{"id":39951,"date":"2026-06-03T13:05:05","date_gmt":"2026-06-03T16:05:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/?p=39951"},"modified":"2026-06-03T13:09:18","modified_gmt":"2026-06-03T16:09:18","slug":"entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/","title":{"rendered":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o<\/strong><br \/>\n<em>Sobre <\/em>o livro <em>A que horas meus pais chegam?<\/em><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff9900;\"><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-39955 alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg 262w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-893x1024.jpg 893w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-768x880.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-1340x1536.jpg 1340w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-450x516.jpg 450w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-650x745.jpg 650w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-600x688.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg 1353w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/a>Entrevista com Ana Carolina Neves:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Peir\u00f3polis: Ana, como nasceu a ideia deste livro? Conte um pouco sobre o processo que deu origem \u00e0 hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Carolina Neves:<\/strong> Essa hist\u00f3ria nasceu de uma viv\u00eancia que marcou muito minha inf\u00e2ncia: o medo dos meus pais n\u00e3o voltarem para casa no fim do dia. Eles n\u00e3o tinham um trabalho arriscado, nem a cidade era mais perigosa que outras capitais, mas eu sentia uma ang\u00fastia sofrida ao entardecer, que era uma mistura da incerteza da volta deles com o crep\u00fasculo.<\/p>\n<p>Enquanto meus pais trabalhavam fora, eu e meu irm\u00e3o er\u00e1mos cuidados pela Rita, que era empregada dom\u00e9stica na nossa casa. A gente morava em um bairro na borda da cidade de Belo Horizonte. Depois que volt\u00e1vamos da escola, a gente estudava, brincava, assistia TV e lanchava. Mas, com o passar do dia, principalmente quando come\u00e7ava a escurecer, ia surgindo em mim aquele sentimento ruim, que era uma preocupa\u00e7\u00e3o de chegar a hora da Rita ir embora e dos meus pais n\u00e3o terem chegado em casa ainda. Acho que essa ang\u00fastia \u00e9 mesmo ancestral, vem dos tempos em que mor\u00e1vamos nas cavernas, quando escurecia e o mundo l\u00e1 fora ficava mais perigoso. Minha m\u00e3e, que foi crian\u00e7a numa fazenda, tamb\u00e9m conta que sentia tristeza quando o dia ia escurecendo, os bezerros eram apartados das vacas e a seriema cantava o campo. Era o medo da luz do dia ir embora e ficarem \u00e0 luz de lamparinas, medo tamb\u00e9m de assombra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, eu n\u00e3o tinha rel\u00f3gio, ent\u00e3o percebia a passagem do tempo pelos acontecimentos ao meu redor: todo dia, no mesmo hor\u00e1rio, passava um sorveteiro na rua de baixo tocando uma buzina que fazia o cachorro do vizinho uivar. Logo em seguida, os morcegos come\u00e7avam a revoar no c\u00e9u da tarde, em torno das \u00e1rvores, e no r\u00e1dio da cozinha tocava ave maria. Era assim que eu sabia que estava entardecendo, e que meus pais demoravam a chegar.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, depois de ter vivido em outros locais e em outra cidade, voltei a morar no bairro onde passei minha inf\u00e2ncia. E que surpresa tive ao descobrir que ele ainda se parecia com aquele que conheci nos tempos passados, e l\u00e1 ainda se encontravam os mesmos of\u00edcios, como o padeiro em sua bicicleta, o coletor de ferro velho e sua carrocinha, o vendedor de beiju com sua matraca&#8230;<\/p>\n<p>Escrevi sobre a espera de uma crian\u00e7a pelos seus pais nesse cen\u00e1rio que lembrava o da minha inf\u00e2ncia. Da\u00ed passei o original para uma leitora cr\u00edtica, a Fab\u00edola Farias. Ela apontou para a singularidade daquele bairro, e me fez pensar em como crian\u00e7as em diferentes situa\u00e7\u00f5es culturais e socioecon\u00f4micas t\u00eam viv\u00eancias diversas, apesar da ang\u00fastia pela espera dos pais ser talvez universal. Ent\u00e3o, decidi trazer essa discuss\u00e3o, incluindo um novo personagem na hist\u00f3ria, que vivia em um bairro mais central, com mais com\u00e9rcio, mais carros e outros of\u00edcios ao seu redor.<\/p>\n<p><strong>P: Na narrativa, voc\u00ea constr\u00f3i duas personagens que se aproximam e se distanciam em muitos aspectos, criando uma rela\u00e7\u00e3o interessante e desafiadora para a crian\u00e7a leitora.\u00a0Como surgiu essa ideia? E de que maneira imagina que essa hist\u00f3ria pode dialogar com crian\u00e7as em diferentes contextos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ACN: <\/strong>A escolha de narrar a espera de duas crian\u00e7as pelos seus pais em diferentes territ\u00f3rios trouxe a possibilidade de falar de temas universais, como a curiosidade pelo ambiente em que se vive, o mal-estar do fim da tarde, a espera dos pais, a presen\u00e7a das mulheres que cuidam das crian\u00e7as na aus\u00eancia dos pais. Por outro lado, traz a possibilidade de falar de diferen\u00e7as, das especificidades das inf\u00e2ncias. Isso \u00e9, mesmo sendo crian\u00e7as, cada indiv\u00edduo experiencia o mundo de formas diversas, conforme sua realidade. Existem muitas cidades dentro da cidade.<\/p>\n<p>Estar atento a essas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as \u00e9 enriquecedor para as pessoas como indiv\u00edduos, e para a sociedade como um todo, pois \u00e9 um exerc\u00edcio de alteridade.<\/p>\n<p><strong>P: O livro aborda com delicadeza a rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o tempo e com o territ\u00f3rio em que vive.\u00a0Como voc\u00ea imagina que esses temas podem ser explorados em situa\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o de leitura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ACN:<\/strong> Preciso contar que, al\u00e9m de escritora, sou bi\u00f3loga. Quando trabalhava como pesquisadora na \u00e1rea de Ecologia, eu prestava muita aten\u00e7\u00e3o nos ecossistemas ao meu redor, com suas plantas min\u00fasculas, bichos escondidos debaixo das folhas, sons, cheiros e outros elementos. Mas antes de ser pesquisadora, eu j\u00e1 era uma crian\u00e7a atenta, observadora do espa\u00e7o que me cercava. Era um tempo em que a \u00fanica tela que t\u00ednhamos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o era a da televis\u00e3o, e, de vez em quando, a do cinema. Apesar de eu ter sido uma crian\u00e7a particularmente observadora, percebo que contemplar o ambiente ao redor, naquele tempo de poucas telas, era algo rotineiro para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Perceber o ecossistema em que se vive, com seus personagens (pessoas, animais, plantas), sons, cheiros e acontecimentos \u00e9 algo muito interessante para se desenvolver a aten\u00e7\u00e3o ao momento presente, fazendo aqui uma contraposi\u00e7\u00e3o ao uso excessivo de telas. \u00c9 importante tamb\u00e9m para criarmos um sentido de identidade e pertencimento, pois nosso habitat faz parte da nossa constru\u00e7\u00e3o, da composi\u00e7\u00e3o de quem somos. E por fim, \u00e9 isso que vai nos permitir enxergar a diversidade de vidas e de inf\u00e2ncias que est\u00e3o a\u00ed dispostas.<\/p>\n<p><strong>P: No posf\u00e1cio, a educadora Cisele Ortiz destaca as diferentes camadas da obra ao tratar das perspectivas das crian\u00e7as e das mulheres cuidadoras. De que forma voc\u00ea acredita que essas perspectivas podem contribuir para a forma\u00e7\u00e3o humana de leitores e leitoras iniciantes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ACN:<\/strong> De fato, uma das camadas da hist\u00f3ria \u00e9 sobre as mulheres que t\u00eam o of\u00edcio de cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e da seguran\u00e7a das pessoas, sejam elas doentes, idosos ou crian\u00e7as, enquanto seus pais est\u00e3o trabalhando. Esse \u00e9 um trabalho geralmente pouco valorizado, invisibilizado e, muitas vezes, n\u00e3o remunerado, mas que d\u00e1 suporte \u00e0 roda do mundo, \u00e9 o que possibilita que as pessoas saiam de casa todos os dias para trabalharem nas empresas, nos com\u00e9rcios etc.<\/p>\n<p>Reconhecer a import\u00e2ncia desse trabalho e enxergar a vida dessas pessoas al\u00e9m do of\u00edcio que representam, \u00e9 uma forma de torn\u00e1-las vis\u00edveis, e \u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de alteridade, de reconhecer o outro.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff9900;\"><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-39957 alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-201x300.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-685x1024.jpg 685w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-768x1148.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-1027x1536.jpg 1027w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-1370x2048.jpg 1370w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-450x673.jpg 450w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-650x972.jpg 650w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor-600x897.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Renata-Lourenco_cor.jpg 1468w\" sizes=\"(max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>Entrevista com Renata Louren\u00e7o:<\/span> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Peir\u00f3polis: Renata, como foi seu primeiro contato com o texto deste livro? <\/strong><strong>O que ele despertou em voc\u00ea como ilustradora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renata Louren\u00e7o:<\/strong> Quando li o texto de Ana Carolina pela primeira vez, eu me reconheci rapidamente nas crian\u00e7as. Eu, a filha \u00fanica que esperava ansiosamente a m\u00e3e chegar do trabalho. A saudade, o n\u00e3o compreender totalmente a aus\u00eancia daquela m\u00e3e, o tempo que n\u00e3o passava nunca, o brincar enquanto esperava ela chegar, e a alegria da chegada! Meu primeiro caminho para a constru\u00e7\u00e3o das imagens do livro foi o da espera. Crian\u00e7as em diferentes contextos sociais dividindo os mesmos sentimentos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma segunda leitura, Dalva, a empregada dom\u00e9stica, n\u00e3o me sa\u00eda da cabe\u00e7a. Ela \u00e9 o fio que une os dois mundos. Ent\u00e3o, o meu olhar foi redirecionado e a minha inten\u00e7\u00e3o passou a ser mostrar, nas imagens, a presen\u00e7a silenciosa de Dalva, que representa as mulheres-multitarefas que cuidam, que limpam, que alimentam, que d\u00e3o seguran\u00e7a \u00e0s crian\u00e7as, mas que n\u00e3o s\u00e3o vistas, n\u00e3o s\u00e3o valorizadas, n\u00e3o s\u00e3o levadas em conta.<\/p>\n<p><strong>P: Nas ilustra\u00e7\u00f5es, as personagens aparecem com cores que n\u00e3o correspondem exatamente \u00e0s cores reais, enquanto a hist\u00f3ria se ancora em situa\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3ximas do cotidiano. <\/strong><strong>Como surgiu essa escolha est\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Sempre que o texto permite, gosto muito de trabalhar com cores de forma mais livre, porque acredito que amplia o repert\u00f3rio visual da crian\u00e7a leitora. Em <em>A que horas meus pais chegam?<\/em> usei cores que n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade para criar um contraponto com as situa\u00e7\u00f5es reais e t\u00e3o comuns no dia a dia de muitas fam\u00edlias. Para, assim, gerar um contraste com a realidade apresentada no texto de Ana Carolina.<\/p>\n<p>Utilizei uma paleta de cor reduzida e optei por diferentes cores de destaque para marcar a narrativa do menino (amarelo e azul) e a da menina (vermelho e verde). E dei maior \u00eanfase a cores dessaturadas, com a inten\u00e7\u00e3o de provocar uma sensa\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio, de calma, de cuidado e de seguran\u00e7a. Escolhi o amarelo saturado para a roupa de Dalva, para que tiv\u00e9ssemos sempre um ponto de luz nela.<\/p>\n<p>A cor azul para as personagens foi a minha primeira escolha est\u00e9tica, que abandonei durante o processo de constru\u00e7\u00e3o das imagens, mas retornei a ela por perceber que fazia mais sentido. Para refor\u00e7ar as semelhan\u00e7as entre as crian\u00e7as, optei por um mesmo tom de azul.<\/p>\n<p><strong>P: De maneira sutil, suas imagens tamb\u00e9m sugerem uma quest\u00e3o importante presente no livro: a invisibilidade da personagem Dalva. <\/strong><strong>Voc\u00ea poderia comentar um pouco sobre esse caminho que percorreu na constru\u00e7\u00e3o visual da obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>Como comentei, Dalva foi o meu ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o do conceito da narrativa visual que queria propor: a invisibilidade das mulheres que cuidam. Como mostr\u00e1-la invis\u00edvel foi uma quest\u00e3o que levei comigo durante dias. Ent\u00e3o, decidi que Dalva n\u00e3o iria aparecer por completo: o cord\u00e3o do avental, as m\u00e3os executando uma tarefa, uma parte do corpo aqui, outra parte do corpo acol\u00e1&#8230; n\u00e3o vemos o seu rosto at\u00e9 que ela volta pra casa. Enfim, inteira!<\/p>\n<p>E foi por Dalva que comecei as ilustra\u00e7\u00f5es. A imagem-m\u00e3e do livro, aquela imagem inicial que norteia todas as outras, foi a dupla onde Dalva est\u00e1 no balc\u00e3o da cozinha, fazendo a comida, enquanto o menino brinca.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que pensei nas imagens incompletas de Dalva para sugerir uma reflex\u00e3o sobre a sua invisibilidade, decidi coloc\u00e1-la, na maioria das vezes, no lado direito da p\u00e1gina dupla, que \u00e9 ponto de chegada do olhar do leitor e momento de parada antes de virar a p\u00e1gina. Com isso, quis propor uma pausa para pensarmos sobre a import\u00e2ncia de Dalva n\u00e3o s\u00f3 para a casa e para a fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m para a sociedade.<\/p>\n<p><strong>P: Conte um pouco sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o das ilustra\u00e7\u00f5es e sobre o di\u00e1logo entre texto e imagem.<\/strong> <strong>Como voc\u00ea v\u00ea o resultado final do livro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>O texto \u00e9 narrado paralelamente por duas crian\u00e7as, cada uma em seu contexto social, mas que compartilham o mesmo sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 chegada de quem amam. Portanto, a narrativa visual precisaria separar esses dois mundos que se conectam, mas sem revelar ao leitor essa dicotomia. O objetivo era manter a surpresa, usar a linearidade narrativa para surpreender o leitor.<\/p>\n<p>Decidi fazer um esquema, um pr\u00e9 <em>storyboard<\/em>, com recortes de pap\u00e9is coloridos (amarelo, azul, vermelho, verde e cinza) para a minha proposta conceitual e para a estrutura das imagens. Inicialmente as cores eram apenas indicativas: personagens, cen\u00e1rios, contextos, o interior e o exterior das casas. Os recortes de papel tamb\u00e9m mostravam quando o dentro da casa e o lado de fora se misturavam. A minha inten\u00e7\u00e3o era que a brincadeira e a observa\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7assem a ponto de gerar d\u00favida no leitor: ser\u00e1 que \u00e9 real ou \u00e9 imagina\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a?<\/p>\n<p>Quando finalizei o <em>storyboard<\/em>, j\u00e1 com os personagens trabalhados e cores e t\u00e9cnica definidas, vimos que personagens tradicionais mais figurativos n\u00e3o funcionavam t\u00e3o bem para a hist\u00f3ria que quer\u00edamos contar. Ent\u00e3o, voltei \u00e0quele esquema inicial com recortes de papel, pois fazia muito mais sentido. E, a partir dele, criei personagens e cen\u00e1rios mais gr\u00e1ficos e abstratos para dialogar com a ambiguidade visual proposta e com o texto.<\/p>\n<p>Decidi por uma t\u00e9cnica que eu gosto muito e que j\u00e1 havia trabalhado em vinhetas e em ilustra\u00e7\u00e3o para cartaz, mas ainda n\u00e3o em narrativas visuais mais longas: carimbos feitos em folhas de EVA, recortes de papel e l\u00e1pis grafite. Digitalizei todo o material f\u00edsico (in\u00fameras folhas A4) e, com todos os elementos em m\u00e3os para compor as imagens, trabalhei digitalmente. Essa t\u00e9cnica de colagem \u00e9 como um quebra-cabe\u00e7a, como um jogo de montar pe\u00e7as, no qual surpresas acontecem e uma composi\u00e7\u00e3o pensada pode ser rapidamente substitu\u00edda por outra surgida ao acaso. Apesar desta t\u00e9cnica ter sido mais demorada do que outras com as quais j\u00e1 trabalhei, foi muito prazerosa e divertida a constru\u00e7\u00e3o deste livro.<\/p>\n<p>Para o di\u00e1logo entre texto e imagem, propus imagens n\u00e3o descritivas, que ampliassem a leitura. Como o texto \u00e9 narrado atrav\u00e9s das crian\u00e7as que observam o lado de fora da casa, decidi narrar em imagens, sobretudo, o que acontece no seu interior.<\/p>\n<p>Estou muito feliz com o resultado do livro. Acho que conseguimos ir por um caminho que quer\u00edamos desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p data-start=\"1897\" data-end=\"2095\"><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-39956 alignleft\" src=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-300x298.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-300x298.jpg 300w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-1024x1017.jpg 1024w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-768x762.jpg 768w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-1536x1525.jpg 1536w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-2048x2033.jpg 2048w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-450x447.jpg 450w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-650x645.jpg 650w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-600x596.jpg 600w, https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CAPA_A1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/produto\/a-que-horas-meus-pais-chegam\"><strong style=\"background-color: #ffffff; color: #333333;\"><span style=\"color: #ff9900;\">A QUE HORAS MEUS PAIS CHEGAM?<\/span><\/strong><\/a><br \/>\nAna Carolina Neves<br data-start=\"2179\" data-end=\"2182\" \/>Ilustra\u00e7\u00f5es de Renata Louren\u00e7o<br data-start=\"2208\" data-end=\"2211\" \/>Formato: 22 x 21.5 cm | 48 p\u00e1ginas | 4 cores<br \/>\nPre\u00e7o: R$69,00<\/p>\n<p data-start=\"2097\" data-end=\"2448\">Em <em>A que horas meus pais chegam?<\/em>, Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o desenham com delicadeza e precis\u00e3o dois retratos de inf\u00e2ncia que, embora distintos, se espelham. Em um apartamento na cidade grande, uma crian\u00e7a observa a rua l\u00e1 embaixo enquanto aguarda os pais voltarem do trabalho. Longe dali, no alto de um morro, outra crian\u00e7a espera pela m\u00e3e. S\u00e3o mundos diferentes, separados por dist\u00e2ncias sociais e urbanas, mas aproximados pela mesma experi\u00eancia: o tempo que se alonga, os sons que anunciam o entardecer, os cheiros que preenchem o ar e cada ru\u00eddo ouvido como promessa de reencontro. Um livro sobre a espera \u2014 e sobre o que a vida revela nesse intervalo entre o que falta e o que chega.<\/p>\n<p data-start=\"2097\" data-end=\"2448\">[trx_button type=&#8221;square&#8221; style=&#8221;default&#8221; size=&#8221;small&#8221; link=&#8221;https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/produto\/a-que-horas-meus-pais-chegam&#8221; popup=&#8221;no&#8221; top=&#8221;inherit&#8221; bottom=&#8221;inherit&#8221; left=&#8221;inherit&#8221; right=&#8221;inherit&#8221;]Compre o livro[\/trx_button]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o Sobre o livro A que horas meus pais chegam? Entrevista com Ana Carolina Neves: Peir\u00f3polis: Ana, como nasceu a ideia deste livro? Conte um pouco sobre o processo que deu origem \u00e0 hist\u00f3ria. Ana Carolina Neves: Essa hist\u00f3ria nasceu de uma viv\u00eancia que marcou muito minha inf\u00e2ncia: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2163,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1931],"tags":[],"class_list":["post-39951","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o Sobre o livro A que horas meus pais chegam? Entrevista com Ana Carolina Neves: Peir\u00f3polis: Ana, como nasceu a ideia deste livro? Conte um pouco sobre o processo que deu origem \u00e0 hist\u00f3ria. Ana Carolina Neves: Essa hist\u00f3ria nasceu de uma viv\u00eancia que marcou muito minha inf\u00e2ncia: [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-06-03T16:05:05+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-06-03T16:09:18+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1353\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1551\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Editora Peir\u00f3polis\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"14 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Editora Peir\u00f3polis\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec\"},\"headline\":\"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o\",\"datePublished\":\"2026-06-03T16:05:05+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-03T16:09:18+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/\"},\"wordCount\":2479,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg\",\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/\",\"name\":\"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg\",\"datePublished\":\"2026-06-03T16:05:05+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-03T16:09:18+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/06\\\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg\",\"width\":1353,\"height\":1551},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/\",\"name\":\"Editora Peir\u00f3polis\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec\",\"name\":\"Editora Peir\u00f3polis\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Editora Peir\u00f3polis\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.editorapeiropolis.com.br\\\/lj26\\\/author\\\/marketing\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis","og_description":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o Sobre o livro A que horas meus pais chegam? Entrevista com Ana Carolina Neves: Peir\u00f3polis: Ana, como nasceu a ideia deste livro? Conte um pouco sobre o processo que deu origem \u00e0 hist\u00f3ria. Ana Carolina Neves: Essa hist\u00f3ria nasceu de uma viv\u00eancia que marcou muito minha inf\u00e2ncia: [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/","og_site_name":"Editora Peir\u00f3polis","article_published_time":"2026-06-03T16:05:05+00:00","article_modified_time":"2026-06-03T16:09:18+00:00","og_image":[{"width":1353,"height":1551,"url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Editora Peir\u00f3polis","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Editora Peir\u00f3polis","Est. tempo de leitura":"14 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/"},"author":{"name":"Editora Peir\u00f3polis","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/#\/schema\/person\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec"},"headline":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o","datePublished":"2026-06-03T16:05:05+00:00","dateModified":"2026-06-03T16:09:18+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/"},"wordCount":2479,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg","articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/","name":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o - Editora Peir\u00f3polis","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898-262x300.jpg","datePublished":"2026-06-03T16:05:05+00:00","dateModified":"2026-06-03T16:09:18+00:00","author":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/#\/schema\/person\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ana-Carolina-Neves-scaled-e1780502799898.jpg","width":1353,"height":1551},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/entrevista-com-ana-carolina-neves-e-renata-lourenco\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Entrevista com Ana Carolina Neves e Renata Louren\u00e7o"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/#website","url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/","name":"Editora Peir\u00f3polis","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/#\/schema\/person\/3b9ff23d374bd94ab692c87f2ba2d5ec","name":"Editora Peir\u00f3polis","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/49f143a1738b65f0ba9e27fc897626518f22fb5670c69b5a6e529a9fea8b55d9?s=96&d=mm&r=g","caption":"Editora Peir\u00f3polis"},"url":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/author\/marketing\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2163"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39951"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39951\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39959,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39951\/revisions\/39959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.editorapeiropolis.com.br\/lj26\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}