabalho como tamb\u00e9m no que concerne \u00e0s escolhas de estilos de vida saud\u00e1veis, sustent\u00e1veis e \u00e9ticos.<\/p>\n<p>Para formar esses jovens como sujeitos cr\u00edticos, criativos, aut\u00f4nomos e respons\u00e1veis, cabe \u00e0s escolas de Ensino M\u00e9dio proporcionar experi\u00eancias e processos que lhes garantam as aprendizagens necess\u00e1rias para a leitura da realidade, o enfrentamento dos novos desafios da contemporaneidade (sociais, econ\u00f4micos e ambientais) e a tomada de decis\u00f5es \u00e9ticas e fundamentadas. O mundo deve lhes ser apresentado como campo aberto para investiga\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o quanto a seus aspectos pol\u00edticos, sociais, produtivos, ambientais e culturais, de modo que se sintam estimulados a equacionar e resolver quest\u00f5es legadas pelas gera\u00e7\u00f5es anteriores \u2013 e que se refletem nos contextos atuais \u2013, abrindo-se criativamente para o novo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>AS FINALIDADES DO ENSINO M\u00c9DIO NA CONTEMPORANEIDADE<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/318-pom1075-jj.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=38ceb4c22210b8ece2de0d19288c302d\" alt=\"Girl studying at her desk \" width=\"535\" height=\"357\" \/>A din\u00e2mica social contempor\u00e2nea nacional e internacional, marcada especialmente pelas r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es decorrentes do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, imp\u00f5e desafios ao Ensino M\u00e9dio. Para atender \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o geral, indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio da cidadania e \u00e0 inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, e responder \u00e0 diversidade de expectativas dos jovens quanto \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o, a\u00a0<strong>escola que acolhe as juventudes<\/strong>\u00a0tem de estar comprometida com a\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o integral<\/strong>\u00a0dos estudantes e com a constru\u00e7\u00e3o de seu\u00a0<strong>projeto de vida<\/strong>.<\/p>\n<p>Para orientar essa atua\u00e7\u00e3o, torna-se imprescind\u00edvel recontextualizar as finalidades do Ensino M\u00e9dio, estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB, Art. 35)<sup>53<\/sup>: h\u00e1 mais de vinte anos, em 1996:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">I \u2013 a consolida\u00e7\u00e3o e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">II \u2013 a prepara\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o ou aperfei\u00e7oamento posteriores;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">III \u2013 o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento cr\u00edtico;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">IV \u2013 a compreens\u00e3o dos fundamentos cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a pr\u00e1tica, no ensino de cada disciplina.<\/p>\n<p>Garantir a\u00a0<strong class=\"color\">consolida\u00e7\u00e3o e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos<\/strong>\u00a0no Ensino Fundamental \u00e9 essencial nessa etapa final da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Al\u00e9m de possibilitar o prosseguimento dos estudos a todos aqueles que assim o desejarem, o Ensino M\u00e9dio deve atender \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o geral indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio da cidadania e construir \u201caprendizagens sintonizadas com\u00a0<strong>as necessidades, as possibilidades e os interesses<\/strong>\u00a0dos estudantes e, tamb\u00e9m, com os\u00a0<strong>desafios da sociedade contempor\u00e2nea<\/strong>\u201d, como definido na Introdu\u00e7\u00e3o desta BNCC (p. 14; \u00eanfases adicionadas).<\/p>\n<p>Para atingir essa finalidade, \u00e9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, assumir a firme convic\u00e7\u00e3o de que todos os estudantes podem aprender e alcan\u00e7ar seus objetivos, independentemente de suas caracter\u00edsticas pessoais, seus percursos e suas hist\u00f3rias. Com base nesse compromisso, a\u00a0<strong>escola que acolhe as juventudes<\/strong>\u00a0deve:<\/p>\n<ul>\n<li>favorecer a atribui\u00e7\u00e3o de sentido \u00e0s aprendizagens, por sua vincula\u00e7\u00e3o aos desafios da realidade e pela explicita\u00e7\u00e3o dos contextos de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o dos conhecimentos;<\/li>\n<li>garantir o protagonismo dos estudantes em sua aprendizagem e o desenvolvimento de suas capacidades de abstra\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o, proposi\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, essenciais \u00e0 sua autonomia pessoal, profissional, intelectual e pol\u00edtica;<\/li>\n<li>valorizar os pap\u00e9is sociais desempenhados pelos jovens, para al\u00e9m de sua condi\u00e7\u00e3o de estudante, e qualificar os processos de constru\u00e7\u00e3o de sua(s) identidade(s) e de seu projeto de vida;<\/li>\n<li>assegurar tempos e espa\u00e7os para que os estudantes reflitam sobre suas experi\u00eancias e aprendizagens individuais e interpessoais, de modo a valorizarem o conhecimento, confiarem em sua capacidade de aprender, e identificarem e utilizarem estrat\u00e9gias mais eficientes a seu aprendizado;<\/li>\n<li>promover a aprendizagem colaborativa, desenvolvendo nos estudantes a capacidade de trabalharem em equipe e aprenderem com seus pares; e<\/li>\n<li>estimular atitudes cooperativas e propositivas para o enfrentamento dos desafios da comunidade, do mundo do trabalho e da sociedade em geral, alicer\u00e7adas no conhecimento e na inova\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k-192-chim-0012.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=188401e4b2057b362babb26f6d7fb8e5\" alt=\"Students sitting an exam in a classroom  \" width=\"562\" height=\"375\" \/>Essas experi\u00eancias, como apontado, favorecem <strong class=\"color\">a prepara\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para o trabalho e a cidadania<\/strong>, o que n\u00e3o significa a profissionaliza\u00e7\u00e3o precoce ou prec\u00e1ria dos jovens ou o atendimento das necessidades imediatas do mercado de trabalho. Ao contr\u00e1rio, sup\u00f5e o desenvolvimento de compet\u00eancias que possibilitem aos estudantes inserir-se de forma ativa, cr\u00edtica, criativa e respons\u00e1vel em um mundo do trabalho cada vez mais complexo e imprevis\u00edvel, criando possibilidades para viabilizar seu projeto de vida e continuar aprendendo, de modo a ser capazes de se adaptar com flexibilidade a novas condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o ou aperfei\u00e7oamento posteriores. Para tanto, a\u00a0<strong>escola que acolhe as juventudes<\/strong>\u00a0precisa se estruturar de maneira a:<\/p>\n<ul>\n<li>garantir a contextualiza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos, articulando as dimens\u00f5es do trabalho, da ci\u00eancia, da tecnologia e da cultura;<\/li>\n<li>viabilizar o acesso dos estudantes \u00e0s bases cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas dos processos de produ\u00e7\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo, relacionando teoria e pr\u00e1tica \u2013 ou o conhecimento te\u00f3rico \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas da realidade social, cultural ou natural;<\/li>\n<li>revelar os contextos nos quais as diferentes formas de produ\u00e7\u00e3o e de trabalho ocorrem, sua constante modifica\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o nas sociedades contempor\u00e2neas e, em especial, no Brasil;<\/li>\n<li>proporcionar uma cultura favor\u00e1vel ao desenvolvimento de atitudes, capacidades e valores que promovam o empreendedorismo (criatividade, inova\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, planejamento, responsabilidade, lideran\u00e7a, colabora\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o de futuro, assun\u00e7\u00e3o de riscos, resili\u00eancia e curiosidade cient\u00edfica, entre outros), entendido como compet\u00eancia essencial ao desenvolvimento pessoal, \u00e0 cidadania ativa, \u00e0 inclus\u00e3o social e \u00e0 empregabilidade; e<\/li>\n<li>prever o suporte aos jovens para que reconhe\u00e7am suas potencialidades e voca\u00e7\u00f5es, identifiquem perspectivas e possibilidades, construam aspira\u00e7\u00f5es e metas de forma\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o profissional presentes e\/ou futuras, e desenvolvam uma postura empreendedora, \u00e9tica e respons\u00e1vel para transitar no mundo do trabalho e na sociedade em geral.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m finalidade do Ensino M\u00e9dio\u00a0<strong class=\"color\">o aprimoramento do educando como pessoa humana<\/strong>, considerando sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento cr\u00edtico. Tendo em vista a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, \u00e9tica, democr\u00e1tica, inclusiva, sustent\u00e1vel e solid\u00e1ria, a\u00a0<strong>escola que acolhe as juventudes<\/strong>\u00a0deve ser um espa\u00e7o que permita aos estudantes:<\/p>\n<ul>\n<li>conhecer-se e lidar melhor com seu corpo, seus sentimentos, suas emo\u00e7\u00f5es e suas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, fazendo-se respeitar e respeitando os demais;<\/li>\n<li>compreender que a sociedade \u00e9 formada por pessoas que pertencem a grupos \u00e9tnico-raciais distintos, que possuem cultura e hist\u00f3ria pr\u00f3prias, igualmente valiosas, e que em conjunto constroem, na na\u00e7\u00e3o brasileira, sua hist\u00f3ria;<\/li>\n<li>promover o di\u00e1logo, o entendimento e a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta de conflitos, possibilitando a manifesta\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es e pontos de vista diferentes, divergentes ou opostos;<\/li>\n<li>combater estere\u00f3tipos, discrimina\u00e7\u00f5es de qualquer natureza e viola\u00e7\u00f5es de direitos de pessoas ou grupos sociais, favorecendo o conv\u00edvio com a diferen\u00e7a;<\/li>\n<li>valorizar sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social e a dos outros, respeitando as liberdades civis garantidas no estado democr\u00e1tico de direito; e<\/li>\n<li>construir projetos pessoais e coletivos baseados na liberdade, na justi\u00e7a social, na solidariedade, na coopera\u00e7\u00e3o e na sustentabilidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k-192-chim-00019.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=eefff0c79f5cb5f607ca0f5e281e2451\" alt=\"A group of student listening about a science experiment  \" width=\"574\" height=\"330\" \/>Subjacente a todas essas finalidades, o Ensino M\u00e9dio deve garantir aos estudantes\u00a0<strong class=\"color\">a compreens\u00e3o dos fundamentos cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos dos processos produtivos<\/strong>, relacionando a teoria com a pr\u00e1tica. Para tanto, a\u00a0<strong>escola que acolhe as juventudes<\/strong>, por meio da articula\u00e7\u00e3o entre diferentes \u00e1reas do conhecimento, deve possibilitar aos estudantes:<\/p>\n<ul>\n<li>compreender e utilizar os conceitos e teorias que comp\u00f5em a base do conhecimento cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, bem como os procedimentos metodol\u00f3gicos e suas l\u00f3gicas;<\/li>\n<li>conscientizar-se quanto \u00e0 necessidade de continuar aprendendo e aprimorando seus conhecimentos;<\/li>\n<li>apropriar-se das linguagens cient\u00edficas e utiliz\u00e1-las na comunica\u00e7\u00e3o e na dissemina\u00e7\u00e3o desses conhecimentos; e<\/li>\n<li>apropriar-se das linguagens das tecnologias digitais e tornar-se fluentes em sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para atender a todas essas demandas de forma\u00e7\u00e3o no Ensino M\u00e9dio, mostra-se imperativo repensar a organiza\u00e7\u00e3o curricular vigente para essa etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, que apresenta excesso de componentes curriculares e abordagens pedag\u00f3gicas distantes das culturas juvenis, do mundo do trabalho e das din\u00e2micas e quest\u00f5es sociais contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Na dire\u00e7\u00e3o de substituir o modelo \u00fanico de curr\u00edculo do Ensino M\u00e9dio por um modelo diversificado e flex\u00edvel, a Lei n\u00ba 13.415\/2017<sup>54<\/sup>\u00a0alterou a LDB, estabelecendo que<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>O curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio<\/strong>\u00a0ser\u00e1 composto pela\u00a0<strong>Base Nacional Comum Curricular e por itiner\u00e1rios formativos<\/strong>, que dever\u00e3o ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relev\u00e2ncia para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber:<br \/>\nI \u2013 linguagens e suas tecnologias;<br \/>\nII \u2013 matem\u00e1tica e suas tecnologias;<br \/>\nIII \u2013 ci\u00eancias da natureza e suas tecnologias;<br \/>\nIV \u2013 ci\u00eancias humanas e sociais aplicadas;<br \/>\nV \u2013 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional (LDB, Art. 36; \u00eanfases adicionadas).<\/p>\n<p>Essa nova estrutura do Ensino M\u00e9dio, al\u00e9m de ratificar a organiza\u00e7\u00e3o por \u00e1reas do conhecimento \u2013 sem desconsiderar, mas tamb\u00e9m sem fazer refer\u00eancia direta a todos os componentes que compunham o curr\u00edculo dessa etapa \u2013, prev\u00ea a oferta de variados itiner\u00e1rios formativos<sup>55<\/sup>, seja para o aprofundamento acad\u00eamico em uma ou mais \u00e1reas do conhecimento, seja para a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. Essa estrutura adota a\u00a0<strong>flexibilidade<\/strong>\u00a0como princ\u00edpio de\u00a0<strong>organiza\u00e7\u00e3o curricular<\/strong>, o que permite a constru\u00e7\u00e3o de curr\u00edculos e propostas pedag\u00f3gicas que atendam mais adequadamente \u00e0s especificidades locais e \u00e0 multiplicidade de interesses dos estudantes, estimulando o exerc\u00edcio do\u00a0<strong>protagonismo juvenil<\/strong> e fortalecendo o desenvolvimento de seus projetos de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 id=\"a-bncc-do-ensino-medio\" style=\"text-align: center;\"><strong>A BNCC DO ENSINO M\u00c9DIO<\/strong><\/h3>\n<p>A BNCC do Ensino M\u00e9dio se organiza em continuidade ao proposto para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e o Ensino Fundamental, centrada no desenvolvimento de compet\u00eancias e orientada pelo princ\u00edpio da educa\u00e7\u00e3o integral. Portanto, as\u00a0<strong>compet\u00eancias gerais da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<\/strong>\u00a0orientam igualmente as aprendizagens dessa etapa, como ilustrado no esquema a seguir, sejam as aprendizagens essenciais definidas nesta\u00a0<strong>BNCC<\/strong>, sejam aquelas relativas aos diferentes\u00a0<strong>itiner\u00e1rios formativos<\/strong>\u00a0\u2013 cujo detalhamento \u00e9 prerrogativa dos diferentes sistemas, redes e escolas, conforme previsto na Lei n\u00ba 13.415\/2017.<\/p>\n<p class=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24220 size-full\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica.jpg 800w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica-300x184.jpg 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica-150x92.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica-768x471.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica-203x125.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/competencias-gerais-da-educacao-basica-600x368.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>As aprendizagens essenciais definidas na\u00a0<strong>BNCC do Ensino M\u00e9dio<\/strong>\u00a0est\u00e3o organizadas por\u00a0<strong>\u00e1reas do conhecimento<\/strong>\u00a0(Linguagens e suas Tecnologias, Matem\u00e1tica e suas Tecnologias, Ci\u00eancias da Natureza e suas Tecnologias, Ci\u00eancias Humanas e Sociais Aplicadas), conforme estabelecido no artigo 35-A da LDB. Desde que foram introduzidas nas DCNEM\/1998 (Parecer CNE\/CEB n\u00ba 15\/1998<sup>56<\/sup>), as \u00e1reas do conhecimento t\u00eam por finalidade integrar dois ou mais componentes do curr\u00edculo, para melhor compreender a complexa realidade e atuar nela. Essa organiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>n\u00e3o exclui necessariamente as disciplinas, com suas especificidades e saberes pr\u00f3prios historicamente constru\u00eddos, mas, sim, implica o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es entre elas e a sua contextualiza\u00e7\u00e3o para apreens\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o na realidade, requerendo trabalho conjugado e cooperativo dos seus professores no planejamento e na execu\u00e7\u00e3o dos planos de ensino (Parecer CNE\/CP n\u00ba 11\/2009<sup>57<\/sup>).<\/em><\/p>\n<p>Na BNCC, para cada \u00e1rea do conhecimento, s\u00e3o definidas\u00a0<strong>compet\u00eancias espec\u00edficas<\/strong>, articuladas \u00e0s respectivas compet\u00eancias das \u00e1reas do Ensino Fundamental, com as adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao atendimento das especificidades de forma\u00e7\u00e3o dos estudantes do Ensino M\u00e9dio. Essas compet\u00eancias espec\u00edficas de \u00e1rea do Ensino M\u00e9dio tamb\u00e9m devem orientar a proposi\u00e7\u00e3o e o detalhamento dos itiner\u00e1rios formativos relativos a essas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Relacionadas a cada uma dessas compet\u00eancias, s\u00e3o descritas\u00a0<strong>habilidades<\/strong>\u00a0a ser desenvolvidas ao longo da etapa, al\u00e9m de habilidades espec\u00edficas de L\u00edngua Portuguesa \u2013 componente obrigat\u00f3rio durante os tr\u00eas anos do Ensino M\u00e9dio, da mesma maneira que Matem\u00e1tica (LDB, Art. 35-A, \u00a7 3\u00ba). Todas as habilidades da BNCC foram definidas tomando-se como refer\u00eancia o limite de\u00a0<strong>1.800 horas<\/strong>\u00a0do total da carga hor\u00e1ria da etapa (LDB, Art. 35-A, \u00a7 5\u00ba).<\/p>\n<p>As compet\u00eancias e habilidades da BNCC constituem a\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica<\/strong>. Os\u00a0<strong>curr\u00edculos do Ensino M\u00e9dio<\/strong>\u00a0s\u00e3o compostos pela forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica, articulada aos\u00a0<strong>itiner\u00e1rios formativos<\/strong>\u00a0como um\u00a0<strong>todo indissoci\u00e1vel<\/strong>, nos termos das DCNEM\/2018 (Parecer CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018 e Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018<sup>58<\/sup>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A PROGRESS\u00c3O DAS APRENDIZAGENS ESSENCIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA O ENSINO M\u00c9DIO<\/strong><\/h3>\n<p>O conjunto das compet\u00eancias espec\u00edficas e habilidades definidas para o Ensino M\u00e9dio concorre para o desenvolvimento das compet\u00eancias gerais da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e est\u00e1 articulado \u00e0s aprendizagens essenciais estabelecidas para o Ensino Fundamental. Com o objetivo de\u00a0<strong>consolidar, aprofundar e ampliar a forma\u00e7\u00e3o integral<\/strong>, atende \u00e0s finalidades dessa etapa e contribui para que os estudantes possam construir e realizar seu projeto de vida, em conson\u00e2ncia com os princ\u00edpios da justi\u00e7a, da \u00e9tica e da cidadania.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de Linguagens, no\u00a0<strong>Ensino Fundamental<\/strong>, est\u00e1 centrada no conhecimento, na compreens\u00e3o, na explora\u00e7\u00e3o, na an\u00e1lise e na utiliza\u00e7\u00e3o das diferentes linguagens (visuais, sonoras, verbais, corporais), visando estabelecer um repert\u00f3rio diversificado sobre as pr\u00e1ticas de linguagem e desenvolver o senso est\u00e9tico e a comunica\u00e7\u00e3o com o uso das tecnologias digitais. No\u00a0<strong>Ensino M\u00e9dio<\/strong>, o foco da \u00e1rea de\u00a0<strong class=\"color\">Linguagens e suas Tecnologias<\/strong>\u00a0est\u00e1 na amplia\u00e7\u00e3o da autonomia, do protagonismo e da autoria nas pr\u00e1ticas de diferentes linguagens; na identifica\u00e7\u00e3o e na cr\u00edtica aos diferentes usos das linguagens, explicitando seu poder no estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es; na aprecia\u00e7\u00e3o e na participa\u00e7\u00e3o em diversas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais; e no uso criativo das diversas m\u00eddias.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de Matem\u00e1tica, no\u00a0<strong>Ensino Fundamental<\/strong>, centra-se na compreens\u00e3o de conceitos e procedimentos em seus diferentes campos e no desenvolvimento do pensamento computacional, visando \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de problemas em contextos diversos. No\u00a0<strong>Ensino M\u00e9dio<\/strong>, na \u00e1rea de\u00a0<strong class=\"color\">Matem\u00e1tica e suas Tecnologias<\/strong>, os estudantes devem consolidar os conhecimentos desenvolvidos na etapa anterior e agregar novos, ampliando o leque de recursos para resolver problemas mais complexos, que exijam maior reflex\u00e3o e abstra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m devem construir uma vis\u00e3o mais integrada da Matem\u00e1tica, da Matem\u00e1tica com outras \u00e1reas do conhecimento e da aplica\u00e7\u00e3o da Matem\u00e1tica \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de Ci\u00eancias da Natureza, no\u00a0<strong>Ensino Fundamental<\/strong>, prop\u00f5e aos estudantes investigar caracter\u00edsticas, fen\u00f4menos e processos relativos ao mundo natural e tecnol\u00f3gico, explorar e compreender alguns de seus conceitos fundamentais e suas estruturas explicativas, al\u00e9m de valorizar e promover os cuidados pessoais e com o outro, o compromisso com a sustentabilidade e o exerc\u00edcio da cidadania. No\u00a0<strong>Ensino M\u00e9dio<\/strong>, a \u00e1rea de\u00a0<strong class=\"color\">Ci\u00eancias da Natureza e suas Tecnologias<\/strong>\u00a0oportuniza o aprofundamento e a amplia\u00e7\u00e3o dos conhecimentos explorados na etapa anterior. Trata a investiga\u00e7\u00e3o como forma de engajamento dos estudantes na aprendizagem de processos, pr\u00e1ticas e procedimentos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, e promove o dom\u00ednio de linguagens espec\u00edficas, o que permite aos estudantes analisar fen\u00f4menos e processos, utilizando modelos e fazendo previs\u00f5es. Dessa maneira, possibilita aos estudantes ampliar sua compreens\u00e3o sobre a vida, o nosso planeta e o universo, bem como sua capacidade de refletir, argumentar, propor solu\u00e7\u00f5es e enfrentar desafios pessoais e coletivos, locais e globais.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de Ci\u00eancias Humanas, tanto no\u00a0<strong>Ensino Fundamental<\/strong>\u00a0como no\u00a0<strong>Ensino M\u00e9dio<\/strong>, define aprendizagens centradas no desenvolvimento das compet\u00eancias de identifica\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, compara\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o de ideias, pensamentos, fen\u00f4menos e processos hist\u00f3ricos, geogr\u00e1ficos, sociais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos e culturais. Essas compet\u00eancias permitir\u00e3o aos estudantes elaborar hip\u00f3teses, construir argumentos e atuar no mundo, recorrendo aos conceitos e fundamentos dos componentes da \u00e1rea. No Ensino M\u00e9dio, com a incorpora\u00e7\u00e3o da Filosofia e da Sociologia, a \u00e1rea de\u00a0<strong class=\"color\">Ci\u00eancias Humanas e Sociais Aplicadas<\/strong>\u00a0prop\u00f5e o aprofundamento e a amplia\u00e7\u00e3o da base conceitual e dos modos de constru\u00e7\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio, operacionalizados com base em procedimentos anal\u00edticos e interpretativos. Nessa etapa, como os estudantes e suas experi\u00eancias como jovens cidad\u00e3os representam o foco do aprendizado, deve-se estimular uma leitura de mundo sustentada em uma vis\u00e3o cr\u00edtica e contextualizada da realidade, no dom\u00ednio conceitual e na elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es, os processos e as m\u00faltiplas dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>O PROJETO DE VIDA<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k_22_dsc_085235294_ae_a_l3_3.jpg?w=1000&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=65&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=a39f83d5099ad5078bce779a4a41faa8\" alt=\"Group of diverse graduating students \" width=\"316\" height=\"277\" \/>Na BNCC, o protagonismo e a autoria estimulados no Ensino Fundamental traduzem-se, no Ensino M\u00e9dio, como suporte para a constru\u00e7\u00e3o e viabiliza\u00e7\u00e3o do projeto de vida dos estudantes, eixo central em torno do qual a escola pode organizar suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ao se orientar para a constru\u00e7\u00e3o do projeto de vida, a escola que acolhe as juventudes assume o compromisso com a forma\u00e7\u00e3o integral dos estudantes, uma vez que promove seu desenvolvimento pessoal e social, por meio da consolida\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos, representa\u00e7\u00f5es e valores que incidir\u00e3o sobre seus processos de tomada de decis\u00e3o ao longo da vida. Dessa maneira, o projeto de vida \u00e9 o que os estudantes almejam, projetam e redefinem para si ao longo de sua trajet\u00f3ria, uma constru\u00e7\u00e3o que acompanha o desenvolvimento da(s) identidade(s), em contextos atravessados por uma cultura e por demandas sociais que se articulam, ora para promover, ora para constranger seus desejos.<\/p>\n<p>Logo, \u00e9 papel da escola auxiliar os estudantes a aprender a se reconhecer como sujeitos, considerando suas potencialidades e a relev\u00e2ncia dos modos de participa\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o social na concretiza\u00e7\u00e3o de seu projeto de vida. \u00c9, tamb\u00e9m, no ambiente escolar que os jovens podem experimentar, de forma mediada e intencional, as intera\u00e7\u00f5es com o outro, com o mundo, e vislumbrar, na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade, oportunidades de crescimento para seu presente e futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>AS TECNOLOGIAS DIGITAIS E A COMPUTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<p>A contemporaneidade \u00e9 fortemente marcada pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Tanto a computa\u00e7\u00e3o quanto as tecnologias digitais de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TDIC) est\u00e3o cada vez mais presentes na vida de todos, n\u00e3o somente nos escrit\u00f3rios ou nas escolas, mas nos nossos bolsos, nas cozinhas, nos autom\u00f3veis, nas roupas etc. Al\u00e9m disso, grande parte das informa\u00e7\u00f5es produzidas pela humanidade est\u00e1 armazenada digitalmente. Isso denota o quanto o mundo produtivo e o cotidiano est\u00e3o sendo movidos por tecnologias digitais, situa\u00e7\u00e3o que tende a se acentuar fortemente no futuro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k-121-chim-0305.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=db0bc6e1b54dfa8d876d5d1a328507c3\" alt=\"Students doing homework in the park \" width=\"237\" height=\"192\" \/>Essa constante transforma\u00e7\u00e3o ocasionada pelas tecnologias, bem como sua repercuss\u00e3o na forma como as pessoas se comunicam, impacta diretamente no funcionamento da sociedade e, portanto, no mundo do trabalho. A dinamicidade e a fluidez das rela\u00e7\u00f5es sociais \u2013 seja em n\u00edvel interpessoal, seja em n\u00edvel planet\u00e1rio \u2013 t\u00eam impactos na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso garantir aos jovens aprendizagens para atuar em uma sociedade em constante mudan\u00e7a, prepar\u00e1-los para profiss\u00f5es que ainda n\u00e3o existem, para usar tecnologias que ainda n\u00e3o foram inventadas e para resolver problemas que ainda n\u00e3o conhecemos. Certamente, grande parte das futuras profiss\u00f5es envolver\u00e1, direta ou indiretamente, computa\u00e7\u00e3o e tecnologias digitais.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com os impactos dessas transforma\u00e7\u00f5es na sociedade est\u00e1 expressa na BNCC e se explicita j\u00e1 nas compet\u00eancias gerais para a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Diferentes dimens\u00f5es que caracterizam a computa\u00e7\u00e3o e as tecnologias digitais s\u00e3o tematizadas, tanto no que diz respeito a conhecimentos e habilidades quanto a atitudes e valores:<\/p>\n<ul>\n<li>pensamento computacional: envolve as capacidades de compreender, analisar, definir, modelar, resolver, comparar e automatizar problemas e suas solu\u00e7\u00f5es, de forma met\u00f3dica e sistem\u00e1tica, por meio do desenvolvimento de algoritmos;<\/li>\n<li>mundo digital: envolve as aprendizagens relativas \u00e0s formas de processar, transmitir e distribuir a informa\u00e7\u00e3o de maneira segura e confi\u00e1vel em diferentes artefatos digitais \u2013 tanto f\u00edsicos (computadores, celulares, tablets etc.) como virtuais (internet, redes sociais e nuvens de dados, entre outros) \u2013, compreendendo a import\u00e2ncia contempor\u00e2nea de codificar, armazenar e proteger a informa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>cultura digital: envolve aprendizagens voltadas a uma participa\u00e7\u00e3o mais consciente e democr\u00e1tica por meio das tecnologias digitais, o que sup\u00f5e a compreens\u00e3o dos impactos da revolu\u00e7\u00e3o digital e dos avan\u00e7os do mundo digital na sociedade contempor\u00e2nea, a constru\u00e7\u00e3o de uma atitude cr\u00edtica, \u00e9tica e respons\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 multiplicidade de ofertas midi\u00e1ticas e digitais, aos usos poss\u00edveis das diferentes tecnologias e aos conte\u00fados por elas veiculados, e, tamb\u00e9m, \u00e0 flu\u00eancia no uso da tecnologia digital para express\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es culturais de forma contextualizada e cr\u00edtica.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/img.rawpixel.com\/s3fs-private\/rawpixel_images\/website_content\/k-192-ae-7055.jpg?w=1300&amp;dpr=1&amp;fit=default&amp;crop=default&amp;q=80&amp;vib=3&amp;con=3&amp;usm=15&amp;bg=F4F4F3&amp;ixlib=js-2.2.1&amp;s=fe80e0c80308bb37558bd87a1cba628e\" alt=\"Diverse group of high school student studying doing homework in library \" width=\"450\" height=\"274\" \/>Em articula\u00e7\u00e3o com as compet\u00eancias gerais, essas dimens\u00f5es tamb\u00e9m foram contempladas nos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e nas compet\u00eancias espec\u00edficas e habilidades dos diferentes componentes curriculares do Ensino Fundamental, respeitadas as caracter\u00edsticas dessas etapas. No Ensino M\u00e9dio, por sua vez, dada a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre as culturas juvenis e a cultura digital, torna-se imprescind\u00edvel ampliar e aprofundar as aprendizagens constru\u00eddas nas etapas anteriores. Afinal, os jovens est\u00e3o dinamicamente inseridos na cultura digital, n\u00e3o somente como consumidores, mas se engajando cada vez mais como protagonistas. Portanto, na BNCC dessa etapa, o foco passa a estar no reconhecimento das potencialidades das tecnologias digitais para a realiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de atividades relacionadas a todas as \u00e1reas do conhecimento, a diversas pr\u00e1ticas sociais e ao mundo do trabalho. S\u00e3o definidas compet\u00eancias e habilidades, nas diferentes \u00e1reas, que permitem aos estudantes:<\/p>\n<ul>\n<li>buscar dados e informa\u00e7\u00f5es de forma cr\u00edtica nas diferentes m\u00eddias, inclusive as sociais, analisando as vantagens do uso e da evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia na sociedade atual, como tamb\u00e9m seus riscos potenciais;<\/li>\n<li>apropriar-se das linguagens da cultura digital, dos novos letramentos e dos multiletramentos para explorar e produzir conte\u00fados em diversas m\u00eddias, ampliando as possibilidades de acesso \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 tecnologia, \u00e0 cultura e ao trabalho;<\/li>\n<li>usar diversas ferramentas de\u00a0<em>software<\/em>\u00a0e aplicativos para compreender e produzir conte\u00fados em diversas m\u00eddias, simular fen\u00f4menos e processos das diferentes \u00e1reas do conhecimento, e elaborar e explorar diversos registros de representa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica; e<\/li>\n<li>utilizar, propor e\/ou implementar solu\u00e7\u00f5es (processos e produtos) envolvendo diferentes tecnologias, para identificar, analisar, modelar e solucionar problemas complexos em diversas \u00e1reas da vida cotidiana, explorando de forma efetiva o racioc\u00ednio l\u00f3gico, o pensamento computacional, o esp\u00edrito de investiga\u00e7\u00e3o e a criatividade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 id=\"curriculos-bncc-e-itinerarios\" style=\"text-align: center;\"><strong>CURR\u00cdCULOS: BNCC E ITINER\u00c1RIOS<\/strong><\/h3>\n<p>As recentes mudan\u00e7as na LDB, em fun\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 13.415\/2017, substituem o modelo \u00fanico de curr\u00edculo do Ensino M\u00e9dio por um modelo diversificado e flex\u00edvel:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>O curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio ser\u00e1 composto pela\u00a0<strong>Base Nacional Comum Curricular<\/strong>\u00a0e por\u00a0<strong>itiner\u00e1rios formativos<\/strong>, que dever\u00e3o ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relev\u00e2ncia para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber:<\/em><br \/>\n<em>I \u2013 linguagens e suas tecnologias;<\/em><br \/>\n<em>II \u2013 matem\u00e1tica e suas tecnologias;<\/em><br \/>\n<em>III \u2013 ci\u00eancias da natureza e suas tecnologias;<\/em><br \/>\n<em>IV \u2013 ci\u00eancias humanas e sociais aplicadas;<\/em><br \/>\n<em>V \u2013 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional (LDB, Art. 36; \u00eanfases adicionadas).<\/em><\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<strong>reorientar curr\u00edculos e propostas pedag\u00f3gicas<\/strong>\u00a0\u2013 compostos, indissociavelmente, por\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>itiner\u00e1rio formativo<\/strong>\u00a0(Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 10). Nesse processo de reorienta\u00e7\u00e3o curricular, \u00e9 imprescind\u00edvel aos sistemas de ensino, \u00e0s redes escolares e \u00e0s escolas:<\/p>\n<ul>\n<li>orientar-se pelas compet\u00eancias gerais da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e assegurar as compet\u00eancias espec\u00edficas de \u00e1rea e as habilidades definidas na BNCC do Ensino M\u00e9dio em at\u00e9 1.800 horas do total da carga hor\u00e1ria da etapa, o que constitui a forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica, nos termos do Artigo 11 da Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018;<\/li>\n<li>orientar-se pelas compet\u00eancias gerais da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica para organizar e propor itiner\u00e1rios formativos (Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 12), considerando tamb\u00e9m as compet\u00eancias espec\u00edficas de \u00e1rea e habilidades no caso dos itiner\u00e1rios formativos relativos \u00e0s \u00e1reas do conhecimento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, na\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica<\/strong>, os curr\u00edculos e as propostas pedag\u00f3gicas devem garantir as aprendizagens essenciais definidas na BNCC. Conforme as DCNEM\/2018, devem contemplar, sem preju\u00edzo da integra\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o das diferentes \u00e1reas do conhecimento, estudos e pr\u00e1ticas de:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>I &#8211; l\u00edngua portuguesa, assegurada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, tamb\u00e9m, a utiliza\u00e7\u00e3o das respectivas l\u00ednguas maternas;<\/em><br \/>\n<em>II &#8211; matem\u00e1tica;<\/em><br \/>\n<em>III &#8211; conhecimento do mundo f\u00edsico e natural e da realidade social e pol\u00edtica, especialmente do Brasil;<\/em><br \/>\n<em>IV &#8211; arte, especialmente em suas express\u00f5es regionais, desenvolvendo as linguagens das artes visuais, da dan\u00e7a, da m\u00fasica e do teatro;<\/em><br \/>\n<em>V &#8211; educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, com pr\u00e1tica facultativa ao estudante nos casos previstos em Lei;<\/em><br \/>\n<em>VI &#8211; hist\u00f3ria do Brasil e do mundo, levando em conta as contribui\u00e7\u00f5es das diferentes culturas e etnias para a forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro, especialmente das matrizes ind\u00edgena, africana e europeia;<\/em><br \/>\n<em>VII &#8211; hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira e ind\u00edgena, em especial nos estudos de arte e de literatura e hist\u00f3ria brasileiras;<\/em><br \/>\n<em>VIII &#8211; sociologia e filosofia;<\/em><br \/>\n<em>IX &#8211; l\u00edngua inglesa, podendo ser oferecidas outras l\u00ednguas estrangeiras, em car\u00e1ter optativo, preferencialmente o espanhol, de acordo com a disponibilidade da institui\u00e7\u00e3o ou rede de ensino (Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 11, \u00a7 4\u00ba).<\/em><\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>itiner\u00e1rios formativos<\/strong>\u00a0\u2013 estrat\u00e9gicos para a flexibiliza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o curricular do Ensino M\u00e9dio, pois possibilitam op\u00e7\u00f5es de escolha aos estudantes \u2013 podem ser estruturados com foco em uma \u00e1rea do conhecimento, na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional ou, tamb\u00e9m, na mobiliza\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e habilidades de diferentes \u00e1reas, compondo\u00a0<strong>itiner\u00e1rios integrados<\/strong>, nos seguintes termos das DCNEM\/2018:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">I \u2013 linguagens e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplica\u00e7\u00e3o de diferentes linguagens em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam estudos em l\u00ednguas vern\u00e1culas, estrangeiras, cl\u00e1ssicas e ind\u00edgenas, L\u00edngua Brasileira de Sinais (LIBRAS), das artes, design, linguagens digitais, corporeidade, artes c\u00eanicas, roteiros, produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;<br \/>\nII \u2013 matem\u00e1tica e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplica\u00e7\u00e3o de diferentes conceitos matem\u00e1ticos em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam estudos em resolu\u00e7\u00e3o de problemas e an\u00e1lises complexas, funcionais e n\u00e3o-lineares, an\u00e1lise de dados estat\u00edsticos e probabilidade, geometria e topologia, rob\u00f3tica, automa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial, programa\u00e7\u00e3o, jogos digitais, sistemas din\u00e2micos, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;<br \/>\nIII \u2013 ci\u00eancias da natureza e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplica\u00e7\u00e3o de diferentes conceitos em contextos sociais e de trabalho, organizando arranjos curriculares que permitam estudos em astronomia, metrologia, f\u00edsica geral, cl\u00e1ssica, molecular, qu\u00e2ntica e mec\u00e2nica, instrumenta\u00e7\u00e3o, \u00f3tica, ac\u00fastica, qu\u00edmica dos produtos naturais, an\u00e1lise de fen\u00f4menos f\u00edsicos e qu\u00edmicos, meteorologia e climatologia, microbiologia, imunologia e parasitologia, ecologia, nutri\u00e7\u00e3o, zoologia, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;<br \/>\nIV \u2013 ci\u00eancias humanas e sociais aplicadas: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplica\u00e7\u00e3o de diferentes conceitos em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam estudos em rela\u00e7\u00f5es sociais, modelos econ\u00f4micos, processos pol\u00edticos, pluralidade cultural, historicidade do universo, do homem e natureza, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;<br \/>\nV \u2013 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional: desenvolvimento de programas educacionais inovadores e atualizados que promovam efetivamente a qualifica\u00e7\u00e3o profissional dos estudantes para o mundo do trabalho, objetivando sua habilita\u00e7\u00e3o profissional tanto para o desenvolvimento de vida e carreira quanto para adaptar-se \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es ocupacionais e \u00e0s exig\u00eancias do mundo do trabalho contempor\u00e2neo e suas cont\u00ednuas transforma\u00e7\u00f5es, em condi\u00e7\u00f5es de competitividade, produtividade e inova\u00e7\u00e3o, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino (Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 12).<\/p>\n<p>Assim, a oferta de diferentes itiner\u00e1rios formativos pelas escolas deve considerar a realidade local, os anseios da comunidade escolar e os recursos f\u00edsicos, materiais e humanos das redes e institui\u00e7\u00f5es escolares de forma a propiciar aos estudantes possibilidades efetivas para construir e desenvolver seus projetos de vida e se integrar de forma consciente e aut\u00f4noma na vida cidad\u00e3 e no mundo do trabalho. Para tanto, os itiner\u00e1rios devem garantir a apropria\u00e7\u00e3o de procedimentos cognitivos e o uso de metodologias que favore\u00e7am o protagonismo juvenil, e organizar-se em torno de um ou mais dos seguintes eixos estruturantes:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">I \u2013 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: sup\u00f5e o aprofundamento de conceitos fundantes das ci\u00eancias para a interpreta\u00e7\u00e3o de ideias, fen\u00f4menos e processos para serem utilizados em procedimentos de investiga\u00e7\u00e3o voltados ao enfrentamento de situa\u00e7\u00f5es cotidianas e demandas locais e coletivas, e a proposi\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es que considerem o desenvolvimento local e a melhoria da qualidade de vida da comunidade;<br \/>\nII \u2013 processos criativos: sup\u00f5em o uso e o aprofundamento do conhecimento cient\u00edfico na constru\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de experimentos, modelos, prot\u00f3tipos para a cria\u00e7\u00e3o de processos ou produtos que atendam a demandas para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas identificados na sociedade;<br \/>\nIII \u2013 media\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o sociocultural: sup\u00f5em a mobiliza\u00e7\u00e3o de conhecimentos de uma ou mais \u00e1reas para mediar conflitos, promover entendimento e implementar solu\u00e7\u00f5es para quest\u00f5es e problemas identificados na comunidade;<br \/>\nIV \u2013 empreendedorismo: sup\u00f5e a mobiliza\u00e7\u00e3o de conhecimentos de diferentes \u00e1reas para a forma\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es com variadas miss\u00f5es voltadas ao desenvolvimento de produtos ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os inovadores com o uso das tecnologias (Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 12, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n<p>O conjunto dessas aprendizagens (forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica e itiner\u00e1rio formativo) deve atender \u00e0s finalidades do Ensino M\u00e9dio e \u00e0s demandas de qualidade de forma\u00e7\u00e3o na contemporaneidade, bem como \u00e0s expectativas presentes e futuras das juventudes. Al\u00e9m disso, deve garantir um di\u00e1logo constante com as realidades locais \u2013 que s\u00e3o diversas no imenso territ\u00f3rio brasileiro e est\u00e3o em permanente transforma\u00e7\u00e3o social, cultural, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica \u2013, como tamb\u00e9m com os cen\u00e1rios nacional e internacional. Portanto, essas aprendizagens devem assegurar aos estudantes a capacidade de acompanhar e participar dos debates que a cidadania exige, entendendo e questionando os argumentos que apoiam as diferentes posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para que a\u00a0<strong>organiza\u00e7\u00e3o curricular<\/strong>\u00a0a ser adotada \u2013 \u00e1reas, inter\u00e1reas, componentes, projetos, centros de interesse etc. \u2013 responda aos diferentes contextos e condi\u00e7\u00f5es dos sistemas, das redes e das escolas de todo o Pa\u00eds, \u00e9 fundamental que a\u00a0<strong>flexibilidade<\/strong>\u00a0seja tomada como princ\u00edpio obrigat\u00f3rio. Independentemente da op\u00e7\u00e3o feita, \u00e9 preciso destacar a necessidade de \u201cromper com a centralidade das disciplinas nos curr\u00edculos e substitu\u00ed-las por aspectos mais globalizadores e que abranjam a complexidade das rela\u00e7\u00f5es existentes entre os ramos da ci\u00eancia no mundo real\u201d (Parecer CNE\/CEB n\u00ba 5\/2011). Para tanto, \u00e9 fundamental a ado\u00e7\u00e3o de tratamento metodol\u00f3gico que favore\u00e7a e estimule o protagonismo dos estudantes, como tamb\u00e9m que:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>evidencie a contextualiza\u00e7\u00e3o, a diversifica\u00e7\u00e3o e a transdisciplinaridade ou outras formas de intera\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o entre diferentes campos de saberes espec\u00edficos, contemplando viv\u00eancias pr\u00e1ticas e vinculando a educa\u00e7\u00e3o escolar ao mundo do trabalho e \u00e0 pr\u00e1tica social e possibilitando o aproveitamento de estudos e o reconhecimento de saberes adquiridos nas experi\u00eancias pessoais, sociais e do trabalho (Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba 3\/2018, Art. 7, \u00a7 2\u00ba).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><sup>52<\/sup> BRASIL. Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o; C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. <strong>Parecer n\u00ba 5, de 4 de maio de 2011.<\/strong>\u00a0Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino M\u00e9dio. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 24 de janeiro de 2012, Se\u00e7\u00e3o 1, p. 10. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=8016-pceb005-11&amp;Itemid=30192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/portal.mec.gov.br\/index. php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=8016-pceb005-11&amp;Itemid=30192<\/a>&gt;. Acesso em: 27 fev. 2018.<\/li>\n<li><sup>53<\/sup>\u00a0BRASIL. Lei n\u00ba 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 23 de dezembro de 1996. Dispon\u00edvel em:&lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9394.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9394.htm<\/a>&gt;. Acesso em: 26 fev. 2018.<\/li>\n<li><sup>54<\/sup> BRASIL. Lei n\u00ba 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis n\u00ba 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional, e n\u00ba 11.494, de 20 de junho de 2007, que regulamenta o Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e de Valoriza\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o, a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho \u2013 CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n\u00ba 5.452, de 1\u00ba de maio de 1943, e pelo Decreto-Lei n\u00ba 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei n\u00ba 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Pol\u00edtica de Fomento \u00e0 Implementa\u00e7\u00e3o de Escolas de Ensino M\u00e9dio em Tempo Integral. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 17 de fevereiro de 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/l13415.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0http:\/\/www.planalto.gov.br\/ ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/l13415.htm<\/a>&gt;. Acesso em: 26 fev. 2018.<\/li>\n<li><sup>55<\/sup> No Brasil, a express\u00e3o \u201citiner\u00e1rio formativo\u201d tem sido tradicionalmente utilizada no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o profissional, em refer\u00eancia \u00e0 maneira como se organizam os sistemas de forma\u00e7\u00e3o profissional ou, ainda, \u00e0s formas de acesso \u00e0s profiss\u00f5es. No entanto, na Lei n\u00ba 13.415\/17, a express\u00e3o foi utilizada em refer\u00eancia a itiner\u00e1rios formativos acad\u00eamicos, o que sup\u00f5e o aprofundamento em uma ou mais \u00e1reas curriculares, e tamb\u00e9m, a itiner\u00e1rios da forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissional.<\/li>\n<li><sup>56<\/sup> BRASIL. Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o; C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Parecer n\u00ba 15, de 1\u00ba de junho de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino M\u00e9dio. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 26 de junho de 1998. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/cne\/arquivos\/pdf\/1998\/pceb015_98.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0http:\/\/portal.mec.gov.br\/cne\/arquivos\/pdf\/1998\/ pceb015_98.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 19 mar. 2018.<\/li>\n<li><sup>57<\/sup> BRASIL. Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o; Conselho Pleno. Parecer n\u00ba 11, de 30 de junho de 2009. Proposta de experi\u00eancia curricular inovadora do Ensino M\u00e9dio. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 25 de agosto de 2009, Se\u00e7\u00e3o 1, p. 11. 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