O que o modernista Mário de Andrade escrevia para a mineira Henriqueta Lisboa nos últimos 6 anos de vida?

 

 

 

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São Paulo, 20 de janeiro de 1945.

Henriqueta querida.

São 8 horas da manhã, ainda não esquentou o dia, lhe escrevo sentindo a sua presença no ventinho abençoante, macio que anda aqui no estúdio. Esta minha rua tem pra mim alguma coisa de você, estou reparando. É bairro bom, bairro de gente do meio. Mas Deus fez um ricaço plantar umas árvores grandes bem na frente da minha casa, de maneira que a passarinhada enche as nossas manhãs e tardes, pondo uma lembrança de frutas furtadas no nariz da gente. Os bondes passam um quarteirão longe, não chega a atrapalhar. Mas lembra a cidade enorme e sua “forma humana corrupta da vida”. Fica ácido, essa presença do pecado perto. Mas neste momento o meu coração está sem nenhum pecado, mas se preparando pra pecar muito demais. Aproveito a pureza pra escrever a você.

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A Dona Ausente, SOUZA, Eneida Maria. Correspondência de Mário de Andrade e Henriqueta Lisboa. São Paulo, Editora Peirópolis e EDUSP, 2010. (Coleção Correspondência de Mário de Andrade)

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