Terra de cabinha – Pequeno inventário da vida de meninos e meninas do sertão

Autor: Gabriela Romeu
Ilustrador: Sandra Jávera

R$52,00

Cabra da peste, cabrinha, cabinha. Assim é conhecida a criança que vive no Cariri, um sertão verde, quase um oásis, em meio ao semiárido brasileiro, que cobre quatro Estados do nordeste: Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Terra das pinturas rupestres, do Padre Cícero, do poeta Patativa de Assaré, lugar em que menino vira rei, caça jumento e foge de encantados, o Cariri se destaca, na extensa pesquisa sobre a infância conduzida por Gabriela Romeu em todo o Brasil, como um delicado relicário: um lugar em que o brincar traz muitos outros sentidos que podem passar desapercebidos para muita criança e gente grande da cidade.

Terra de cabinha – Pequeno inventário da vida de meninos e meninas do sertão é um livro que pode ser lido de muitas maneiras diferentes: como um diário de viagem pelo sertão do Cariri cearense; como inventário que apresenta bens culturais e artísticos dessa região brasileira; como registro etnográfico em diferentes linguagens (jornalística, poética, fotográfica, audiovisual e plástica); como almanaque contendo diversos gêneros textuais que informam, divertem e surpreendem, simultaneamente.

Traz histórias, causos, brincadeiras, receitas, versos e adivinhas. Aqui você ouve a voz do cabinha, dos mestres e contadores de histórias, e também da pesquisadora visitante, que registrou num caderninho as coisas mais interessantes a respeito de como vivem aqueles meninos e meninas para quem o mundo é feito de castelos, árvore é brinquedo e assombração existe, sim, senhor. Como lembra a autora, trata-se de um livro para se ler de dia, reler de noite – ou vice-versa – e recontar pra quem quiser.

Conheça os vídeos aqui.
Editora Editora Peirópolis
ISBN 978-85-7596-415-6
Código Bisac JUV000000
Código de Barras 9788575964156
Data de Publicação 01/01/2016
Ano da Edição 2016
Dimensões 17.5 x 27.5 cm
Peso 0.26 kg
Páginas 96
Idioma Português
Classificação Livre para todas as idades.
Origem Brasil
Capa Brochura
Conteúdo Complementar
Blog
Na Mídia
Impressões de Leitura
Entrevista

Posfácio

A primeira vez que ouvi a palavra cabinha foi no terreiro da Fundação Casa Grande. Os meninos disputavam uma acirrada batalha de pião, a brincadeira do boi, e um deles gritou lá de dentro: “Augusto, larga aí, cabinha, tá na hora do programa!”. Não sei se foi exatamente o Augusto – pode ter sido Felipim ou Iêdo. Mas perguntei na hora o que queria dizer aquela palavra. Os meninos, os cabinhas, explicaram que cabinhas são meninos. Mas entendi que eram meninos com seu universo particular. Depois dessa primeira visita, viajei bem uma dezena de vezes para o Cariri cearense, a Terra dos Cabinhas.  Sempre tenho vontade de voltar. Foi assim que este livro nasceu. Foi também ao lado de um cabinha que percorri as estradas do Cariri, sempre subindo e descendo a Chapada do Araripe, verdinha depois da chuva. Samuel Macedo, o cabinha, nasceu no Crato e cresceu menino curioso na Fundação Casa Grande, onde aprendeu a fotografar e a filmar. Então, foi com as lentes de um cabinha que as imagens deste livro foram feitas. Nas visitas ao Cariri, duas casas sempre me receberam: a Fundação Casa Grande, que é essa escola de comunicação e gestão dos meninos do sertão, coordenada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde, e a casa de Dona Irenice e Seu Chico, pais do cabinha fotógrafo Samuel. Se Samu me apresentou os caminhos da chapada, Dona Irenice me tratou à base de deliciosas tapiocas (e histórias e piadas) e Seu Chico me ensinou a rodar pião, coisa que todo cabinha de carteirinha tem que saber. No caminho, fomos descobrindo brincadeiras, ouvindo histórias, comendo mungunzá, contando piadas, percorrendo trilhas com as crianças, provando seriguela no pé, seguindo os reisados nas ruas, conhecendo pessoas incríveis e fazendo amigos. Difícil colocar aqui os nomes de todas as pessoas que nos abriram portas e porteiras, nos indicaram atalhos e levadas. Terra de cabinha são todas as estradas, cidades e lugarejos que percorri –  Crato, Nova Olinda, Jardim, Serra do Zabelê, comunidade dos Azedo, Gesso, quilombo Carcará. É povoada por todos os meninos e meninas, pequenos e crescidos, que conheci – Dó, Ju, Enoque, Ricardo, Glabiel, Jacaré, Maria, Júnior, Yasmin, Thiaguinho. Mistura passado e presente, o que é e o que eu vivi ali. Em algumas dessas andanças tivemos como companheiros de estrada a jornalista e amiga Marlene Peret e o fotógrafo Helio Filho, outro menino crescido da Fundação Casa Grande. Foi com Marlene que idealizei o Infâncias, projeto que registra o cotidiano das crianças por muitos cantos do país, além da chapada sempre verde do Cariri. Nas idas e vindas para o Cariri, descobri que deve existir algum ímã que liga o centro do nosso coração ao centro do sertão, com o perdão da rima. Sempre tive o sertão como rota, acho que desde menina sou fascinada pelas histórias do Brasil de dentro. E o Cariri é um desses lugares que me encantaram até antes de por lá pisar. Antes mesmo de Samuel Macedo virar meu parceiro neste projeto, andamos juntos um dia pela região. Ele dirigia um carro e falávamos bastante. De repente, uma senhora surgiu na nossa frente, o carro freou repentinamente, nos assustamos. Em tom de bronca, ela disse: “Espia o mundo, menino!”. Nunca mais me esqueci dessa frase. Espiar o mundo é o que eu mais gosto de fazer, acho que por isso virei jornalista e documentarista. Espiar com os olhos, os ouvidos, todos os sentidos, mais o coração. Depois de espiar, gosto de espalhar. Foi o que fiz neste livro.
Autores Gabriela Romeu
Colaboradores Samuel Macedo
Ilustradores Sandra Jávera
Fotógrafos Samuel Macedo

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