{"id":26821,"date":"2021-10-19T14:31:16","date_gmt":"2021-10-19T17:31:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=26821"},"modified":"2024-01-23T10:55:35","modified_gmt":"2024-01-23T13:55:35","slug":"a-poesia-como-genero-literario-e-suas-formas-de-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/a-poesia-como-genero-literario-e-suas-formas-de-existir\/","title":{"rendered":"A poesia como g\u00eanero liter\u00e1rio e suas formas de existir"},"content":{"rendered":"<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27998 alignright\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-1024x612.jpg\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-1024x612.jpg 1024w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-150x90.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-768x459.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-1536x918.jpg 1536w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-2048x1224.jpg 2048w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-203x121.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Redes-sociais-MADRINHA-LUA14-600x359.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><em>por Ana Elisa Ribeiro<\/em><\/p>\n<p>A poesia \u00e9 um g\u00eanero liter\u00e1rio muito antigo, h\u00e1 tempos protagonista entre as outras formas liter\u00e1rias existentes, mas que tamb\u00e9m convive com uma diversidade interna. O que \u00e9 isso? \u00c9 dizer que h\u00e1 tipos de poesia, formas de poesia, modalidades que convivem h\u00e1 tempos imemoriais e que continuam presentes hoje, em nossa sociedade.<\/p>\n<p>Embora atualmente possamos pensar primeiro na poesia que vem dos livros, como \u00e9 o caso da <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/release-pre-venda-madrinha-lua-colecao-de-poetas-contemporaneas-brasileiras-dedicada-a-henriqueta-lisboa\/\">Biblioteca Madrinha Lua<\/a>, esse g\u00eanero tamb\u00e9m vem da oralidade, transita como poucos entre as duas possibilidades. Podemos falar, por exemplo, de uma poesia mais cl\u00e1ssica, ocupada da metrifica\u00e7\u00e3o e da rima, e podemos tamb\u00e9m falar do verso livre, de p\u00e9 quebrado, sem perder o ritmo e a cad\u00eancia, escritos ou falados. Podemos falar tamb\u00e9m no cordel, express\u00e3o considerada popular e extremamente forte em nossa cultura. A poesia tamb\u00e9m est\u00e1 na m\u00fasica, em muitos estilos, cantada, falada, recitada. Pode-se ler poesia, falar poesia, declamar poesia, menos ou mais teatralmente. Muitas performances s\u00e3o poss\u00edveis, assim como \u00e9 poss\u00edvel que existam livros de poesia que servem melhor \u00e0 leitura silenciosa, funcionam melhor vistos-lidos, enquanto outros podem e devem ser tamb\u00e9m falados\/ouvidos.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, a poesia continua forte entre n\u00f3s, tanto nos livros, que s\u00e3o publicados em n\u00famero consider\u00e1vel, em especial por casas editoriais pequenas, e na internet, quanto na arte de rua, nas interven\u00e7\u00f5es urbanas, nas batalhas, nos slams. Embora seja um g\u00eanero \u00e0s vezes evitado na escola, especialmente \u00e0 medida que os alunos ficam mais velhos, trata-se de uma das express\u00f5es art\u00edsticas mais circulantes e populares que h\u00e1, capaz de mobilizar, politizar, fazer pensar, mover e demover, arrebatar, e n\u00e3o apenas romanticamente.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, \u00e9 not\u00e1vel a presen\u00e7a da poesia na internet: em blogs de poetas que ensaiam seus textos ali, em sites especializados, em e-books autopublicados, em espa\u00e7os de poesia estritamente digital, isto \u00e9, uma poesia feita com os recursos desse ambiente e que s\u00f3 existem ali.<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante verificar as ambiguidades que a poesia guarda como g\u00eanero em circula\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo que poetas sentem mais dificuldade de encontrar grandes editoras que invistam em suas obras, h\u00e1 e sempre houve uma movimenta\u00e7\u00e3o independente muito poderosa, que p\u00f4s no mundo poesia em livros algumas vezes prec\u00e1rios, em livros feitos \u00e0 m\u00e3o, em obras com poucos exemplares, mas que ganharam tanta import\u00e2ncia quanto outros livros mais convencionais. Na atualidade, uma das possibilidades interessantes da poesia \u00e9 o livro \u201ccartonero\u201d, que, mais do que um tipo de publica\u00e7\u00e3o, chega a ser uma esp\u00e9cie de movimento pela publica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e artesanal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante notar que embora todo e toda poeta ou\u00e7am que \u201cpoesia n\u00e3o vende\u201d, \u00e9 justamente esse o g\u00eanero que mais concorre em concursos e pr\u00eamios liter\u00e1rios, por exemplo. Num dos maiores pr\u00eamios do Brasil, o Jabuti, a quantidade de livros de poesia supera em mais que o dobro o n\u00famero de romances concorrentes, \u00e0s vezes o triplo, dependendo do concurso. \u00c9 sinal de que a poesia persiste, atravessa muitas quest\u00f5es que poderiam intimid\u00e1-la, mas ela n\u00e3o se intimida. Ela encontra jeitos de existir e de chegar a leitores e leitoras, mesmo quando \u00e9 desconsiderada pelo \u201cmercado\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26663 alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo.png\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo.png 596w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo-300x300.png 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo-150x151.png 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo-96x96.png 96w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo-203x204.png 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/BibliotecaMadrinhaLua_Selo-100x100.png 100w\" sizes=\"(max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><\/p>\n<h2><strong>A Biblioteca Madrinha Lua<\/strong><\/h2>\n<p>No caso da Biblioteca Madrinha Lua, nossa proposta \u00e9 recheada de afeto e seriedade em rela\u00e7\u00e3o a todo esse contexto. Nosso projeto \u00e9 lan\u00e7ar livros impressos de poesia escrita por mulheres hoje, no Brasil, sem deixar de lado possibilidades multissemi\u00f3ticas. Nesse sentido, Amanda Ribeiro, uma de nossas poetas, tamb\u00e9m poeta no audiovisual, produziu videopoemas com a voz das poetas da cole\u00e7\u00e3o. Com as tecnologias dispon\u00edveis hoje, \u00e9 poss\u00edvel fazer esse tipo de \u201ctradu\u00e7\u00e3o\u201d com estudantes, com qualidade e baixa complexidade.<\/p>\n<p>Nossa Biblioteca \u00e9 inspirada na obra e na vida da <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/a-primeira-mulher-eleita-para-academia-de-letras\/?preview=true\">poeta mineira Henriqueta Lisboa<\/a>, que foi uma escritora atuante durante seis d\u00e9cadas, at\u00e9 o final de sua vida, no s\u00e9culo XX. Publicou muitos livros, traduziu, foi diligente na troca de ideias e impress\u00f5es com seus pares, mas, nos \u00faltimos anos de sua exist\u00eancia, ainda tinha d\u00favidas se seu esfor\u00e7o tinha valido a pena, pois talvez ainda se sentisse pouco prestigiada. N\u00f3s na Peir\u00f3polis temos uma resposta que mexe com nossos afetos e com nossos desejos: sim, valeu a pena. Madrinha Lua \u00e9 o nome de um dos livros de Henriqueta, lan\u00e7ado em 1952, setenta anos atr\u00e1s, e que agora d\u00e1 nome a esta cole\u00e7\u00e3o de obras de autoras brasileiras vivas e muito atuantes, cada uma com sua voz l\u00edrica, seus temas, suas formas e seus tr\u00e2nsitos entre os modos de produzir, publicar e espalhar poesia.<\/p>\n<p><em>A inten\u00e7\u00e3o da Peir\u00f3polis \u00e9 reunir um conjunto de livros de poesia feita hoje, completamente contempor\u00e2nea, que seja capaz de mostrar uma parte do que tem sido produzido no Brasil por pessoas que vivem em espa\u00e7os geogr\u00e1ficos diversos, inclusive considerando seus lugares de fala e seus tr\u00e2nsitos no pa\u00eds e fora dele. Eventualmente, algumas destas poetas se conhecem, trocam mensagens pelas redes sociais, acompanham-se mutuamente, o que explicita uma rede po\u00e9tica que Henriqueta Lisboa tamb\u00e9m experimentava, embora com as condi\u00e7\u00f5es sociais e tecnol\u00f3gicas de outra \u00e9poca<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Cada livro, cada poeta<\/strong><\/h2>\n<p>A primeira safra de livros da Biblioteca Madrinha Lua conta com oito obras de oito autoras brasileiras. Algumas delas optaram por produzir livros novos, in\u00e9ditos, especialmente para a cole\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso de L\u00edria Porto, Adriane Garcia ou Mariana Ianelli. Outras reuniram poemas in\u00e9ditos e poemas j\u00e1 publicados, em outros livros ou em peri\u00f3dicos e na web, compondo um conjunto que s\u00f3 existe na Madrinha Lua.<\/p>\n<p>Cada autor ou autora tem seu processo criativo, mas \u00e9 comum que a poesia v\u00e1 sendo escrita ao longo dos anos e, na hora em que se decide publicar, os textos sejam relidos e reunidos em um conjunto. Outro modo de fazer \u00e9 produzir um livro mais tem\u00e1tico ou com algum prop\u00f3sito mais projetado, como foi com Adriane Garcia e Lubi Prates.<\/p>\n<p>Os livros da Biblioteca Madrinha Lua s\u00e3o muito diferentes entre si. Como todas as autoras s\u00e3o poetas experimentadas, embora nem sempre sejam famosas ou midi\u00e1ticas, elas sabem manejar a palavra, mas n\u00e3o apenas. Elas conduzem seus conjuntos de textos, comp\u00f5em seus livros e t\u00eam forte intencionalidade. Adriane Garcia quis p\u00f4r seu foco na natureza, na ecologia; Lubi Prates traz quest\u00f5es raciais e identit\u00e1rias; Fernanda Bastos vem com a ambienta\u00e7\u00e3o carnavalesca para tamb\u00e9m tocar em quest\u00f5es de nossa sociedade, Amanda Ribeiro toca em quest\u00f5es de amor e sexualidade, e assim por diante.<\/p>\n<p>Embora muitas pessoas passem a vida achando que poesia \u00e9 um texto suave, necessariamente bonito e doce, isso \u00e9 uma grande inverdade, que inclusive pode reduzir o interesse de muita gente por este g\u00eanero liter\u00e1rio. A poesia sempre foi e continua podendo ser extremamente firme, combativa e corajosa; pode abordar as coisas do mundo, ajudando a transform\u00e1-lo. Muitos poemas e letras de can\u00e7\u00f5es tornaram-se hinos que moveram multid\u00f5es em momentos importantes de nossa hist\u00f3ria. Para citar alguns exemplos brasileiros, podemos pensar em Geraldo Vandr\u00e9 e a letra da can\u00e7\u00e3o \u201cPara n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores\u201d, durante o regime militar (e contra ele); Chico Buarque e can\u00e7\u00f5es como \u201cC\u00e1lice\u201d ou a redondilha \u201cParatodos\u201d; Milton Nascimento e sua \u201cCora\u00e7\u00e3o de estudante\u201d, em tempos de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e no clamor por elei\u00e7\u00f5es diretas; ou na adapta\u00e7\u00e3o de Fagner para os versos de Cec\u00edlia Meireles em \u201cCanteiros\u201d. H\u00e1 infinitos outros exemplos, menos e mais recentes, em v\u00e1rios estilos musicais, se pensarmos que os versos podem ser vistos como uma exist\u00eancia distante e rom\u00e2ntica, mas tamb\u00e9m s\u00e3o armas ou estandartes, escritos ou falados, geralmente conciliando escrita e voz, palavra e for\u00e7a.<\/p>\n<p>A Biblioteca Madrinha Lua oferece um conjunto de livros que tocam muitos temas, podem provocar ou ensejar debates importantes para jovens e adultos, s\u00e3o retratos de nosso tempo, mas continuam em movimento, justamente por serem parte do nosso presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Sobre a leitura dos livros de poesia contempor\u00e2nea<\/strong><\/h2>\n<p>A escola tem de lidar, todos os dias, com press\u00f5es e tens\u00f5es que v\u00eam de fora, mas que tamb\u00e9m existem internamente. \u00c9 comum que essas tens\u00f5es sejam amb\u00edguas, a exemplo do que ocorre com a leitura liter\u00e1ria. Ao mesmo tempo que as leituras do c\u00e2none s\u00e3o criticadas e acusadas de serem dif\u00edceis e desestimularem o gosto pela leitura, h\u00e1 quem ache que apenas o que for can\u00f4nico deve ocupar o tempo e o espa\u00e7o da escola.<\/p>\n<p>Por outro lado, enquanto alguns dizem que a literatura contempor\u00e2nea seria mais adequada para o incentivo \u00e0 leitura, trazendo proximidade e frescor aos jovens, h\u00e1 quem julgue que uma literatura ainda viva, que n\u00e3o passou por certos crivos e ainda n\u00e3o se canonizou, n\u00e3o serve para estar dentro da escola.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil atuar nessa diverg\u00eancia, ora tentando atrair jovens para a leitura que pare\u00e7a mais interessante, ora tendo de apresentar a eles textos mais tradicionais, j\u00e1 legitimados em muitas inst\u00e2ncias. No entanto, o que pensamos \u00e9 que este \u00e9 mais um campo ao qual faria bem o equil\u00edbrio. Pensar de maneira n\u00e3o excludente pode ser favor\u00e1vel a todos e todas, isto \u00e9, buscando, na pr\u00e1tica, conciliar o novo e o tradicional, inclusive abordando suas influ\u00eancias e heran\u00e7as.<\/p>\n<p>Enfrentando o preconceito e o desconhecimento daqueles e daquelas que, de fato, t\u00eam pouco envolvimento com a educa\u00e7\u00e3o e a literatura, pode ser muito importante que a escola concilie propostas de leitura de autores e autoras contempor\u00e2neos, talvez at\u00e9 em di\u00e1logos pr\u00f3ximos com eles ou elas, sem deixar de relacionar o que \u00e9 feito hoje \u00e0 exist\u00eancia de tradi\u00e7\u00f5es e obras relevantes do passado, certamente lidas por muitos escritores e escritoras vivos\/as.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma quest\u00e3o importante, que n\u00e3o podemos deixar de expressar: <em>a escola \u00e9 uma inst\u00e2ncia legitimadora dos textos liter\u00e1rios e de seus autores e suas autoras.<\/em> N\u00e3o basta apenas receber, passivamente, o que j\u00e1 foi considerado bom e can\u00f4nico. A escola \u00e9 ativa nessa fun\u00e7\u00e3o e ajuda a chancelar e a dar a conhecer a literatura, mesmo no momento exato em que ela \u00e9 produzida. A escola pode (e deve) estar em di\u00e1logo com a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, inclusive porque essa produ\u00e7\u00e3o pode ter uma for\u00e7a mobilizadora e impulsionadora de muitas quest\u00f5es que dizem respeito \u00e0 vida e ao futuro da juventude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>As poetas da Madrinha Lua<\/strong><\/h2>\n<p>As oito autoras que abrem a Biblioteca Madrinha Lua s\u00e3o mulheres brasileiras cujos projetos de vida envolvem a atividade de serem escritoras, publicarem seus livros e participarem do debate liter\u00e1rio nacional. S\u00e3o um grupo heterog\u00eaneo: algumas bem jovens, um pouco acima dos vinte anos, e outras mais maduras, com mais de trinta, quarenta ou sessenta anos. Elas v\u00eam das capitais e do interior dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Norte. Al\u00e9m de podermos ler seus textos, nos envolvendo com suas vozes l\u00edricas t\u00e3o diversas, tamb\u00e9m temos a chance de, nos <em>videopoemas<\/em>, ouvir seus falares e seus sotaques, com seus timbres muito pr\u00f3prios. S\u00e3o mulheres de ra\u00e7as, credos, forma\u00e7\u00f5es, profiss\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es sexuais diversos, e certamente ser\u00e1 poss\u00edvel depreender isso de seus poemas, embora devamos evitar dois extremos da leitura liter\u00e1ria: colar suas biografias a seus textos ou ler os poemas como se nada neles dissesse respeito a quem os escreve.<\/p>\n<p>As poetas da Madrinha Lua s\u00e3o j\u00e1 autoras de alguns t\u00edtulos, em muitos casos receberam pr\u00eamios e reconhecimentos importantes por suas obras, t\u00eam publicado com relativa frequ\u00eancia e, aqui reunidas, queremos que elas ganhem ainda mais for\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Literatura e poesia na BNCC <\/strong><\/h2>\n<p>A palavra <em>literatura<\/em> aparece 60 vezes nas 600 p\u00e1ginas da Base Nacional Comum Curricular. Embora isso nos pare\u00e7a pouco, dada a magnitude do documento, \u00e9 importante notar que <em>literatura<\/em> aparece desde a educa\u00e7\u00e3o infantil at\u00e9 o ensino m\u00e9dio, aumentando a amplitude e a complexidade das propostas ou das recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o infantil, fala-se em media\u00e7\u00e3o, desenvolvimento do gosto, amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento de mundo e est\u00edmulo \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o (ver p. 42 do documento). No ensino fundamental, mais especificamente no ensino de linguagens e suas tecnologias, a <em>literatura<\/em> aparece mais, por exemplo, como mote ou gatilho para a produ\u00e7\u00e3o de outros g\u00eaneros discursivos, inclusive e principalmente multim\u00eddia. \u00c0 p\u00e1gina 74, em um quadro sobre pr\u00e1ticas leitoras, uso e reflex\u00e3o, <em>literatura<\/em> aparece no item de ades\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas de leitura, no seguinte contexto:<\/p>\n<ul>\n<li>Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura, textos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e\/ou textos jornal\u00edsticos que circulam em v\u00e1rias m\u00eddias.<\/li>\n<li>Mostrar-se ou tornar-se receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativa, que representem um desafio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas possibilidades atuais e suas experi\u00eancias anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas lingu\u00edsticas, em seu conhecimento sobre os g\u00eaneros e a tem\u00e1tica e nas orienta\u00e7\u00f5es dadas pelo professor.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O destaque a este trecho da BNCC tem um objetivo: embora a literatura apare\u00e7a ali como um item pouco especial em rela\u00e7\u00e3o a outros, o par\u00e1grafo seguinte menciona a import\u00e2ncia de que os e as estudantes sejam receptivos \u201ca textos que rompam com seu universo de expectativa\u201d e que \u201crepresentem um desafio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas possibilidades atuais e suas experi\u00eancias anteriores de leitura\u201d, e isso, \u00e9 claro, a poesia, contempor\u00e2nea ou anterior, pode fazer muito bem.<\/p>\n<p>A p\u00e1gina 75 da BNCC \u00e9 expl\u00edcita ao defender o texto culto, o can\u00f4nico, mas tamb\u00e9m a diversidade, a diferen\u00e7a e a amplia\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rios. Mais adiante, na p\u00e1gina 86, o documento trata do direito de todos\/as \u00e0 literatura e \u00e0 arte, algo que consideramos uma das miss\u00f5es da escola, inclusive contra a padroniza\u00e7\u00e3o e a pasteuriza\u00e7\u00e3o comumente oferecidas por muitas m\u00eddias acessadas por crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>A nona compet\u00eancia em linguagens (p. 87) explicita:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Envolver-se em pr\u00e1ticas de leitura liter\u00e1ria que possibilitem o desenvolvimento do senso est\u00e9tico para frui\u00e7\u00e3o, valorizando a literatura e outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edstico-culturais como formas de acesso \u00e0s dimens\u00f5es l\u00fadicas, de imagin\u00e1rio e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experi\u00eancia com a literatura.<\/p>\n<p>Entre as habilidades descritas para as s\u00e9ries finais do ensino fundamental, a BNCC coloca (p. 187):<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">(EF89LP36) Parodiar poemas conhecidos da literatura e criar textos em versos (como poemas concretos, ciberpoemas, haicais, liras, microrroteiros, lambe-lambes e outros tipos de poemas), explorando o uso de recursos sonoros e sem\u00e2nticos (como figuras de linguagem e jogos de palavras) e visuais (como rela\u00e7\u00f5es entre imagem e texto verbal e distribui\u00e7\u00e3o da mancha gr\u00e1fica), de forma a propiciar diferentes efeitos de sentido.<\/p>\n<p>Parece claro a\u00ed o impulso para a leitura da poesia, embora a sugest\u00e3o seja partir dos \u201cpoemas conhecidos\u201d, parodiando-os, enquanto n\u00f3s preferimos pensar que a juventude possa se expressar na poesia mais criativamente ainda, propondo e elaborando seus textos, sua forma, sua concilia\u00e7\u00e3o entre m\u00eddias. \u00c0s vezes, somos surpreendidos\/as por alunos\/as t\u00edmidos\/as em sala de aula, mas que mant\u00eam forte atua\u00e7\u00e3o como criadores na internet, por exemplo. O que causa essa ruptura? Embora a BNCC reitere a rela\u00e7\u00e3o entre poesia e imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 imperativo dizer que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 disso que esse g\u00eanero liter\u00e1rio \u00e9 feito ou s\u00f3 isso que ele promove. A poesia pode tocar com firmeza a vida real e dizer muito sobre quest\u00f5es importantes de nosso tempo. Pensamos ser fundamental o contato de jovens com textos ainda n\u00e3o t\u00e3o conhecidos, mas que circulam justamente no debate liter\u00e1rio contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>No ensino m\u00e9dio, a BNCC (p. 499) afirma que \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura, a leitura do texto liter\u00e1rio, que ocupa o centro do trabalho no Ensino Fundamental, deve permanecer nuclear tamb\u00e9m no Ensino M\u00e9dio\u201d. Passa, ent\u00e3o, a advogar a intensifica\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio dos e das estudantes com esse g\u00eanero, novamente argumentando sobre a amplia\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es de mundo, al\u00e9m das capacidades de ver e de sentir. O modo como isso aparece no documento ainda \u00e9 relativamente pouco, perto de tudo o que a leitura liter\u00e1ria pode provocar no encontro entre leitores, leitoras e o texto que pulsa.<\/p>\n<p>Na p\u00e1gina 500, a Base lista, novamente, a import\u00e2ncia de se apresentar e conciliar o culto, o can\u00f4nico e o popular, citando inclusive o perif\u00e9rico. Pela primeira vez, o documento explicita a \u201cinclus\u00e3o de obras da tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira e de suas refer\u00eancias ocidentais \u2013 em especial da literatura portuguesa \u2013, assim como obras mais complexas da literatura contempor\u00e2nea e das literaturas ind\u00edgena, africana e latino-americana\u201d. Uma segunda men\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura contempor\u00e2nea aparece \u00e0 p\u00e1gina 523, em nova lista. Seguem-se ent\u00e3o p\u00e1ginas que incluem a literatura em suas facetas perif\u00e9rica, marginal etc.<\/p>\n<p>A palavra <em>poesia<\/em> aparece uma \u00fanica vez na Base, \u00e0 p\u00e1gina 138, no contexto do ensino fundamental, com o objetivo de leitura e dos estudos de figuras de linguagem. Embora seja muito importante compreender e saber empregar figuras de linguagem, al\u00e9m de concordarmos que parte da mat\u00e9ria-prima do g\u00eanero est\u00e1 nesses recursos da l\u00edngua, h\u00e1 muito mais que a poesia oferece. J\u00e1 a express\u00e3o <em>texto po\u00e9tico<\/em> aparece 16 vezes, a maioria delas nos quadros de descritores de habilidades e objetos de conhecimento. O estudo da forma e do sentido \u00e9 o foco a\u00ed.<\/p>\n<p>Com essa passagem ligeira pela Base Nacional Comum Curricular, documento vigente no Brasil para o ensino b\u00e1sico, queremos dizer que, embora possamos flagrar nele a import\u00e2ncia da leitura liter\u00e1ria e, muito secundariamente, da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, ainda \u00e9 poss\u00edvel fazer muito mais e melhor, se formos diligentes e comprometidos\/as com a literatura de nosso pa\u00eds (e n\u00e3o apenas), em especial conhecendo e valorizando a literatura contempor\u00e2nea, que ainda n\u00e3o \u00e9 can\u00f4nica e nem se resume ao \u201cmarginal\u201d. H\u00e1 muito o que fazer na media\u00e7\u00e3o da leitura de jovens, incluindo-os nessa cena, inclusive como poss\u00edveis criadores, motores de nossas culturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Sobre o projeto de vida de ser escritor(a)<\/strong><\/h2>\n<p>Os escritores e as escritoras foram, um dia, estudantes. No m\u00ednimo, aprenderam a lidar com textos, sejam orais ou escritos. Ainda que uma pessoa possa se tornar escritor\/a por acaso, por agarrar alguma oportunidade fortuita na vida, \u00e9 comum que escritores e escritoras tenham perseguido um desejo, um sonho, sem necessariamente abandonar outra profiss\u00e3o. Ser escritor ou escritora, de v\u00e1rios ou de um g\u00eanero liter\u00e1rio espec\u00edfico, pode ser o projeto de vida de algu\u00e9m, desde a mais tenra idade. Quando lemos ou ouvimos as hist\u00f3rias de vida de autores e autoras j\u00e1 conhecidos, \u00e9 comum que eles e elas contem sobre sua rela\u00e7\u00e3o longa com livros, primeiros textos liter\u00e1rios, ideias de publica\u00e7\u00e3o e com a inspira\u00e7\u00e3o em algum escritor ou alguma escritora anteriores. Essa rela\u00e7\u00e3o pode ter se dado na escola, mas tamb\u00e9m fora dela, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, mas que foram fortemente reconhecidas e aproveitadas.<\/p>\n<p>Para que a poesia e outros g\u00eaneros liter\u00e1rios possam fazer parte do horizonte de vida de um\/a jovem, pode ser fundamental que a escola d\u00ea a eles e a elas condi\u00e7\u00f5es de sentir que o livro liter\u00e1rio e sua escrita s\u00e3o trabalho, exigem dedica\u00e7\u00e3o, estudo, leitura e que fazem parte de um universo que, al\u00e9m de art\u00edstico, \u00e9 tamb\u00e9m econ\u00f4mico e cultural.<\/p>\n<p>A literatura contempor\u00e2nea goza de uma condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica: autores e autoras vivos podem estar bem pr\u00f3ximos da escola e da educa\u00e7\u00e3o, desde que as institui\u00e7\u00f5es possam evitar a romantiza\u00e7\u00e3o excessiva dessa atividade, assim como n\u00e3o permitir a censura e conduzir leitura e produ\u00e7\u00e3o textual com seriedade e abertura. Muitos textos publicados hoje s\u00e3o excelentes oportunidades para debates ricos, importantes e mobilizadores, em muitos sentidos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel adotar livros de poesia contempor\u00e2nea, l\u00ea-los em sess\u00f5es de frui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de an\u00e1lise e debate, al\u00e9m de fazer que derivem deles produ\u00e7\u00f5es multimodais, coletivas ou individuais. A poesia \u00e9 um dos g\u00eaneros liter\u00e1rios de mais f\u00e1cil circula\u00e7\u00e3o, sendo poss\u00edvel apresent\u00e1-la e mesmo produzi-la de modos diversos, num tr\u00e2nsito multiletrado e multimodal muito rico. Do livro-palavra \u00e0 imagem, ao som, ao palco, ao v\u00eddeo, \u00e0 roda de leitura, ao slam, ao dizer, decorado e sem decorar, \u00e9 poss\u00edvel fazer de cada obra um gatilho para muitas outras leituras e produ\u00e7\u00f5es. Por fim, \u00e9 fundamental lembrar: livros podem mudar pensamentos, influenciar pessoas e ajudar em mudan\u00e7as importantes do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias interessantes<\/strong><\/h2>\n<p>A Base Nacional Comum Curricular est\u00e1 dispon\u00edvel para leitura e download no site do MEC. \u00c9 importante acess\u00e1-la, l\u00ea-la diretamente e discutir aspectos dela com colegas e gestores, jamais reduzindo as a\u00e7\u00f5es da escola ao que l\u00e1 est\u00e1. \u00c9 sempre poss\u00edvel fazer mais e melhor, conhecendo, \u00e9 claro, as condi\u00e7\u00f5es reais de nossas escolas e estudantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 livros que tratam especificamente da poesia em contexto escolar. \u00c9 o caso de <em>A poesia vai \u00e0 escola<\/em>, de Neusa Sorrenti (Aut\u00eantica), com dicas e reflex\u00f5es sobre esse g\u00eanero. Tamb\u00e9m pode ser importante conhecer reflex\u00f5es atuais sobre literatura e escola na obra <em>A fun\u00e7\u00e3o da literatura na escola<\/em> (Par\u00e1bola), organizada pela profa. Maria do Socorro Macedo.<\/p>\n<p>O site da editora Par\u00e1bola tem dicas de como aproximar estudantes da leitura, pela profa. Tha\u00eds Marcondes.<\/p>\n<p>Para deitar por terra um discurso paralisante e falso de que apenas ricos leem, \u00e9 importante conhecer a atua\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es e pessoas que lidam diretamente com a leitura nas periferias. Sugerimos o trabalho da educadora social Bel Santos Mayer, mas com ela, e em toda parte, h\u00e1 sempre pessoas engajadas nisso em nossas cidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/madrinha-lua\/images\/ana%20elisa.png\" width=\"93\" height=\"93\">Ana Elisa Ribeiro<\/b>&nbsp;\u00e9 apaixonada por poesia. \u00c9 professora de l\u00edngua portuguesa e pesquisadora da edi\u00e7\u00e3o no Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica de Minas Gerais. Autora de livros liter\u00e1rios para adultos, jovens e crian\u00e7as. Pela Peir\u00f3polis organizou Linguagem, Tecnologia e Educa\u00e7\u00e3o e Leitura e escrita em movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Estante de livros<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-26525 size-medium\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-190x300.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-190x300.jpg 190w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-647x1024.jpg 647w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-95x150.jpg 95w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-768x1216.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-970x1536.jpg 970w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-1294x2048.jpg 1294w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-150x237.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-203x321.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-600x950.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_quem_tem_pena_de_passarinho-scaled.jpg 1617w\" sizes=\"(max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/> <strong>Quem tem pena de passarinho \u00e9 passarinho<\/strong><\/p>\n<p>Este livro estreia a Biblioteca Madrinha Lua, cole\u00e7\u00e3o de poesia contempor\u00e2nea. Nele, a poeta L\u00edria Porto celebra as transforma\u00e7\u00f5es da natureza. Trata-se de poesia que tem a simplicidade e a complexidade dos fen\u00f4menos da natureza, invis\u00edveis e intang\u00edveis, mas n\u00e3o por isso menos deslumbrantes.<\/p>\n<p>Nas palavras de Ana Elisa Ribeiro, a poeta que coordena a cole\u00e7\u00e3o, \u201cse fosse poss\u00edvel ver a poesia da L\u00edria Porto, seria talvez por meio de tra\u00e7os finos, mas en\u00e9rgicos, firmes em seu voo planado; uma expectativa de vir algo leve, mas vem uma pedra, depois o contr\u00e1rio, e vem uma pluma\u201d.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/quem-tem-pena-de-passarinho-e-passarinho\/\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small\">Compre o livro<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-26689 size-medium\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas-184x300.png\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas-184x300.png 184w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas-92x150.png 92w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas-150x245.png 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas-203x332.png 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-Lanc\u0327a-chamas.png 394w\" sizes=\"(max-width: 184px) 100vw, 184px\" \/><\/p>\n<p><strong>Lan\u00e7a chamas<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o segundo livro da Biblioteca Madrinha Lua. A poeta potiguar Regina Azevedo \u00e9 dona de uma voz l\u00edrica inquietantemente jovem e consciente, apegada \u00e0 sua ancestralidade e ao local, mas tamb\u00e9m ao mundo e o gesto pol\u00edtico para e com as mulheres.<\/p>\n<p>Nas palavras da prefaciadora Maria Lu\u00edza Chacon, o livro de Regina (e seu t\u00edtulo) \u201cparece dizer mais respeito ao gesto em si, ao exerc\u00edcio de lan\u00e7ar fogo pr\u00f3prio da linguagem po\u00e9tica que aqui se estabelece\u201d.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/lanca-chamas\/\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small\">Compre o livro<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa_estive_no_fim_do_mundo-scaled.jpg\" width=\"186\" height=\"295\">Estive no fim do mundo e me lembrei de voc\u00ea<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>A poeta mineira Adriane Garcia, muito ativa nas redes sociais e por sua milit\u00e2ncia liter\u00e1ria, \u00e9 uma voz l\u00edrica que celebra a natureza em sua rela\u00e7\u00e3o tensa com a humanidade \u2013 por culpa nossa, claro. Nas palavras da poeta Ana Elisa Ribeiro, coordenadora da cole\u00e7\u00e3o, \u201cN\u00e3o \u00e9 de guerra, mas \u00e9 de tens\u00e3o, de cr\u00edtica, de ironia, de den\u00fancia. Tem um calor de debate, de di\u00e1logo firme. Com ela n\u00e3o se nina, mas se desperta\u201d.<\/p>\n<p>A Biblioteca Madrinha Lua pretende reunir poetas que nos aparecem pelas frestas do mercado editorial, pelas fendas do debate liter\u00e1rio amplo, pelas escotilhas oxidadas, enquanto mergulhamos na literatura contempor\u00e2nea. J\u00e1 no final da vida, Henriqueta Lisboa, nossa poeta madrinha, se fazia uma pergunta dura, sem resposta previs\u00edvel, em especial para as mulheres que escrevem: \u201cTer\u00e1 valido a pena a persist\u00eancia?\u201d. Vamos juntas dando belas respostas.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/estive-no-fim-do-mundo-e-me-lembrei-de-voce\/\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small\">Compre o livro<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Lubi_capa445x190mm-V3_1DEZ21.png\" width=\"186\" height=\"304\">At\u00e9 aqui<\/strong><\/p>\n<p>O quarto livro da Biblioteca Madrinha Lua \u00e9 da poeta paulista Lubi Prates, dona de uma das vozes l\u00edricas mais potentes da cena liter\u00e1ria nacional. Nas palavras da prefaciadora, a professora Heleine Fernandes, \u201cO percurso de escrita da poeta Lubi Prates constr\u00f3i a possibilidade de unir amor e negritude em um mesmo verso\u201d.<\/p>\n<p>A Biblioteca Madrinha Lua pretende reunir poetas que nos aparecem pelas frestas do mercado editorial, pelas fendas do debate liter\u00e1rio amplo, pelas escotilhas oxidadas enquanto mergulhamos na literatura contempor\u00e2nea. J\u00e1 no final da vida, Henriqueta Lisboa, nossa poeta madrinha, se fazia uma pergunta dura, sem resposta previs\u00edvel, em especial para as mulheres que escrevem: \u201cTer\u00e1 valido a pena a persist\u00eancia?\u201d. Vamos juntas dando belas respostas.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/ate-aqui\/\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small\">Compre o livro<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o por Ana Elisa Ribeiro A poesia \u00e9 um g\u00eanero liter\u00e1rio muito antigo, h\u00e1 tempos protagonista entre as outras formas liter\u00e1rias existentes, mas que tamb\u00e9m convive com uma diversidade interna. 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