Pré-história também é cultura - Editora Peirópolis

Pré-história também é cultura

Paleontologia é a ciência que estuda os seres vivos que viveram num passado remoto da Terra. A biodiversidade atual é apenas uma pequena parcela de todas as espécies de animais, plantas e microorganismos que já habitaram os continentes e oceanos ao longo do tempo. O paleontólogo faz escavações em busca desses seres que ficaram preservados nas rochas sob a forma de fósseis. Seu objeto de estudo não se limita aos dinossauros, mas inclui também outros tipos de répteis, peixes, mamíferos, anfíbios, vegetais, invertebrados, fungos e bactérias. Essa ciência trabalha em conjunto com a Biologia e a Geologia e é importante para entender a evolução das espécies e como os ambientes do planeta se modificaram ao longo de sua história geológica. A Paleontologia também tem importância econômica, ajudando os geólogos na descoberta das reservas de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão mineral.

Você sabia?

Peirópolis é um distrito rural de Uberaba, localizado às margens da rodovia BR-262, a cerca de 20 km do centro da cidade. No começo do séc. XX, destacou-se como produtor de calcário mas atualmente é uma atração turística em função dos fósseis encontrados nas imediações. Desde a década de 1940, descobertas paleontológicas traziam notoriedade para a região, quando descobertas aconteceram durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana.

Crédito: Peirópolis Com Crianças – Centro Paleontológico e Museu dos Dinossauros

O paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980), considerado o pai da paleontologia brasileira, começou a trabalhar em Peirópolis em 1947 e permaneceu na região até 1974. Ele realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros. Todo o acervo de fósseis coletado pelo renomado paleontólogo e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro. Hoje, Uberaba é mundialmente conhecida como a Terra dos Dinossauros do Brasil com a maior quantidade de espécies do país. Seus fósseis, excepcionalmente bem preservados, em quantidade e diversidade singulares, é o que possibilita manter esse título.

 

Não é um belo encontro esse entre a editora Peirópolis e livros sobre dinossauros brasileiros, escritos por Luiz Anelli?

 

Vamos conhecer um pouco mais o professor Anelli?

Luiz Eduardo Anelli é professor de paleontologia do Instituto de Geociências da USP, onde vem se dedicando há 25 anos ao estudo de animais marinhos pré-históricos encontrados na América do Sul, Antártica, África e nos Estados Unidos. Na universidade coordena a Oficina de Réplicas, que já produziu dezenas de milhares de réplicas de fósseis de animais e plantas pré-históricas utilizadas como material didático em escolas e universidades de todo o Brasil. Organizou diversas exposições, como Dinos na Oca, no parque do Ibirapuera (São Paulo), e A evolução dos dinossauros,no Sabina Escola Parque do Conhecimento (Santo André), onde montou o único esqueleto de Tyrannosaurus rex em exposição permanente na América do Sul. Há dez anos ocupa boa parte do seu tempo dando aulas e escrevendo livros sobre os dinossauros e a pré-história brasileira.

A fim de esticar um pouco mais a conversa e conhecer mais sobre o autor, fizemos uma breve entrevista com Luiz Anelli:

Entrevista

  • Anelli, como você começou a se interessar pelos dinossauros brasileiros?

Coluna do tempo geológico. A Era dos dinossauros está localizada entre as idades que coletei fósseis boa parte da minha carreira enquanto estudada animais marinhos que habitaram antigos mares do Brasil e da Antártica.

Diferente da maioria das pessoas interessadas em dinossauros, me aproximei deles somente depois de adulto, logo que me tornei professor na USP em 1996.

Desde criança, até a metade da universidade de Biologia, sempre me interessei por insetos e pelas florestas onde eles viviam. Rochas não eram comuns na região onde morava e por isso quase nunca tive contato com fósseis.

O meu primeiro encontro com o mundo pré-histórico aconteceu no final da universidade, quando em uma sala descobri abandonada uma coleção de fósseis e passei a estudá-los. Me interessei por eles porque descobri que, diferente do mundo atual – geografia, animais e plantas – que está restrito ao tempo presente, a pré-história guarda incontáveis mundos, com diferentes continentes, oceanos, animais e plantas evoluidos ao longo de centenas de milhões de anos.

Anos depois me tornei paleontólogo com mestrado e doutorado na USP. Como professor no Instituto de Geociências fiquei responsável pelas aulas sobre a vida dos vertebrados: da origem dos peixes nos mares cambrianos, aos répteis, anfíbios e mamíferos modernos, uma longa história de 535 milhões de anos que atravessa a existência dos poderosos dinossauros. E então nunca mais os deixei.

Os dinossauros viveram por 170 milhões de anos, um tempo quando a geologia, o clima e a vida passaram por mudanças muito radicais, uma fatia temporal dentre as mais interessantes em toda a história da Terra. Vulcões, impacto de asteroides e inundações marinhas estiveram sempre presentes e foram responsáveis tanto pelo sucesso como pelo desaparecimento da maioria dos dinossauros no final da Era Mesozoica.

Foi com os dinossauros que aprendi quase tudo o que sei sobre o mundo pré-histórico e sempre digo que eles estão entre os melhores professores que tive.

 

  • Qual foi a descoberta mais emocionante que você já fez sobre dinos brasileiros?

Como paleontólogo pesquisador sempre trabalhei com animais marinhos que viveram em mares antigos (350-250 milhões de anos) que cobriram o Brasil e a Antártica (antes que esta estivesse congelada, cerca de 40 milhões de anos atrás). Assim, além de nunca terem habitados os mares e oceanos – o que torna seus fósseis raríssimos em rochas marinhas – os dinossauros não existiam ou já haviam sido extintos no tempo das rochas que estudei. Era impossível para mim encontrar seus ossos.

Porém, descobri ossos de dinossauros em viagens com outros paleontólogos ou mesmo sozinho enquanto visitava regiões argentinas e brasileiras onde rochas com ossos de dinossauros são muito comuns. Fiz essas viagens – e ainda as faço -para colher informações e novas histórias para escrever meus livros.

Mas o que considero a minha grande descoberta foi o fato de perceber que nossos dinossauros permaneciam desconhecidos, e que estava diante de mim a oportunidade de apresentá-los a todos os brasileiros. Foi assim que com a Editora Peirópolis teve início o projeto Dinos do Brasil, com uma série de livros que ilustram e contam para crianças e professores a maravilhosa pré-história brasileira.

Temos uma pré-história exuberante, com cerca de 50 espécies de dinossauros conhecidos, de gigantes predadores com 15 metros de comprimento à única marca de xixi de dinossauro conhecida em todo o mundo.

A nossa pré-história pode ser considerada mais um patrimônio cultural brasileiro e deve fazer parte do currículo escolar por unir a alegria dos dinossauros ao vasto berçário de riquezas minerais e naturais que desfrutamos na atualidade.

Marca de xixi de dinossauro deixada as areias do grande deserto de dunas que cobriu boa parte do território brasileiro cerca de 140 milhões de anos atrás.

Dinossauro Ornitópode, o mais provável autor do xixi cujas marcas foram encontradas nas rochas do grande deserto do Cretáceo brasileiro (Paleoarte: Julio Lacerda)

 

 

  • Por que, do seu ponto de vista, este deve ser um tema presente nas escolas brasileiras?

Dinossauros existiram aos milhões, em muitos tipos diferentes. Foi de pequenos carnívoros predadores emplumados que 150 milhões de anos atrás, no final do período Jurássico, nasceram as primeiras aves, os únicos dinossauros sobreviventes.

Além das histórias de gigantes pescoçudos, dos poderosos predadores, das mais incríveis cristas e carapaças, e dos pequeninos emplumados que deram origem às aves, os dinossauros nos falam das mudanças da superfície terrestre onde habitamos ocorridas nos últimos 230 milhões de anos.

Foi no tempo em que viveram que de um supercontinente nasceram os seis que hoje conhecemos, que riquezas minerais como o aquífero Guarani, a terra rocha, e todo o petróleo das camadas pré-sal se formaram. Os dinossauros testemunharam o nascimento dos primeiros mamíferos 200 milhões de anos atrás e dominaram sua existência por cerca de 140 milhões de anos. Tudo o que esses peludos adoradores de leite representam hoje, incluindo você e eu, deve-se muito aos dinossauros. Eles acompanharam o desenvolvimento e o domínio das plantas com flores. Os dinossauros assistiram a construção de toda a geografia do mundo moderno, incluindo continentes e oceanos.

Unanimidade entre crianças dos primeiros anos escolares, os dinossauros são um veículo atraente, confortável e eficiente para a condução das crianças à leitura, para a aproximação com a ciência, para encaminhá-los aos museus, para ensinar a história da geografia moderna, das mudanças do clima e da biologia nas últimas centenas de milhões de anos.

 

  • Saber sobre os dinossauros e seu mundo pode nos ajudar a entender melhor o nosso? Por quê?

Muito. Toda a geografia, biologia e clima modernos no qual hoje estamos imersos foi semeado no tempo dos dinossauros, no mundo da Era Mesozoica. A compreensão de tudo que hoje recobre a superfície terrestre, dos oceanos às mais altas montanhas, dos desertos mais secos às florestas exuberantes, do maior ao menor animal, e toda a paisagem, mostra conexões com a Terra em que os dinossauros habitaram. Foi nesse tempo que a América do Sul e o oceano Atlântico nasceram, que a Índia se descolou da Antártica e deu início à sua longa jornada pelo oceano Índico até se chocar com a Ásia, levantando os Himalaias e mudando o clima global.

A Era Mesozoica terminou com o impacto de um asteroide gigante que pôs um fim não só aos dinossauros, mas a muitos outros grupos de animais, o que abriu a oportunidade para os pequeninos e oprimidos mamíferos prosperarem. Por isso estamos aqui. As rochas que nos contam história da grande extinção, encontradas na região do Golfo do México, e em finas camadas espalhadas por todo o mundo, não sem razão se tornaram as rochas mais estudas pela geologia e paleontologia mundiais.

 

  • Uma das grandes questões que rondam os seres humanos é saber de onde viemos. Talvez seja a maior questão filosófica, junto com outra – para onde vamos? Dinossauros podem nos ajudar a pensar sobre essas questões?

Anatomicamente, e com muita segurança, evoluímos de uma linhagem de primatas que viveu na África e que deixou gradativamente a vida nas árvores a partir de cerca de 7 milhões de anosa atrás enquanto mudanças climáticas que esfriavam o mundo também provocavam o encolhimento dos ambientes florestais.

De fato, na grande árvore da vida, estamos todos conectados, peixes, dinossauros e primatas. O que muda é apenas a distância genética, refletida no tempo em que nos separamos do ancestral comum.

A vida se conecta em uma multidão de ancestrais comuns. Como vertebrados compartilhamos muito com peixes, dinossauros e mamíferos marsupiais. O que muda é apenas a distância, o grau de parentesco, primos próximos ou primos distantes.

Não há dúvidas sobre isso. O conhecimento anatômico será apenas detalhado com novas descobertas, mas nossa origem genética a partir da África como pequenos primatas é hoje inquestionável.

As mudanças na mente e na consciência humanas a partir de três milhões de anos, a origem da linguagem, da arte, e da cultura são pouco mais complexas e delicadas por questões ligadas à preservação das evidências fósseis.

Os dinossauros nos ajudam a olhar para trás no tempo profundo e conhecer o aspecto histórico do mundo no qual vivemos. A pré-história nos mostra que a Terra, o clima e a vida são dinâmicos e que praticamente tudo é reciclado, rochas, oceanos, atmosfera e a própria biologia. O mundo atual, incluindo tudo o que dá vida à sua superfície, é uma herança construída ao longo de bilhões de anos, tendo sido o último capítulos protagonizado pelos animais mais fascinantes que já habitaram os continentes, os dinossauros.

Já para onde iremos, só a ciência é capaz de nos ajudar a imaginar.

 

Qual é o lugar que a pré-história brasileira ocupa em sua escola?

Quando você pensa em dinossauros, que nome vem à sua mente? É muito provável que pense logo de cara no famoso Tiranossauro Rex. Mas, será que você conhece algum dinossauro que viveu em terras brasileiras há cerca de 80 milhões de anos? É provável que não. Pouco sabemos sobre a nossa a pré-história. E como diz Luiz Anelli, na conferência TEDx São Paulo – Viva a Pré-História do Brasil: “todos os países que priorizam a educação transformaram a pré-história em um item da cultura”.

Conheça a proposta pedagógica para o tema

 

Estante de livros

Agora falta conhecer os títulos e fazer muitas descobertas…

NOVOS DINOS DO BRASIL

É fascinante imaginar um dinossauro que existiu há muitos e muitos milhares de anos sobre a Terra. E tudo começa com a descoberta de um fóssil, um vestígio dos incríveis animais que habitaram a pré-história brasileira.

Já foram identificadas no mundo inteiro 1,3 mil espécies de dinossauros, 46 delas aqui no nosso país. O leitor conheceu 23 delas no livro Dinos do Brasil, de autoria do paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, publicado em 2010 pela editora Peirópolis.

Agora, são mais 24 dinos: gaúchos, paraibanos, cearenses, e assim por diante… Diversos como nós!

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ABCDINOS

Este abecedário poético, concebido por um paleontólogo entusiasmado, uma escritora estreante e uma ilustradora convicta, traz 26 poemas e uma pílula informativa sobre dinossauros que habitaram diversas partes do planeta.

No final do livro há um mapa que indica os locais onde seus fósseis foram encontrados.

Essa valiosa herança, deixada há milhões de anos, conta-nos hoje como eram os dinossauros, onde e como viviam, o que comiam e muito mais.

Leia um pouco do livroConheça a proposta pedagógicaCompre o ABCDinos

 

DINOS DO BRASIL

Quando pensamos em dinossauros, nossa imaginação voa longe, para um passado remoto, quando gigantes cheios de dentes com garras perigosas circulavam aos montes pela Terra. Sim, há mais de 200 milhões de anos eles viviam espalhados por todos os cantos do planeta, mas nem todos eram tão monstruosos quanto imaginamos. Assim como os répteis de hoje, eles podiam ser muito diferentes uns dos outros. Neste livro você vai saber como os paleontólogos descobriram as formas e os tamanhos dos 23 dinossauros brasileiros e conhecer as histórias que estão por trás dos seus nomes e fósseis. Agora, o mais intrigante de tudo é saber que eles ainda andam por aí. Dá pra acreditar?

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DINOSSAUROS E OUTROS MONSTROS

Ao nos conduzir, como em uma máquina do tempo, pela admirável pré-história do Brasil, em tempos e regiões repletas de criaturas curiosas e extravagantes, o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli nos proporciona a sensação de sobreviver a terríveis extinções em massa, cruzar rios e mares continentais, desertos e penínsulas vulcânicas, incríveis pantanais, e compreender definitivamente que estudar o passado nos permite entender o presente e imaginar o futuro.
A obra traz histórias verdadeiras que nos ajudam a entender a força da Terra, o entusiasmo da vida, e como chegamos aqui, com incríveis cenários retratados pelo paleoartista Julio Lacerda, além de um monstruário, com informações detalhadas sobre 39 espécies de dinossauros e outros monstros pré-históricos. Para leitores leigos e também os estudiosos, tem inestimável valor na construção da identidade nacional.

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GUIA COMPLETO DOS DINOSSAUROS DO BRASIL

São mais de vinte espécies estabelecidas a partir dos achados fósseis, desconhecidas da população leiga e até mesmo da comunidade científica, e apresentadas pelo autor de forma contextualizada: o livro traz comparações entre as descobertas no Brasil e na Argentina, país que já conta mais de cem “dinos”. Ao tratar os fósseis como “máquinas do tempo”, capazes de oferecer chaves de entendimento para as dinâmicas dos ciclos da vida e estabelecer a conexão entre os dinossauros e seus descendentes contemporâneos, as aves, o autor torna o tema instigante não só para os especialistas, mas também para o público em geral. Um livro que a Peirópolis – editora que, além de considerar a temática ambiental um de seus grandes valores, leva o nome de um dos sítios paleontológicos brasileiros, tem orgulho de publicar.

Compre o Guia completo dos dinossauros do Brasil

 

 

Assista e descubra curiosidades sobre os dinossauros e da pré-história brasileira

Por que os dinossauros sumiram?, no TicolicosEntrevista de Anelli para UNIVESP, na TV CulturaViva a pré-história do Brasil, para o TEDx TalksEntrevista de Anelli para o Morning Show, na Jovem PanQuarentena biológica, live com Comportamento PrimatológicoPré-história do Brasil gerou tesouros naturais, para Canal USPCurioso universo dos dinossauros, no Todo Seu (TV Gazeta)Participação de Anelli no Podcast Casos e Caos

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