{"id":34056,"date":"2024-04-08T15:21:05","date_gmt":"2024-04-08T18:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/?p=34056"},"modified":"2025-06-24T17:47:20","modified_gmt":"2025-06-24T20:47:20","slug":"curadoria-os-quadrinhos-e-a-geografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/curadoria-os-quadrinhos-e-a-geografia\/","title":{"rendered":"Curadoria: Os quadrinhos e a Geografia"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Curadoria: Os quadrinhos e a Geografia<\/h1>\n<p style=\"text-align: left;\">Para apoiar os educadores na escolha dos t\u00edtulos a serem trabalhados nas escolas, a Editora Peir\u00f3polis desenvolve, desde 2021, uma proposta de curadoria de leituras. A partir de cada foco, elegemos uma \u201cfam\u00edlia\u201d de obras que dialogam com o assunto, buscando apresent\u00e1-las, contextualizar sua pertin\u00eancia e sugerir propostas para serem desenvolvidas com os estudantes. O material \u00e9 elaborado por especialistas, de acordo com as habilidades e compet\u00eancias previstas na BNCC.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Salve a Amaz\u00f4nia! E o Cerrado tamb\u00e9m!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Esse \u00e9 o texto da tirinha que est\u00e1 na capa da curadoria dedicada aos quadrinhos e a Geografia. Em geral, ouvimos muito sobre a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, sobre a grave situa\u00e7\u00e3o em que se encontra a Mata Atl\u00e2ntica e sobre os desmatamentos, eros\u00f5es e inc\u00eandios no Pantanal, importantes biomas brasileiros. E o Cerrado? Por que este bioma muitas vezes parece mais esquecido do que os outros, quando o assunto \u00e9 meio ambiente e explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Evandro Alves, quadrinista e ge\u00f3grafo, quer mudar o senso comum que foi constru\u00eddo acerca do Cerrado, ajudando-nos a olhar para a sua riqueza e para o grave desmatamento que acomete esse bioma, e faz isso utilizando a linguagem dos quadrinhos!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com uma pena bastante afiada e forma\u00e7\u00e3o profissional na \u00e1rea da Geografia, o autor nos convida a refletir n\u00e3o s\u00f3 sobre quest\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e ambientais que assolam esse bioma, mas tamb\u00e9m sobre a efic\u00e1cia do uso dos quadrinhos, com sua linguagem precisa, cr\u00edtica, bem-humorada e muito pr\u00f3ximas dos jovens, para ampliar seus olhares sobre urgentes quest\u00f5es de nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A partir do trabalho de Evandro Alves, exploramos nesta curadoria algumas possibilidades de encontros dos quadrinhos e da Geografia e seus usos em contexto escolar, sobretudo nas etapas finais do Ensino Fundamental e do Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/cerrado-em-quadrinhos\/\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_border sc_button_size_small  sc_button_iconed icon-book\" style=\"color:orange;\">Conhe\u00e7a: Cerrado em quadrinhos<\/a>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Baixe, leia, compartilhe.<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Curadoria-Os-quadrinhos-e-a-Geografia.pdf\" class=\"pdfemb-viewer\" style=\"height: 800px; \" data-width=\"max\" data-height=\"800\" data-mobile-width=\"500\"  data-scrollbar=\"none\" data-download=\"off\" data-tracking=\"on\" data-newwindow=\"on\" data-pagetextbox=\"off\" data-scrolltotop=\"off\" data-startzoom=\"100\" data-startfpzoom=\"100\" data-toolbar=\"both\" data-toolbar-fixed=\"off\">Curadoria-Os-quadrinhos-e-a-Geografia<br\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Curadoria-Os-quadrinhos-e-a-Geografia.pdf\" class=\"sc_button sc_button_square sc_button_style_default sc_button_size_small aligncenter\">Clique aqui para baixar ou visualizar<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os quadrinhos e a Geografia: propostas de encontros na escola<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Teresa de Carvalho<\/p>\n<h3>Redesenhando fronteiras: a Geografia mais perto da Literatura e da Arte<\/h3>\n<p>Pensar a Geografia e seus variados temas, quest\u00f5es e nuances sempre foi, desde o surgimento desta ci\u00eancia, um desafio. Uma \u00e1rea que aborda tantas caracter\u00edsticas do que chamamos Terra \u2013 aspectos sociais, f\u00edsicos, pol\u00edticos\u2026 Como organizar todo esse conhecimento? E, mais, como <em>ensinar<\/em> tudo isso?<\/p>\n<p>Na trajet\u00f3ria metodol\u00f3gica da Geografia vemos muitas formas de abordar essas tem\u00e1ticas. Nesta curadoria, nos voltamos para um ge\u00f3grafo e autor brasileiro, Evandro Alves que, unindo o saber geogr\u00e1fico com a arte de escrever e desenhar hist\u00f3rias em quadrinhos, desenvolveu uma metodologia pr\u00f3pria de se pensar e ensinar o Brasil, mais especificamente uma regi\u00e3o: o Cerrado.<\/p>\n<p>O Cerrado brasileiro, assim como os outros biomas que ocupam o territ\u00f3rio do nosso pa\u00eds, tem suas particularidades. \u00c9 sobre isso que Evandro discorre em seus dois livros: <em>Cerrado em Quadrinhos<\/em> e <em>Hist\u00f3rias em Quadrinhos no Ensino de Geografia<\/em>. O primeiro, como o t\u00edtulo sugere, apresenta uma vasta cole\u00e7\u00e3o de quadrinhos que abordam diversos aspectos dessa regi\u00e3o brasileira: as quest\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o da terra (quem mora no Cerrado? Que pessoas e quais animais? Quem trabalha l\u00e1? <em>Como<\/em> essa terra \u00e9 explorada?), as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ambientais que v\u00eam modificando essa paisagem, a rela\u00e7\u00e3o entre o ser humano e esse tipo espec\u00edfico de meio natural\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que, durante a hist\u00f3ria epistemol\u00f3gica da Geografia, n\u00e3o faltaram esfor\u00e7os das diversas escolas do conhecimento (alem\u00e3, francesa, inglesa, brasileira e por a\u00ed vai) de unir os saberes pr\u00f3prios do que chamamos Geografia F\u00edsica e Geografia Humana. Como apresentar uma pesquisa que relacione, por exemplo, caracter\u00edsticas geomorfol\u00f3gicas, como o relevo de um lugar, com o modo de vida da popula\u00e7\u00e3o que o habita, sem que o resultado seja um trabalho superficial, para algum dos lados? O caminho pode se dar atrav\u00e9s das hist\u00f3rias em quadrinhos, na qual se apresentam de forma did\u00e1tica e cr\u00edtica, e em temas diversos.<\/p>\n<p>\u00c9 de fato uma viagem entrar no mundo do Cerrado por meio das reflex\u00f5es propiciadas pela contund\u00eancia do encontro das imagens \u2013 por vezes caricatas \u2013 com o texto enxuto e preciso dos quadrinhos. Ganha-se o leitor, como em um nocaute do Boxe, talvez como o escritor argentino Julio Cort\u00e1zar mencionou ao falar sobre o efeito do conto naquele que o l\u00ea. \u00c9 um susto, uma surpresa. Ao apresentar vis\u00f5es t\u00e3o sint\u00e9ticas que agregam muitos conhecimentos, o leitor mergulha naquela experi\u00eancia e cen\u00e1rio, enquanto aprende. Assim, une-se numa mesma leitura o estudo e a aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.<\/p>\n<p>E, falando em aprendizagem, <em>Hist\u00f3rias em Quadrinhos no Ensino de Geografia<\/em> trata justamente da rela\u00e7\u00e3o entre as HQs e a sala de aula: como abordar essa forma espec\u00edfica de literatura como estrat\u00e9gia de ensino? As duas obras, de certa forma, se complementam. Mas este segundo livro, que resulta da tese de doutorado de Evandro Alves, abre uma discuss\u00e3o que \u00e9 pouco debatida no ensino de Geografia, ao apresentar as hist\u00f3rias em quadrinhos como uma potente ferramenta para trabalhar diversos temas em sala de aula \u2013 geogr\u00e1ficos ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>A seguir, desenrolamos esse fio que une a Geografia com a Arte e a Literatura e que nos ensina que h\u00e1 menos fronteiras entre a ci\u00eancia e a arte do que podemos estar acostumados a pensar.<\/p>\n<p>Nas palavras de Evandro:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Esse \u201capagar\u201d de limites, rompimento, tem como objetivo abrir os requadros das hist\u00f3rias em quadrinhos para ci\u00eancia e, da mesma forma, as p\u00e1ginas da ci\u00eancia para as hist\u00f3rias em quadrinhos, gerar um saud\u00e1vel interc\u00e2mbio de saberes. (p. 4)<\/p>\n<h3>Mapas e imagens: diferentes formas de representar ideias<\/h3>\n<p>Como conseguimos expressar nossas ideias e conhecimentos, para al\u00e9m da palavra? Podemos compreender o mundo por meio de outras linguagens, que n\u00e3o apenas a narrativa escrita, tantas vezes preponderante? O que vem \u00e0 sua mente ao ler essa frase?<\/p>\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o, muitas vezes s\u00e3o empregados diferentes recursos representativos para ensinar algum conte\u00fado para as crian\u00e7as e adolescentes. Na matem\u00e1tica, primordialmente, podemos aprender as fra\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da divis\u00e3o de uma pizza, por exemplo. Parece que vamos do mais simples ao mais complexo: da concretude de um objeto corriqueiro e comum aos alunos, at\u00e9 a abstra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a l\u00f3gica \u00e9 a mesma \u2013 e, portanto, a sua complexidade n\u00e3o muda \u2013 o que se modifica \u00e9 a linguagem. Algumas informa\u00e7\u00f5es parecem mais f\u00e1ceis de se apreender de outras formas, para al\u00e9m da palavra.<\/p>\n<p>Na Geografia isso pode aparecer de forma mais evidente, j\u00e1 que estudamos, produzimos e analisamos mapas. O que \u00e9 um mapa, sen\u00e3o uma outra forma de dispor os dados? O mapa \u00e9, assim, uma representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de um determinado fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da ci\u00eancia cartogr\u00e1fica, os mapas eram desenhos meticulosos, elaborados por cart\u00f3grafos que, reunindo um conjunto de dados colhidos em campo, organizavam todo o seu conhecimento em uma imagem. Depois, com a chegada do computador, os mapas passaram a ser produzidos por programas virtuais de desenho, mas continuam seguindo a mesma l\u00f3gica: uma organiza\u00e7\u00e3o espacial de informa\u00e7\u00f5es. Construindo um mapa \u00e9 que percebemos: a leitura deste pode ser muito mais f\u00e1cil e menos onerosa do que percorrer, por exemplo, uma extensa tabela de dados, onde muitas vezes n\u00e3o conseguimos compreender as propor\u00e7\u00f5es de cada fen\u00f4meno. O professor Manoel Fernandes de Souza Neto escreve sobre os mapas em seu livro de cr\u00f4nicas <em>Aula de Geografia<\/em>:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Ali, onde o mapa se abre, a viagem come\u00e7a. A gente desenrola aquele papel enorme sobre a mesa e vai percorrendo as linhas, admirando as legendas, colorindo a imagina\u00e7\u00e3o, como o p\u00e1ssaro quando sobrevoa os Andes com as asas abertas e o mundo nas penas da m\u00e3o. (p. 55)<\/p>\n<p>Neste trecho, Manoel compara a leitura cartogr\u00e1fica com uma viagem. Como se pud\u00e9ssemos, de fato, \u201centrar\u201d no mapa. Mais ainda, o autor coloca a possibilidade de nos transformarmos em outros seres \u2013 e vermos o mundo por outro ponto de vista. Nos mapas, na maioria das vezes, enxergamos o espa\u00e7o visto de cima, como um p\u00e1ssaro. Isso nos diz algo sobre as representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas (mapas, fotografias, desenhos): h\u00e1 uma parte do fen\u00f4meno registrado ali, naquela folha de papel \u2013 ou tela de computador, mas tem uma outra parcela que s\u00f3 \u00e9 compreendida por meio da abstra\u00e7\u00e3o, da imagina\u00e7\u00e3o do leitor, do apreciador. Para entender um mapa que exibe curvas de n\u00edvel, por exemplo, \u00e9 preciso fazer um exerc\u00edcio: transformar algumas linhas arredondadas em relevos de diferentes tamanhos. E a\u00ed, no meio da sala de aula, podem-se reconstruir todos os mares de morros de Minas Gerais, por exemplo. Como nesse poema de Ana Martins Marques:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Rasguei um peda\u00e7o do mapa<br \/>\nde modo que o Grand Canyon continua<br \/>\nna minha mesa de trabalho<br \/>\nonde o mapa repousa<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">desde ent\u00e3o minha mesa de trabalho<br \/>\ntermina subitamente num abismo<\/p>\n<p>Olhar um mapa pode ser mesmo uma viagem para outros lugares. E, j\u00e1 que utilizamos tanto os recursos cartogr\u00e1ficos para ensinar Geografia, por que n\u00e3o explorar outras imagens \u2013 outras representa\u00e7\u00f5es do mundo?<\/p>\n<p>Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma das unidades tem\u00e1ticas que guiam a elabora\u00e7\u00e3o das habilidades e compet\u00eancias correspondentes a cada ano do ensino escolar s\u00e3o as \u201cformas de representa\u00e7\u00e3o e pensamento espacial\u201d. Em \u201cformas de representa\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o estamos falando s\u00f3 dos mapas, e sim de uma variedade de imagens, fotografias, desenhos, gr\u00e1ficos\u2026 \u201cQuanto mais diversificado for o trabalho com linguagens, maior o repert\u00f3rio constru\u00eddo pelos alunos, ampliando a produ\u00e7\u00e3o de sentidos na leitura de mundo\u201d (BNCC). A diversifica\u00e7\u00e3o de linguagens pode ser o meio, portanto, para que se abra o caminho em que o estudante vai adquirindo cada vez mais autonomia em suas leituras e constru\u00e7\u00f5es de sentidos, e possa, portanto, ter \u201co mundo nas penas da m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O pensamento espacial \u00e9 constru\u00eddo, justamente, no exerc\u00edcio de leitura e compreens\u00e3o de cada representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do espa\u00e7o. Yves Lacoste, renomado ge\u00f3grafo franc\u00eas, diz: \u201cDeveras, as representa\u00e7\u00f5es espaciais s\u00f3 t\u00eam verdadeiro significado para aqueles que as sabem ler (&#8230;)\u201d. Parece \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9. Assim como precisamos de um certo repert\u00f3rio de economia para compreender uma not\u00edcia de jornal que fala sobre a infla\u00e7\u00e3o, por exemplo, tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias refer\u00eancias \u2013 o tal do pensamento espacial \u2013 para entender um mapa, uma fotografia a\u00e9rea, um croqui, uma obra de arte\u2026<\/p>\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico que temos no ensino de Geografia no Brasil \u00e9 a famosa fotografia de Tuca Vieira (2004, dispon\u00edvel na internet), que mostra um edif\u00edcio de alto padr\u00e3o no bairro do Morumbi, cujo muro faz fronteira com a favela de Parais\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo. Poder\u00edamos escrever longos textos explicando a desigualdade social, a urbaniza\u00e7\u00e3o, os processos de segrega\u00e7\u00e3o espacial na cidade\u2026 Mas todos esses temas (e ainda outros) se fazem presentes em uma s\u00f3 imagem (para quem souber ler, como bem disse Lacoste). Ao nos depararmos com uma representa\u00e7\u00e3o, articulamos os nossos saberes pr\u00e9vios com a realidade que est\u00e1 sendo mostrada ali. Uma foto, portanto, pode ser lida de muitas maneiras diferentes, a depender da trajet\u00f3ria de quem a v\u00ea, e do contexto em que \u00e9 apresentada.<\/p>\n<h2>E os quadrinhos? As HQs no ensino de Geografia<\/h2>\n<p>As tirinhas, ou hist\u00f3rias em quadrinhos, fazem parte da nossa cultura e do nosso cotidiano. Desde a metade do s\u00e9culo XX ocupam espa\u00e7os nos jornais e folhetins de circula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Por\u00e9m, na educa\u00e7\u00e3o, os quadrinhos demoraram para ser considerados textos que pudessem apoiar o ensino. At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo eram vistos como literatura menor, sem que fossem reconhecidas em sua potencialidade de aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens com a pr\u00e1tica da leitura, al\u00e9m de serem fontes de desenvolvimento de importantes compet\u00eancias leitoras.<\/p>\n<p>A linguagem das tiras, bastante sucinta e muitas vezes ir\u00f4nica, permite que o leitor fa\u00e7a, primeiro, a conex\u00e3o entre o desenho e o texto e, depois, tente compreender o sentido da mensagem que est\u00e1 sendo transmitida ali. Comumente, os quadrinistas expressam, atrav\u00e9s das tiras, a sua opini\u00e3o sobre determinado assunto, a sua vis\u00e3o de mundo. E isso significa que, para compreend\u00ea-la, o leitor tamb\u00e9m precisa saber um pouco sobre esse assunto, interpretando aquela narrativa visual e textual.<\/p>\n<p>Saber ler quadrinhos, portanto, exige que o estudante atribua sentidos a partir do que v\u00ea: texto, imagem, a articula\u00e7\u00e3o entre eles e as lacunas de sentido, como o espa\u00e7o entre os quadros, refletindo, a partir desse processo, sobre os temas que s\u00e3o tratados ali. Por esse motivo, \u00e9 comum encontrarmos exerc\u00edcios escolares que apresentam uma tirinha seguida de perguntas que pedem para que o aluno explique qual \u00e9 o sentido, ou a ironia contida ali. Como toda boa obra, portanto, as hist\u00f3rias em quadrinhos pressup\u00f5em um leitor ativo, que pensa sobre aquilo que l\u00ea e que tamb\u00e9m pode ser surpreendido por aquela rela\u00e7\u00e3o inusitada entre texto e imagem. H\u00e1 uma interlocu\u00e7\u00e3o muito evidente entre autor e leitor, que acabam por compartilhar uma interpreta\u00e7\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pedag\u00f3gico, a leitura dos quadrinhos, que dizem tanto em poucas palavras aliadas \u00e0 pot\u00eancia das imagens, pode ser muito eficaz, ao capturar logo de cara o leitor, j\u00e1 que carrega uma particularidade: batendo o olho em uma tirinha, aparentemente j\u00e1 se l\u00ea tudo. Sim, o convite \u00e9 sedutor: ler aquelas poucas linhas e observar as imagens que se dividem em poucos quadros para se ter acesso a uma ideia nova, a algo engra\u00e7ado, surpreendente, que desloca certa vis\u00e3o comum da realidade.<br \/>\nDepois de capturados por esse imediatismo da tirinha, \u00e9 desej\u00e1vel que os leitores sejam levados a refletir mais profundamente sobre o que est\u00e1 sendo revelado ali. Em seu livro <em>Hist\u00f3rias em quadrinhos no ensino de Geografia<\/em>, o cartunista e ge\u00f3grafo Evandro Alves escreve:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">A f\u00e1cil capacidade de assimila\u00e7\u00e3o dessa linguagem art\u00edstica est\u00e1 calcada no eficaz sequenciamento de imagens e contextos e tamb\u00e9m na intera\u00e7\u00e3o de texto e de imagens sequenciais que d\u00e3o forma ao que chamamos de hist\u00f3rias em quadrinhos. Das mais simples \u00e0s mais complexas e experimentais, as hist\u00f3rias em quadrinhos s\u00e3o uma linguagem que se vale das experi\u00eancias visuais compartilhadas pelo criador e o p\u00fablico que tem acesso \u00e0 sua obra.<\/p>\n<h3>Quadrinhos: um texto que fala muito aos jovens leitores<\/h3>\n<p>Daniel Pennac, no livro <em>Como um romance<\/em>, questiona a raz\u00e3o dos adolescentes \u201cn\u00e3o gostarem de ler\u201d. Em dado momento, o autor franc\u00eas coloca: \u201cno entanto, se a leitura n\u00e3o \u00e9 um ato de comunica\u00e7\u00e3o <em>imediata<\/em>, \u00e9, certamente, um objeto de partilhamento.\u201d (p. 84) Como colocado anteriormente, nos quadrinhos h\u00e1 o ponto de vista \u2013 mais ou menos expl\u00edcito \u2013 do autor, o que n\u00e3o deixa de ser um fragmento de realidade, uma partilha entre a vis\u00e3o de mundo deste com a do leitor. A partir do que \u00e9 proposto, <em>partilhado<\/em> pelo autor, que o leitor vai construindo, justamente, a <em>sua<\/em> leitura sobre determinado assunto. Pennac, mais uma vez, diz: \u201cDepois \u00e9 o texto que nos carrega e esquecemos aquele que nos mergulhou nele: toda a for\u00e7a de uma obra est\u00e1, justamente, no varrer de mais essa conting\u00eancia!\u201d (p. 84).<\/p>\n<p>Sobre a rela\u00e7\u00e3o por vezes bastante delicada entre os jovens leitores e a literatura, Evandro Alves (2023) discute como esse tipo de linguagem pode contribuir para uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com a leitura, visto que \u201cos quadrinhos s\u00e3o uma linguagem din\u00e2mica\u201d, j\u00e1 popularizada, que fazem parte do cotidiano das crian\u00e7as e dos jovens.<\/p>\n<p>Esse dinamismo da linguagem das hist\u00f3rias em quadrinhos pode ser mesmo uma ferramenta importante para maior aproxima\u00e7\u00e3o entre os jovens e a leitura. Al\u00e9m disso, saber ler uma imagem \u2013 ou, neste caso, uma composi\u00e7\u00e3o de texto e imagem (desenho) \u2013 \u00e9 uma habilidade importante na forma\u00e7\u00e3o dos alunos, que aprendem a relacionar duas linguagens diferentes para a compreens\u00e3o de uma narrativa que alia texto e imagem. Tanto para a Geografia, quanto para outras \u00e1reas do conhecimento. Sobre a articula\u00e7\u00e3o entre os quadrinhos e o ensino de Geografia em si, Alves continua:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Conv\u00e9m ressaltar que, no caso do ensino da disciplina de Geografia, tende-se, em um primeiro momento, cair no \u201clugar comum\u201d de se utilizar hist\u00f3rias em quadrinhos meramente para a descri\u00e7\u00e3o de paisagens, sob a perspectiva da Geografia tradicional. No entanto, \u00c2ngela Rama (2004) ressalta que, n\u00e3o devemos pensar que a principal contribui\u00e7\u00e3o dos quadrinhos para o ensino de Geografia seja a mera descri\u00e7\u00e3o de paisagens. O potencial dessa linguagem ultrapassa esse aspecto, podendo atender \u00e0s mais recentes abordagens te\u00f3ricas e pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Vamos olhar um exemplo? Observemos a tirinha abaixo, tamb\u00e9m de Evandro Alves, publicada em <em>Cerrado em Quadrinhos<\/em>:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-34068 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-282x300.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-282x300.jpg 282w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-962x1024.jpg 962w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-141x150.jpg 141w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-768x817.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-1443x1536.jpg 1443w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-203x216.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-600x639.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7-150x160.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado7.jpg 1831w\" sizes=\"(max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/p>\n<p>Essa tirinha consegue resumir, em quatro imagens e poucas frases, a hist\u00f3ria de ocupa\u00e7\u00e3o do Cerrado brasileiro e, al\u00e9m disso, fazer uma cr\u00edtica \u00e0 presen\u00e7a do agroneg\u00f3cio e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o latifundi\u00e1ria das terras. O autor, mesmo colocando o seu ponto de vista e fazendo uma cr\u00edtica pol\u00edtica ao modo hegem\u00f4nico de pensamento, abre um espa\u00e7o para que o leitor possa pensar sobre os rumos, neste caso, da divis\u00e3o de terras no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para isso, por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio articular um repert\u00f3rio pr\u00e9vio de Geografia: sabendo qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Cerrado atualmente e relacionando as imagens com os textos de cada quadrinho, o leitor conseguir\u00e1 reconhecer a linha do tempo que o quadrinista construiu, mostrando as popula\u00e7\u00f5es que ocuparam o territ\u00f3rio. Desde os povos ind\u00edgenas (primeiro quadro), seguido pelas popula\u00e7\u00f5es de pequenos agricultores\/camponeses, que majoritariamente habitaram a regi\u00e3o at\u00e9 os anos 1970, quando h\u00e1 um movimento de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, e do desenvolvimento pela Embrapa, resultando no terceiro quadro, que mostra a bota de um latifundi\u00e1rio e, portanto, quer dizer que hoje a ocupa\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria no Cerrado \u00e9, justamente, agropecu\u00e1ria. O \u00faltimo quadrinho mostra a proje\u00e7\u00e3o do autor para o futuro, elucidando uma cr\u00edtica ao desenvolvimentismo e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das terras.<\/p>\n<p>O quadrinho dialoga com as habilidades da BNCC:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>6\u00ba ano: (EF06GE02)<\/strong> Analisar modifica\u00e7\u00f5es de paisagens por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>7\u00ba ano: (EF07GE03)<\/strong> Selecionar argumentos que reconhe\u00e7am as territorialidades dos povos ind\u00edgenas origin\u00e1rios, das comunidades remanescentes de quilombos, de povos das florestas e do cerrado, de ribeirinhos e cai\u00e7aras, entre outros grupos sociais do campo e da cidade, como direitos legais dessas comunidades.<\/p>\n<p>Neste outro quadrinho de Alves, podemos ver mais um exemplo:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-34069 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-282x300.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-282x300.jpg 282w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-962x1024.jpg 962w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-141x150.jpg 141w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-768x817.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-1443x1536.jpg 1443w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-203x216.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-600x639.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10-150x160.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado10.jpg 1831w\" sizes=\"(max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/p>\n<p>Aqui, h\u00e1 mais recurso textual, contando uma outra hist\u00f3ria, tamb\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o do Cerrado brasileiro, e articulando a rela\u00e7\u00e3o campo-cidade, identificando os sujeitos sociais que s\u00e3o afetados pelas mudan\u00e7as no ambiente (e, portanto, na paisagem). \u00c9 interessante observar que esse texto presente nos quadrinhos \u00e9, como j\u00e1 dito, din\u00e2mico, veloz. Mesmo assim, n\u00e3o deixa de apresentar uma discuss\u00e3o que pode se aprofundar na sala de aula, por exemplo. Os quadrinhos podem ser um bom ponto de partida para enunciar um problema aos alunos.<\/p>\n<p>O quadrinho dialoga com as habilidades da BNCC:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>8\u00ba ano: (EF08GE10)<\/strong> Distinguir e analisar conflitos e a\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais brasileiros, no campo e na cidade, comparando com outros movimentos sociais existentes nos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>9\u00ba ano: (EF09GE12)<\/strong> Relacionar o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, \u00e0 expans\u00e3o do desemprego estrutural e ao papel crescente do capital financeiro em diferentes pa\u00edses, com destaque para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>(EF09GE13)<\/strong> Analisar a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria na sociedade urbano-industrial ante o problema da desigualdade mundial de acesso aos recursos alimentares e \u00e0 mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>Para falar sobre o emprego dos quadrinhos no ensino de Geografia, demos tr\u00eas exemplos de tiras de Evandro Alves, autor do livro <em>Cerrado em quadrinhos<\/em>, que conta, atrav\u00e9s dessa forma de linguagem, a hist\u00f3ria do Cerrado brasileiro, tecendo sua cr\u00edtica ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria desse bioma. Mas por qu\u00ea o Cerrado?<\/p>\n<p>O Cerrado \u00e9 um bioma brasileiro, localizado na regi\u00e3o central do pa\u00eds. Por\u00e9m, no imagin\u00e1rio pol\u00edtico, cultural e social, foi-se construindo um estere\u00f3tipo, uma ideia simplificada (e muitas vezes, errada), sobre o que <em>existe<\/em> no Cerrado. Evandro volta aqui para nos contar mais:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">No caso, o sert\u00e3o-cerrado \u2013 terra dura de homens duros. Violenta. Terra que precisa ser domesticada, amansada e integrada \u00e0 ordem econ\u00f4mica vigente, associada ao modelo de desenvolvimento capitalista.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Essa \u00e9 a faceta mais difundida e enraizada do bioma, espa\u00e7o r\u00fastico de natureza e sociedade que, aos olhos das modernas formas de produ\u00e7\u00e3o, deve a todo custo ser substitu\u00eddo pelas novas, produtivas e civilizadas formas de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. A \u201cnatureza bruta\u201d que se mostra, al\u00e9m das paisagens, nas faces dos personagens \u00e9 uma pequena extens\u00e3o da \u201cdureza da terra\u201d, reentr\u00e2ncias do bioma que v\u00e3o al\u00e9m da paisagem que marcam e atravessam as faces e os corpos dos homens do lugar.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o \u00fanica do Cerrado \u00e9 criticada em v\u00e1rios dos quadrinhos de Alves, que trazem tamb\u00e9m os problemas ambientais relacionados ao aumento da explora\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria nessa regi\u00e3o do pa\u00eds, que vem contribuindo para o desmatamento e a diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-34070 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-282x300.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-282x300.jpg 282w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-962x1024.jpg 962w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-141x150.jpg 141w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-768x817.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-1443x1536.jpg 1443w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-203x216.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-600x639.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21-150x160.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cerrado21.jpg 1831w\" sizes=\"(max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/p>\n<p>Os quadrinhos de Alves transmitem sua opini\u00e3o e vis\u00e3o de mundo a respeito da conjuntura agr\u00e1ria e pol\u00edtica do Cerrado, e possibilitam que essa quest\u00e3o, ainda pouco discutida fora do ambiente acad\u00eamico ou \u201cnichado\u201d (ambientalistas x latifundi\u00e1rios\/ defensores do agro) torne-se um assunto de import\u00e2ncia e interesse popular, a partir da escola, espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os de nosso pa\u00eds. O que o livro de Alves traz \u00e9, justamente, uma <em>conscientiza\u00e7\u00e3o<\/em> sobre o problema que existe nesse bioma brasileiro, convidando os jovens a conhecerem, refletirem e se posicionarem diante deste cen\u00e1rio, em uma linguagem muito pr\u00f3xima ao universo juvenil. Nas palavras do autor:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">No contexto do presente livro, foi preciso que tamb\u00e9m encontr\u00e1ssemos o \u201cponto cego\u201d para a obra se fazer \u2013 tomar contornos. Desenhar-se e redesenhar-se para poder lutar contra outra cegueira. A cegueira irracional e destruidora do atual modelo de ocupa\u00e7\u00e3o do bioma. Lutar para reduzir a inc\u00f4moda invisibilidade ambiental do Cerrado. Evidenciar seus povos, sua fauna, suas \u00e1rvores tortas pois\u2026<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">A express\u00e3o reta, n\u00e3o sonha.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00e3o os jovens os que mais sonham nosso futuro, reinventando o mundo em que vivemos?<\/p>\n<h3>\u201cNo Cerrado tem mais capim e \u00e1rvores retorcidas, Jo\u00e3o-de-Barro e p\u00e9 de lim\u00e3o\u201d \u2013 Outras incurs\u00f5es por este bioma<\/h3>\n<p>Em 2019, a pesquisadora das inf\u00e2ncias e escritora Gabriela Romeu, juntou-se \u00e0 jornalista Marlene Peret, ao fot\u00f3grafo Samuel Macedo e ao ilustrador Kammal Jo\u00e3o para publicarem o livro <em>L\u00e1 no meu quintal, o brincar de meninas e meninos de norte a sul<\/em>, um invent\u00e1rio de brincadeiras, vozes e paisagens brasileiras diversas, incluindo o Cerrado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do livro, a pesquisa resultou em um conte\u00fado complementar, que pode ser acessado no site da editora. Em ambos os formatos, \u00e9 poss\u00edvel conhecer a Milena, uma crian\u00e7a que vive e cresce no Cerrado, observando a paisagem, e brincando nos quintais da cidade de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha.<\/p>\n<p>Nos registros realizados pelos autores, por meio de grava\u00e7\u00f5es, n\u00f3s ouvimos Milena falando sobre a regi\u00e3o onde mora, ressaltando algumas caracter\u00edsticas do Cerrado e compartilhando uma cantiga da regi\u00e3o. E chegando ao final de nossas reflex\u00f5es, achamos que n\u00e3o poderia ter melhor jeito de nos despedirmos de t\u00e3o rico bioma desbravado nessa curadoria. Se aceitar nosso convite para ouvir o sotaque que circula por aquelas bandas e entrar de outra maneira no clima do Cerrado, basta acessar: <a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal-conversa-cerrado\/\">https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/la-no-meu-quintal-conversa-cerrado\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n<p>AB\u2019SABER, Aziz Nacib. <em>Os dom\u00ednios de natureza no Brasil: potencialidades paisag\u00edsticas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea Editorial, 2003.<\/p>\n<p>MARQUES, Ana Martins. <em>O livro das semelhan\u00e7as<\/em>. Editora Companhia das Letras, 2015.<\/p>\n<p>SOUSA NETO, Manoel Fernandes de. <em>Aula de geografia e algumas cr\u00f4nicas<\/em>. 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Campina Grande: Bagagem, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Teresa de Carvalho<\/strong> \u00e9 graduada em Geografia pela FFLCH-USP. Atua desde 2019 no Museu da Pessoa, atualmente na \u00e1rea de Programa\u00e7\u00e3o Cultural e Curadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Estante de livros<\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/cerrado-em-quadrinhos\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-33558 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-2048x2048.jpg 2048w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-203x203.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/978-65-5931-260-3-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/cerrado-em-quadrinhos\">Cerrado em quadrinhos<\/a><\/h3>\n<p>Evandro Alves<\/p>\n<p>20 x 20 cm \u2022 128 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-260-3<\/p>\n<p>Livro digital ePub (ISBN: 978-65-5931-263-4) e KF8 (ISBN: 978-65-5931-264-1)<\/p>\n<p><em>Cerrado em quadrinhos<\/em> apresenta o bioma de forma cr\u00edtica e reflexiva, a partir da linguagem dos quadrinhos. O autor, Evandro Alves, utiliza essa forma de express\u00e3o para questionar o estere\u00f3tipo do Cerrado como um regi\u00e3o dura e violenta, que precisa ser domesticada e explorada.<\/p>\n<p>A obra traz uma vis\u00e3o mais complexa do Cerrado, destacando sua biodiversidade, sua import\u00e2ncia cultural e sua fragilidade ambiental. As hist\u00f3rias em quadrinhos abordam temas como o desmatamento, o agroneg\u00f3cio, os povos ind\u00edgenas e tradicionais, e a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 voltado para jovens a partir de 10 a 12 anos e \u00e9 uma ferramenta importante para a educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<h3>No prelo!<br \/>\n<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-34071 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-106x150.jpg\" alt=\"\" width=\"106\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-106x150.jpg 106w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-725x1024.jpg 725w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-768x1084.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-1088x1536.jpg 1088w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-1451x2048.jpg 1451w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-203x287.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-600x847.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-150x212.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/R_USO_DAS_HQS_NO_ENSINO_CERRADO_EM_HQ_capa_4julho2023-scaled.jpg 1813w\" sizes=\"(max-width: 106px) 100vw, 106px\" \/>Hist\u00f3rias em quadrinhos no ensino de geografia: Cerrado<\/strong><\/h3>\n<p>Evandro Alves<\/p>\n<p>17 x 24 cm \u2022 128 p\u00e1ginas \u2022 4 cores \u2022 ISBN 978-65-5931-047-0<\/p>\n<p>Livro digital ePub (ISBN: 978-65-5931-266-5) e KF8 (ISBN: 978-65-5931-265-8)<\/p>\n<p>Neste livro, o autor explora o potencial das hist\u00f3rias em quadrinhos como um recurso para a educa\u00e7\u00e3o ambiental. Ele mostra que as hist\u00f3rias em quadrinhos podem ser usadas para sensibilizar o p\u00fablico sobre quest\u00f5es socioambientais, como a preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado, despertar o interesse dos jovens, promover a reflex\u00e3o cr\u00edtica e incentivar a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Cerrado \u00e9 considerado um hotspot global de biodiversidade, o que significa que abriga uma grande variedade de esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o encontradas em nenhum outro lugar do mundo. Al\u00e9m disso, \u00e9 um importante sumidouro de carbono, ajudando a mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e fonte de \u00e1gua para rios e aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>Infelizmente, os n\u00edveis de destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado s\u00e3o alarmantes!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/as-linguagens-dos-quadrinhos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-13557\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/380-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"106\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/380-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/380-203x287.jpg 203w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/380-600x847.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/380.jpg 708w\" sizes=\"(max-width: 106px) 100vw, 106px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/antigo\/produto\/as-linguagens-dos-quadrinhos\/\"><strong>As linguagens dos quadrinhos<\/strong><\/a><\/h3>\n<p>Daniele Barbieri<\/p>\n<p>17 x 24 cm \u2022 270 p\u00e1ginas \u2022 1 cor \u2022 ISBN 978-65-5931-047-0<\/p>\n<p>Livro digital ISBN 978-65-5931-046-37<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria dos quadrinhos, nem uma investiga\u00e7\u00e3o sobre seus m\u00e9ritos e dem\u00e9ritos, mas uma explora\u00e7\u00e3o que pretende definir suas coordenadas no mapa das linguagens da comunica\u00e7\u00e3o de massa (da ilustra\u00e7\u00e3o \u00e0 pintura, \u00e0 fotografia, \u00e0s artes gr\u00e1ficas, \u00e0 poesia, \u00e0 literatura, ao cinema), e suas cont\u00ednuas e rec\u00edprocas intera\u00e7\u00f5es. Mais do que diferen\u00e7as \u2013 que s\u00e3o, no entanto, um ponto de partida natural \u2013 a \u00eanfase aqui \u00e9 dada \u00e0s semelhan\u00e7as, ou melhor, \u00e0s caracter\u00edsticas comuns \u00e0s v\u00e1rias linguagens. Uma abordagem sobre os quadrinhos que permite atravessar as linguagens que permeiam os quadrinhos, abrindo caminho para uma rica leitura de suas refer\u00eancias multimidi\u00e1ticas, como um meio de express\u00e3o como este merece ter.<\/p>\n<p>Um livro para todos que acreditam que a leitura de uma boa hist\u00f3ria em quadrinhos n\u00e3o deixa nada a desejar \u00e0 de um bom romance ou um bom filme.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curadoria: Os quadrinhos e a Geografia Para apoiar os educadores na escolha dos t\u00edtulos a serem trabalhados nas escolas, a Editora Peir\u00f3polis desenvolve, desde 2021, uma proposta de curadoria de leituras. A partir de cada foco, elegemos uma \u201cfam\u00edlia\u201d de obras que dialogam com o assunto, buscando apresent\u00e1-las, contextualizar sua pertin\u00eancia e sugerir propostas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3274,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2924],"tags":[],"class_list":["post-34056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-curadorias"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Curadoria: Os quadrinhos e a Geografia - Editora Peir\u00f3polis<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Curadoria da Peir\u00f3polis une quadrinhos e Geografia para destacar a preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado, usando a arte para educar. #Educa\u00e7\u00e3oAmbiental\" \/>\n<meta name=\"robots\" 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