Curadoria: Literatura Indígena - Editora Peirópolis

Curadoria: Literatura Indígena

Para apoiar os educadores na escolha dos títulos a serem trabalhados nas escolas, a Editora Peirópolis está desenvolvendo uma proposta de curadoria de leituras. A cada mês, será enviada às escolas uma publicação digital com foco em um tema. A partir desse foco, elegemos uma “família” de obras que dialogam com o assunto, buscando apresentá-las, contextualizar sua pertinência e sugerir propostas para serem desenvolvidas com os estudantes. O material é elaborado por especialistas de acordo com as habilidades e competências previstas na BNCC.

A curadoria sobre Literatura Indígena pretende trazer à tona a reflexão sobre o papel da literatura para a aproximação e ampliação do conhecimento sobre os povos indígenas brasileiros, por meio do contato com variadas expressões e compreensões do mundo, diferentes formas de organizações sociais e múltiplos modos de vida. Embora a literatura indígena tenha estado cada vez mais presente na escola, ainda sabemos pouco sobre a diversidade pluriétnica que compõe a sociedade brasileira. Promover o contato desde cedo com as múltiplas vozes dos povos ancestrais é uma maneira de romper com visões um tanto estereotipadas que, de modo geral, ainda se fazem presentes.

Essa curadoria foi desenvolvida por Ana Carolina Carvalho, mestre em educação (Unicamp) e psicóloga (USP). É formadora pelo Instituto Avisa Lá, membro do Instituto Emília e colaboradora da Editora Peirópolis.

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Curadoria - Literatura Indígena - Peirópolis
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Com a palavra, os indígenas

por Ana Carolina Carvalho

Por que ler autores indígenas?

Por muito tempo, indígenas foram narrados e apresentados por autores brancos, na maioria das vezes reforçando uma visão estereotipada e romantizada, muito longe da realidade e da diversidade que compõem os cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Esses dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta!

Recentemente observamos esforços na educação e na sociedade no sentido de ampliar olhares para a cultura e modos de vida dos povos indígenas, divulgando saberes, valores, visões de mundo, narrativas e toda a memória oral desses povos, em toda a sua diversidade.

Com o intuito de romper visões preconceituosas, estereotipadas e muito distantes da realidade, bem como valorizar o patrimônio cultural desses povos, foram aprovadas leis que exigem a inserção da cultura indígena na escola, como a Lei N.11.645, de 10 de março de 2008, a fim de garantir que “nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torne-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena”. Essa é uma aposta acertada: ao se modificar a visão dos jovens estudantes, vai se mudando também a visão da sociedade sobre essas culturas.

Segundo a jornalista Julie Dorrico¹, para artigo da Revista 451: “ao desmistificar desde cedo pelo livro indígena as imagens pejorativas cimentadas ao longo dos séculos, as crianças e os educadores não indígenas poderiam (e podem) aprender a respeitar a diversidade pluriétnica. Por isso, a literatura indígena infantojuvenil dá-se a conhecer via narrativa: na descrição do cotidiano, dos modos de vida tradicionais, da história das organizações sociais, das crenças, das lutas políticas, indo por outro caminho que não a famigerada armadilha do exótico, que os lança ao passado e os proíbe de desfrutar o presente”.

¹Dorrico, J. Ouvir a diferença, artigo publicado na revista 451. #38, outubro/2020. Disponível em: https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/artigos/ literatura-infantojuvenil/ouvir-a-diferenca acesso em 08/07/22. 

As culturas indígenas por meio da literatura

Uma das formas de atualizar as culturas indígenas é por meio da arte – o cinema, a literatura, a música, as artes visuais – divulgada para o grande público. Na esteira da ampliação desses conhecimentos nas escolas, foi se consolidando uma literatura de autoria indígena voltada para os públicos infantil e juvenil, sobretudo a partir dos finais da década de 1990. Literatura essa que nos aproxima das fábulas, cosmogonias e mitos de origens dos povos indígenas, das tradições e valores transmitidos por meio de narrativas com fortes traços da oralidade.

Janice Cristine Thiél, professora da área de Letras da PUC-PR, aponta para a importância do letramento histórico, literário e cultural que as obras de autores indígenas favorecem. No prefácio do livro. Terra dos mil povos, de Kaká Werá Jecupé, ela escreve: “aprendi com a obra de Jecupé que existe, sim, literatura indígena brasileira, que deve ser lida conforme parâmetros próprios de autoria, gênero literário e construção multimodal. Quando ouvi pela primeira vez o nome do autor em uma aula, preparando-me para o doutorado, tornei-me consciente de quanto desconhecia as diferentes vertentes da literatura brasileira e como o letramento que recebemos na escola não nos prepara para ler essa literatura e compreender sua complexidade. Portanto, a publicação de obras indígenas faz mais do que promover a inclusão das etnias nativas: promove o letramento histórico, literário, cultural e crítico de leitores e cidadãos”. 

O que é preciso saber para ler literatura indígena? E o que a literatura indígena pode ensinar a todos os brasileiros?

Em artigo sobre a literatura indígena para a revista Educação e Realidade², a professora Janice Thiel escreve: “As obras indígenas, voltadas para o público infanto-juvenil e para o público maduro, apresentam uma interação de multimodalidades: a leitura da palavra impressa interage com a leitura das ilustrações, com a percepção de desenhos geométricos, de elementos rítmicos e performáticos. Os grafismos indígenas constituem narrativas e devem ser valorizados por sua especificidade, podendo inclusive indicar a autoria do texto indígena, se coletiva/ancestral ou individual. Ademais, a leitura da literatura indígena deve levar em conta o entre-lugar cultural dessa produção que está em uma zona de contato e conflito localizada entre a oralidade e a escrita, entre línguas nativas e europeias, entre tradições literárias europeias e indígenas, entre sujeição e resistência”.

² Thiél, J. C. (2013). A Literatura dos Povos Indígenas e a Formação do Leitor Multicultural. Educação &Amp; Realidade, 38(4). Página 1178. Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/38161 acesso em 08/07/22. 

Ao ler literatura indígena, além de entrar em contato com toda a especificidade dessas narrativas, valorizando formas literárias diversas, os leitores também têm a chance de aprender com o diferente, respeitando-o e reconhecendo seus valores, tradições, saberes e formas de estar no mundo. 

Uma breve história da literatura indígena infantil e juvenil publicada no Brasil

“Escolhemos o modelo de conversar com a criança, de conversar com o jovem, porque eles são muito mais livres de preconceitos do que os mais velhos. As crianças são muito mais abertas ao aprendizado, a ouvir a diferença, muito mais curiosas do que os mais velhos. Então isso também foi uma estratégia. E também porque os nossos mitos de origem, as nossas cosmovisões, as nossas fábulas têm muito a ver com esse universo infantojuvenil”. 

Kaká Werá Jecupé, em entrevista à coleção Tembetá (Azougue, 2017).³

³ Dorrico, Julie. Ouvir a diferença. Revista 451, 38, out 2020. 

Daniel Munduruku, Kaká Werá Jecupé, Yaguarê Yamã, Olívio Jekupé fazem parte do grupo de autores que passam a escrever literatura infantil, em meados dos anos 90, quando crescia a demanda por obras desse tipo nas escolas. Até então, não é que a literatura escrita por autores indígenas não existisse, mas era muito mais difícil publicá-la. O livro Histórias de Índio, 1996, escrito por Daniel Munduruku, de certo modo, abriu o caminho para que outros autores indígenas também fossem publicados e adotados nas escolas, compondo um conjunto importante de obras que vêm contribuindo para a propagação das culturas, saberes e valores indígenas.

De acordo com a escritora e professora Graça Graúna, na entrevista para a matéria do site Uol, esse movimento inaugurou o que ela chama de “literatura indígena contemporânea”, que são os livros com autoria individual e alguns elementos da literatura ocidental em sua estrutura textual, diferenciando-se dos mitos orais da “literatura indígena clássica”. 

No final dessa década, em 1998, a Editora Peirópolis publica A terra dos mil povos, de Kaká Werá Jekupé, uma das obras precursoras para a construção de um novo olhar para os mil povos brasileiros. Em seguida, no início dos anos 2000, a editora lança vários livros dentro da coleção Memórias Ancestrais, coordenada por Daniel Munduruku. Os livros dessa coleção, além de trazer narrativas de tradição oral, apresentavam ilustrações feitas por indígenas, contribuindo para que tanto a estética da narrativa textual quanto visual estivessem presentes nas obras. Os títulos dessa coleção foram: As serpentes que roubaram a noite e outros mitos (2001), de Daniel Munduruku; Puratig: o remo sagrado (2001), de Yaguarê Yamã, pertencente ao povo Saterê Mawé e Maraguá; Irakisu: o menino criador (2002), de Renê Kithãulu, indígena do povo Nambikwara; e Verá, o contador de histórias (2003, fora de catálogo), de Olívio Jekupé, do povo Guarani.

Ao longo dos anos 2000, outras iniciativas se colocaram como incentivos importantes para a publicação da literatura indígena no Brasil. Dentre elas, podemos citar o concurso FNLIJ Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, existente desde 2004.

As publicações de livros de autoria indígena seguem ganhando espaço em diferentes casas editoriais e tem marcado presença nas estantes de escolas e bibliotecas. Desde que publicou o primeiro livro de autor indígena, a editora Peirópolis vem sistematicamente dando voz a autores de variados povos, compondo em seu catálogo um retrato consistente multifacetado dos povos originários.

Os autores e autoras de origem indígena também se multiplicaram. Além dos já citados, lembramos ainda: Eliane Potiguara; os Guaranis Werá Jeguaka Mirim e Maria Kerexu; os Maraguás, Roni Wasiry Guará e Lia Minapóty; Cristino Wapichana, Tiago Hakiy (Saterê Mawé); Edson Krenak, Jaime Diákara, Ely Macuxi, Edson Kayapó, Aline Kayapó, Shirley Krenak, Ariabo Kezo (Balatiponé), Rosi Waikhon (Waíkana/Piratapuia), Graça Graúna, Aline Pachamama, Denízia Kawany Fulkaxó, Vãngri Kaingang, Kamuu Dan Wapichana, Chirley Pankará, entre outros. Vários deles receberam prêmios literários, em um importante e fundamental reconhecimento não só da qualidade das publicações, como da pertinência e necessidade de que se tenha cada vez mais espaço para as nossas vozes ancestrais.

Linha do tempo dos livros publicados pela Editora Peirópolis

1998 – A terra dos mil povos, da Kaká Werá

2001 – Tupã Tenondé, Kaká Werá

2001 – Puratig, o remo sagrado, Yaguarê Yamã (atualmente fora de catálogo)

2001 – As serpentes que roubaram a noite e outros mitos, Daniel Munduruku

2007 – As fabulosas fábulas de Iauaretê, Yaguarê Yamã

2007 – Sehaypóri, O livro sagrado dos saterê–mawé, Yaguarê Yamã

2011 – O sinal do Pajé, Daniel Munduruku

2012 – Contos da Floresta, Yaguarê Yamã

2017 – A origem do beija-flor, Yaguarê Yamã

 

Os autores

Kaká Werá Jecupé

Kaká Werá Jecupé nasceu em São Paulo no
ano de 1964. É escritor, ambientalista e tradutor.
Descende do povo Tapuia e foi acolhido pelos
Guarani, junto aos quais desenvolveu uma
extensa pesquisa histórica, linguística e cultural.
Tornou-se um dos precursores da literatura
indígena no Brasil e hoje é uma autoridade na
difusão dos saberes e valores ancestrais.

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Yaguarê Yamã

Yaguarê Yamã nasceu em 1973 no Parintins, Amazonas. Pertence ao clã Aripunãguá, dos Maraguá e descende dos Sateré-Mawé por parte de pai. É escritor, professor, geógrafo, artista plástico e líder indígena. Atualmente milita no movimento indígena lutando pela demarcação das terras de seu povo, pela conscientização dos ribeirinhos e pela inclusão do indígena na sociedade brasileira.

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Daniel Munduruku

Daniel Munduruku nasceu em Belém no ano de 1964. É escritor e professor, pertencente ao povo indígena Munduruku. Ele é autor de 54 livros publicados por diversas editoras no Brasil e no exterior, a maioria classificados como literatura infanto-juvenil e paradidáticos. É graduado em Filosofia, História e Psicologia, tem Mestrado e Doutorado em Educação pela USP (Universidade de São Paulo) e Pós-Doutorado em Linguística pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Já recebeu vários prêmios nacionais e internacionais por suas obras literárias.

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Estante de livros

A terra dos mil povos: História indígena do Brasil contada por um índio

Kaká Werá Jecupé, ilustrado por Taisa Borges

19.5 x 25 cm • 130 páginas • 1 cor • ISBN 978-65-86028-04-1

Livro digital ISBN 978-65-8602-803-4

Livro premiado!

Nas palavras de Kaká Werá Jecupé: “O Brasil sempre foi uma terra de mil povos, diversas civilizações se desenvolveram no Brasil, construindo uma sabedoria que até hoje não é conhecida por grande parte dos brasileiros”, embora os influenciem, fazendo com que todo brasileiro seja um pouco tupi, mesmo sem o saber.

A terra dos mil povos é uma obra que conta a história do Brasil sob o ponto de vista de um indígena e, desse modo, apresenta informações mais profundas sobre nossa ancestralidade e sobre a diversidade, enfocando as culturas mais antigas do Brasil, os seus valores e suas tradições.

Neste link Kaká Werá fala um pouco sobre o livro.

 

Tupã Tenondé: A criação do Universo, da terra e do homem segundo a tradição oral Guarani

Kaká Werá Jecupé

19.5 x 25 cm • 107 páginas • 1 cor • ISBN 978-65-8602-821-8

Livro digital ISBN 978-65-8602-821-8

Tupa Tenondé é um livro que nos fala sobre a criação do Universo, da Terra e do Homem, segundo a tradição oral guarani. Ao longo de suas páginas, revelam-se os ensinamentos secretos da tradição oral Guarani, antes só divulgados aos pajés. Ainda que não torne seus leitores pajés, Tupã Tenondé certamente vai cumprir sua missão original, que é a de formar corações valorosos, preparados para respeitar e valorizar a diversidade cultural.

 

As fabulosas fábulas de Iauaretê

Kaká Werá Jecupé, ilustrado por Sawara

20 x 27 cm • 88 páginas • 4 cores • ISBN 978-85-7596-098-1

Livro premiado!

As fabulosas fábulas de Iauaretê apresentam aos leitores os melhores momentos de uma das mais divertidas lendas do ideário Guarani: as aventuras da onça Iauaretê, que virou gente, e de seus filhos, Juruá e Iauaretê-mirim. Acompanhadas por desenhos de Sawara, filha de 11 anos do autor, as fábulas deste livro falam de medo, coragem, dúvida, amor, morte, paz, oportunidade, erros e acertos que vivenciamos, divertindo e emocionando adultos e crianças.

 

Sehaypóri: O livro sagrado do povo saterê-mawé

Yaguarê Yamã

19 x 25 cm • 160 páginas • 2 cores • ISBN 978-85-7596-077-6

Livro digital ISBN 978-85-7596-288-6

Livro premiado!

Sehaypóri: O livro sagrado do povo Saterê-Mawé é, como diz o autor, uma homenagem aos pajés de sua nação, que buscam no espírito natural a resposta para as dúvidas da alma. Como seus antepassados, Yaguarê narra as memórias de sua gente para preservar a tradição de uma geração para outra. As lendas e fábulas de animais reunidas neste livro, ensinam a origem das coisas e apresentam a cultura e o imaginário deste grupo.

 

Contos da floresta

Yaguarê Yamã, ilustrado por Luana Geiger

19 x 25 cm • 64 páginas • 4 cores • ISBN 978-85-7596-133-9

Livro premiado!

Neste livro o escritor Yaguarê Yamã recria mitos e lendas do povo indígena Maraguá, conhecido na região do Baixo-Amazonas como “o povo das histórias de assombração”. Entre as histórias, há lendas e mitos sobre animais fantásticos, narradas em pequenos textos cheios de ritmo e suspense. As histórias estão imersas na natureza, com personagens em intensa relação com a floresta, sempre considerada em seu inesgotável mistério. Ao final, uma entrevista com o autor e um glossário com termos da Língua Regional Amazônica e do idioma Maraguá, contribuindo para a difusão da cultura desse povo.

 

A origem do beija-flor

Yaguarê Yamã, ilustrado por Taisa Borges

25 x 23 cm • 36 páginas • 4 cores • ISBN 978-85-7596-246-6

Ouça as narrações no site

Neste livro, Yaguarê Yamã registra o mito da origem do beija-flor, que vive na memória dos antigos pajés do povo Maraguá, habitante do vale do rio Abacaxis, no Amazonas. Esse povo valoriza muito o contador de histórias, personagem sempre requisitado no cotidiano e nos festejos da tribo e é conhecido como “os índios das histórias de fantasmas”. A delicada história é apresentada em português e em maraguá, dialeto misto de Aruak com Nhengatu, e integra a coleção Peirópolis Mundo, que busca valorizar línguas minoritárias de todas as partes do planeta.

 

As serpentes que roubaram a noite e outros mitos

Daniel Munduruku, ilustrado pelas crianças Munduruku da aldeia Katõ

20.5 x 27 cm • 56 páginas • 4 cores • ISBN 978-85-8566-358-2

Livro premiado!

Ilustrado pelas crianças da aldeia Katõ, este livro traz mitos contados pelos anciões da aldeia – histórias que nos remetem a um tempo muito distante de nossos dias e que são contadas e recontadas às crianças indígenas como forma de despertar nelas o amor pela própria história e pelas lutas de seu povo. Tocam o fundo do coração e são uma excelente oportunidade de integração com o universo infantojuvenil indígena e seus valores.

 

O sinal do pajé

Daniel Munduruku, ilustrado por Taisa Borges

17 x 24 cm • 56 páginas • 4 cores • ISBN 978-85-7596-239-8

Livro premiado!

Nas aldeias indígenas brasileiras é costume que os curumins – garotos prestes a entrar na fase adulta – sejam introduzidos à “casa dos homens” por um rito de passagem que inaugura essa nova fase. Nessa época da vida, os jovens que vivem nas aldeias passam pelas mesmas aflições que qualquer jovem da cidade. Perguntam-se sobre que futuro os aguarda e o que a liberdade lhes reserva. O pajé e os anciões dizem-lhes que é preciso continuar acreditando na Tradição, em seus valores e na sua cultura. Mas, mesmo assim, eles vivem aqueles conflitos que angustiam as pessoas quando precisam optar entre dois ou mais amores na vida: tradição ou modernidade? Pais ou amigos? Crescer ou permanecer criança?

 

Uga: A fantástica história de uma amizade daquelas

Kaká Werá Jecupé, ilustrado por Taisa Borges

26 x 20 cm • 64 páginas • 4 cores • ISBN 978-65-5931-247-4

Livro digital ISBN 978-65-5931-251-1 (KF8) e 978-65-5931-248-1 (ePUB)

Uga e Jabu, amigos de longa data, andam juntos pela floresta, sonhando comer deliciosas jabuticabas descobertas por Leta, a borboleta. Mas as tais frutinhas não chegam nunca! Será que eles foram enganados? Será que é uma armadilha para serem caçados?

Em um enredo ambientado na floresta, onde os animais têm de ser muito espertos para lidar com possíveis perseguidores, esta história mostra, por meio da jornada de dois amigos, o poder da solidariedade, o valor da empatia e a magia da arte das narrativas inspiradas nos saberes dos povos originários.

Seguindo a sequência de As fabulosas fábulas de Iauaretê, este livro marca o início da série Fabulosas Fábulas, de Kaká Werá, a ser publicada pela Editora Peirópolis.

 

O índio que mora na nossa cabeça

Spensy Pimentel, ilustrado por Taisa Borges

18,5 x 23 cm • 128 páginas • 1 cor • ISBN 978-65-5931-208-5

Livro digital ISBN 978-65-5931-213-9 (ePUB)

Com um título bastante provocativo, o antropólogo e jornalista Spensy Pimentel convida não-indígenas a descontruir a imagem que costumam ter a respeito dos povos originários, forjada há tempos pelos brancos (a bem dizer desde o “descobrimento” do Brasil). Ele escreve em seu livro: “os maiores obstáculos que os brasileiros enfrentam para entender os índios não estão naquilo que eles não sabem, e sim naquilo que pensam que sabem. Provavelmente, desde a sua infância, na sua família ou escola, as pessoas lhe disseram ou mostraram uma série de coisas a respeito do que é um índio. No Brasil, é muito comum que as escolas comemorem o Dia do Índio, no dia 19 de abril, e façam as crianças se “vestirem” ou se pintarem de índio”.

Deste modo, trazendo informações sobre diversos aspectos acerca da realidade dos povos indígenas brasileiros, o livro abre espaço para que, de fato, os não indígenas possam conhecer reconhecer a diversidade, modos de vida, cultura e os saberes desses povos. Abre espaço para que se possa realmente enxergar os indígenas naquilo que eles são e não a partir de estereótipos criados por não indígenas. E por meio desse olhar, considerar também caminhos para a preservação das culturas indígenas e possibilidades de convivência, compondo, junto com a literatura, importante arsenal para ampliação desse conhecimento.

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