Gabriela Romeu, autora de Álbum de família – Aventuranças, memórias e efabulações da trupe familiar Carroça de Mamulengos.

“Com quarenta anos de estrada, o grupo Carroça de Mamulengos descende de artistas populares que há séculos vivem a tradição da arte nas ruas, das trupes itinerantes medievais, entre saltimbancos, menestréis e bufões, com a praça como ponto de encontro de um fazer artístico genuinamente vivencial. 

A companhia faz da vida a própria arte. Crescer, brincar, estar em cena, ser no mundo, tudo se mistura sob uma mesma lona, habita a mesma praça onde o grupo desembarca enredos e brinquedos. Há décadas os integrantes celebram, em muitos rincões do país, a arte da (con)vivência. Andarilho por convicção, Carlos Babau, o pai, criador da Carroça de Mamulengos nos anos 1970, depois de descobrir no teatro uma forma potente de narrar a própria vida, ainda hoje é firme em dizer: “Não vou aonde o povo está, vivo onde o povo vive”.

Em parceria com a atriz Schirley França, pegou a estrada com destino ao Brasil profundo, em busca da arte popular, com seus valores mais genuínos e libertários. No caminho, nasceram os oito filhos, alfabetizados pela mãe, criados na pedagogia do folguedo, com os ensinamentos dos muitos mestres da cultura popular – repentistas, cantadores, violeiros, rezadores, aboiadores, rabequeiros, bonequeiros, pifeiros, mamulengueiros, benzedores. “Nossa brincadeira é uma antropofagia”, celebra o pai, fazendo referência ao Movimento Antropofágico dos modernistas, forte inspiração para sua assimilação de culturas populares.

Autodidatas por convicção, os pais deram aos filhos um ofício, um outro tipo de diploma. Criada em muitas praças, a trupe familiar é de multiartistas – palhaços, atores, bonequeiros, artesãos, contorcionistas, músicos e poetas. A rua, o picadeiro ou o palco sempre foram extensões da própria morada, e vice-versa.

Em suas brincadeiras, como batizam os espetáculos, trazem as peripécias das estradas, das feiras, das romarias. No entanto, mais que fazer uma brincadeira bonita, eles querem embelezar os locais por onde quer que passem, seja na agitação de uma grande cidade, seja numa praça no fim do mundo.”

O Porta-Retratos é um material complementar ao livro, com um pouco mais da família Gomide. Este porta-retratos se assemelha a um kamishibai, que significa “teatro de papel”. É um modo de contar histórias, criado no Japão, onde artistas de rua utilizavam cavaletes com cartazes que continham um script escrito atrás de cada página, por isso a proposta é que, impresso, as fotos ficam na frente e o texto informativo no verso.

 

“O que pode ser mais belo que sonhar que todos tenham vida em abundância?”
PORTA_RETRATOS_SITE

Acesse o PDF do Porta-retratos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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