Cantos da floresta – Atividades relacionadas ao povo Guarani

Cantos da floresta – Atividades relacionadas ao povo Guarani

Parte integrante do livro Cantos da floresta – mundo e cultura indígena para educadores, as atividades sugeridas referem-se a aspectos musicais de cada povo.

Takua’pu. Foto: Magda Pucci

CARIÇO (Comunidade Bayaroá)

Sobre a Cariço

A Cariço (em Nheengatu) é uma flauta de pã que também dá nome a uma dança em pares. São tubos de taquara amarrados com fibras. A afinação dos tubos é variável, e a execução sempre se dá em grupo, pode ser dupla ou mais pessoas, sendo que um deles desempenha o papel de “mestre” e os outros “respondem” imitando os mesmos motivos porem com notas diferentes.  Veja mais sobre o assunto na pág. 104 (Músicas indígenas).

1. Ouvindo a Cariço

Ouvir as flautas cariço é um bom exercício de percepção auditiva, pois trabalha com outros referenciais sonoros. Sugerimos:

a) observar o timbre da Cariço percebendo o som soprado característico das flautas de pã.

b) cantar a sequencia melódica da cariço para depois tentar descobrir que notas estão sendo tocadas e então começar a delinear os motivos presentes.

c) Você pode assistir ao vídeo da Comunidade Bayaroá dançando e tocando o Cariço e  tentar localizar a escala formada por essas notas. A escala usada na Cariço é completamente diferente dos padrões das escalas tonais que estamos acostumados a ouvir. Elas usam muitos semitons e trítonos o que pode causar um certo estranhamento. Por outro lado, pode estimular seus alunos a percorrerem outras possibilidades sonoras.

2.  Dançando com a Cariço

Assistir ao vídeo dos Bayaroá dançando e observe como se dá o movimento corporal deles e a marcação dos chocalhos de pé (kitio). O acento métrico (mais forte) dos pés está relacionado aos movimentos da dança que vão pra frente para trás e em roda. Eles vão para frente (2 tempos ) e para trás (4) e também giram alargando o padrão.

3.  Cantando com a Cariço

Cantar o contorno melódico geral da música Cariço, ouvindo várias vezes a gravação e então irá observar que essa música é também tocada com o sistema de notas alternadas (ver pág. 304). Para melhor entendimento desse processo seria interessante você usar outras melodias já conhecidas e que tenham poucas notas, tal como Serra, Serra e outros exemplos.

4.  Improvisando sobre a melodia Cariço

Quando as crianças estiverem à vontade com os motivos melódicos da Cariço, você pode sugerir um exercício de improvisação sobre eles. Uma sugestão para essa improvisação pode ser a forma rondó, isto é, selecionem um dos motivos da melodia Cariço para ser o ‘refrão’ (a parte que sempre repetirá), alternando-o como solos vocais improvisados.

5. Diferenças entre os sopros

Como a flauta doce, no geral, é o sopro mais conhecido das crianças, vale desenvolver um trabalho comparativo entre a forma de soprar uma flauta de pã e uma flauta doce. Entender como o som é produzido em cada uma delas é interessante, principalmente, se as crianças já aprendem a flauta doce na escola. Caso você não tenha a sua disposição uma flauta de pã para essa comparação, você pode utilizar garrafas, já que a forma de produzir o som é a mesma que na flauta de pã.

6. Garrafas de água

Uma experiência interessante é utilizar garrafas com água dentro formando uma escala do seu gosto (que pode ser inspirada na escala do Cariço). O processo de encher de água as garrafas descobrindo a quantidade certa para cada nota da escala selecionada é bastante estimulante e um ótimo exercício de percepção de alturas. Instrumentos prontos, a proposta pode ser desde tocar a melodia Cariço, caso a escala escolhida tenha sido a da música, até mesmo improvisar sobre a escala resultante ou mesmo criar um pequeno conjunto.

7. Com xilofones

Você pode improvisar ou inventar uma música nos xilofones, utilizando a mesma escala do Cariço. Se quiser, incluir outros instrumentos e formar um conjunto.

Conhecendo mais sobre as flautas de pã

A flauta de pã é muito presente nos países da América Latina como Bolívia, Colômbia, Peru entre outros. Seria interessante desenvolver um trabalho comparativo da flauta Cariço da Comunidade Bayaroá com as outras flautas de pã latino-americanas como a sikus.

Há também flautas de pã na Ásia, onde se utilizam outras escalas. Que tal pesquisar pela internet vários exemplos de flauta de pã, levá-los para sala de aula e ouvir com seus alunos? Coletar imagens dessas flautas pode ser uma atividade interessante também!

9.  Por dentro do mito de origem dos povos do Rio Negro

Todas as culturas possuem suas histórias de criação do mundo. Procure conhecer o mito de criação dos povos do Rio Negro, que acreditam que a humanidade foi criada de dentro de uma cobra-canoa de onde saíram os povos nativos daquela região.

10. Conectando saberes

O estudo dos povos do Rio Negro pode ser também um tema interdisciplinar com Geografia e mesmo História, devido a importância da região do Rio Negro. Esse rio é o maior afluente da margem esquerda do rio Amazonas, na Amazônia e na América do Sul e é o rio de água negra mais extenso do mundo, e o segundo maior em volume de água — atrás somente do Amazonas, o qual ajuda a formar. Que tal pedir para os alunos realizarem uma pesquisa sobre o Rio Negro e toda esta região? Você pode também propor uma pesquisa no site do Instituto Socioambiental (ISA) onde há várias informações sobre os povos que habitam o Rio Negro. (Acesse para saber mais: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro)

11. Quando os grupos se unem

Outro tema interdisciplinar que emerge da criação  da Comunidade Bayaroá na cidade de Manaus, é a curiosa junção de povos diferentes em um único grupo. Por que aconteceu essa junção de diferentes povos? Qual o objetivo da criação dessa comunidade? O que significa as minorias se juntarem em prol de um objetivo em comum? Existem outros exemplos na história em que remanescentes de povos diferentes se juntaram com um objetivo comum? Esse foi o caso do Parque Xingu? Qual a diferença entre a Comunidade Bayaroá e a decisão de unir os povos no Parque Xingu? O que seus alunos pensam sobre a questão da coletividade?

 

Jaburutu. Foto: Eduardo Vessoni.

JAPURUTU

1.  Ouvindo atentamente os sons do Japurutu

Observar o timbre dos sopros imaginando como o som é produzido, se é flauta de pã, se tem palheta, se é flauta vertical, de que material é feito. Após esse exercício de imaginação, veja o vídeo e compare com o que vocês imaginaram. O Japurutu antigamente era feito de taboca, um tipo de bambu encontrado na região do Rio Negro mas agora eles utilizam canos de PVC. Atualmente, como estão vivendo na cidade, os membros da Comunidade Bayaroá estão construindo os japurutu com PVC pela falta de taboca na região urbana. Eles pintam de preto e adornam com grafismos tradicionais. O Japurutu é formado por duas flautas: uma fêmea e um macho, sendo que o macho toca os sons mais graves e a fêmea os mais agudos. O japurutu não tem furos e as diferentes alturas são produzidas a partir dos harmônicos (ver pág. 302).

2. Que notas são?

Após ouvir atentamente e cantar junto com a gravação, tente desenhar o contorno melódico da música do Japurutu. Você vai perceber a dificuldade de localizar as alturas ao tentar tocar num instrumento temperado, algumas notas não se encaixam, porque os Bayaroá utilizam nessa melodia quartos de tom, isto é, notas intermediárias entre os semitons.  Esses quartos de tom são responsáveis pela sensação hipnótica da melodia que apresenta um contorno bem ondulante sem um centro tonal.

3. Ouvindo e vendo

Ao ouvir e assistir ao vídeo e perceba a marcação dos chocalhos de pé e a relação com os movimentos da dança. Que relação existe entre os apoios dos pés com o movimento da dança?

Os Bayaroá tocam e dançam de braços dados, com chocalhos nos pés. É interessante observar que os apoios marcados no chão seguem totalmente os movimentos da dança. Quando eles vão para trás, há uma ausência de apoio, e quando vão para frente, o apoio se mantem mais forte. A resultante sonora dos chocalhos de pés do Bayaroá é diferente da marcação dos maracás dos Mbyá-Guarani ou dos Xavante, por exemplo, que  marcam constantemente o pulso de forma bastante regular. Observe também que eles fazem uma espécie de introdução com glissandos, cujo recurso se repete no final da musica.

4. Hochetus – forma alternada de tocar

Os Bayaroá também utilizam o sistema de notas alternadas para tocar o japurutu semelhante à flauta de pã cariço, totoráp dos Ikolen, da taratararu dos Yudjá. Para perceber claramente como esse sistema alternado, veja o vídeo X da Comunidade Bayaroá e comente com seus alunos sobre esse recurso.

 

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