{"id":32439,"date":"2023-10-05T17:42:29","date_gmt":"2023-10-05T20:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=32439"},"modified":"2025-06-24T17:47:41","modified_gmt":"2025-06-24T20:47:41","slug":"curadoria-teatro-vivo-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/curadoria-teatro-vivo-na-escola\/","title":{"rendered":"Curadoria: Teatro vivo na escola"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Curadoria: Teatro vivo na escola<\/h1>\n<p>Para apoiar os educadores na escolha dos t\u00edtulos a serem trabalhados nas escolas, a Editora Peir\u00f3polis desenvolve, desde 2021, uma proposta de curadoria de leituras. A partir de cada foco, elegemos uma \u201cfam\u00edlia\u201d de obras que dialogam com o assunto, buscando apresent\u00e1-las, contextualizar sua pertin\u00eancia e sugerir propostas para serem desenvolvidas com os estudantes. O material \u00e9 elaborado por especialistas, de acordo com as habilidades e compet\u00eancias previstas na BNCC.<\/p>\n<p><strong>O teatro est\u00e1 presente em sua escola?<\/strong> De que maneira? Os estudantes conhecem textos de dramaturgia e s\u00e3o convidados a encen\u00e1-los? Por que ser\u00e1 que os textos de dramaturgia, t\u00e3o importantes na literatura, ainda circulam com timidez nas escolas brasileiras? Buscando responder a essas e outras quest\u00f5es, Tuna Serzedello, professor de teatro, dramaturgo e diretor, e Ana Carolina Carvalho, colaboradora na Editora Peir\u00f3polis e formadora de educadores, oferecem reflex\u00f5es e caminhos para que o teatro se fa\u00e7a cada vez mais presente, tanto como ferramenta, quanto como conte\u00fado, ao longo de toda a escolaridade b\u00e1sica.<\/p>\n<p>A partir da leitura da curadoria, os professores poder\u00e3o se aproximar das caracter\u00edsticas do texto teatral e suas implica\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de leitores, conhecer diferentes formas de dramaturgia que nos cercam hoje em dia, e pensar nas possibilidades do teatro se fazer presente na sala de aula, inclusive como um poderoso meio de se exercitar importantes habilidades para atuar no mundo contempor\u00e2neo: ouvir e colocar-se no lugar do outro.<\/p>\n<p>O convite est\u00e1 feito! Dele fazem parte todas essas reflex\u00f5es, propostas de abordagens do teatro na escola e uma variada estante de livros, em que est\u00e3o presentes cl\u00e1ssicos da dramaturgia e textos contempor\u00e2neos. Quem vem apreciar?<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Baixe, leia, compartilhe.<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Curadoria-Teatro-vivo-na-escola-1.pdf\" class=\"pdfemb-viewer\" style=\"height: 800px; \" data-width=\"max\" data-height=\"800\" data-mobile-width=\"500\"  data-scrollbar=\"none\" data-download=\"off\" data-tracking=\"on\" data-newwindow=\"on\" data-pagetextbox=\"off\" data-scrolltotop=\"off\" data-startzoom=\"100\" data-startfpzoom=\"100\" data-toolbar=\"both\" data-toolbar-fixed=\"off\">Curadoria-Teatro-vivo-na-escola-1<br\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Curadoria-Teatro-vivo-na-escola-1.pdf\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small aligncenter\">Clique aqui para baixar ou visualizar<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Vinde, Vinde, Mo\u00e7os e Velhos,&nbsp;Vinde todos, apreciar&#8230;<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">(Antonio N\u00f3brega, no CD Pernambuco falando para o mundo)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Curadoria por Ana Carolina Carvalho e Tuna Serzedello<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PERSONAGENS <\/strong><\/p>\n<p>Curadora de leituras<\/p>\n<p>Professora<\/p>\n<p><strong>CEN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer sala de professores de qualquer escola brasileira.<\/p>\n<p><strong>CURADORA <\/strong>(<em>entusiasmada<\/em>, <em>convidativa<\/em>) Vai come\u00e7ar o espet\u00e1culo! Mas, antes disso&#8230; que tal uma conversa?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>surpresa<\/em>) Uma conversa sobre o qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Ora, sobre o teatro! E sobre a escola. Sobre o teatro na escola! E a pergunta que n\u00e3o quer calar:<\/p>\n<h3>O teatro est\u00e1 presente na sua escola?<\/h3>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>perplexa<\/em>) O teatro?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Sim, o teatro mesmo, como dramaturgia lida e encenada. Para al\u00e9m da leitura de um texto liter\u00e1rio qualquer, seguida de encena\u00e7\u00e3o, ou seja, para al\u00e9m da t\u00e3o famosa \u201cdramatiza\u00e7\u00e3o\u201d que vira e mexe encontramos nas escolas.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>hesitante, tomada de d\u00favidas<\/em>) Bem&#8230; \u00e9 que&#8230; o teatro&#8230; na verdade&#8230; a dramatiza\u00e7\u00e3o&#8230; n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Essa \u00e9 uma d\u00favida corrente. Mas, na verdade n\u00e3o s\u00e3o, n\u00e3o! O que nos leva \u00e0 mais uma pergunta:<\/p>\n<h3>Por que a dramatiza\u00e7\u00e3o depois da leitura n\u00e3o \u00e9 teatro?<\/h3>\n<p>Sabemos que essa \u00e9 uma proposta um tanto comum nas escolas: a partir da leitura de um conto, por exemplo, propor aos estudantes que encenem a hist\u00f3ria. Em geral, a atividade surge como recurso de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 obra liter\u00e1ria, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo no lugar da conversa; em outras ocasi\u00f5es, como desdobramento ap\u00f3s a intera\u00e7\u00e3o entre os leitores. Voc\u00ea j\u00e1 presenciou, ou at\u00e9 mesmo planejou, esse tipo de atividade?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Olha, eu n\u00e3o vou mentir. J\u00e1 fiz isso muitas vezes! Ent\u00e3o, n\u00e3o era teatro o que eu estava propondo?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> A quest\u00e3o \u00e9 que esse tipo de proposta pode ficar a meio caminho: n\u00e3o \u00e9 teatro propriamente dito e nem costuma se realizar a partir da leitura de um texto dramat\u00fargico. Afinal, conto \u00e9 conto! E texto escrito para teatro \u00e9 outra coisa: tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e solicita do leitor outras compet\u00eancias. Para um conto \u201cvirar\u201d texto teatral, n\u00e3o basta transformar a narrativa em di\u00e1logos, \u00e9 preciso realizar uma adapta\u00e7\u00e3o que inclua certas especificidades do texto escrito para o teatro, com suas marcas t\u00edpicas e a sua forma.<\/p>\n<h3>O que acontece \u00e9 que o texto teatral n\u00e3o frequenta muito a escola&#8230;<\/h3>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Pois \u00e9! Agora estou me dando conta disso!<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> O desafio que enfrentamos ao levar esse tipo de texto para a escola \u00e9 que, no geral, lemos muito pouco dramaturgia. Vamos fazer um r\u00e1pido teste? De que texto dramat\u00fargico voc\u00ea se lembra de ter lido? Quantos consegue enumerar?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>pensativa<\/em>) Lido mesmo? Olha&#8230; agora, eu n\u00e3o me lembro, assim de cabe\u00e7a&#8230; Ah, eu li Hamlet! Faz tempo, mas eu li! E li tamb\u00e9m \u00c9dipo rei. Isso&#8230; Li essas duas pe\u00e7as na vida. Mas faz tanto tempo&#8230; que nem me lembro direito como elas eram.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Pode at\u00e9 ser que a gente encontre alguns leitores \u201cfora da curva\u201d e que tenham um vasto repert\u00f3rio desse tipo de texto. Mas, se sairmos por a\u00ed perguntando, ser\u00e1 f\u00e1cil concluir: em geral, lemos pouco ou, quase nada, desse g\u00eanero!<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Realmente! E o teatro est\u00e1 t\u00e3o presente na hist\u00f3ria da humanidade&#8230; Como deixamos t\u00e3o fora da escola?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Exatamente! \u00c9 um g\u00eanero que se liga a uma forma de arte milenar e fundamental. G\u00eanero que tem como exemplo obras de alguns dos maiores escritores da humanidade. Sim! V\u00e1rios deles eram dramaturgos. Desde a Idade M\u00e9dia at\u00e9 o s\u00e9culo XX, grande parte das obras cl\u00e1ssicas era formada por textos teatrais. William Shakespeare, Moli\u00e8re, Henrik Ibsen, Federico Garc\u00eda Lorca e Samuel Beckett s\u00e3o alguns nomes que podemos citar, entre muitos outros. Al\u00e9m disso, obras teatrais cl\u00e1ssicas e antiqu\u00edssimas continuam atuais e tendo muito a nos dizer, como esses que citamos, ou, se quisermos ir um pouco mais longe: \u00c9squilo, S\u00f3focles e Eur\u00edpedes, dramaturgos que viveram na Gr\u00e9cia antiga. Isso, s\u00f3 para ficar nos mais conhecidos da sociedade ocidental. Existem muitos outros, homens, mulheres&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Mas, por que, ent\u00e3o, com tantos autores consagrados, lemos t\u00e3o pouco o texto teatral?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Tenho pensado muito sobre isso! Talvez pelo pr\u00f3prio paradoxo que h\u00e1 nessa arte. Em seu livro <em>Para ler o teatro<\/em>, a dramaturga e te\u00f3rica francesa Anne Ubersfeld nos fala que o teatro \u00e9 a arte do paradoxo: \u201ca um s\u00f3 tempo produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e representa\u00e7\u00e3o concreta; arte a um s\u00f3 tempo eterna (indefinidamente reprodut\u00edvel e renov\u00e1vel) e instant\u00e2nea (nunca reprodut\u00edvel como id\u00eantica a si mesma): arte da representa\u00e7\u00e3o que \u00e9 de um dia e nunca a mesma no dia seguinte\u201d. N\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel isso? \u00c9 sempre \u00fanica!<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>extremamente admirada<\/em>) Nossa! Eu nunca tinha pensado nisso! E acho que sempre associei teatro s\u00f3 aos palcos, mesmo. Nunca pensei em procurar textos teatrais para ler. Acho que esse paradoxo complica mesmo, e muitas pessoas simplesmente se esquecem de que uma pe\u00e7a \u00e9 escrita! Ficam achando que teatro \u00e9 s\u00f3 a encena\u00e7\u00e3o. Algo distante da escola.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Isso mesmo! Talvez pela pr\u00f3pria for\u00e7a da representa\u00e7\u00e3o, como marca do teatro, o texto dramat\u00fargico tenha ficado de fora do c\u00e2none liter\u00e1rio que costuma habitar as escolas. Ent\u00e3o, a primeira quest\u00e3o que a gente precisa reconsiderar \u00e9 que o texto teatral pode e deve, sim, ser lido, pela pr\u00f3pria qualidade liter\u00e1ria. Mesmo quando n\u00e3o temos a inten\u00e7\u00e3o de encenar aquela pe\u00e7a. Ainda que o teatro como encena\u00e7\u00e3o seja uma atividade que certamente deve estar presente na escola.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Voc\u00ea falou em qualidade liter\u00e1ria&#8230; Ou seja, texto dramat\u00fargico \u00e9, sim, literatura!<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Isso mesmo! Mas, ser\u00e1 que todos sabem ler o texto teatral?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> A\u00ed \u00e9 que est\u00e1! Eu desconfio que n\u00e3o, porque nenhum texto \u00e9 lido exatamente da mesma maneira, n\u00e3o \u00e9? Cada texto tem sua forma pr\u00f3pria de ser lido.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Sim! E \u00e9 prov\u00e1vel que o leitor com pouca ou quase nenhuma intimidade com esse tipo de texto se pergunte, apoiando-se naquilo que j\u00e1 conhece: posso ler o texto teatral como leio o conto ou o romance? Ou ent\u00e3o: como eu fa\u00e7o para ler esse tipo de texto? Tem um modo pr\u00f3prio? E a resposta aqui seria:<\/p>\n<h3>Deve-se ler o teatro como texto liter\u00e1rio, mas considerando as suas especificidades<\/h3>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> E quais s\u00e3o essas especificidades?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Boa pergunta! Para ler, \u00e9 preciso saber o que \u00e9 um texto de teatro, como ele se organiza.<\/p>\n<h3>Ent\u00e3o, vamos l\u00e1! Com voc\u00eas, o texto teatral!<\/h3>\n<p>O texto teatral, de modo geral, \u00e9 composto de duas partes: os di\u00e1logos e as rubricas (tamb\u00e9m chamadas didasc\u00e1lias, essa palavrinha esquisita). Os di\u00e1logos, a gente sabe o que s\u00e3o. E as rubricas nada mais s\u00e3o do que as indica\u00e7\u00f5es c\u00eanicas, ou seja, as instru\u00e7\u00f5es que o autor (ou autora) d\u00e1 aos atores e atrizes para interpretar o texto dram\u00e1tico. A Anne Ubersfeld, j\u00e1 conhecida nossa, escreveu o seguinte sobre os di\u00e1logos e as rubricas: \u201cA rela\u00e7\u00e3o textual di\u00e1logo-didasc\u00e1lias \u00e9 vari\u00e1vel de acordo com as \u00e9pocas da hist\u00f3ria do teatro. \u00c0s vezes inexistentes ou quase (mas plenas de significa\u00e7\u00e3o quando existem), as rubricas podem ocupar um espa\u00e7o enorme no teatro contempor\u00e2neo. [&#8230;] Mesmo quando parecem inexistentes, o lugar textual das rubricas nunca \u00e9 nulo, pois elas abrangem o nome das personagens, n\u00e3o apenas na lista inicial, mas no interior do di\u00e1logo, e as indica\u00e7\u00f5es de lugar: ou seja, respondem \u00e0s perguntas <em>quem?<\/em> e <em>onde?<\/em>\u201d<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a entre os di\u00e1logos e as rubricas est\u00e1 na enuncia\u00e7\u00e3o, ou seja, de quem \u00e9 aquela voz. Os di\u00e1logos s\u00e3o compostos por frases ditas pelos personagens, ao passo que nas rubricas, a voz \u00e9 a do autor, ao nomear quem fala, quando fala, quais s\u00e3o seus gestos, a\u00e7\u00f5es, sentimentos.<\/p>\n<p>Portanto, as rubricas, mesmo quando o texto n\u00e3o ser\u00e1 encenado, devem ser lidas, pois contribuem para que o leitor ou a leitora construam muito do imagin\u00e1rio (cen\u00e1rios, a\u00e7\u00f5es, vozes&#8230; enfim, muito do clima daquela narrativa).<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Interessante&#8230; Mas eu acho que tudo vai ficar mais claro quando a gente ler de fato uma pe\u00e7a teatral, n\u00e3o \u00e9? Parece tudo t\u00e3o abstrato&#8230;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Claro! Vamos ver alguns exemplos? Na pe\u00e7a <em>Atirem-se ao ar!<\/em> <em>O que nunca ningu\u00e9m contou de uma viagem hist\u00f3rica<\/em>, de Ant\u00f3nio Torrado, as rubricas apresentam a descri\u00e7\u00e3o inicial das personagens, mas tamb\u00e9m elementos que comp\u00f5em cada cena, da seguinte maneira:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>1\u00ba ATO, CENA 4<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Bote sobre o mar. Nele v\u00eam Dr. H\u00e9lio, j\u00e1 sem gesso no bra\u00e7o, e Patacho com os dois bra\u00e7os em gesso. Patacho tem remos aplicados ao gesso dos bra\u00e7os. S\u00f3 ele rema. Dr. H\u00e9lio de bin\u00f3culos assestados para longe. Luz de madrugada.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>H\u00c9LIO<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">O mar est\u00e1 calmo. Rema. Rema sempre.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>PATACHO <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Apetecia-me descansar s\u00f3 um bocadinho&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>H\u00c9LIO <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Nem sonhes! N\u00f3s temos de nos afastar do hidroavi\u00e3o. N\u00e3o podemos ser vistos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>PATACHO<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">(<em>Numa lam\u00faria.<\/em>) Estou t\u00e3o enjoado&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>H\u00c9LIO <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">E eu estou farto dessa chiadeira: \u201cEstou enjoado&#8230; Estou enjoado&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> A partir desse trecho da pe\u00e7a, muitos aspectos relativos \u00e0 forma podem nos chamar a aten\u00e7\u00e3o. O que voc\u00ea reparou?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Acho que a primeira coisa foi a diferencia\u00e7\u00e3o entre as tipografias das rubricas e dos di\u00e1logos, a distribui\u00e7\u00e3o do texto na p\u00e1gina e essa divis\u00e3o do texto em atos e cenas. Todos eles, eu percebi, interferem na leitura da pe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Leitora atenta, voc\u00ea! Mas esse foi um exemplo. Isso n\u00e3o quer dizer que todas as pe\u00e7as sejam escritas da mesma maneira, com rubricas e di\u00e1logos divididos dessa forma. Por isso \u00e9 que eu disse que o texto, <em>de modo geral<\/em>, se organiza dessa maneira. Para ler o texto teatral, devemos, sim, conhecer essas caracter\u00edsticas, mesmo que elas mudem de uma pe\u00e7a para outra. E a\u00ed est\u00e1 a beleza da cria\u00e7\u00e3o: muitos dramaturgos brincaram com essa estrutura do texto teatral.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Estou ficando curiosa&#8230;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Ent\u00e3o, vamos conhecer outro exemplo? Em <em>Jerusal\u00e9m de n\u00f3s<\/em>, pe\u00e7a de um ato de Leo Lama, notamos outro modo de apresenta\u00e7\u00e3o das rubricas, ao indicar personagens, cen\u00e1rios, figurinos e observa\u00e7\u00f5es sobre as pr\u00f3prias rubricas, que, aqui, ganham <em>status<\/em> de fala das personagens, mas fora do texto, como se fosse uma comunica\u00e7\u00e3o direta com a plateia. Olhe como a pe\u00e7a come\u00e7a:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>NURIT <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Cen\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">N\u00e3o realista. Pode n\u00e3o haver cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Figurinos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">A recepcionista supostamente estaria usando um jaleco cinza por cima de uma roupa de soldado. Nurit, uma roupa t\u00edpica de professora da universidade de Jerusal\u00e9m. No entanto, os figurinos podem ser completamente diferentes dos descritos nas rubricas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">As rubricas, sempre no futuro do pret\u00e9rito, devem ser ditas para a plateia, olho no olho, com as atrizes sendo elas mesmas, fora do contexto da cena. Cada atriz diz a a\u00e7\u00e3o da sua personagem, sem necessariamente realizar a movimenta\u00e7\u00e3o narrada (a n\u00e3o ser quando indicado diferente).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA:<\/strong> A LUZ ASCENDERIA. A RECEPCIONISTA ESTARIA DIGITANDO EM UM COMPUTADOR.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>NURIT:<\/strong> NURIT ENTRARIA EM CENA, UMA REPARTI\u00c7\u00c3O P\u00daBLICA. ELA ESTARIA SEGURANDO UM REV\u00d3LVER.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA:<\/strong> O que \u00e9 isso? O que est\u00e1 acontecendo?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>NURIT:<\/strong> Eu&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA:<\/strong> O que a senhora pretende com esse rev\u00f3lver? N\u00e3o me mate! A pol\u00edcia&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>NURIT:<\/strong> Rev\u00f3lver? Que rev\u00f3lver?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA:<\/strong> A senhora est\u00e1 segurando um rev\u00f3lver.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>NURIT:<\/strong> NURIT PERCEBERIA O REV\u00d3LVER.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>RECEPCIONISTA:<\/strong> Cuidado com isso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>admirada<\/em>) Que interessante! Realmente, as rubricas viraram falas! Mas fora do di\u00e1logo das personagens. Notei que todas se referem \u00e0s a\u00e7\u00f5es que as personagens fariam.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Sim! S\u00e3o falas que servem para provocar a imagina\u00e7\u00e3o da plateia. Nessa pe\u00e7a, como indicado na rubrica, quase n\u00e3o h\u00e1 movimenta\u00e7\u00e3o das atrizes. O movimento \u00e9 imaginado pelo espectador.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Muito interessante! E diferente de tudo o que eu vi no teatro&#8230; Mas, aqui, as rubricas ainda existem. E voc\u00ea tinha dito que nem sempre elas est\u00e3o presentes. Voc\u00ea pode dar um exemplo de aus\u00eancia total das rubricas?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Claro! A liberdade que a gente observou nessas duas formas de textos teatrais contempor\u00e2neos pode levar a um extremo, retirando completamente as rubricas de algumas a\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, \u00e9 curioso notar que a aus\u00eancia dessas marcas n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio de alguns textos atuais. De novo, eu pe\u00e7o ajuda a Anne Ubersfeld. Em seu livro, ela nos lembra que, inicialmente, n\u00e3o havia rubricas nas pe\u00e7as de Shakespeare e que elas foram retiradas dos pr\u00f3prios textos e surgiram depois da primeira edi\u00e7\u00e3o de suas obras.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>animada<\/em>) Que legal saber disso! E eu, que sabia t\u00e3o pouco sobre essa diversidade de formas do texto teatral, agora quero conhecer mais e mais.<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> \u00c9 pra j\u00e1! No livro <em>O teatro que muda o mundo<\/em>, o dramaturgo e professor Tuna Serzedello nos apresenta a pe\u00e7a<em> Lance livre<\/em>, sem rubricas, apenas com a seguinte indica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(<strong>Nota do autor:<\/strong> Essa pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3logo, e n\u00e3o vem com manual, nem com uma s\u00e9rie de instru\u00e7\u00f5es para a sua encena\u00e7\u00e3o. Como ir\u00e3o ver, n\u00e3o existem marca\u00e7\u00f5es de palco definidas e nenhuma indica\u00e7\u00e3o na margem do texto de quem fala o qu\u00ea. As palavras podem ser ditas por qualquer n\u00famero de atores e atrizes, de um a cem. E a dire\u00e7\u00e3o pode ser simples ou elaborada quanto voc\u00eas quiserem. Meu \u00fanico pedido \u00e9 que algumas coisas sejam deixadas para a imagina\u00e7\u00e3o da plateia.)<\/p>\n<p>(A pontua\u00e7\u00e3o do texto prop\u00f5e um pulsar para o espet\u00e1culo. As faltas de pontua\u00e7\u00e3o s\u00e3o propositais para manter o ritmo da pe\u00e7a.)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Abro os olhos<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Vejo vermelho<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Viscoso<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">gosto de metal na boca<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u00c9 sangue<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u00c9 meu<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">A po\u00e7a que envolve a minha bochecha<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u00c9 minha<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Vejo o mundo de baixo para cima<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Tenho 3 balas no meu corpo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>animada<\/em>): Nossa! Incr\u00edvel! D\u00e1 vontade de sair falando esse texto&#8230;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> E o que voc\u00ea me diz de uma pe\u00e7a escrita s\u00f3 com rubricas?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Como assim? Isso existe?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Existe e foi escrita por um dos maiores dramaturgos de nossa hist\u00f3ria: Samuel Beckett. Trata-se de sua pe\u00e7a <em>Ato sem palavras<\/em>, encenada a partir das rubricas, sem que se tenha um s\u00f3 di\u00e1logo. Olhe s\u00f3:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Personagem: Um homem. Seu gesto instintivo \u00e9 dobrar e desdobrar um len\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Cen\u00e1rio: Espa\u00e7o deserto. Luz intensa.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">A\u00e7\u00e3o: Empurrado pelas costas da lateral direita, o homem trope\u00e7a, cai, levanta-se em seguida, sacode o p\u00f3, reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Assovio da lateral direita.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Sai pela direita.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Imediatamente volta a ser empurrado para a cena, trope\u00e7a, cai, levanta-se em seguida, sacode o p\u00f3, reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Assovio da lateral esquerda.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Sai pela esquerda.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Em seguida volta ser empurrado para a cena, trope\u00e7a, cai, levanta-se em seguida, sacode o p\u00f3, reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Assovio da lateral esquerda.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Reflete, vai at\u00e9 a lateral esquerda, para antes de chegar, salta para tr\u00e1s, trope\u00e7a, cai, se levanta em seguida, sacode o p\u00f3, reflete.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Uma arvorezinha desce do teto, aterriza. Tem apenas um galho a tr\u00eas metros do ch\u00e3o e no alto algumas folhas que projetam uma pequena sombra.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O homem continua refletindo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>muda, admirada e surpresa com o texto<\/em>)<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Mas nem s\u00f3 de rubricas (ou da aus\u00eancia delas) e de di\u00e1logos (ou do sil\u00eancio) s\u00e3o feitas as pe\u00e7as! O que mais voc\u00ea costuma notar que pode fazer parte desse tipo de texto?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>reticente, com certo receio de opinar<\/em>) O ato&#8230; As cenas?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Isso mesmo, n\u00e3o precisa ter medo de errar! Estamos todos sempre aprendendo! S\u00e3o esses mesmo os outros componentes das pe\u00e7as teatrais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O ato<\/h3>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Para sermos mais precisos, vamos consultar o Dicion\u00e1rio de teatro, de Patrice Pavis. Ele diz que o ato pode ser entendido como \u201ca divis\u00e3o externa da pe\u00e7a em partes de import\u00e2ncia sensivelmente igual em fun\u00e7\u00e3o do tempo e do desenrolar da a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Ah, claro&#8230; Eu me lembro de ter visto pe\u00e7as de mais de um ato. Tem at\u00e9 um intervalo no meio! Toca aquele sinal, a gente tem alguns minutos para ir ao banheiro, se esticar um pouco, tomar \u00e1gua&#8230;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Mas voc\u00ea sabe que nem sempre o fim de um ato e o come\u00e7o de outro s\u00e3o anunciados com esse sinal de que voc\u00ea se lembrou. \u00c9 interessante saber que, ao longo do tempo, as marca\u00e7\u00f5es que indicavam a mudan\u00e7a de ato em uma pe\u00e7a foram se alterando. Olha o que o Pavis fala a respeito dessas formas variadas de marcar os atos: interven\u00e7\u00e3o do coro, baixar as cortinas (a partir do s\u00e9culo XVII), mudan\u00e7a de luz ou <em>blackout<\/em>, refr\u00e3o musical, cartazes&#8230;<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Por que tanta diferen\u00e7a?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Porque os cortes entre os atos respondem a variadas necessidades das pe\u00e7as e, tamb\u00e9m, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de encena\u00e7\u00e3o. As trag\u00e9dias gregas, por exemplo, n\u00e3o conheciam as subdivis\u00f5es em atos, mas havia o coro, que surgia para marcar os diferentes epis\u00f3dios. E, quando as pe\u00e7as eram encenadas \u00e0 luz de velas, era preciso mud\u00e1&#8211;las de lugar, alterar o cen\u00e1rio&#8230; Mas \u00e9 claro que os atos servem tamb\u00e9m para indicar altera\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio texto, como os cortes temporais e os cortes narratol\u00f3gicos, que t\u00eam a ver com o conflito, o seu desenvolvimento e a sua resolu\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Mas algumas pe\u00e7as n\u00e3o t\u00eam essa divis\u00e3o em atos, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Sim! Aqui mesmo vimos exemplos de pe\u00e7as de um \u00fanico ato.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> E as cenas?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> As cenas s\u00e3o o segmento temporal do ato, ou seja, representam um momento em que uma a\u00e7\u00e3o ocorre. Em geral, a entrada ou a sa\u00edda de personagens na a\u00e7\u00e3o marca o fim de uma cena. E, se a gente fizesse um paralelo dessa nossa conversa com uma pe\u00e7a teatral, poder\u00edamos dizer que estamos chegando ao final de um ato.<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> J\u00e1? Mas essa conversa est\u00e1 t\u00e3o boa&#8230;<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> E vai ficar ainda melhor no pr\u00f3ximo ato! Ou seria&#8230; na pr\u00f3xima pe\u00e7a? Com esse sobrevoo pelos textos teatrais, voc\u00ea pode agora ampliar o seu repert\u00f3rio e os dos seus estudantes sobre os textos teatrais, criando uma intimidade com os di\u00e1logos, as rubricas, as cenas e os atos, conhecendo muitos modos de escrita para a representa\u00e7\u00e3o da vida e da condi\u00e7\u00e3o humana, seus medos, anseios e desejos, nos palcos. Aceita esse convite?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> Claro! Me deu vontade de ler mais e mais texto teatral! Mas e agora? O que vamos fazer? Voc\u00ea disse que teria mais um ato ou seria uma pe\u00e7a&#8230; Como vai ser?<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> Calma! Agora, a gente vai conhecer uma proposta para o teatro na escola, escrita por Tuna Serzedello. Vamos l\u00e1?<\/p>\n<p><strong>PROFESSORA<\/strong> (<em>ansiosa<\/em>) N\u00e3o vejo a hora!<\/p>\n<p><strong>CURADORA<\/strong> A hora \u00e9 agora!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Uma proposta para o teatro na escola<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Tuna Serzedello<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Um atalho para a professora e o professor. Teatro para ser lido, representado, experimentado.<\/h3>\n<p>No conto infantil, Chapeuzinho Vermelho pega um atalho pelo bosque e, com a inten\u00e7\u00e3o de chegar mais cedo \u00e0 casa da av\u00f3, acaba encontrando o Lobo Mau. Que caminho voc\u00ea, como professora\/professor, escolhe em suas aulas? Independentemente do seu <em>Waze<\/em> educacional, voc\u00ea n\u00e3o escapar\u00e1 do conflito. N\u00e3o com o Lobo, mas com sua classe, com as diferentes individualidades, vontades, especificidades de cada aluno. E, se o conflito \u00e9 inerente \u00e0 sala de aula, voc\u00ea, como docente, precisa (al\u00e9m de uma dose de do\u00e7ura), conhecer algumas t\u00e9cnicas teatrais, pois o teatro se organiza a partir do conflito e \u00e9 por meio da resolu\u00e7\u00e3o do conflito que se chega (\u00e0s vezes) a um final feliz.<\/p>\n<h3>Pr\u00f3logo<\/h3>\n<p>No in\u00edcio de uma pe\u00e7a de teatro, e do ano letivo, temos a famosa apresenta\u00e7\u00e3o das personagens. No teatro, ela se d\u00e1 pelas a\u00e7\u00f5es das personagens e, na vida real, tamb\u00e9m. N\u00e3o lemos os seus pensamentos, mas vemos aquilo que fazem! A professora e pesquisadora Marina Marcondes Machado diz, em um artigo, que a crian\u00e7a \u00e9 <em>performer<\/em>, a partir da no\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia proposta por Maurice Merleau-Ponty, e aponta que, para lidar com essa crian\u00e7a, o professor tamb\u00e9m \u00e9 um <em>performer<\/em> e que <em>o estado de aprendizado nas aulas \u00e9 um estado permanente de jogo<\/em>. Portanto, aprofundar a sua forma\u00e7\u00e3o docente com algumas t\u00e9cnicas teatrais \u00e9 um atalho para chegar ao cora\u00e7\u00e3o dos seus alunos e alunas, mas n\u00e3o sem antes aprender a domar o Lobo Mau.<\/p>\n<p>Temos duas maneiras de pensar o teatro na escola: uma, como ferramenta; outra, como conte\u00fado. E, se o teatro \u00e9 a arte que congrega todas as outras linguagens em si, nada melhor do que apropriar-se dos seus conceitos a respeito de todas as formas e us\u00e1-los das duas maneiras mencionadas acima.<\/p>\n<h4>Ato 1 \u2013 O professor como performer<\/h4>\n<p>Se a sala de aula \u00e9 um grande palco, como preparar-se para a longa temporada de um ano letivo de apresenta\u00e7\u00f5es? Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), temos algumas pistas para ajudar a percorrer esse caminho:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF69AR27)<\/strong> Pesquisar e criar formas de dramaturgias e espa\u00e7os c\u00eanicos para o acontecimento teatral, em di\u00e1logo com o teatro contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Se imaginarmos cada aula como uma narrativa, podemos construir uma dramaturgia para cada conte\u00fado, dialogando com os discentes. Como aplicar o seu conhecimento de curvas dramat\u00fargicas em sala de aula? Pode-se, por exemplo, pensar seu curr\u00edculo a partir da fun\u00e7\u00e3o dos alunos e alunas.<\/p>\n<ul>\n<li><em>Aulas em que a classe atuar\u00e1 como plateia (como aulas expositivas) e nas quais o foco ser\u00e1 sua prepara\u00e7\u00e3o como performer<\/em> \u2013 O que fazer para tornar a aula memor\u00e1vel? Levar um adere\u00e7o? Um f igurino especial? Usar uma m\u00e1scara? Uma mudan\u00e7a no tom de voz? Uma movimenta\u00e7\u00e3o diferente na sala? Ilumina\u00e7\u00e3o especial? Uma trilha ou alguns efeitos sonoros? Deitar-se no ch\u00e3o? Subir na cadeira? Um cen\u00e1rio montado com uma nova disposi\u00e7\u00e3o das carteiras na sala? Sua criatividade n\u00e3o tem limites.<\/li>\n<li><em>Aulas em que a classe ser\u00e1 um coletivo teatral<\/em> \u2013 Com fun\u00e7\u00f5es definidas, cada estudante vai desempenhar uma tarefa: escrever, desenhar, atuar, tocar, produzir, organizar, registrar, divulgar. Percebeu que esses verbos s\u00e3o todos de a\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, eles podem servir para diversos tipos de aula.<\/li>\n<li>Aulas em que a classe \u00e9 \u201c<em>espect-ator<\/em>\u201d \u2013 o dramaturgo Augusto Boal cunhou esse termo em sua obra Teatro do oprimido para fazer com que os espectadores saiam do seu papel passivo para assumirem o destino das hist\u00f3rias no palco e assim tornarem-se protagonistas de suas pr\u00f3prias vidas. Vale a ler essa obra para apropriar&#8211;se das t\u00e9cnicas de \u201cteatro-f\u00f3rum\u201d, que podem ser aplicadas para diversas atividades pedag\u00f3gicas.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ato 2 \u2013 Ampliar o repert\u00f3rio cultural e as formas de ler o mundo<\/h4>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil ler o mundo contempor\u00e2neo ao mesmo tempo que estamos inseridos nele. Augusto Boal diz que o ser humano \u00e9 teatro, pois \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie da natureza capaz de ser ator e espectador de seus pr\u00f3prios atos. Boal nos mostra uma importante ferramenta para apreender criticamente a realidade ao represent\u00e1-la para nos distanciarmos dela e, ao mesmo tempo, entendermos seus mecanismos, ampliando o conceito de distanciamento do dramaturgo e poeta alem\u00e3o Bertolt Brecht para aplic\u00e1-lo em diversas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>Para dialogar com o mundo contempor\u00e2neo, a partir da sala de aula, \u00e9 importante ampliar as estrat\u00e9gias para al\u00e9m do uso de v\u00eddeos, colocar alunos e alunas para representar essas quest\u00f5es ou constru\u00edr sa\u00eddas para situa\u00e7\u00f5es complexas usando o corpo todo em vez de somente o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF15AR22)<\/strong> Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na cria\u00e7\u00e3o de um personagem teatral, discutindo estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as formas de dramaturgia que nos cercam hoje em dia? Nunca fomos t\u00e3o envolvidos por hist\u00f3rias e narrativas como agora. Os jovens e crian\u00e7as que frequentam as salas de aula t\u00eam milh\u00f5es de horas de tela na sua bagagem cultural, consumindo narrativas e hist\u00f3rias, provenientes de s\u00e9ries, <em>games<\/em> e <em>reels<\/em>. Ter acesso a tantas hist\u00f3rias pode nos paralisar ao tentarmos construir a nossa pr\u00f3pria. Precisamos dar ferramentas para que aprendam a construir narrativas, aos alunos e alunas para que conectem a sua individualidade ao mundo exterior e se vejam como agentes de mudan\u00e7a dessa sociedade.<\/p>\n<p>Para tanto, ler\/representar dramaturgias em sala de aula \u00e9 um atalho incr\u00edvel. Quanto conhecemos dos g\u00eaneros dramat\u00fargicos? O que transforma algo em uma com\u00e9dia? \u00c9 poss\u00edvel construir uma situa\u00e7\u00e3o para fazer rir? Quais s\u00e3o os elementos do drama? Como, a partir de uma situa\u00e7\u00e3o ficcional, conseguimos emocionar algu\u00e9m? Como fazer algu\u00e9m sentir? Percebem que as formas dramat\u00fargicas t\u00eam em comum um sentimento e uma intencionalidade para atingir aquele sentimento nos outros?<\/p>\n<p>Para entender como isso \u00e9 feito, precisamos de uma investiga\u00e7\u00e3o. Ler\/representar textos teatrais em sala de aula \u00e9 uma aventura deliciosa. Exige mudan\u00e7a de vozes, muitas vozes, diversos leitores e leitoras. Exige interpreta\u00e7\u00e3o de texto: o que ele\/ela quis dizer com essa frase, nesse contexto? Ser\u00e1 que esse \u201cEu te amo\u201d queria mesmo expressar amor? E se isso for dito de outro jeito? Com raiva, com pressa, com vontade de chorar, aos gritos, sussurros. O <em>como<\/em> dizer interfere no significado do que \u00e9 dito?<\/p>\n<p>Em um romance, o autor nos d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o que est\u00e1 acontecendo ao redor da personagem, se os seus olhos est\u00e3o marejados, se o cheiro \u00e9 de relva \u00famida, se ele lembrou da sua inf\u00e2ncia ao ver um brinquedo, e assim por diante. No teatro, precisamos de um leitor\/ator, leitora\/atriz que se coloque no lugar das personagens e tente pensar como elas. Exige uma leitura ativa. Na literatura dram\u00e1tica, a a\u00e7\u00e3o ocorre no conflito, no embate de vontades. Dramaturgos e dramaturgas s\u00e3o econ\u00f4micos e econ\u00f4micas, usam poucas palavras para compor uma cena. Cabe a n\u00f3s entender pelo contexto da cena, o que est\u00e1 se passando. E, muitas vezes, as mesmas palavras e a mesma cena podem significar, coisas distintas, dependendo da maneira com que \u00e9 representada. Percebem a riqueza da leitura de pe\u00e7as em sala de aula?<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 leitores\/leitoras em sala, mas sim encenadores\/encenadoras! Ao lermos uma pe\u00e7a e fazermos escolhas sobre como encaminhar uma cena, j\u00e1 podemos considerar esse movimento como uma primeira encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto teatral pode, ou n\u00e3o, trazer rubricas da autora\/autor para orientar sua leitura e encena\u00e7\u00e3o. Para que servem essas rubricas? Elas ajudam o leitor\/encenador, a leitora\/encenadora? No teatro contempor\u00e2neo, em especial naquele para jovens, as rubricas est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o, justamente para dar mais liberdade \u00e0 encena\u00e7\u00e3o e para romper com os pap\u00e9is de g\u00eanero, espa\u00e7o e individualidade. E se a cena for lida em coro?<\/p>\n<p>Ao lermos um texto contempor\u00e2neo, como podemos interferir em sua encena\u00e7\u00e3o levando em conta as nossas escolhas? Experimente ler com a turma a pe\u00e7a <em>Lance livre<\/em>, que integra o livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/o-teatro-que-muda-o-mundo\/\"><em><strong>O teatro que muda o mundo<\/strong><\/em><\/a>, para saborear essa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A leitura de textos teatrais na escola exercita ainda duas importantes habilidades para atuar no mundo contempor\u00e2neo: ouvir e colocar-se no lugar do outro. O teatro tem clara essa fun\u00e7\u00e3o de um silenciar enquanto o outro fala. \u00c9 preciso ouvir para n\u00e3o perder a deixa. Essa necessidade formal \u00e9 um convite \u00e0 empatia, para ver o mundo literalmente com os olhos do outro ao viver uma personagem ficcional. O teatro \u00e9 uma aula de cidadania e forma\u00e7\u00e3o socioemocional.<\/p>\n<h4>Ato 3 \u2013 N\u00e3o sou um, sou muitos<\/h4>\n<p>H\u00e1 diversas formas de ver e fazer teatro. No palco, todas as habilidades humanas est\u00e3o reunidas: o saber matem\u00e1tico, da geometria ao c\u00e1lculo; da \u00f3tica \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do som: a arquitetura, a manufatura, a m\u00fasica, a moda, a dan\u00e7a, a tecnologia, o cinema, a poesia \u2013 tudo o que voc\u00ea puder imaginar cabe no palco de uma pe\u00e7a teatral.<\/p>\n<p>As combina\u00e7\u00f5es das disciplinas formais com as habilidades e os desafios s\u00e3o um convite para usar o teatro em seus planejamentos. Quais s\u00e3o as fronteiras do teatro? Qual a diferen\u00e7a em se realizar um trabalho para a cena sozinho, em duplas, trios ou coletivamente? Como dividir fun\u00e7\u00f5es e somar talentos? Todas as habilidades s\u00e3o necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF69AR28)<\/strong> Investigar e experimentar diferentes fun\u00e7\u00f5es teatrais e discutir os limites e desafios do trabalho art\u00edstico coletivo e colaborativo.<\/p>\n<p>Conhecer as formas de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de diferentes espet\u00e1culos pode ser um disparador importante para um projeto com vistas na proposta pedag\u00f3gica mencionada acima. Qual a diferen\u00e7a de um espet\u00e1culo de bonecos ou com manipula\u00e7\u00e3o de objetos e um com atuadores de carne e osso? \u00c9 poss\u00edvel um espet\u00e1culo teatral sem nenhuma fala? A pe\u00e7a <em>A hora em que n\u00e3o sab\u00edamos nada uns dos outros<\/em>, do ganhador do pr\u00eamio Nobel Peter Handke, por exemplo, \u00e9 apenas uma sequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es sem fala, e pedir para criar uma lista de a\u00e7\u00f5es para um tema que voc\u00ea trabalha em sala, como acabar com o aquecimento global. Como fazer uma pe\u00e7a usando sombras? Como a ilumina\u00e7\u00e3o interfere na maneira com que entendemos uma hist\u00f3ria? Como falar um texto de modos diferentes?<\/p>\n<p>O conceito de <em>site specific<\/em> tamb\u00e9m pode atender \u00e0 proposta pedag\u00f3gica citada. Ele diz respeito a obras criadas de acordo com o ambiente e com um espa\u00e7o determinado. Assim, o que aconteceria se uma hist\u00f3ria fosse encenada na quadra de esportes? Ou na cantina ou no p\u00e1tio? Existe uma hist\u00f3ria \u201cdo lugar\u201d? Essa hist\u00f3ria pode ser contada ou inventada. Pode-se tamb\u00e9m a turma para um lugar espec\u00edfico \u2013 <em>site specific<\/em> \u2013 e pesquisar sua hist\u00f3ria, por meio de fotografias, pap\u00e9is oficiais, constru\u00e7\u00f5es, para criar um tipo de document\u00e1rio, ou captar as sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es exaladas pelo local, para criar algo ficcional. E essa cria\u00e7\u00e3o pode ser encenada naquele mesmo lugar que a inspirou.<\/p>\n<p>Uma aluna pesquisa, outro escreve, um transcreve entrevistas, outra aluna faz a entrevista. Uma aluna desenha figurinos, outro produz, um atua, outra toca. O coletivo torna-se forte com a soma das individualidades. E, com essa experi\u00eancia, podemos nos perceber tamb\u00e9m como um coletivo uno, como se o grupo todo fosse um indiv\u00edduo \u00fanico com m\u00faltiplos talentos, prontos para serem desenvolvidos atrav\u00e9s do que foi assimilado por meio do aprendizado em pares.<\/p>\n<h4>Ato 4 \u2013 Sou muitos e sou um<\/h4>\n<p>Minha voz e meu corpo s\u00e3o um s\u00f3, mas as possibilidades que ele tem s\u00e3o in\u00fameras. Experimentar com meu corpo tudo o que nem imagino que possa fazer \u00e9 um desafio delicioso.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF69AR29)<\/strong> Experimentar a gestualidade e as constru\u00e7\u00f5es corporais e vocais de maneira imaginativa na improvisa\u00e7\u00e3o teatral e no jogo c\u00eanico.<\/p>\n<p>Essa experimenta\u00e7\u00e3o pode se dar em conjunto, em trabalhos de improvisa\u00e7\u00e3o, ou em grupos ou individualmente, com a observa\u00e7\u00e3o dos outros. \u00c9 quase um estudo de fenomenologia resgatar o que outros vivem e transform\u00e1-lo em cena. Do que preciso para criar uma cena?<\/p>\n<p>Se colocarmos um objeto qualquer em um museu, apenas pelo fato de estar exposto naquele ambiente ele, \u201cse transforma\u201d em arte? Se o objeto n\u00e3o muda, a mudan\u00e7a da maneira de observ\u00e1-lo arte? Seria arte \u201capenas\u201d uma maneira de ler o mundo? Como fazer com que outros experimentem novas leituras do mundo? Clarice Lispector disse: \u201cN\u00e3o se \u2018faz\u2019 uma frase. A frase nasce\u201d. Como criar um ambiente prop\u00edcio para que a turma descubra o que faz a sua criatividade nascer?<\/p>\n<p>Jogos teatrais, em especial os criados por Viola Spolin, autora e diretora autora e diretora de teatro, considerada a criadora do teatro improvisacional, constituem uma boa base para iniciar essa metodologia, que pode tamb\u00e9m ser experimentada a partir de outras linguagens art\u00edsticas, como a hist\u00f3ria em quadrinhos (HQs).<\/p>\n<p>As HQs s\u00e3o sequ\u00eancias de imagens est\u00e1ticas que contam uma hist\u00f3ria. As narrativas tamb\u00e9m s\u00e3o contadas em \u201cbal\u00f5es\u201d, que s\u00e3o as falas das personagens e dos quadrinhos, uma esp\u00e9cie de rubrica do teatro. Pode-se trabalhar a contextualiza\u00e7\u00e3o dessas artes e encenar uma pe\u00e7a inspirada em quadrinhos ou criar HQs com base em uma dramaturgia. A cole\u00e7\u00e3o Cl\u00e1ssicos em Quadrinhos pode ser uma boa inspira\u00e7\u00e3o para essas aulas. O autor e cartunista Caco Galhardo at\u00e9 emprestou e transformou em atores seus personagens das tiras dos jornais para a produ\u00e7\u00e3o do seu livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/tio-vania-em-quadrinhos\/\"><em><strong>Tio Vania em quadrinhos<\/strong><\/em><\/a> \u2013 um belo exemplo de criatividade \u2013, adaptado do cl\u00e1ssico texto teatral de Anton Tchekhov, <strong>Tio V\u00e2nia<\/strong>.<\/p>\n<p>A fotografia e o cinema tamb\u00e9m seguem essa l\u00f3gica do quadrinho. Em uma foto, n\u00e3o h\u00e1 texto, mas h\u00e1 intencionalidade, ilumina\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o, cores, enquadramento. O que aconteceu minutos antes da captura daquela imagem? E depois? Uma cena de filme \u00e9 a sucess\u00e3o de quadros parados, como uma HQ; n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os diretores de cinema elaboram <em>storyboards<\/em> para planejar as filmagens. Novamente socorrendo-nos de Augusto Boal, ele criou uma t\u00e9cnica que pode ajudar a embasar trabalhos com fotos, cinema e HQs &#8211; \u00e9 o teatro imagem, \u201cuma ferramenta essencial para envolver o espectador, estimulando sua criatividade\u201d (<em>Jogos teatrais para atores e n\u00e3o atores<\/em>).<\/p>\n<h4>Ato 5 \u2013 Ser e crescer: eis a quest\u00e3o<\/h4>\n<p>As pe\u00e7as de Shakespeare t\u00eam cinco atos de dura\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, o texto deste nosso livro tamb\u00e9m foi dividido dessa forma, para convidar voc\u00ea a entrar no universo dos dramaturgos. O quanto voc\u00ea conhece de dramaturgia e da hist\u00f3ria do teatro? De que maneira as formas com que as pe\u00e7as s\u00e3o escritas revelam o momento hist\u00f3rico e uma cr\u00edtica aos valores e normas vigentes?<\/p>\n<p>A leitura de textos teatrais de diferentes \u00e9pocas nos leva a conhecer sobre como cada sociedade era organizada. Analisar quem est\u00e1 em cena, o quanto dura a pe\u00e7a, qual o tamanho de cada fala, quem fala mais e por qu\u00ea \u2013 <em>e o que<\/em> \u2013 diz. Se os textos s\u00e3o divididos em atos, partes, sem divis\u00f5es. De que se precisa para colocar um texto em cena e que outras linguagens podem amplificar aquele discurso ou mesmo criar um atrito para obter uma vis\u00e3o cr\u00edtica do que \u00e9 dito.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF69AR30)<\/strong> Compor improvisa\u00e7\u00f5es e acontecimentos c\u00eanicos com base em textos dram\u00e1ticos ou outros est\u00edmulos (m\u00fasica, imagens, objetos etc.), caracterizando personagens (com figurinos e adere\u00e7os), cen\u00e1rio, ilumina\u00e7\u00e3o e sonoplastia e considerando a rela\u00e7\u00e3o com o espectador.<\/p>\n<p>Dentro desse contexto, pode-se criar um universo para cada texto teatral. Pensando na sua forma. Em uma pe\u00e7a de cinco atos, por exemplo, quantos personagens e acontecimentos devem ocorrer para que a hist\u00f3ria tenha essa dura\u00e7\u00e3o? E se for uma obra de cinco minutos? E de um minuto?<\/p>\n<p>Al\u00e9m do tempo e da forma, outro disparador para elabora\u00e7\u00e3o dessas improvisa\u00e7\u00f5es indicadas pela BNCC podem ser figurinos e objetos. Nesse caso, pe\u00e7a a cada aluno ou aluna que traga um objeto de casa que seja importante na vida dele ou dela, algo com significado, que tenha uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s. N\u00e3o a foto do objeto, mas o pr\u00f3prio artefato, para que possa ser visto, manuseado. Na escola, fa\u00e7a uma exposi\u00e7\u00e3o com esses objetos, para que todos os alunos e alunas possam observ\u00e1-los. Depois, pe\u00e7a a cada um deles e cada uma delas que escolha um objeto exposto, mas que n\u00e3o seja aquele que ele ou ela trouxe. A seguir, pe\u00e7a-lhes que examinem, individualmente ou em grupo, o objeto selecionado, observem-no meticulosamente e, por fim, e imaginem uma hist\u00f3ria para ele. O que o tornou t\u00e3o especial?<\/p>\n<p>Algumas hist\u00f3rias, criadas e inspiradas nos objetos de estima\u00e7\u00e3o dos alunos e alunas podem ser lidas e encenadas, e, em um outro momento, confrontadas com a hist\u00f3ria real deles.<\/p>\n<p>A improvisa\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o tem limites. Pensem, ou imaginem: que narrativa pode ser constru\u00edda com base numa sinfonia de Mozart? E num <em>rock<\/em> do Nirvana? E numa can\u00e7\u00e3o da Taylor Swift? E, ainda, como seria uma cena criada para a can\u00e7\u00e3o de Taylor Swift com trilha sonora de uma sinfonia de Mozart?<\/p>\n<p>Al\u00e9m de trabalhar o sentido da audi\u00e7\u00e3o, devemos desenvolver a observa\u00e7\u00e3o. O que se aprende ao observar colegas? Como se v\u00ea melhor determinada cena? Quais s\u00e3o as possibilidades de se dispor uma plateia? A cena improvisada f\u00e9 mais adequada para uma arena, onde o p\u00fablico fica mais pr\u00f3ximo dos atores? Ou cabe melhor num palco italiano, o mais comum, onde os espectadores ficam de frente para a cena? Como um elenco e a dire\u00e7\u00e3o da cena delimitam o espa\u00e7o c\u00eanico? Qual a diferen\u00e7a do lugar em que se v\u00ea? O lugar do qual eu vejo muda o entendimento daquilo que vejo?<\/p>\n<h4>Ep\u00edlogo<\/h4>\n<p>Ep\u00edlogo prev\u00ea conclus\u00e3o, um desfecho da hist\u00f3ria. \u00c9 a hora de se conhecer o destino das personagens. Mas, nesse caso, se voc\u00ea leu este texto at\u00e9 aqui, deve ter percebido que a personagem principal \u00e9 voc\u00ea! E, portanto, o seu destino est\u00e1 em aberto. Voc\u00ea pode construir e escrever o fecho final da maneira que quiser! O que podemos fazer \u00e9 ajudar algumas pistas, indicando leituras para voc\u00ea abrir seu caminho, sem atalhos, mas com muita garra, at\u00e9 o seu destino.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><em>Noite de brinquedo,<\/em><\/a> por exemplo, voc\u00ea pode refletir sobre o quanto dura um reinado \u2013 e uma inf\u00e2ncia \u2013 a partir de uma pe\u00e7a que une personagens lend\u00e1rias e encantadas, como palha\u00e7os do reisado, uma vaqueira mestra do aboio e muitos outros, em uma viagem pelo sert\u00e3o brasileiro.<\/p>\n<p>Se preferir uma viagem de avi\u00e3o, pode acomodar-se na leitura da pe\u00e7a <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/atirem-se-ao-ar\/\"><em>Atirem-se ao ar!<\/em><\/a>, uma hist\u00f3ria divertida que conta a hist\u00f3ria da primeira viagem de avi\u00e3o de Portugal ao Brasil. E, por falar em teatro e portugueses, nada melhor que uma hist\u00f3ria sobre a menina que nasceu nos bastidores de um espet\u00e1culo e que nutre uma paix\u00e3o especial pela obra de Gil Vicente, o livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/meia-hora-para-mudar-a-minha-vida\/\"><em>Meia hora para mudar a minha vida<\/em><\/a>, que \u00e9 um verso da can\u00e7\u00e3o Vambora, de Adriana Calcanhotto.<\/p>\n<p>Se quiser trabalhar com as hist\u00f3rias em quadrinhos, como foi sugerido no Ato 4 deste texto, al\u00e9m do l\u00e1 citado <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/tio-vania-em-quadrinhos\/\"><em>Tio Vania em quadrinhos<\/em><\/a>, conte com outras cria\u00e7\u00f5es que adaptam obras cl\u00e1ssicas em formato de HQ, n\u00e3o para substituir a leitura do original, mas para ampliar as suas possibilidades, como o cl\u00e1ssico da dramaturgia portuguesa: <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/auto-da-barca-do-inferno-em-quadrinhos\/\"><em>Auto da barca do inferno em quadrinhos<\/em><\/a> ou a trag\u00e9dia grega <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/orestes-em-quadrinhos\/\"><em>Orestes em quadrinhos<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Mas, como voc\u00ea \u00e9 uma educadora (ou educador), n\u00e3o poder\u00edamos deixar de fora a pe\u00e7a radiof\u00f4nica de Francisco Marques V\u00edrgula Chico dos Bonecos <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/muitas-coisas-poucas-palavras\/\"><em>Muitas coisas, poucas palavras \u2013 A oficina do professor Com\u00eanio e a arte de ensinar e aprender<\/em><\/a>, nela, Chico dos Bonecos conversa com Jo\u00e3o Am\u00f3s Com\u00eanio, educador nascido na Mor\u00e1via, em 1592, dedicado \u00e0 arte de ensinar e considerado o pai da escola p\u00fablica. Com\u00eanio foi um observador atento do que acontecia em sua sala de aula. Com base na sua observa\u00e7\u00e3o, escreveu <em>Did\u00e1tica magna<\/em>, publicada em 1657. Suas ideias s\u00e3o apresentadas com muita gra\u00e7a e em meio a m\u00fasicas, di\u00e1logos e versos.&nbsp;<\/p>\n<p>E, por fim, para arrematar todo esse conhecimento e alinhavar essas ideias e obras sugeridas, o livro <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/o-teatro-que-muda-o-mundo\/\"><em><strong>O teatro que muda o mundo \u2013 Experi\u00eancias com teatro jovem<\/strong><\/em><\/a> traz experi\u00eancias reais, dicas de planejamento, erros a serem evitados, e ainda conta com um cap\u00edtulo sobre aulas de teatro<em> online<\/em> e uma dramaturgia contempor\u00e2nea in\u00e9dita para jovens.<\/p>\n<p>Construa um novo come\u00e7o para voc\u00ea com essas leituras e proporcione m\u00faltiplos finais felizes para cada aluno e aluna que passar pela sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n<p>BOAL, Augusto. <em>O teatro do oprimido<\/em>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1988.<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Base Nacional Comum Curricular. Bras\u00edlia: 2018.<\/p>\n<p>HUIZINGA, Johan. <em>Homo ludens<\/em>: o jogo como elemento da cultura. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2019.<\/p>\n<p>______. <em>Jogos teatrais para atores e n\u00e3o atores<\/em>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2006.<\/p>\n<p>LAMA, Leo. <em>Jerusal\u00e9m de n\u00f3s<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2021.<\/p>\n<p>LISPECTOR, Clarice. <em>De escrita e vida \u2013 cr\u00f4nica para jovens<\/em>. S\u00e3o Paulo: Rocco, 2010.<\/p>\n<p>MACHADO, M.M. <em>Merleau-Ponty e a educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2010.<\/p>\n<p>______. <em>A crian\u00e7a \u00e9 performer<\/em>. Educa\u00e7\u00e3o e Realidade, v. 35, n. 2, 2010. In:https:\/\/seer. ufrgs.br\/index.php\/educacaoerealidade\/article\/ view\/11444<\/p>\n<p>PAVIS, Patrice. <em>Dicion\u00e1rio de teatro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2015.<\/p>\n<p>SERZEDELLO, Tuna. <em>O teatro que muda mundo<\/em>: experi\u00eancias com teatro jovem. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2023.<\/p>\n<p>TORRADO, Ant\u00f3nio. <em>Atirem-se ao ar! O que nunca ningu\u00e9m contou de uma viagem hist\u00f3rica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2015.<\/p>\n<p>UBERSFELD, Anne. <em>Para ler o teatro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Estante de livros<\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/auto-da-barca-do-inferno-em-quadrinhos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-32412 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-114x150.jpg\" alt=\"\" width=\"114\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-114x150.jpg 114w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-228x300.jpg 228w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-778x1024.jpg 778w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-768x1011.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-1166x1536.jpg 1166w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-1555x2048.jpg 1555w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-203x267.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-600x790.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-150x198.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/978-85-7596-208-4_G-scaled.jpg 1944w\" sizes=\"(max-width: 114px) 100vw, 114px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/auto-da-barca-do-inferno-em-quadrinhos\/\">Auto da barca do inferno em quadrinhos <\/a><\/h3>\n<p>De Gil Vicente, por Laudo Ferreira, com cores por Omar Vi\u00f1ole<\/p>\n<p>20 x 27 cm \u2022 56 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-85-7596-208-4<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-85-7596-399-9 (KF8) e 978-85-7596-383-8 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p>Nesta vers\u00e3o do <em>Auto da barca do inferno em quadrinhos<\/em>, Laudo Ferreira mergulha na obra de Gil Vicente e d\u00e1 vida \u00e0s suas personagens: os tipos sociais criados pelo autor portugu\u00eas \u2013 o fidalgo, a cafetina, o frade, o enforcado, o onzeneiro, o sapateiro, o parvo, o judeu e os homens do judici\u00e1rio \u2013 ganham uma estranha atualidade no tra\u00e7o do quadrinista, enquanto o Diabo e o Anjo, alegorias atemporais, atravessam os tempos em plena sa\u00fade. O leitor \u00e9 transportado para a sociedade portuguesa dos 1500, quando o Brasil estava sendo colonizado, a bordo do humor e do sarcasmo de Gil Vicente.<\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o em HQ do cl\u00e1ssico medieval contou com a consultoria liter\u00e1ria do professor de literatura, dramaturgo e diretor teatral Maur\u00edcio Soares Filho, que j\u00e1 realizou uma montagem de Gil Vicente com jovens estudantes.<\/p>\n<p>As cores deste <em>Auto da barca do inferno em quadrinhos<\/em> s\u00e3o de Omar Vi\u00f1ole, parceiro de Laudo Ferreira neste e em diversos outros trabalhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/orestes-em-quadrinhos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-26531 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-114x150.jpg\" alt=\"\" width=\"114\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-114x150.jpg 114w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-228x300.jpg 228w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-777x1024.jpg 777w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-768x1012.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-1166x1536.jpg 1166w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-1555x2048.jpg 1555w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-150x198.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-203x267.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-600x790.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Orestes_capa_300dpi-scaled.jpg 1943w\" sizes=\"(max-width: 114px) 100vw, 114px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/orestes-em-quadrinhos\/\">Orestes de Eur\u00edpedes em quadrinhos<\/a><\/h3>\n<p>Por Tereza Virg\u00ednia Ribeiro Barbosa e Piero Bagnariol<\/p>\n<p>20,5 x 27 cm \u2022 80 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-034-0<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-036-4 (KF8) e 978-65-5931-035-7 (ePUB)<\/p>\n<p><em>Orestes<\/em>, de Eur\u00edpides, completa o ciclo da guerra de Troia, do qual fazem parte a Il\u00edada e a Odisseia. Versa sobre a morte de Clitemnestra, assassinada por Orestes, seu filho, com o apoio da irm\u00e3 Electra. Os dois jovens matam a m\u00e3e para vingar o assassinato do pai, Agam\u00eamnon. A obra \u00e9 uma das mais representativas do tragedi\u00f3grafo ateniense, constitui-se como um arqu\u00e9tipo da trag\u00e9dia shakespeariana <em>Hamlet<\/em>.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia familiar ganha nova roupagem nessa edi\u00e7\u00e3o em HQ e se atualiza em uma linguagem contempor\u00e2nea, sem perder sua ess\u00eancia de obra cl\u00e1ssica. O enredo tr\u00e1gico proposto por Eur\u00edpides e revisitado por Tereza Virg\u00ednia Ribeiro Barbosa e Piero Bagnariol nos revela o lado s\u00f3rdido que pode haver nas fam\u00edlias, os desvios de seus membros e suas viol\u00eancias, e, por consequ\u00eancia disso, nos faz deparar com as profundas quest\u00f5es que envolvem a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica do ser humano. A pe\u00e7a toca em temas pol\u00eamicos e em desejos profundos e inconfess\u00e1veis de todos, possibilitando sua elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/tio-vania-em-quadrinhos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-30615 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-109x150.jpg\" alt=\"\" width=\"109\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-109x150.jpg 109w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-217x300.jpg 217w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-741x1024.jpg 741w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-768x1061.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-1112x1536.jpg 1112w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-1483x2048.jpg 1483w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-203x280.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-600x829.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-150x207.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/9786559310920_G-scaled.jpg 1853w\" sizes=\"(max-width: 109px) 100vw, 109px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/tio-vania-em-quadrinhos\/\">Tio Vania em quadrinhos <\/a><\/h3>\n<p>De Anton Tchekhov por Caco Galhardo<\/p>\n<p>&nbsp;20,5 x 27 cm \u2022 88 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-092-0<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-088-3 (KF8) e 978-65-5931-093-7 (ePUB)<\/p>\n<p><em>Tio Vania<\/em>, texto teatral do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904) encenado pela primeira vez h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, ganha nova roupagem, original\u00edssima. O cen\u00e1rio agora s\u00e3o os quadrinhos, e os \u201catores\u201d saem diretamente das tirinhas de Caco Galhardo para representar os tr\u00e1gicos personagens do texto de Tchekhov. Nas p\u00e1ginas da HQ, o clima da pe\u00e7a e o universo dos personagens s\u00e3o recriados como se estiv\u00e9ssemos vendo-os em um palco, dando a oportunidade de os leitores conhecerem um dos grandes textos da dramaturgia mundial em um formato mais familiar e de grande circula\u00e7\u00e3o. Os dramas vividos pelos personagens nos levam a refletir sobre o sentido da vida, sobre os caminhos e escolhas tomadas em cada trajet\u00f3ria. E n\u00e3o nos enganemos pela idade da pe\u00e7a: <em>Tio Vania<\/em> ainda tem muito a nos dizer. Trata-se de obra cl\u00e1ssica que se atualiza a cada leitura, e novas linguagens s\u00e3o sempre bem-vindas para convidar os leitores a descobrirem ou reentrarem no campo vasto desses escritos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/atirem-se-ao-ar\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-14420 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-100x150.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-100x150.jpg 100w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-203x305.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/978-85-7596-369-2-1.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/atirem-se-ao-ar\/\">Atirem-se ao ar!: O que nunca ningu\u00e9m contou de uma viagem hist\u00f3rica <\/a><\/h3>\n<p>Ant\u00f3nio Torrado<\/p>\n<p>14 x 21 cm \u2022 184 p\u00e1ginas \u2022 1 cor \u2022 ISBN 978-85-7596-369-2<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-85-7596-535-1 (ePUB)<\/p>\n<p>Como um avi\u00e3o, t\u00e3o mais pesado que o ar, pode vencer o bal\u00e3o, t\u00e3o menos pesado que o ar, e conquistar os c\u00e9us, frequentados apenas pelos passarinhos? Essas e outras perguntas encafifavam o dr. H\u00e9lio Dantas, incans\u00e1vel inimigo de dois her\u00f3is reais: Gago Coutinho e Sacadura Cabral.<\/p>\n<p>Foram eles os primeiros a alcan\u00e7ar o Brasil por via a\u00e9rea, vindos de Portugal. Por pouco e por culpa das tropelias do dr. H\u00e9lio, n\u00e3o ficavam pelo caminho, mas os dois valentes tudo venceram para, depois, muito se rirem dos acidentes da viagem. Riem eles e ri o leitor, ao longo dessa pe\u00e7a teatral de autoria de uma das grandes express\u00f5es da literatura para crian\u00e7as e jovens em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/meia-hora-para-mudar-a-minha-vida\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-13574\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-199x300.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-768x1157.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-680x1024.jpg 680w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-203x306.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356-600x904.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/356.jpg 824w\" sizes=\"(max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/meia-hora-para-mudar-a-minha-vida\/\">Meia hora para mudar a minha vida<\/a><\/h3>\n<p>Alice Vieira<\/p>\n<p>Ilustrado por Anna Cunha<\/p>\n<p>14 x 21 cm \u2022 160 p\u00e1ginas \u2022 1 cor \u2022 ISBN 978-85-7596-255-8<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-85-7596-436-1 (KF8) e 978-85-7596-422-4 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p>Branca nasceu nos bastidores de um palco, sob a salva de palmas do final de um espet\u00e1culo da Feira, como era chamado o lugar, uma comunidade de atores e artistas que tinha paix\u00e3o pelo teatro, pela arte e, em especial, pelas pe\u00e7as do dramaturgo Gil Vicente. Cresceu forte e equilibrada num ambiente que parecia disfuncional a alguns, bem diferente de um n\u00facleo familiar tradicional. Entre a casa da av\u00f3 distante, o endere\u00e7o do pai na Su\u00ed\u00e7a e o acolhimento da casa de inf\u00e2ncia (a Feira), eram muitas as escolhas da jovem Branca, aos 16 anos.<\/p>\n<p>Livro de uma das mais renomadas escritoras portuguesas que se dedicam \u00e0 crian\u00e7a e ao jovem, em que ela entrela\u00e7a uma can\u00e7\u00e3o de Adriana Calcanhotto (<em>Vambora<\/em>) com o teatro de Gil Vicente e a vida de uma adolescente, \u00e9 leitura imperd\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-17012 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web-95x150.jpg\" alt=\"\" width=\"95\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web-95x150.jpg 95w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web-191x300.jpg 191w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web-203x319.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web-600x943.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/978-85-7596-601-3_web.jpg 636w\" sizes=\"(max-width: 95px) 100vw, 95px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/albumdefamilia\">\u00c1lbum de fam\u00edlia: Aventuran\u00e7as, mem\u00f3rias e efabula\u00e7\u00f5es da trupe familiar Carro\u00e7a de Mamulengos<\/a><\/h3>\n<p>Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Catarina Bessell<\/p>\n<p>17,5 x 27,5 cm \u2022 96 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-8602-899-7<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-8602-800-3 (KF8) e 978-85-7596-602-0 (ePUB)<\/p>\n<p>Livro premiado!<\/p>\n<p><em>\u00c1lbum de fam\u00edlia<\/em> \u00e9 uma biografia po\u00e9tica, a biofantasia da trupe familiar Carro\u00e7a de Mamulengos, uma das mais importantes companhias culturais do pa\u00eds, escrita pela escritora, jornalista, documentarista e cr\u00edtica teatral Gabriela Romeu, com ilustra\u00e7\u00f5es de Catarina Bessell e apresenta\u00e7\u00e3o de Chico C\u00e9sar.<\/p>\n<p>O grupo mambembe foi criado h\u00e1 mais de 40 anos, na d\u00e9cada de 1970, por Carlos Gomide, o Babau, menino de muitos sonhos, disc\u00edpulo de mestres bonequeiros do Nordeste tradicional, que se enamorou de uma mo\u00e7a de grandes saias rodadas e com ela se aventurou pela arte e pela vida. No espet\u00e1culo da vida, nasceram os oito filhos, todos crescidos na estrada, cada um deles com um talento diferente para desvendar o mundo e inaugurar uma cena nova no espet\u00e1culo da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\">Noite de brinquedo <\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/noite-de-brinquedo\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-30884 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-124x150.jpg\" alt=\"\" width=\"124\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-124x150.jpg 124w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-248x300.jpg 248w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-846x1024.jpg 846w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-768x929.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-1270x1536.jpg 1270w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-1693x2048.jpg 1693w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-203x246.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-600x726.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-236-8_G-150x181.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 124px) 100vw, 124px\" \/><\/a><\/h3>\n<p>Antonia Mattos, Gabriela Romeu<\/p>\n<p>Ilustrado por Luci Sacoleira<\/p>\n<p>18,5 x 23 cm \u2022 128 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-236-8<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-239-9 (KF8) e 978-65-5931-235-1 (ePUB)<\/p>\n<p>Este livro nos apresenta a jornada de Maria, uma menina rainha que cresceu brincando reisado, folguedo popular que \u00e9 uma mistura de teatro, brincadeira e festejo. At\u00e9 que um dia, assim como manda a tradi\u00e7\u00e3o desse brinquedo popular, ela precisa passar a coroa para uma menina mais nova. N\u00e3o bastasse o desafio de viver esse rito de passagem e crescer, coisas estranhas acontecem no terreiro de Yay\u00e1, a av\u00f3 de Maria, e ela \u00e9 convocada a atravessar o sert\u00e3o numa noite escura sem fim.<\/p>\n<p>O texto, que tem tamb\u00e9m uma vers\u00e3o em dramaturgia, foi escrito por Gabriela Romeu e Antonia Mattos, diretora do grupo teatral Cl\u00e3 do Jabuti. As ilustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o da cearense Luci Sacoleira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/muitas-coisas-poucas-palavras\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-31462 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-120x150.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-120x150.jpg 120w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-1639x2048.jpg 1639w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-203x254.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-600x750.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-150x187.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/978-65-5931-241-2_G-1-scaled.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 120px) 100vw, 120px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/muitas-coisas-poucas-palavras\/\">Muitas coisas, poucas palavras: A oficina do professor Com\u00eanio e a arte de ensinar e aprender <\/a><\/h3>\n<p>Francisco Marques V\u00edrgula Chico dos Bonecos<\/p>\n<p>Ilustrado por Alice Masago<\/p>\n<p>A pe\u00e7a radiof\u00f4nica \u00e9 um estonteante registro de leitura feito de forma criativa e mirabolante pelo poeta e educador Francisco Marques (Chico dos Bonecos) sobre a <em>Did\u00e1tica magna<\/em>, de Jo\u00e3o Am\u00f3s Com\u00eanio, nascido em 1592, na Moravia, atualmente a por\u00e7\u00e3o oriental da Rep\u00fablica Tcheca, e considerado o pai da escola democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do di\u00e1logo criativo do professor com o leitor e ouvinte, em formato de pe\u00e7a radiof\u00f4nica, Chico exercita outros g\u00eaneros textuais \u2013 a poesia, a biograf ia, a entrevista, a prosa \u2013 e oferece, em tom l\u00fadico, oportunidades maravilhosas de reflex\u00e3o sobre a arte de ensinar e aprender e mostra como s\u00e3o contempor\u00e2neas, para os desafios da educa\u00e7\u00e3o atual, as ideias de Com\u00eanio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/o-teatro-que-muda-o-mundo\/\">O teatro que muda o mundo: experi\u00eancias com teatro jovem<\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/o-teatro-que-muda-o-mundo\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-29764 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro-110x150.png\" alt=\"\" width=\"110\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro-110x150.png 110w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro-219x300.png 219w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro-203x277.png 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro-150x205.png 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/teatro.png 436w\" sizes=\"(max-width: 110px) 100vw, 110px\" \/><\/a><\/h3>\n<p>Tuna Serzedello<\/p>\n<p>20,5 x 27,5 cm \u2022 144 p\u00e1ginas \u2022 2 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-089-0<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-090-6 (ePUB)<\/p>\n<p>Neste livro, o ator, diretor, professor de teatro e dramaturgo Tuna Serzedello compartilha com os leitores sua experi\u00eancia de mais de vinte anos de trabalho com teatro de jovens. Em linguagem acess\u00edvel, numa conversa aberta e generosa com os educadores, o autor aborda aspectos como: a composi\u00e7\u00e3o do grupo, a escolha do texto a ser encenado e a divis\u00e3o dos pap\u00e9is, a cria\u00e7\u00e3o coletiva e a responsabilidade de todos em face da encena\u00e7\u00e3o, do improviso, dos erros, dos acertos e da descoberta do talento dos jovens, respeitando a singularidade de cada um deles.<\/p>\n<p>Escrito em tempos de pandemia, a modalidade <em>online<\/em> n\u00e3o poderia ficar de fora. Para a escrita desse cap\u00edtulo, o autor convidou a diretora teatral Soledad Yunge para compartilhar a experi\u00eancia durante o isolamento social e para mostrar como as viv\u00eancias propostas forneceram outros caminhos e possibilidades para essa arte do encontro e da presen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curadoria: Teatro vivo na escola Para apoiar os educadores na escolha dos t\u00edtulos a serem trabalhados nas escolas, a Editora Peir\u00f3polis desenvolve, desde 2021, uma proposta de curadoria de leituras. 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