{"id":30446,"date":"2023-02-28T11:32:38","date_gmt":"2023-02-28T14:32:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=30446"},"modified":"2024-03-18T14:58:49","modified_gmt":"2024-03-18T17:58:49","slug":"curadoria-inventario-de-infancias-viagens-pelos-brasis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/curadoria-gabriela-romeu","title":{"rendered":"Curadoria: Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias &#8211; Viagens pelos Brasis"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Curadoria: Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias &#8211; Viagens pelos Brasis<\/h1>\n<p>Dedicada \u00e0 obra da jornalista e escritora Gabriela Romeu, a curadoria Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias prop\u00f5e uma viagem pelos muitos Brasis que habitam nosso pa\u00eds. Enveredando pelas estradas, terreiros e quintais, as obras de Gabriela valorizam a inf\u00e2ncia e reconhecem as crian\u00e7as como produtoras de cultura. Ao mergulhar em seus livros, os leitores podem ampliar o conhecimento sobre o patrim\u00f4nio imaterial brasileiro que se expressa em brincadeiras, jogos, cantigas, versinhos, adivinhas, receitas e muitas mem\u00f3rias, e se encantar com a po\u00e9tica e o lirismo com que a autora partilha sua extensa pesquisa. Passeando por sua obra, propomos um trajeto a ser realizado com as crian\u00e7as e jovens, relacionando os livros lidos e apresentando desdobramentos poss\u00edveis a partir das leituras.&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Baixe, leia, compartilhe.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Curadoria-Inventario-de-infancias-Viagens-pelos-Brasis.pdf\" class=\"pdfemb-viewer\" style=\"height: 800px; \" data-width=\"max\" data-height=\"800\" data-mobile-width=\"500\"  data-scrollbar=\"none\" data-download=\"off\" data-tracking=\"on\" data-newwindow=\"on\" data-pagetextbox=\"off\" data-scrolltotop=\"off\" data-startzoom=\"100\" data-startfpzoom=\"100\" data-toolbar=\"both\" data-toolbar-fixed=\"off\">Curadoria Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias - Viagens pelos Brasis - Gabriela Romeu<br\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Curadoria-Inventario-de-infancias-Viagens-pelos-Brasis.pdf\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small aligncenter\">Clique aqui para baixar ou visualizar<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias: Viagens pelos Brasis<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Autoria de Ana Carolina Carvalho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Quintais, terreiros, ch\u00e3os: paisagens e palavras das inf\u00e2ncias<\/h3>\n<p>Conhecer os Brasis e suas crian\u00e7as, as brincadeiras e os brincares, os quintais, terreiros e muitos ch\u00e3os (as \u00e1guas tamb\u00e9m), as cantigas e os enredos que acompanham meninos e meninas daqui e dali. Tudo isso em embalagens po\u00e9ticas, permeadas com o narrar liter\u00e1rio, que est\u00e1 presente nos seis livros que comp\u00f5em esta curadoria, ora em formato de relatos de viagens, ora em di\u00e1rios. H\u00e1 tamb\u00e9m dois contos, que nos fazem lembrar as hist\u00f3rias de tradicionais de encantamento e acumula\u00e7\u00e3o. Todos eles propondo viagens e mergulhos em outros Brasis e suas t\u00e3o diversas paisagens de inf\u00e2ncias. Essa \u00e9 a proposta desta curadoria.<\/p>\n<p>Mas, antes de come\u00e7ar a nossa viagem, o convite que fazemos a voc\u00ea \u00e9 retornar ao quintal de sua inf\u00e2ncia, o lugar dos seus folguedos, como se dizia&#8230; Quintal, brincadeira, inf\u00e2ncia&#8230; O que essas palavras fazem lembrar? Como era a paisagem que rodeava sua casa? Rural, com ch\u00e3o de terra, \u00e1rvores e sombras? \u00c0 beira de um rio ou lagoa, onde se podia mergulhar e nadar? Urbana, dentro de um apartamento, cheio de arm\u00e1rios, mesas, cadeiras? Ou um terreno cimentado, povoado de cantos imagin\u00e1rios? Onde quer que tenha sido, onde quer que ainda seja, em qualquer ch\u00e3o, em qualquer beira de mar ou de rio, as crian\u00e7as brincam e inventam mundos.<\/p>\n<h3>Narrar e brincar<\/h3>\n<p>E quais s\u00e3o as palavras que acompanhavam e acompanham esses brincares? J\u00e1 parou para pensar que h\u00e1 sempre uma narrativa junto com as brincadeiras? Seja em enredos de jogos simb\u00f3licos, seja em cantigas e parlendas, que embalam os gestos das crian\u00e7as, as palavras est\u00e3o ali, como parte da paisagem do brincar.<\/p>\n<p>Em seu belo poema <em>Evoca\u00e7\u00e3o do Recife<\/em>, Manuel Bandeira (1970) nos fala exatamente disso, ao rememorar os sons de sua meninice:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] A gente brincava no meio da rua<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Os meninos gritavam:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Coelho sai!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">N\u00e3o sai!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u00c0 dist\u00e2ncia as vozes macias das meninas politonavam:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Roseira d\u00e1-me uma rosa<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Craveiro d\u00e1-me um bot\u00e3o<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;]<\/p>\n<p>Narrar e brincar, tal como nos conta Gabriela Romeu (2022) no texto \u201cCh\u00e3o das inf\u00e2ncias\u201d, \u201cs\u00e3o verbos conjugados nas inf\u00e2ncias, independentemente do tempo e do lugar, mas, sim, variando conforme as ofertas locais e tamb\u00e9m temporais. E vale sempre ressaltar, principalmente \u00e0queles que insistem no discurso de que \u2019hoje n\u00e3o se brinca mais\u2019: \u00e9 poss\u00edvel observar nas cinco regi\u00f5es que a crian\u00e7a brinca em todo territ\u00f3rio e em toda \u00e9poca, pois essa \u00e9 uma atividade t\u00e3o vital como respirar\u201d.<\/p>\n<h3>Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias: muitos brincares<\/h3>\n<p>Em outro belo texto publicado no <em>site<\/em> Inf\u00e2ncias, Gabriela Romeu disse:<\/p>\n<p>\u201cE o que \u00e9 inventariar? Antes mesmo do verbo, o substantivo, o termo \u201cinvent\u00e1rio\u201d, que \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o e enumera\u00e7\u00e3o minuciosa de coisas \u2013 objetos, obras, palavras. E de seres, sensa\u00e7\u00f5es, saberes. \u201cInventariar\u201d \u00e9 reunir, descrever e classificar um dado universo. \u00c9 tamb\u00e9m uma palavra que ainda guarda outra. O voc\u00e1bulo abarca a ideia de invento, ou inven\u00e7\u00e3o. Assim, as \u201ccoisas\u201d listadas s\u00e3o tamb\u00e9m imaginadas, criadas e engendradas ao fazer po\u00e9tico. Todas e todos n\u00f3s \u2013 educadores, crian\u00e7as, artistas e poetas \u2013 somos inventariantes natos, desde o tempo de antes. Aprendemos a inventariar na inf\u00e2ncia, ou seja, a agrupar, dividir, dispor, distribuir, quando lan\u00e7amos m\u00e3o desses verbos ao brincar\/investigar\/organizar com pedrinhas de todos os tipos no quintal ou enfileirar carrinhos dos mais variados no tapete da sala.<\/p>\n<p>Um inventariante \u00e9 um investigador que olha com vagar e demora. Mergulha na experi\u00eancia, aquela que n\u00e3o se repete.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>J\u00e1 a palavra \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d nos d\u00e1 outras pistas para pensar a a\u00e7\u00e3o inventariante, o ato de inventariar. O termo \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d tem origem no latim <em>invenire<\/em>, uma busca por rel\u00edquias ou restos arqueol\u00f3gicos, ou seja, pistas do passado. Inventar \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o que tem bem menos rela\u00e7\u00e3o com uma ilumina\u00e7\u00e3o s\u00fabita do que um trabalho \u00e1rduo e cont\u00ednuo com sobras, vest\u00edgios, refugos, res\u00edduos. \u00c9 menos <em>insight<\/em>, e muito mais ensaio. Assim como a imagina\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria entra nesse jogo de montar, um quebra-cabe\u00e7a em que vamos encontrando e (des)encaixando as pe\u00e7as no percurso investigativo. Como num exerc\u00edcio de colagem, feito com os elementos do que somos, vivemos e sentimos, investigamos, indagamos e aprendemos, imaginamos, afirmamos e lembramos\u201d.<\/p>\n<p>Um invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias partilha saberes e culturas produzidas pelas crian\u00e7as, esses \u201cp\u00e1ssaros garis da natureza [que] fazem continuamente o trabalho de renovar as sobras do mundo\u201d em suas brincadeiras, inven\u00e7\u00f5es e descobertas, como nos revelou Gandhy Piorsky no pref\u00e1cio do livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><em>Terra de cabinha<\/em><\/a> de Gabriela Romeu.<\/p>\n<p>Foi conhecendo as muitas inf\u00e2ncias que Gabriela descobriu que \u201cas crian\u00e7as t\u00eam muito a ensinar, basta adulto querer aprender\u201d. Crian\u00e7as produzem cultura e \u00e9 preciso ouvi-las em toda a sua for\u00e7a criativa. O trabalho de Gabriela Romeu, portanto, concretiza o t\u00e3o mencionado e necess\u00e1rio \u201cprotagonismo\u201d das crian\u00e7as, muda o nosso jeito de v\u00ea-las e ouvi-las, relevando seus saberes e sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente e a cultura em que est\u00e3o inseridas.<\/p>\n<p>A proposta de se fazer um invent\u00e1rio das inf\u00e2ncias espalhadas pelos diferentes quintais do nosso pa\u00eds \u00e9, portanto, uma maneira de se saber mais sobre o Brasil, observando, escutando e valorizando o que dizem e fazem as crian\u00e7as, como se relacionam com a nossa cultura e como a produzem.<\/p>\n<p>Assim, o t\u00edtulo e o subt\u00edtulo desta curadoria, apenas aparentemente distantes, combinam-se, e muito! Esse \u00e9 o caminho que vamos percorrer juntos: por meio dos livros de Gabriela Romeu e seus universos das inf\u00e2ncias, vamos nos aproximar da complexidade cultural desse imenso terreiro chamado Brasil, com muito lirismo e pitadas de poesias.<\/p>\n<h3>Etnografia das inf\u00e2ncias<\/h3>\n<p>\u201dEtnografia\u201d \u00e9 um termo que costuma habitar espa\u00e7os muito diferentes daqueles dedicados \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0s escolas. Por ser um ramo da antropologia, usualmente n\u00e3o vemos essa forma de conhecimento do mundo nos livros voltados \u00e0s crian\u00e7as e jovens leitores. Conhecer uma cultura, um povo e seus modos de existir por meio da etnografia \u00e9 mergulhar de um jeito muito particular em um universo, porque aquilo que passamos a conhecer nos \u00e9 compartilhado por algu\u00e9m que teve um contato muito intenso e prolongado com o seu objeto de estudo. Algu\u00e9m que se deslocou, que topou um mergulho, que realizou observa\u00e7\u00f5es e abriu espa\u00e7o para uma escuta muito atenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que desejou pesquisar. Por isso mesmo, muitos livros lindos que nos contam sobre povos que desconhecemos e que nos apresentam outros jeitos de viver nasceram de trabalhos etnogr\u00e1ficos, ou seja, da vontade e da curiosidade de conhecer o outro e seu mundo.<\/p>\n<p>Recentemente, observamos um movimento crescente de se buscar conhecer, respeitar e valorizar as culturas das inf\u00e2ncias entendidas tanto como o que \u00e9 produzido pelas crian\u00e7as como aquilo que faz parte do patrim\u00f4nio cultural desse per\u00edodo da vida, e o que \u00e9 produzido pelos adultos que dialogam com o p\u00fablico infantil.<\/p>\n<p>A jornalista e escritora Gabriela Romeu \u00e9 uma das autoras que t\u00eam se dedicado \u00e0 inf\u00e2ncia brasileira, inventariando brincadeiras e saberes e compartilhando, com o p\u00fablico, esses conhecimentos. Em seus livros, ela nos convida a enveredar pelos terrenos habitados pelas crian\u00e7as, para que possamos conhecer os seus jeitos de viver e os modos de brincar, bem como partilhar seu encantamento com os mundos que descobriu. Para narrar as inf\u00e2ncias e contar o que conheceu, ela busca inspira\u00e7\u00e3o na literatura, enredando os leitores na sonoridade e musicalidade da l\u00edngua, buscando refer\u00eancias po\u00e9ticas e construindo narrativas bem ao modo dos textos das tradi\u00e7\u00f5es orais.<\/p>\n<h3>Um pouco mais sobre a autora<\/h3>\n<p>Jornalista, Gabriela trabalhou durante muitos anos no jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em> como editora do extinto caderno Folhinha, um suplemento voltado para crian\u00e7as, e depois como cr\u00edtica de teatro infantil. O interesse pelas inf\u00e2ncias instigou-a a ir mais fundo nesse universo: como brincam as crian\u00e7as de diferentes regi\u00f5es do nosso pa\u00eds? Normalmente, estamos acostumados a conhecer as crian\u00e7as dentro da escola, em contexto institucional, mas como s\u00e3o em seu cotidiano? De que forma brincam e como ocupam os quintais, os terreiros, as ruas, as casas? Essa \u00e9 uma marca do trabalho de Gabriela Romeu. Por meio de dois projetos voltados \u00e0s inf\u00e2ncias, o Mapa do Brincar (www.mapadobrincar.com.br) e o Inf\u00e2ncias (www.infancias. com.br), ela colheu e divulga as brincadeiras e a vida de meninos e meninas pelo nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio do livro<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><em> L\u00e1 no meu quintal<\/em><\/a>, Gabriela escreve, junto com sua parceira de trabalho, Marlene Peret: \u201cMuita gente roda o Brasil para conhecer monumentos ou paisagens. J\u00e1 n\u00f3s decidimos percorrer os quintais para conhecer o lugar onde se brinca, e aprender, com meninos e meninas, jogos, versos e brinquedos. Essa incurs\u00e3o pelo brincar \u00e9 uma visita a muitos Brasis\u201d.<\/p>\n<h3>Diversidade de g\u00eaneros e muitas linguagens em cada livro<\/h3>\n<p>Se Gabriela Romeu \u00e9 uma inventariante po\u00e9tica das inf\u00e2ncias, dos quintais, brincadeiras e brincares, pode-se dizer que, de certa forma, seus livros inventariam g\u00eaneros liter\u00e1rios e linguagens. Afinal, h\u00e1 v\u00e1rios deles em cada t\u00edtulo e a escolha por essa diversidade n\u00e3o se d\u00e1 \u00e0 toa: cada livro \u00e9 como um caleidosc\u00f3pio, que vai revelando diferentes aspectos das culturas visitadas, oferecendo experi\u00eancias e imagens diversas, ao mostrar a beleza da inf\u00e2ncia. De acordo com a pr\u00f3pria acep\u00e7\u00e3o da palavra, que se origina do grego: <em>&nbsp;kall\u00f3s<\/em>&nbsp;(\u201cbelo\u201d, \u201cbonito\u201d),&nbsp;<em>eidos<\/em>&nbsp;(\u201cimagem\u201d) e&nbsp;<em>skopeo<\/em>&nbsp;(\u201colhar para\u201d, \u201cobservar\u201d).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao olhar uma fotografia e ouvir um \u00e1udio com vozes de crian\u00e7as brincando em um terreiro, por exemplo, o leitor pode sentir-se dentro da \u201ccena\u201d, ampliando, assim, os sentidos constru\u00eddos a partir da leitura de um texto.<\/p>\n<p>J\u00e1 a diversidade de g\u00eaneros revela aos leitores algo muito importante: a cultura n\u00e3o est\u00e1 em um lugar s\u00f3, mas toma corpo nas muitas produ\u00e7\u00f5es, seja na receita, seja na cantiga e nos versinhos, nas lendas, nos contos&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><em>Terra de cabinha<\/em><\/a>, <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><em>L\u00e1 no meu quintal<\/em><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/em><\/a> s\u00e3o t\u00edtulos que acolhem v\u00e1rios g\u00eaneros ao buscar desenhar os muitos Brasis. Embora possam ser vistos como obras n\u00e3o f iccionais, por apresentarem uma preciosa pesquisa etnobiogr\u00e1fica como a coluna vertebral do livro, a presen\u00e7a tanto da linguagem po\u00e9tica quanto dos textos de diferentes g\u00eaneros amplia qualquer defini\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, abrindo caminhos variados para se entrar em cada um dos t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por contar com ricas ilustra\u00e7\u00f5es, fotografias e <em>QR Codes<\/em>, que levam os leitores a ouvir \u00e1udios e assistir a filmes, esses livros podem ser considerados registros etnogr\u00e1ficos em diferentes linguagens (po\u00e9tica, fotogr\u00e1fica, audiovisual e pl\u00e1stica). Vale tamb\u00e9m dizer que essa variedade de textos e linguagens contempla e respeita as diferentes formas de perceber e apreender a realidade, construir conhecimento e expressar-se no mundo. E que, por fazer parte da vida, deve tamb\u00e9m estar presente na escola.&nbsp;<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><strong><em>Terra de cabinha<\/em><\/strong><\/a>, rico invent\u00e1rio da vida dos meninos e meninas do sert\u00e3o do Cariri, h\u00e1 textos em prosa-po\u00e9tica, versos, lendas, trava-l\u00ednguas, jogos, brincadeiras, adivinhas, mem\u00f3rias e receitas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><strong>L\u00e1 no meu quintal<\/strong><\/a>, os leitores e leitoras encontrar\u00e3o versinhos, cantigas de roda, parlendas, receitas de brincadeiras (textos instrucionais) e relatos biogr\u00e1ficos e de viagem.<\/p>\n<p>No <em><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><strong>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/strong><\/a><\/em>, temos a biografia ou <em>biofantasia<\/em> (texto h\u00edbrido que mistura a biografia convencional, calcada na pesquisa informativa de car\u00e1ter n\u00e3o ficcional, com trechos de inven\u00e7\u00e3o po\u00e9tica inspirados na vida fabulosa da trupe Carro\u00e7a de Mamulengos) como texto central e, ainda, can\u00e7\u00f5es, listas, receitas, poemas, aforismos.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><strong>Irm\u00e3s da chuva<\/strong><\/a><\/em> \u00e9 um conto de fadas bem brasileiro, mas por ali tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar cantigas, rezas e versos. <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/diario-das-aguas\/\"><strong><em>Di\u00e1rio das \u00e1guas<\/em><\/strong><\/a>, que j\u00e1 apresenta o g\u00eanero no pr\u00f3prio t\u00edtulo, n\u00e3o fica em um texto s\u00f3: em meio \u00e0 narra\u00e7\u00e3o dos dias, h\u00e1 poemas, contos, versinhos, relatos, verbetes, receitas. H\u00e1 tamb\u00e9m, nesse livro, o expediente dos <em>QR Codes<\/em>, que amplia as linguagens apresentadas aos leitores.<\/p>\n<p>Por fim, <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><em><strong>Noite de brinquedo<\/strong><\/em><\/a>, escrito em parceria com Antonia Mattos, \u00e9 uma narrativa mais longa que nos remete \u00e0 estrutura de um conto acumulativo, cujo conflito vai sendo solucionado com o surgimento gradual de personagens, a cada passagem da hist\u00f3ria. Para al\u00e9m do conto, o livro apresenta ao leitor versos e cantigas, e ainda pequenos textos informativos sobre o reisado no Cariri.<\/p>\n<p>Esse encontro com g\u00eaneros variados \u2013 e a apresenta\u00e7\u00e3o de diferentes linguagens \u2013 certamente enriquece a leitura, ampliando as aprendizagens e as possibilidades de abordagens das obras na escola e permitindo o planejamento de propostas que incluam pr\u00e1ticas sociais diversas atreladas aos diferentes textos e linguagens.<\/p>\n<p>Nas diversidades textual e de pr\u00e1ticas presentes nos t\u00edtulos tamb\u00e9m reside a riqueza que existe na forma\u00e7\u00e3o de nosso povo e que valoriza as diferentes fontes de conhecimento, sobretudo aqueles saberes transmitidos oralmente, muitas vezes distantes dos estudantes que vivem em centros urbanos do nosso pa\u00eds, sejam eles grandes ou pequenos.<\/p>\n<p>Ingressar nos universos descortinados nos livros de Gabriela Romeu tamb\u00e9m permite aos estudantes expandir a no\u00e7\u00e3o daquilo que nos constitui como brasileiros: nossa mem\u00f3ria, nossas hist\u00f3rias e a complexidade cultural que caracteriza o pa\u00eds. Conhecimentos que n\u00e3o est\u00e3o necessariamente nos livros de Hist\u00f3ria e de Geografia, por exemplo, mas que s\u00e3o tamb\u00e9m importantes meios para a reflex\u00e3o e entendimento sobre os Brasis, j\u00e1 que se trata de bens culturais de natureza imaterial.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), esses bens \u201cdizem respeito \u00e0quelas pr\u00e1ticas e dom\u00ednios da vida social que se manifestam em saberes, of\u00edcios e modos de fazer; celebra\u00e7\u00f5es;&nbsp;formas de express\u00e3o c\u00eanicas, pl\u00e1sticas, musicais ou l\u00fadicas&#8230;\u201d e devem, certamente, fazer parte do repert\u00f3rio de todos aqueles que buscam saber mais do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre as compet\u00eancias espec\u00edficas de Artes que precisam ser garantidas no Ensino Fundamental e que est\u00e3o previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ressaltamos uma que dialoga com os conte\u00fados que se fazem presentes nos livros desta curadoria:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente pr\u00e1ticas e produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais do seu entorno social, dos povos ind\u00edgenas, das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espa\u00e7os, para reconhecer a arte como um fen\u00f4meno cultural, hist\u00f3rico, social e sens\u00edvel a diferentes contextos e dialogar com as diversidades.<\/em><\/p>\n<p>O convite que fazemos nesta curadoria \u00e9 para que voc\u00ea, professor ou professora, viaje conosco para diferentes cantos dos muitos Brasis revelados por Gabriela Romeu e inventarie o que descobriu nas leituras para partilhar com as crian\u00e7as e jovens estudantes.<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1?<\/p>\n<h3>A partida, primeira viagem: o sert\u00e3o verde do Cariri cearense<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><strong><em>Terra de cabinha: pequeno invent\u00e1rio da vida de meninos e meninas do sert\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Esse livro s\u00f3 existe por causa das muitas viagens de Gabriela Romeu ao sert\u00e3o do Cariri, lugar para o qual ela sempre tem vontade de voltar. Dessa vontade nasceu o livro, que \u00e9 bem um jeito de se transportar para aquela paisagem do Cear\u00e1, na companhia dos <em>cabinhas<\/em>, que s\u00e3o os meninos e meninas do sert\u00e3o, os pequenos e os j\u00e1 crescidos. E, se a palavra \u201ccabinha\u201d pode causar estranhamento, vale a pena conhecer de onde ela vem: \u201ccabra\u201d, entre outras acep\u00e7\u00f5es, \u00e9 express\u00e3o utilizada para denominar o homem (cabra da peste, por exemplo, refere-se ao homem valente, temido). No falar do povo, cabra vira <em>caba<\/em>, e <em>cabinha<\/em> \u00e9 a maneira carinhosa de se referir \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ler esse invent\u00e1rio, portanto, \u00e9 conhecer o Cariri por meio de seus quintais, terreiros, pelas vozes dos cabinhas &#8211; suas brincadeiras, hist\u00f3rias e receitas de brincar; pelas paisagens e pelo ch\u00e3o de terra, que acolhe pi\u00f5es, pulos e passos dos meninos, meninas e adultos.<\/p>\n<p>Nesse olhar de dentro, nesse \u201cestar junto\u201d dos cabinhas, o livro tamb\u00e9m fortalece o sentimento de empatia, respeito e valoriza\u00e7\u00e3o daqueles que vivem nos sert\u00f5es. Esse peda\u00e7o de terra conhecido como semi\u00e1rido, onde o \u201cpovo reza pra chover\u201d e que oferece surpresas ao leitor: \u00e9 o o\u00e1sis do sert\u00e3o, por apresentar paisagens verdes e muitas fontes de \u00e1gua, onde os pared\u00f5es da chapada do Araripe \u201cguardam desenhos que d\u00e3o not\u00edcias dos tempos do homem pr\u00e9-hist\u00f3rico, que chegou \u00e0 regi\u00e3o do Cariri fugindo da aridez do sert\u00e3o\u201d, o ch\u00e3o mostra \u201cmuitos vest\u00edgios dos tempos dos dinossauros\u201d e onde \u201cbrotou a flor mais antiga do mundo\u201d. Tudo isso vai revelando um sert\u00e3o que pode ser muito diferente do senso comum que se construiu em torno da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos textos, o livro apresenta as ilustra\u00e7\u00f5es de Sandra J\u00e1vera, que empreendeu uma intensa pesquisa sobre o lugar para poder desenh\u00e1-lo, e as fotografias de Samuel Macedo, <em>cabinha<\/em> nascido no Crato, no Cariri cearense, e criado em Nova Olinda, na chapada do Araripe. Ali, ele aprendeu a ser cabinha e \u00e9 com esse olhar e experi\u00eancia que nos revela esse peda\u00e7o do Brasil, suas maneiras de viver e seus saberes.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o dos textos, ilustra\u00e7\u00f5es, fotografias e \u00e1udios denota tamb\u00e9m um importante exerc\u00edcio documental \u2013 tudo ali \u00e9 fonte de conhecimento sobre a complexidade cultural do Cariri \u2013 e pode ser um bom come\u00e7o de conversa sobre modos de pesquisar, permitindo muitas aprendizagens para os estudantes: como organizar uma obra para compartilhar os elementos que nos contam de um lugar e sua cultura de modo a oferecer uma experi\u00eancia aos leitores? De que maneira garantir essa multiplicidade de vis\u00f5es sobre aquilo que buscamos retratar e compartilhar?<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio do livro, em um poema que traz lindamente a voz do menino do sert\u00e3o \u2013 \u201cSou cabinha\u201d \u2013, h\u00e1 um pequenino invent\u00e1rio de palavras que fazem parte do vocabul\u00e1rio do Cariri, ditas de maneira pr\u00f3pria, diferente daquelas que circulam em outros cantos do nosso pa\u00eds:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Aqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>m\u00e1scara<\/em> \u00e9 <em>careta<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">chicote \u00e9 <em>macaca<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">bobagem \u00e9 <em>fiotagem<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">estilingue \u00e9 <em>baladeira <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">malcriado \u00e9 <em>maluvido <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">uniforme \u00e9 <em>farda <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">quintal \u00e9 <em>terreiro <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">verde \u00e9 <em>verdim <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">bolinha de gude \u00e9 <em>bila <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">e menino \u00e9 <em>cabinha<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00f3 essa lista j\u00e1 d\u00e1 uma boa conversa sobre a oralidade, a plasticidade da l\u00edngua, a apropria\u00e7\u00e3o t\u00e3o bonita que podemos fazer dela, deixando bem claro o quanto a l\u00edngua \u00e9 sempre uma constru\u00e7\u00e3o social, e n\u00e3o um c\u00f3digo imut\u00e1vel. N\u00f3s conhecemos mundos tamb\u00e9m a partir dos jeitos de falar. Como desdobramento dessa lista, abrem-se muitos caminhos: ser\u00e1 que lembramos de outras coisas que s\u00e3o nomeadas de diferentes maneiras em lugares diversos? As fam\u00edlias de origem dos estudantes t\u00eam modos diferentes de falar? Quais s\u00e3o as express\u00f5es que se distinguem? \u00c9 poss\u00edvel criar um dicion\u00e1rio de express\u00f5es regionais brasileiras?<\/p>\n<p>Ler <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><em>Terra de cabinha<\/em><\/a> \u00e9 realizar um bonito e necess\u00e1rio exerc\u00edcio de alteridade, condi\u00e7\u00e3o para se viver em sociedade: ouvir o outro, considerando-o naquilo que \u00e9 diverso, pr\u00f3prio, singular. Diferente de mim. No caso desse livro, a porta est\u00e1 aberta para os quintais e as inf\u00e2ncias do Cariri, e o convite \u00e9 para que os leitores conhe\u00e7am e valorizem outros modos de existir. Mas tamb\u00e9m para que, a partir do diverso, crian\u00e7as e jovens possam se voltar \u00e0 sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de inf\u00e2ncia: e eu? Do que e como brinco ou brincava? Como seria fazer um invent\u00e1rio da minha regi\u00e3o, dos meus quintais, sejam de terra, de cimento ou de pisos diversos da sala do meu apartamento? Assim, pode-se convidar o grupo a inventariar seus brincares e brincadeiras para partilhar com outras crian\u00e7as, descobrindo diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre tantas inf\u00e2ncias.<\/p>\n<h3>Segundo caminho<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><strong><em>L\u00e1 no meu quintal: o brincar de meninas e meninos de norte a sul<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>E, j\u00e1 que estamos pertinho dos quintais das inf\u00e2ncias, uma boa pedida \u00e9 seguir viagem para conhecer o brincar de meninos e meninas de norte a sul do Brasil, em seus variados quintais: florestas, rios, terreiros&#8230; No livro, as cinco regi\u00f5es do pa\u00eds est\u00e3o representadas por meio de seis crian\u00e7as: Arawari, La\u00edsa, os irm\u00e3os Welleton e Joel, Milena e Valdecir. Cada cap\u00edtulo do livro \u00e9 dedicado a um quintal e nele conhecemos a crian\u00e7a retratada, exploramos o mapa do quintal, com os brinquedos, os animais, a vegeta\u00e7\u00e3o, a terra e os elementos que comp\u00f5em as brincadeiras, e, ainda, ampliamos o repert\u00f3rio com a descri\u00e7\u00e3o de outros brincares. As fotografias de Samuel Macedo nos ajudam a entrar no clima e no ambiente do quintal, ao observarmos as crian\u00e7as em a\u00e7\u00e3o. Os textos sobre as brincadeiras s\u00e3o variados e englobam desde os instrucionais at\u00e9 versinhos e cantigas que as acompanham, al\u00e9m de relatos biogr\u00e1f icos e de viagem, por exemplo. As ilustra\u00e7\u00f5es de Kammal Jo\u00e3o nos oferecem seu olhar para o universo e os gestos de cada crian\u00e7a. Em cada cap\u00edtulo, temos tamb\u00e9m a chance de ouvir as vozes dos meninos e meninas e v\u00ea-los em a\u00e7\u00e3o por meio dos <em>QR Codes<\/em> que nos levam aos arquivos de m\u00eddia.&nbsp;<\/p>\n<p>Um desdobramento evidente a partir da leitura do livro \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de brincadeiras das crian\u00e7as e jovens, que poder\u00e3o colocar em a\u00e7\u00e3o o que foi aprendido na leitura. Os momentos de recreio, por exemplo, podem se tornar animados \u201cquintais\u201d para que as crian\u00e7as e estudantes possam brincar e ensinar colegas de outras turmas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da brincadeira em si, \u00e9 poss\u00edvel propor uma expans\u00e3o de um dos cap\u00edtulos do livro, incentivando os estudantes a eleger uma das crian\u00e7as da turma para ser o \u201cbiografado\u201d para descrever um pouco de sua vida, quintal ou local em que brinca e as suas brincadeiras preferidas. Para tanto, a leitura do livro ganha outros contornos: ser\u00e1 preciso atentar para os formatos dos textos, as caracter\u00edsticas das imagens, as ilustra\u00e7\u00f5es e a composi\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas, dividindo a turma para a produ\u00e7\u00e3o do \u201ccap\u00edtulo extra\u201d e combinando quais seriam os leitores do material e como este poderia ser divulgado. Para os estudantes que ainda n\u00e3o escrevem convencionalmente, pode-se pensar em uma produ\u00e7\u00e3o coletiva de texto, em que as crian\u00e7as ditam e o professor escreve. Para os estudantes que j\u00e1 escrevem autonomamente, o professor poder\u00e1 atuar como um revisor e leitor mais experiente nesse processo de escrita.<\/p>\n<h3>Terceira vereda<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><strong><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia: aventuran\u00e7as, mem\u00f3rias e efabula\u00e7\u00f5es da trupe familiar Carro\u00e7a de Mamulengos<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>As viagens de Gabriela Romeu pelo Brasil renderam, al\u00e9m de um invent\u00e1rio das inf\u00e2ncias, o encontro com uma trupe muito especial, o grupo Carro\u00e7a de Mamulengos, uma das mais importantes companhias culturais do Brasil, com cerca de quarenta anos de estrada. Trata-se de uma fam\u00edlia de multiartistas: palha\u00e7os, atores, bonequeiros, artes\u00e3os, contorcionistas, m\u00fasicos e poetas. A brincadeira, em di\u00e1logo com a pesquisa e o terreno de explora\u00e7\u00e3o de Gabriela Romeu, est\u00e1 no \u00e2mago do grupo. Ali\u00e1s, \u00e9 dessa maneira que eles batizam seus espet\u00e1culos: como brincadeiras que t\u00eam a vida na estrada, as feiras e as romarias como mat\u00e9ria-prima.&nbsp;<\/p>\n<p>Desse modo, exercem o viver em abund\u00e2ncia e desejam transmitir essa alegria aos espectadores. Assim como nos livros em que conhecemos o Brasil por meio das inf\u00e2ncias e seus brincares, cantares e saberes, ampliamos mais um pouco a vis\u00e3o que temos sobre nosso pa\u00eds e sua complexidade cultural ao chegar mais perto dessa fam\u00edlia brincante.<\/p>\n<p>Com a leitura desse livro, amplia-se tamb\u00e9m o conhecimento sobre o g\u00eanero biografia, uma boa oportunidade para apresentar a diversidade textual aos estudantes. Contudo, indo um pouco al\u00e9m, h\u00e1, nessa biografia, pitadas po\u00e9ticas e fabula\u00e7\u00f5es da autora que acabam por caracterizar uma nova forma de biografar, a chamada <em>biofantasia<\/em>. O que se v\u00ea ali \u00e9 a vida mesmo, s\u00e3o os caminhos de gente que existe, mas com um pouquinho de fantasia e licen\u00e7a po\u00e9tica, aproximando o texto do modo oral de narrar hist\u00f3rias, enredando o leitor no universo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dessa maneira, conhecemos a trupe, mas tamb\u00e9m podemos nos encantar com toda a poesia, o modo de escrever cheio de met\u00e1foras e sonoridades, entremeados com outros g\u00eaneros, como listas, versinhos e dizeres t\u00edpicos dos espet\u00e1culos circenses e teatrais. H\u00e1 tamb\u00e9m um jogo de realidade e fantasia na forma como a artista Catarina Bessell resolveu ilustrar a trajet\u00f3ria do grupo, ao misturar fotografias com desenhos fant\u00e1sticos. Uma boa pedida para se conversar sobre as rela\u00e7\u00f5es entre as narrativas imag\u00e9ticas e textuais.<\/p>\n<p>A partir da leitura, s\u00e3o muitos os rumos que se podem tomar para se encantar com a hist\u00f3ria dessa trupe. Um deles? Ampliar as leituras com os autores e os textos citados no Ba\u00fa dos Gomide, j\u00e1 pertinho do final do livro. Est\u00e3o presentes ali os poetas Patativa do Assar\u00e9 e Castro Alves, refer\u00eancias para o grupo; os personagens Lampi\u00e3o e Dom Quixote, que podem ser explorados em outros livros, por exemplo.<\/p>\n<p>Outro caminho pode ser a leitura do encarte \u201cPorta-retratos\u201d, com fotos e relatos biogr\u00e1ficos dos componentes do grupo. Al\u00e9m de se aproximar mais de cada participante do Carro\u00e7a de Mamulengos, pode-se propor uma compara\u00e7\u00e3o de linguagens: como a hist\u00f3ria e o jeito de ser de cada um s\u00e3o retratados nas duas publica\u00e7\u00f5es: o <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/em><\/a> e o \u201cPorta-retratos\u201d? Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre as duas linguagens? Assim, ampliam-se as compet\u00eancias dos estudantes, oferecendo par\u00e2metros para leituras futuras.<\/p>\n<h3>Quarto destino<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><em><strong>Irm\u00e3s da chuva<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>A linguagem com jeito de hist\u00f3ria, permeada de poesia e fabula\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 se revelava nas p\u00e1ginas do <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/em><\/a>, se estabelece com tudo nesse conto de fadas bem brasileiro que \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><em>Irm\u00e3s da chuva<\/em><\/a>. O enredo tamb\u00e9m \u00e9 fruto das viagens de Gabriela Romeu e do mergulho etnogr\u00e1fico em outras \u00e1guas, explorando novos terreiros, ouvindo com delicadeza e aten\u00e7\u00e3o as hist\u00f3rias que existem pelo Brasil, aqui e ali, sussurradas nas noites, espalhadas pelos ventos.&nbsp;<\/p>\n<p>A autora nos conta uma hist\u00f3ria que, embora autoral, \u00e9 inspirada nas narrativas tradicionais e nos saberes do povo, encharcados de rezas, versinhos, pelejas, cantigas. Ao comentar sobre as fontes que buscou para escrever esse livro, Gabriela revela que a mat\u00e9ria-prima do conto reside em suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, nas hist\u00f3rias ouvidas das av\u00f3s e tias, banhadas tamb\u00e9m de Brasis, e, n\u00e3o \u00e0 toa, dedica o livro \u00e0s suas antepassadas. O conto \u00e9, portanto, permeado de ancestralidades e mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ao escrever o material complementar de apoio ao professor, a cr\u00edtica liter\u00e1ria e educadora Cristiane Tavares situa o leitor diante do enredo: \u201c<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><em>Irm\u00e3s da chuva<\/em><\/a> \u00e9 uma hist\u00f3ria com dura\u00e7\u00e3o exata de sete dias de tempestade que se passa em um vilarejo afastado das grandes cidades, de nome Tururu do Sul, onde as mulheres criavam sozinhas seus filhos, na beira do rio, porque os homens, pescadores, partiram dali quando o rio parou de dar peixes. As protagonistas s\u00e3o duas irm\u00e3s, Feliciana e Damiana, que nasceram com o dom de fazer chover no sert\u00e3o. Para surtir efeito, o poder de fazer chover das duas irm\u00e3s tinha que seguir algumas regras: elas precisavam cantarolar juntinhas, no alto do cruzeiro de Tururu do Sul. \u00c9 justamente porque uma delas, Feliciana, descumpre essa regra e canta sozinha, sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras que entoa, que a chuva torrencial desaba sobre o vilarejo. A partir da\u00ed, tem in\u00edcio uma aventura para fazer parar a chuva. \u00c9 a bordadeira de Tururu do Sul, Noquinha, que tra\u00e7a com agulha e linha o caminho que Feliciana e Damiana deveriam percorrer para chegar ao alto do cruzeiro e cantarem juntinhas para a chuva parar. Ela risca um \u201cplano bordado\u201d, indicando a cada uma delas o seu caminho. No percurso at\u00e9 o cruzeiro, as duas irm\u00e3s percorrem brejos, riachinhos, veredas, pontes, rios, recebem ajuda dos moradores do vilarejo e de algumas personagens fant\u00e1sticas que encontram: Pesadeira, Nh\u00f4 Bento, Caboclo d\u2019\u00c1gua e tantas outras. Enquanto percorrem o trajeto, Feliciana e Damiana carregam seus objetos-amuletos, cantam e rezam.\u201d<\/p>\n<p>Como uma f\u00e1bula tradicional, a narrativa tem muitos elementos fant\u00e1sticos, m\u00e1gicos e misteriosos, como um conto de encantamento. As ilustra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m trazem muitas marcas do mist\u00e9rio e da ancestralidade, dialogando com a narrativa e a atmosfera do sert\u00e3o, por meio das cores fortes e das refer\u00eancias utilizadas pela Anabella L\u00f3pez, ilustradora argentina radicada em Pernambuco. Para compor o livro, ela realizou uma pesquisa profunda dos elementos ancestrais que comp\u00f5em a cultura nordestina, mesclando africanidades e influ\u00eancias europeias, tais como as antigas runas e o Tar\u00f4 de Marselha.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, uma boa pedida para a leitura de <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><em>Irm\u00e3s da chuva<\/em><\/a>, para al\u00e9m de apreciar a boa hist\u00f3ria, \u00e9 observar cuidadosamente as ilustra\u00e7\u00f5es, notando os tons das cores e alguns s\u00edmbolos que se repetem nas p\u00e1ginas, bem como as representa\u00e7\u00f5es das irm\u00e3s Feliciana e Damiana. Tamb\u00e9m merece uma aten\u00e7\u00e3o especial a variedade das representa\u00e7\u00f5es das demais personagens: quais s\u00e3o as cores da pele, como s\u00e3o os cabelos, as vestimentas e acess\u00f3rios? Tudo isso contribui para forjar um olhar atento dos leitores para aquilo que a ilustra\u00e7\u00e3o nos conta, ampliando os sentidos da leitura.<\/p>\n<p>Outro desdobramento da leitura diz respeito ao repert\u00f3rio de cantigas, simpatias e rezas. Anotar as que aparecem no livro e compor um invent\u00e1rio de rituais e a\u00e7\u00f5es, a partir de uma pesquisa com as fam\u00edlias e os funcion\u00e1rios da escola, constituem uma forma po\u00e9tica de valoriza\u00e7\u00e3o da grande diversidade cultural existente no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<h3>No leito de um rio, o quinto trajeto<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/diario-das-aguas\/\"><em><strong>Di\u00e1rio das \u00e1guas<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>Continuando a viagem pelos Brasis, vamos agora pelas \u00e1guas, ou melhor, j\u00e1 v\u00ednhamos pelas chuvas das irm\u00e3s, agora mergulhamos nos rios e nos igarap\u00e9s, acompanhados pelo olhar sens\u00edvel da Gabriela, que anota os dias e as impress\u00f5es, os dizeres e as brincadeiras das crian\u00e7as que entram nas \u00e1guas para brincar.<\/p>\n<p>Nas palavras da autora: \u201cFoi mariscando lembran\u00e7as de andan\u00e7as por muitos rios que este di\u00e1rio nasceu, quase afluente de um desejo de radiografar a vida nas \u00e1guas, uma tarefa t\u00e3o fascinante quanto naufrag\u00e1vel. Surgiu depois de algumas incurs\u00f5es por estradas de \u00e1guas, em diferentes \u00e9pocas, nas mais variadas miss\u00f5es, em diversas embarca\u00e7\u00f5es, de canoas a batel\u00f5es, por rios como Amazonas, Tapaj\u00f3s, Xingu, S\u00e3o Francisco, Paraguai, Oiapoque, Humait\u00e1, Santo Ant\u00f4nio&#8230;\u201d Muito do que foi registrado no di\u00e1rio, a autora conheceu, viu e sentiu nas viagens que fez entre os anos 2012 e 2014, quando percorreu quintais de \u00e1gua pelo Inf\u00e2ncias, projeto que documenta a vida de meninas e meninos do Brasil. Foram viagens feitas ao lado da jornalista Marlene Peret e do fot\u00f3grafo Samuel Macedo. Portanto, ser\u00e1 interessante observar que s\u00e3o registros irm\u00e3os dos livros<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><em> Terra de cabinha<\/em><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><em>L\u00e1 no meu quintal<\/em><\/a>, frutos diretos da mesma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Respeitando a configura\u00e7\u00e3o de um di\u00e1rio, o livro apresenta muitas caracter\u00edsticas do g\u00eanero, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio projeto gr\u00e1fico, no formato de um caderno de anota\u00e7\u00f5es, com trechos escritos em letras cursivas, \u00e0s vezes como um rascunho, como um rascunho, com marcas t\u00edpicas de anota\u00e7\u00f5es \u00edntimas. Os desenhos de Kammal Jo\u00e3o tamb\u00e9m sugerem tra\u00e7os feitos em cadernos, despretensiosos, mas n\u00e3o sem cuidado. Ao contr\u00e1rio: h\u00e1 uma conversa sempre muito afinada com os escritos, com a atmosfera das \u00e1guas e das margens, mesclando diferentes materiais: l\u00e1pis, aquarela, terra. Tudo isso merece a aten\u00e7\u00e3o dos leitores: a forma do livro dialogando com o conte\u00fado e o g\u00eanero textual.&nbsp;<\/p>\n<p>A divis\u00e3o das p\u00e1ginas acompanha o passar dos dias e engloba acontecimentos ao longo de um ano. A escrita, bem pessoal, traz impress\u00f5es, digress\u00f5es, reflex\u00f5es de uma viajante que convida a mergulhos em outros tempos, alargando as margens e invitando a outros calend\u00e1rios, para al\u00e9m dos dias contados: per\u00edodos de cheias, vazantes, fases da lua&#8230; Outras viv\u00eancias, outros saberes.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Entre o come\u00e7o do di\u00e1rio, no dia 1\u00ba de janeiro, com o t\u00edtulo \u201c\u00e1guas grandes\u201d, e a escrita:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Meu batismo nas \u00e1guas foi num desmedido Amazonas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Fiquei l\u00e9guas de dias a procurar a outra margem do rio<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&#8230; e o dia 31 de dezembro, denominado \u201cep\u00edlogo\u201d, com o texto:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Voltei sem saber remar<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">nem rimar<\/p>\n<p>&#8230; o leitor vai conhecer brincadeiras de \u00e1gua, hist\u00f3rias, lendas, receitas para afastar boto, infinidades de nomes de peixes, palavras e novas express\u00f5es, muitas delas com os sentidos revelados em um gloss\u00e1rio. Um mundo se abre nesse di\u00e1rio, na viagem e navega\u00e7\u00f5es que se prop\u00f5em ao longo das \u00e1guas no decorrer de um ano.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de explorar as paisagens que circundam os meninos e meninas que brincam nos rios acessando o <em>QR Code<\/em> ao final do livro, para ampliar os olhares e compartilhar as impress\u00f5es da autora e o que viram seus olhos nas paragens visitadas.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os convites que a leitura nos faz. O primeiro deles \u00e9 esse mergulho po\u00e9tico, chamando para uma de troca de impress\u00f5es: o que cada um v\u00ea quando viaja e conhece novas realidades? Quais podem ser as formas de se registrar viagens? Ser\u00e1 que os leitores costumam fazer tais registros ou guardar di\u00e1rios? Conhecem outros di\u00e1rios publicados? Como s\u00e3o? Em que se parecem, em que se distanciam deste?<\/p>\n<p>Outra conversa interessante pode girar em torno dos diferentes jeitos de conhecer lugares, culturas e realidades. Especialmente se os leitores tiverem feito o percurso proposto at\u00e9 agora, passando pelos livros indicados nesta curadoria. Como foi a experi\u00eancia vivenciada em cada leitura? Como se apreendem e se compartilham as caracter\u00edsticas dos lugares por meio de g\u00eaneros t\u00e3o diversos?<\/p>\n<h3>Sexta jornada: a travessia de Maria<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><em><strong>Noite de Brinquedo<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>Quando Gabriela Romeu visitou o Cariri, conheceu, entre muitas crian\u00e7as e brincadeiras, uma menina chamada Maria. Menina sim, mas tamb\u00e9m rainha do reisado, manifesta\u00e7\u00e3o popular do ciclo natalino. Naquela regi\u00e3o, como em tantas outras de nosso Brasil, durante os meses de dezembro e janeiro, muitas cores tomam as ruas e surgem palha\u00e7os de chap\u00e9us pontudos e espelhados, meninas vestidas de rainha, av\u00f4s que viram mestres, e muitos brincadores desafiados na ponta da espada. Uma festa que anuncia o tempo do folguedo. E como manda a tradi\u00e7\u00e3o desse brinquedo, cada rainha-menina que cresce precisa passar a coroa para outra mais nova, que seja ainda de colo, pequenina. Quando o vestido aperta, o manto encurta e a coroa mal entra na cabe\u00e7a da menina que cresceu, j\u00e1 se sabe: \u00e9 o fim de um reinado, travessia que se faz necess\u00e1ria, tempo de crescimento.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><em>Noite de brinquedo<\/em><\/a> traz para seus leitores a jornada de Maria, ao mesmo tempo em que apresenta essa importante manifesta\u00e7\u00e3o cultural, bem imaterial de tantas inf\u00e2ncias, ancorado em mem\u00f3rias ancestrais. A hist\u00f3ria ainda pode falar a cada leitor ou leitora, ao abordar a passagem comum que envolve o crescimento e a despedida da inf\u00e2ncia. Neste sert\u00e3o, que \u00e9 dentro de todos n\u00f3s, est\u00e1 tamb\u00e9m o sert\u00e3o de Maria, e a noite que ela atravessa dentro do terreiro de sua av\u00f3 Yay\u00e1, buscando resolver um mist\u00e9rio que envolve a sua coroa. Justo quando vai pass\u00e1-la para uma menina mais nova! Nesta jornada, Maria relembra sua inf\u00e2ncia e afetos, e conta com a ajuda de mestres e encantados: com eles, tal como num conto acumulativo, a menina-rainha vai em busca da solu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Escrito em parceria com a dramaturga Antonia Mattos, fundadora da trupe Cl\u00e3 do jabuti, Noite de Brinquedo tamb\u00e9m foi encenada como pe\u00e7a teatral em diversos lugares do sert\u00e3o e em S\u00e3o Paulo, contribuindo para que esse patrim\u00f4nio cultural permane\u00e7a vivo e reconhecido.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da frui\u00e7\u00e3o, a leitura do conto e a aproxima\u00e7\u00e3o a essa importante manifesta\u00e7\u00e3o abrem-se muitas possibilidades de pesquisa, amplia\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio sobre nossa cultura, bem como sua valoriza\u00e7\u00e3o. Ao final do pr\u00f3prio livro, h\u00e1 textos de car\u00e1ter informativo sobre o reisado no Cariri e os elementos que o comp\u00f5e. A partir dessa leitura, pode-se expandir os estudos e conhecimentos sobre o reisado, ampliando tamb\u00e9m a partir de uma pesquisa e consulta, aos textos e materiais audiovisuais dispon\u00edveis na p\u00e1gina de conte\u00fado complementar do livro, no site da Peir\u00f3polis.<\/p>\n<h3>Chegada<\/h3>\n<p>Ao final dessa viagem pelos seis livros de Gabriela Romeu, contamos com um invent\u00e1rio de brincadeiras, cantigas, hist\u00f3rias, saberes de meninos e meninas de muitos Brasis. Outros jeitos de viver a vida, forjando novos olhares para as nossas culturas. Qual ser\u00e1 a vis\u00e3o de Brasil que os leitores puderam construir depois dessa jornada feita em companhia de Gabriela Romeu, Sandra J\u00e1vera, Kammal Jo\u00e3o, Catarina Bessell, Marlene Peret, Samuel Macedo, Antonia Mattos e Luci Sacoleira?<\/p>\n<p>Certamente, as leituras desses livros n\u00e3o se esgotam em uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o. S\u00e3o t\u00edtulos que convidam a outros mergulhos, e \u00e9 sempre bom t\u00ea-los por perto, para voltar a l\u00ea-los, explorando novos percursos, aprofundando pesquisas, puxando conversa&#8230;<\/p>\n<p>E, conversa vai, conversa vem, descobre&#8211;se que h\u00e1 pessoas na escola que vieram desses lugares visitados pela autora, que podem acrescentar muitos saberes e conheceres a esse invent\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode ser interessante conciliar os olhares e impress\u00f5es apresentados por Gabriela Romeu a outras fontes de conhecimento das mesmas regi\u00f5es. Como a geografia f\u00edsica e a humana, por exemplo, nos retratam alguns desses lugares visitados pela autora? Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as de uma pesquisa com um vi\u00e9s mais acad\u00eamico em rela\u00e7\u00e3o a essas impress\u00f5es e registros dos saberes das pessoas \u2013 crian\u00e7as e adultos, meninos e meninas \u2013 que ali vivem? Ao fim das leituras, pode-se tamb\u00e9m ressignificar nossas ideias sobre onde est\u00e3o o conhecimento e a cultura &#8211; muito al\u00e9m de espa\u00e7os formais educativos, como as escolas e universidades, por exemplo.<\/p>\n<p>Enfim, s\u00e3o muitos os caminhos e desdobramentos que podem fazer parte da aprecia\u00e7\u00e3o dessas leituras. Aqui, apresentamos algumas possibilidades, e certamente h\u00e1 outras, que cada professor ou professora poder\u00e1 tra\u00e7ar com a sua turma de estudantes. E, ainda, para saber mais e conhecer novas abordagens dessas obras, indicamos materiais complementares elaborados por especialistas para cada um dos livros.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a os conte\u00fados complementares de cada um dos livros abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/pnld#irmasdachuva\">Irm\u00e3s da Chuva<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/pnld2020\/#terradecabinha\">Terra de cabinha<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal-conteudo-complementar\">L\u00e1 no meu quintal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/album-de-familia-conteudo-complementar\/\">\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/album-de-familia-conteudo-complementar\/\">Noite de brinquedo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias bibiogr\u00e1ficas<\/h3>\n<p>Bandeira, Manuel. <em>Estrela da vida inteira &#8211; poesias reunidas<\/em>. Rio de Janeiro: Livraria Jos\u00e9 Olympio Editora\/Instituto Nacional do Livro, 1970.<\/p>\n<p>Romeu, Gabriela. Ch\u00e3o das Inf\u00e2ncias, In: Daher, Farias e Fedatto (orgs). <em>Primeiras leituras: arte e cultura na primeira inf\u00e2ncia<\/em>. Belo Horizonte: Ed. das Organizadoras, 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Estante de livros<\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-12700\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-192x300.jpg\" alt=\"\" width=\"96\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-192x300.jpg 192w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-654x1024.jpg 654w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-300x470.jpg 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-600x940.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372-203x318.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/372.jpg 766w\" sizes=\"(max-width: 96px) 100vw, 96px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/terra-de-cabinha\/\">Terra de cabinha \u2013 Pequeno invent\u00e1rio da vida de meninos e meninas do sert\u00e3o<\/a><\/h3>\n<p>Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Samuel Macedo<\/p>\n<p>17.5 x 27.5 cm \u2022 96 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-85-7596-415-6<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-85-7596-446-0 (KF8) e 978-85-7596-418-7 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p><em>Terra de cabinha<\/em> \u00e9 um livro que pode ser lido de muitas maneiras: como um di\u00e1rio de viagem pelo sert\u00e3o do Cariri cearense; como invent\u00e1rio que apresenta bens culturais e art\u00edsticos dessa regi\u00e3o brasileira; como registro etnogr\u00e1fico em diferentes linguagens (jornal\u00edstica, po\u00e9tica, fotogr\u00e1fica, audiovisual e pl\u00e1stica); como almanaque contendo diversos g\u00eaneros textuais que informam, divertem e surpreendem, simultaneamente. Traz hist\u00f3rias, causos, brincadeiras, receitas, versos e adivinhas. Aqui, voc\u00ea ouve a voz do cabinha, dos mestres e contadores de hist\u00f3rias, e da pesquisadora visitante, que registrou num caderninho as coisas mais interessantes a respeito de como vivem aqueles meninos e meninas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-18278 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-113x150.jpg\" alt=\"\" width=\"113\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-113x150.jpg 113w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-768x1018.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-773x1024.jpg 773w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-203x269.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria-600x795.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/la-no-meu-quintal-capa-provisoria.jpg 1268w\" sizes=\"(max-width: 113px) 100vw, 113px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal\">L\u00e1 no meu quintal: O brincar de meninas e meninos de Norte a Sul<\/a><\/h3>\n<p>Marlene Peret, Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Kammal Jo\u00e3o<\/p>\n<p>19 x 25 cm \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-85-7596-646-4<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-85-7596-647-1 (KF8) e 978-85-7596-648-8 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p>O brincar \u00e9 uma esp\u00e9cie de l\u00edngua-m\u00e3e da inf\u00e2ncia. E foi por meio dessa linguagem que Gabriela Romeu, Marlene Peret e Samuel Macedo conheceram o Brasil, conectando-se com as crian\u00e7as das beiradas de rios, dos grandes centros urbanos, de comunidades quilombolas e povos ind\u00edgenas \u2013 regi\u00f5es algumas vezes pr\u00f3ximas; outras, bem distantes. Os registros dessa longa viagem, que se iniciou em 2011, em textos, v\u00eddeos e fotos, est\u00e3o reunidos neste livro, permeado dos saberes, narrativas e viv\u00eancias compartilhadas com crian\u00e7as em seus quintais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-17339 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web-95x150.jpg\" alt=\"\" width=\"95\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web-95x150.jpg 95w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web-191x300.jpg 191w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web-203x319.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web-600x943.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/978-85-7596-601-3_web.jpg 636w\" sizes=\"(max-width: 95px) 100vw, 95px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\">\u00c1lbum de fam\u00edlia: Aventuran\u00e7as, mem\u00f3rias e efabula\u00e7\u00f5es da trupe familiar Carro\u00e7a de mamulengos<\/a><\/h3>\n<p>Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Catarina Bessell<\/p>\n<p>17.5 x 27.5 cm \u2022 96 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-85-7596-601-3<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-8602-800-3 (KF8) e 978-85-7596-602-0 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/em> \u00e9 uma biografia po\u00e9tica, a biofantasia da trupe familiar Carro\u00e7a de Mamulengos, uma das mais importantes companhias culturais do pa\u00eds. O grupo mambembe foi criado h\u00e1 mais de 40 anos, na d\u00e9cada de 1970, por Carlos Gomide, o Babau, menino de muitos sonhos, disc\u00edpulo de mestres bonequeiros do nordeste tradicional, que se enamorou de uma mo\u00e7a de grandes saias rodadas e com ela se aventurou pela arte, trilhando juntos muitos caminhos. No espet\u00e1culo da vida, nasceram os oito filhos, todos crescidos na estrada, cada um deles com um talento diferente para desvendar o mundo, inaugurando uma cena nova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-26619 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-120x150.png\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-120x150.png 120w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-240x300.png 240w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-819x1024.png 819w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-768x960.png 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-1229x1536.png 1229w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-1639x2048.png 1639w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-150x187.png 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-203x254.png 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/capa-IRMAS-DA-CHUVA3-600x750.png 600w\" sizes=\"(max-width: 120px) 100vw, 120px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/irmas-da-chuva\/\">Irm\u00e3s da chuva <\/a><\/h3>\n<p>Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Anabella L\u00f3pez<\/p>\n<p>24 x 30 cm \u2022 80 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-031-9<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-033-3 (KF8) e 978-65-5931-032-6 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p>No desenrolar dessa narrativa fant\u00e1stica, que brinca com o sincretismo dos saberes do homem e as for\u00e7as da natureza, o leitor vai reconhecer o encanto e a gra\u00e7a da cultura do Brasil mais profundo, ouvir os ecos de cren\u00e7as e invenciones dos muitos sert\u00f5es brasileiros, que resistem na voz e cora\u00e7\u00e3o de cantadores e contadores, de violas e pelejas, benzedeiras e suas proezas. Um verdadeiro conto de fadas brasileiro, ambientado entre o real e o imagin\u00e1rio, a poesia bordando a paisagem. As gravuras criadas pela artista Anabella L\u00f3pez, argentina que adotou o nordeste brasileiro como resid\u00eancia e fonte criadora, recriam o imagin\u00e1rio sertanejo por meio da linguagem simb\u00f3lica da narrativa do her\u00f3i, das cartas do tar\u00f4, das runas e outras formas divinat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/diario-das-aguas\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-29654 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-111x150.jpg\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-111x150.jpg 111w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-755x1024.jpg 755w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-768x1041.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-1133x1536.jpg 1133w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-1510x2048.jpg 1510w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-203x275.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-600x814.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-150x203.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/diario-das-aguas_capa-1-scaled.jpg 1888w\" sizes=\"(max-width: 111px) 100vw, 111px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/diario-das-aguas\/\">Di\u00e1rio das \u00e1guas<\/a><\/h3>\n<p>Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Kammal Jo\u00e3o<\/p>\n<p>16 x 21.7 cm \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-221-4<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-214-6 (KF8) e 978-65-5931-222-1 (ePUB)<\/p>\n<p>Neste di\u00e1rio ilustrado, o tempo \u00e9 o da escuta e o ritmo, o do rio. Os encontros s\u00e3o pelas funduras das \u00e1guas e pelas suas margens, nas brincadeiras das crian\u00e7as, nas mem\u00f3rias dos mais velhos e nos lampejos da imagina\u00e7\u00e3o de uma poeta viajante. Aqui, o leitor \u00e9 convidado a olhar ao mesmo tempo para as miudezas e para a imensid\u00e3o, como se a vista pudesse ultrapassar a bruma da natureza e investigar a origem e a beleza de todas as coisas. No vai e vem das p\u00e1ginas, surgem versos-piracemas, listas, nomes, receitas, poemas e dizeres compostos com os registros em desenho do artista Kammal. Suas ilustra\u00e7\u00f5es investigam os sil\u00eancios das entrelinhas, as brechas das palavras, os n\u00e3o ditos do texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-31232 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-124x150.jpg\" alt=\"\" width=\"124\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-124x150.jpg 124w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-248x300.jpg 248w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-846x1024.jpg 846w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-768x929.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-1270x1536.jpg 1270w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-1693x2048.jpg 1693w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-203x246.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-600x726.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/978-65-5931-236-8_G-150x181.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 124px) 100vw, 124px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\">Noite de brinquedo <\/a><\/h3>\n<p>Antonia Mattos, Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Luci Sacoleira<\/p>\n<p>18,.5 x 23 cm \u2022 128 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-236-8<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-235-1 (KF8) e 978-65-5931-239-9 (ePUB)<\/p>\n<p>Maria, menina rainha, cresceu brincando reisado. At\u00e9 que um dia, assim como manda a tradi\u00e7\u00e3o desse folguedo, ela precisa passar a coroa para uma menina mais nova. N\u00e3o bastasse o desafio de viver esse rito de passagem e crescer, coisas estranhas acontecem nesse momento, e Maria \u00e9 convocada a atravessar o sert\u00e3o numa noite escura sem fim. Apoiada em suas lembran\u00e7as e nos antepassados, ela conta com a ajuda de seres encantados e personagens lend\u00e1rios para, aos poucos, desvendar os mist\u00e9rios que se colocaram em seu caminho.<\/p>\n<p>Permeada dos saberes da cultura brasileira, a narrativa tem uma estrutura que lembra um conto acumulativo, e n\u00e3o nos deixa esquecer do dom de sonhar junto, da perseveran\u00e7a e do entusiasmo necess\u00e1rios para trilhar a jornada.<\/p>\n<p>Como diz a corajosa Bel Santos Mayer no pref\u00e1cio deste livro: para aproveitar esta travessia, \u201c\u00e9 preciso colocar as certezas de gente grande em descanso, correr a passos mi\u00fados para o longe da inf\u00e2ncia e entregar-se a encantos e encantadas\u201d.<\/p>\n<p>Um irrecus\u00e1vel convite!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curadoria: Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias &#8211; Viagens pelos Brasis Dedicada \u00e0 obra da jornalista e escritora Gabriela Romeu, a curadoria Invent\u00e1rio de inf\u00e2ncias prop\u00f5e uma viagem pelos muitos Brasis que habitam nosso pa\u00eds. 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