A instrumentalina

Autor: Lídia Jorge
Ilustrador: Anna Cunha

R$45,00

Um conto breve faz um sonho longe, logo avisa a epígrafe deste livro da premiada escritora portuguesa Lídia Jorge. Ela conduz o leitor habilmente por esta narrativa em primeira pessoa que trata da delicada relação entre um tio e sua sobrinha, a partir de um encontro, ocorrido muitos anos mais tarde, à beira do Lago Ontário, no Canadá. A personalidade irreverente e rebelde do mais velho arrebata a atenção da criança observadora e carente de afeto que crescia na década de 60 ao sul de Portugal. As lembranças dos seus encontros num campo de margaridas, tendo por fundo uma bicicleta como único veículo de libertação, constituem a matéria-prima deste conto cujo título toma por nome a alcunha desprestigiante que haviam dado a esse “instrumento” – A Instrumentalina. O texto foi editado pela primeira vez pelas Publicações Dom Quixote, em 1992, e foi traduzido para vários idiomas.

ISBN: 978-85-7596-372-2 REF: 365 Categorias , , , , Tags: , , , , Product ID: 13030
Editora Editora Peirópolis
ISBN 978-85-7596-372-2
Código Bisac FIC029000
Código de Barras 9788575963722
Data de Publicação 01/01/2016
Ano da Edição 2016
Dimensões 18.5 x 23 cm
Peso 0.12 kg
Páginas 48
Idioma Português
Classificação Livre para todas as idades.
Origem Brasil
Capa Brochura
Release
Na Mídia
Impressões de Leitura

Prefácio

Por Solange Cardoso

Há livros que parecem ter sido criados a fim de fisgar o leitor pelas sensações. Quando estamos diante de um título desses, nos deparamos com a combinação de alguns elementos: linguagem de fácil compreensão, mas bem trabalhada, e história cativante e sedutora, narrada de maneira que nos faz embarcar numa viagem por uma leitura prazerosa e emocionante.

Lídia Jorge, uma das mais importantes escritoras de língua portuguesa, leva isso tudo ao pé da letra. Com graça e leveza, reuniu esses elementos no conto A Instrumentalina, que você vai conhecer agora. Nele, a autora conta a história de uma mulher adulta que recorda e evoca memórias de sua infância, passada com os primos, as tias e o tio Fernando na casa de campo do avô, no sul de Portugal. Tudo é contado retrospectivamente. A narradora é uma adulta que, sentada à mesa de um bar à beira do lago Ontário, em Toronto, espera pelo tio e relembra acontecimentos marcantes de outras épocas, como a presença da misteriosa Instrumentalina.

“Quem diria? Escondida no saco das reservas proibidas,
havia anos e anos que não a soltava do seu local de abrigo,
ainda que por vezes o seu selim, a sua roda pedaleira, ou a
imagem caprina do seu retorcido guiador me aparecessem
como coisas desgarradas.”

Essas recordações rememoram também os tempos em que a narradora viveu na casa do avô. O relato faz uso da analepse, recurso literário por vezes chamado de flashback e mais conhecido por seu uso no cinema. A volta ao passado, uma ligação intrínseca entre espaço e tempo da narrativa, é aqui elemento essencial e vertigem de leitura. Toronto é o lugar da atualidade, a partir do qual as lembranças da narradora são magicamente evocadas. Já as terras da campina representam o passado, um espaço rural onde foi erguida a casa do avô e onde se passa a história central do conto.

Numa grande casa, a narradora e os primos viveram com as mães (que foram abandonadas pelos maridos) e com o avô inválido, um homem austero e conservador, preocupado somente com os negócios e com o patrimônio familiar. Flagramos essas mulheres em obediência total à ordem vigente naquele momento, de acordo com o regime opressor imposto pelo patriarca. Cozinhavam, cosiam, liam, escreviam cartas aos maridos ausentes, cantavam e dançavam ao som da grafonola e, à noite, choravam a solidão e o abandono em que viviam. Ao contrário e em contraponto à triste situação delas, as crianças corriam livremente e viviam “como uma matilha indomável, sem dono”.

Está posta a situação inicial do tempo passado, aparentemente imutável, até que, atendendo a um pedido do avô, chega para morar na casa o tio Fernando. Muda-se levando consigo uma série de objetos inusitados para aquele contexto: sua máquina de escrever, sua câmara fotográfica e a misteriosa Instrumentalina.

Com a chegada do tio, as crianças – e principalmente a narradora – vivem um período de felicidade, aventura e sonho. Isso porque, ao contrário do que esperava o pai, Fernando havia optado por um estilo de vida alternativo, na companhia de seus objetos de paixão, os quais movem a narrativa e mexem com o coração do leitor.

Ainda que a Instrumentalina não seja personagem principal do conto, podemos dizer que é a presença dela que dá sentido à história. No que ela simboliza reside o ponto fulcral do conto: o patriarca, ao pressionar o filho a ficar em casa e assumir as responsabilidades da família, se choca com o espírito aventureiro e sonhador de Fernando, criando, assim, uma tensão que confere certa dinâmica à ação. Essa dinâmica nos envolve e nos motiva a ler sem parar.

Chamada de “transporte de delícia”, a Instrumentaliza impulsiona todas as transformações da família, uma vez que é objeto condutor de sonho e símbolo de liberdade e prazer. Nos duros anos de ditadura vividos pela sociedade portuguesa na primeira metade do século XX – pano de fundo que emoldura a narrativa –, essa família experimentou algo único e inusitado.

Há ainda muito para dizer sobre este livro, mas qualquer coisa além dessas palavras adiaria a leitura e estragaria a deliciosa surpresa que é a descoberta da história. Então, boa viagem!

Solange Cardoso é Mestre em Letras pela Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e membro do Grupo de Investigação do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL).
Autores Lídia Jorge
Ilustradores Anna Cunha
Prefaciadores Solange Cardoso
:: Altamente Recomendável FNLIJ 2017 - Produção 2016 - categoria Literatura em Língua Portuguesa

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