Pia o pio… Os pássaros e as árvores que fazem parte da vida do Martim - Editora Peirópolis

Pia o pio… Os pássaros e as árvores que fazem parte da vida do Martim

Após conhecer um pouco do dia a dia de Martim, que tal saber mais dos pássaros que embalam suas brincadeiras e das árvores que fazem parte do cenário desta história?

Logo cedo, Martim acorda com o pio do passarinho seis-meses. Você já tinha ouvido falar dele? Seu nome vem da quantidade de pios que ele emite em sequência – sempre seis –, como se estivesse contando os meses de um semestre. Quer ouvir o canto dele? E como o Martim imita o seu pio? Seis-meses também é conhecido como saco-de-concha, porque, quando ele se assusta, voa fazendo um som diferente do pio habitual, que, por sua vez, lembra o chacoalhar bem agitado de conchas.

Edmilson imitando o Seis Meses:

Martim imitando o Seis Meses:

 

Em seguida, vem a gralha, pássaro muito atento que, ao notar qualquer movimento diferente, já começa a piar para avisar suas companheiras, alertando sobre cobras, gaviões e até gente. Perto da casa de Martim, que sabe imitar muito bem o seu pio, ela come ingá, jarová, abricó, jaquinha e banana. Do alto do ingazeiro, ela fica espiando tudo e saboreando a polpa das sementes guardadas pelas vagens de ingá, também bastante apreciadas por outros pássaros, como baitacas (maritacas), tirivas e periquitos, e até por macacos. Assim como a gralha, as crianças que moram na Jureia, o cenário desta história, adoram comer ingá. Além de ter um sabor doce e suave, também agrada aos pequenos pelo desafio que é comê-la: sua polpa é tão agarrada às sementes que fica difícil chupá-la. Você já comeu cacau, o fruto com o qual se faz o chocolate? Comer ingá talvez seja tão trabalhoso quanto comer a polpa do cacau!

Edmilson imitando a gralha:

Martim imitando a gralha:

 

Logo depois vem o tangará, passarinho conhecido pela dança que executa para atrair a fêmea na época de ter filhotes. Um conjunto de machos se reúnem e cantam e dançam juntos, exibindo-se, cada um por sua vez, para a fêmea, que fica só de lado, espiando, para depois escolher seu par. Sempre que ouvimos os tangarás cantando, seguimos seu canto para admirar a dança deles, o que às vezes até atrasa o trabalho na roça. E são tão encantadores que tem gente que se perde no mato por ficar observando a coreografia deles.

Martim imitando o tangará:

 

Já a saracura vive no mangue, na beira do rio, e come, entre outras coisas, pequenos caranguejos, peixes e camarões. Ela tem pernas avermelhadas, bem finas e compridas, ideais para andar na lama. Quando a saracura começa a piar demais, é sinal de que o tempo está para mudar! O pio dela é tão curioso que a brincadeira de imitar tem algumas variações engraçadas, além de três coco, como a bisavó de Martim, dona Nancy, ensinou; também tem: três toco, três toco, três toco, toco, toco, um pinico!

Edmilson imitando a Saracura:

Tereza, prima do Martim, imitando a Saracura:

 

A brincadeira ensinada pelo bisavô Onésio de beliscar as mãos dizendo pinhé, vem do pássaro carapinhé, um gaviãozinho que faz muitos passarinhos da Jureia ficarem alvoroçados. Quando ele passa perto de um ninho, alguns pássaros costumam sair voando atrás dele e às vezes até batem nas suas costas! Carapinhé não gosta disso e reclama, fazendo pinhé, pinhé e sai voando blu-lu-lu-lu. Na praia ele sempre é visto comendo garoçá (maria-farinha) ou algum peixe morto que acostou do mar.

Martim fazendo o pinhé:

 

O sabiá-laranjeira gosta de fazer ninho no pé de laranja e, como todo mundo da comunidade do Martim planta laranja perto de casa, quem mora por ali tem a sorte de ouvir seu canto melodioso e tão bonito bem de pertinho! A Tereza, prima do Martim, de tanto ouvir o sabiá, sabe imitá-lo igualzinho. Esse passarinho tem a plumagem do peito alaranjada, daí o seu nome. Além de minhocas
e insetos, o sabiá-laranjeira gosta de comer frutas, e, quando as laranjas começam a amadurecer, ficamos de olho nele para ver se sobram algumas para nós!

Edmilson assobiando como o sabiá:

Tereza imitando o sabiá:

 

O tucano-do-bico-preto senta na ponta do galho da bucuveira (ou bicuíba), uma árvore grande, frondosa e de copa bem larga, para comer a castanha da bucuva. Você já ouviu seu pio? Uma curiosidade sobre a castanha da bucuva é que ela é bastante oleosa e pode até ser usada como uma vela em casos de emergência, pois seu óleo é capaz de manter a chama do fogo quando aceso. O tucano é conhecido por ser um pássaro traiçoeiro, ele gosta de comer ovos e filhotes de outros pássaros e roubar seus ninhos, especialmente do pica-pau, que faz ninhos de buraco nas árvores.

Edmilson assobiando como o tucano:

 

O surucuá é um passarinho muito manso, ele não se assusta fácil e deixa a gente olhar ele bem de pertinho. Seu canto é grave e bem bonito e foi o primeiro passarinho que o Martim aprendeu a nomear reconhecendo o som emitido por ele. Sua prima também aprendeu a imitá-lo, e o faz muito bem. O surucuá (e muitos outros passarinhos) aprecia o fruto verde e pequenino, de polpa doce, que dá no tapiá, uma árvore de madeira mole, pouco resistente, que cresce muito rápido na restinga.

Edmilson assobiando como o surucuá:

Tereza imitando o surucuá:

 

A batuíra, ou tabatuíra, como chamam os mais velhos, é um passarinho que corre bem ligeirinho na praia, pertinho das ondas do mar, à procura de bichinhos como pulgões e mexilhões miudinhos. Ela faz ninho na própria areia, perto do barranco da praia, onde põe os ovinhos para chocar. Quer conhecer seu canto? As crianças também gostam muito de imitar este passarinho da beira do mar.

Edmilson assobiando como a batuíra:

As crianças imitando a batuíra:

 

O martim-cachá é um pássaro pescador e está sempre voando de uma margem a outra do rio, pousando nos galhos que avançam sobre as águas. Quando avista sua presa, mergulha com destreza para capturá-la. Ele também pesca no mar e tira marisco do costão rochoso. O pio estridente do martim-cachá costuma acompanhar as pescarias da família de Martim, que sempre se alegra quando ouve o xará.

Martim imitando o cachá:

 

O jaó é um pássaro muito arisco, seu canto dá para ouvir de longe, porque ele canta alto, mas é bem difícil vê-lo, porque ele sente a presença da gente também de longe e foge ligeiro. Ele pia ao amanhecer e ao entardecer. Quando ouvimos o jaó no fim da tarde, sabemos que está na hora de ir para casa, porque logo vai escurecer.

Edmilson cantando como o jaó:

Martim imitando o jaó:

 

O urutau, também conhecido como urutágua, é um pássaro noturno que canta mais no inverno. Seu canto é alto e um pouco triste, parecendo um lamento. Ele costuma ficar sentado bem na ponta de galhos secos envergados para cima, pois assim ele se disfarça com suas penas amarronzadas, ficando igual à madeira.

Edmilson cantando como o urutau:

Tereza imitando o urutau:

 

A história contada pelos personagens

Agora que você já conheceu mais dos pássaros e das árvores do quintal de Martim, escutando também seus pios, que tal ouvir a história narrada pelos personagens dessa história? Participaram da gravação Martim, Tereza e a mãe dele, Karina. O Edmilson, pai de Martim e grande conhecedor de todos os passarinhos que ensinaram seu filho a ouvir, falar e brincar, é quem faz os assobios. O Martim e a Tereza fizeram as imitações dos cantos.

Um pouco mais sobre os autores dessa história

Martim é um neném fogueta, caiçara criado no mato… E, se continuar assim, vai começar a história outra vez! Além de conversar com passarinhos, Martim gosta de observar insetos, colher folhas e frutas e jogar pedras no rio. Adora ouvir histórias, balançar na rede, andar de moto, comer araçá e especialmente ir aos bailes de fandango. Desde a chegada da irmã, Joana, também gosta de dançar com ela.

Karina Ferro é mãe de Martim e de Joana, que nasceu dois anos depois da escrita desta história, educadora e artista visual. Nascida e criada na cidade de São Paulo, hoje mora e vivencia o viver caiçara no território tradicional do Rio Verde e Grajaúna, no litoral sul do Estado, aprendendo os saberes do mato e lutando pela vida no território, junto com suas companheiras e companheiros caiçaras. Com a vinda de Martim e Joana, está aprendendo também a afinar a escuta e a colorir o olhar.

Edmilson Prado é pai de Martim e Joana, tradutor da fala dos passarinhos e de outros sons da floresta, além de pescador artesanal, agricultor, fandangueiro, carpinteiro e muito mais. Caiçara criado no mato, ensina os filhos a aguçar os sentidos para ouvir o que diz a natureza, transmitindo a eles os conhecimentos de seus ancestrais, como fizeram seus pais, tios e avós.

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