Escutar, imaginar e ilustrar o território: os caminhos de Pia o pio, pia Martim - Editora Peirópolis

Escutar, imaginar e ilustrar o território: os caminhos de Pia o pio, pia Martim

Em Pia o pio, pia Martim, a escuta da natureza se transforma em palavra, imagem e experiência compartilhada. Nesta entrevista, Karina e Edmilson falam sobre a criação do livro a partir da vida em família, do modo de vida caiçara e da relação do pequeno Martim com os pássaros, enquanto a ilustradora Bruna Ximenes revela como o território, o ritmo da infância e o contato com a história inspiraram suas escolhas visuais. Juntas, essas vozes constroem um livro que convida crianças e adultos a desacelerar, observar e reconhecer a natureza — e as culturas que com ela convivem — como parte fundamental da formação sensível desde a infância.

Entrevista com Karina Ferro e Edmilson Prado

Peirópolis: Karina e Edmilson, vocês têm uma parceria na vida e no livro. Como foi produzir juntos um livro sobre a relação do pequeno Martim com a natureza e com o cotidiano vivido em família?

Karina Ferro e Edmilson Prado: Produzir juntos o livro Pia o pio, pia Martim é de fato uma expressão da nossa parceria. Nós dois trazemos – de nossas famílias e de nossas vivências – experiências de vida e conhecimentos muito distintos e que se complementam de diferentes formas em nossa convivência. Eu nasci e cresci na cidade, estudei muito as palavras e aprendi a brincar com elas. Edmilson nasceu e cresceu na Comunidade Rio Verde e Grajaúna, território caiçara, e carrega consigo o conhecimento ancestral da comunidade sobre a vida nesse lugar. O Martim e a Joana, nossa filha mais nova, também são fruto dessa parceria e trazem com eles essa história.

Quando o Martim ainda era um bebê, ele chamava atenção para o canto dos passarinhos. Se estava brincando, ele parava, olhava pra cima, procurava de onde vinha aquele canto e, quando encontrava, apontava com o dedinho, do mesmo jeito que Edmilson fazia com ele quando estávamos caminhando. Assim ele aprendeu. A descoberta maior foi minha, porque o Martim começou a chamar a minha atenção para o canto dos passarinhos em diferentes momentos do nosso dia a dia. Então, produzir esse livro, foi na verdade olhar com poesia para essa relação do Edmilson com o Martim e dos dois com a natureza e o nosso cotidiano, para a qual o pequeno mesmo chamou a minha atenção. A partir daí, brincamos com as palavras para que elas pudessem expressar um pouco dessa nossa vivência, embrenhada no território e no modo de vida caiçara. E nesse ponto, a nossa parceria se manifesta também, porque esse diálogo com os pássaros é muito natural para Edmilson – ele cresceu fazendo isso – mas para mim não, e acredito que tenha sido isso que me permitiu olhar de forma poética para a relação dele e do nosso filho com os pássaros e a natureza.

Nós escrevemos o livro juntos. Edmilson trazia informações preciosas sobre os hábitos e os cantos dos pássaros e eu fazia os versos. Assim fomos construindo a história a quatro mãos. Nós publicamos a primeira edição da história com apoio da Prefeitura Municipal de Iguape, por meio de incentivo à cultura via Lei Aldir Blanc, em 2021 (em plena pandemia) quando fomos contemplados em um edital para publicação de obra literária. Com a história pronta, eu me aventurei a produzir todo o resto: ilustrações, criação da fonte, revisão de texto, diagramação e tudo mais o que foi aparecendo, porque o recurso apoiava apenas a impressão da obra. Foi um trabalho intenso, mas muito gratificante também e que nos rendeu muitos frutos. Um deles é esta nova edição pela Editora Peirópolis, com as ilustrações maravilhosas da Bruna Ximenes, que trouxe novas camadas de leitura e novos horizontes para nossa história.

P: Este livro tem uma chave de funcionamento que revela hábitos de uma vida muito própria, extremamente conectada com o jeito caiçara de se viver, ao mesmo tempo em que dialoga com toda e qualquer criança. Como pensaram essa dinâmica de funcionamento, que transita entre o singular de uma existência e o universal, nessa brincadeira com a linguagem, típica das infâncias?

KF e EP: A dinâmica de funcionamento do livro surge de uma forma muito natural, porque foi a reprodução do diálogo que, de fato, acontecia entre o Martim e os diferentes passarinhos que nos visitavam em casa, e nos acompanhavam nos trajetos e nas atividades cotidianas. Essa estrutura de narrativa funciona muito bem com os pequenos, porque o arremedo do Martim, de forma repetida com diferentes pássaros, permite que as crianças compreendam rapidamente a brincadeira e participem da conversa, ao anteciparem cada pio e serem instigadas a imitar os passarinhos (junto com o Martim), criando uma conexão muito bacana com a história.

Além disso, era muito importante para nós falarmos do modo de vida caiçara para outras crianças. Tanto para aquelas que vivem outras realidades e que, neste caso, podem conhecer um pouco do universo de um menino caiçara a partir do livro; quanto para as próprias crianças do nosso território, que têm essa mesma vivência e que podem se reconhecer na história, o que para nós também era fundamental. É fundamental que as crianças de comunidades tradicionais tenham acesso a livros que falem sobre suas realidades, principalmente em um contexto em que as culturas tradicionais estão sendo tão pressionadas pela cultura de massa. O acesso a esse tipo de conteúdo fortalece a identidade dessas crianças e o pertencimento a suas comunidades. A Peirópolis tem um catálogo que valoriza essa pluralidade e isso nos animou muito para a publicação do nosso livro nesta casa editorial. Esperamos que ele chegue a muitos leitores!

P: Muitas crianças vivem em grandes cidades, acostumadas a outras relações com o tempo e com a natureza. Como imaginam a chegada deste livro nesses contextos tão diversos?

KF e EP: Imaginamos que esse livro possa contribuir com a conexão dessas crianças com a natureza. Mesmo nos contextos mais urbanos, é possível encontrar e perceber o canto dos pássaros. O sabiá-laranjeira, que aparece no livro, por exemplo, é uma espécie bastante resiliente, que ainda encontramos nas cidades. Além dele, há pardais, bem-te-vis, pombos e maritacas espalhados por praças e canteiros e talvez as crianças possam passar a reparar neles e a conectar-se com os passarinhos a partir da leitura do livro.

Essa conexão também pode trazer alguns questionamentos. Se por um lado é possível encontrar o sabiá-laranjeira na cidade, por outro lado, não encontramos muitos dos pássaros que aparecem na história. Por que será que isso acontece? Imaginamos que a leitura deste livro em contextos tão diversos possa suscitar debates sobre questões mais complexas, como a conservação da natureza e a relação que as diferentes culturas estabelecem com a floresta e com os animais com os quais convivem, por exemplo. No livro, o Martim espera que cada passarinho o visite de acordo com o ritmo de vida dele e do próprio pássaro, ele não o prende em uma gaiola para poder ouvir seu canto!  Isso nos diz muito sobre a relação dos povos e das comunidades tradicionais com a floresta e com os animais. Isso é particularmente importante para nós, que enfrentamos diversas pressões para poder continuar vivendo em nosso território. Os povos e as comunidades tradicionais são guardiões de modos de vida e de conhecimentos intrinsecamente relacionados à sua terra, às florestas e às águas, e para nós é fundamental que as crianças reconheçam isso desde cedo e aprendam a respeitar e a valorizar essas culturas.

P: Karina, além de mãe, escritora e moradora deste território, você tem trabalhado fortemente para a implantação de uma escola em sua região. Como tem sido este trabalho e como pensa a relação da escola com os saberes e vida local?

KF e EP: Ter uma escola em nossa região é, ao mesmo tempo, garantir a permanência da comunidade no território e a transmissão dos saberes e fazeres da tradição caiçara. No passado, o fechamento de escolas na região da Juréia foi um dos vetores de expulsão das comunidades do território tradicional para a periferia das cidades próximas. Estamos em uma região de muito difícil acesso e várias famílias tiveram que deixar suas casas para levar seus filhos para estudar, não tinha como mandar as crianças para a escola sem se mudar. Distantes do território onde sempre viveram e, ainda, estudando em escolas convencionais, muitas crianças sofreram uma grande perda de identidade. A nossa luta pela escola na comunidade é uma das nossas formas de resistência a esse processo. E não é uma luta nova. As lideranças comunitárias aqui da Juréia (em especial o Dauro do Prado, que é tio do Edmilson) criavam há cerca de 30 anos, a Escola Caiçara da Jureia na Comunidade da Cachoeira do Guilherme, na qual o próprio Edmilson estudou, uma escola de ensino fundamental que mobilizava toda a comunidade e baseava o aprendizado nos diferentes conteúdos nas práticas tradicionais caiçaras.

Uma nova geração de crianças na nossa comunidade, da qual fazem parte o Martim e a Joana, nos convocou a retomar esse movimento. Inspirados na experiência na Cachoeira do Guilherme, construímos coletivamente uma proposta de educação infantil territorializada, na qual toda a comunidade educa e os conhecimentos e práticas tradicionais ocupam o centro das atividades escolares: uma proposta de educação infantil caiçara.

Essa proposta comunitária foi organizada e sistematizada com a colaboração de professoras universitárias parceiras e apresentada ao poder público do Município de Iguape em 2023. Depois de muitas negociações e uma importante mudança de gestão com a eleição municipal em 2024, tivemos o apoio da Prefeitura para o reconhecimento da nossa escola e a integração dela, enquanto escola comunitária, à rede municipal de ensino, por meio de lei municipal no início de 2025. Nós criamos, e o poder público reconheceu a Escola Comunitária Caiçara Nancy Prado, que homenageia a mestra que tanto ensinou a seus filhos, netos e bisnetos, e que é símbolo da resistência caiçara neste território, a vovó Nancy. Essa foi uma grande conquista para nós e para as nossas crianças, e tem trazido muito aprendizado para toda a comunidade.

No território, as crianças vivem a comunidade e aprendem os saberes locais no dia a dia com a família e nas atividades do cotidiano. Foi assim que o Martim aprendeu a “arremedar” os passarinhos, por exemplo. Isso não é a escola que ensina, é a vivência no território, a convivência com os mais velhos e as mais velhas nos diferentes processos de organização comunitária. À nossa escola cabe deixar com que isso aconteça de modo orgânico, respeitando o tempo da comunidade e o tempo da criança e fortalecendo a transmissão desses saberes, o que é um grande desafio tendo em vista o modelo de educação escolar convencional que, de alguma forma, parece sempre nos impor atividades, comportamentos e conteúdos. Cabe também aos educadores e educadoras da nossa escola, estarmos atentos aos interesses e curiosidades das crianças, para favorecer experiências e investigações diversas, de forma que tenham acesso também a outras culturas e campos de conhecimento, por meio de histórias, brincadeiras e outras atividades lúdicas, sempre com produção de sentido e conectadas à experiência de vida local. É uma construção coletiva, entre adultos e crianças da comunidade, e cotidiana, pois a cada dia estamos aprendendo, experimentando, avaliando e consolidando nossas práticas.

Por fim, esperamos que as crianças se sintam conectadas com a natureza e com o modo de vida caiçara com a leitura deste livro! Desejamos uma ótima leitura!

Entrevista com Bruna Ximenes

Peirópolis: Bruna, conta para a gente como foi o processo de ilustração deste livro, antes e depois de ter conhecido o território? O que foi incorporado?

Bruna Ximenes: Este livro passou por muitas versões e investigações de estilos e técnicas diversas, mas nenhuma me dava segurança para continuar. Penso que essa insegurança vinha do fato de o texto apresentar uma simplicidade tão linda, além de carregar toda a história da comunidade caiçara do Rio Verde e Grajaúna — ou seja, sentia uma grande responsabilidade.

Foi só quando fui visitar a Karina e o Edmilson que me aquietei. Antes de chegar lá, fiquei uma semana na Estação Itimirim, em Iguape. O coletivo do qual faço parte em São Paulo estava realizando uma residência artística e passei os dias me dedicando a retratar os pássaros do livro com colagens de papéis translúcidos, pintados com a paleta de cores de que eu gosto e que estavam presentes em suas penugens. Criei muitas texturas de penas e plumas que observei ali, e notei que eram muito parecidas com as manchas das plantas e bromélias da região. Usei essas texturas recortadas tanto nos pássaros quanto na vegetação.

Este foi o primeiro contato com o território. Consegui ficar mais feliz com a maneira como iria retratar o livro, imersa naquela flora e fauna, mas ainda eram experimentações. Logo em seguida, fui ao Rio Verde a convite da Karina e do Edmilson. Essa visita renderia um livro à parte, mas vou tentar me atentar à pergunta.

Primeiro, dormimos um dia na casa do Tio Dauro, liderança caiçara da comunidade. Todos me receberam incrivelmente bem e, no jantar, sentei-me com eles para mostrar o que tinha feito até ali. Ali me dei conta, ainda mais, da minha responsabilidade: este livro pertence a toda a comunidade. Como eu estilizo muito as ilustrações — o que, para mim, cumpre um papel pedagógico, ao fazer ver a realidade de outra maneira — percebi que precisava me atentar mais aos detalhes reais: como é um surucuá, qual é a cor da batuíra ou o formato das plantas locais? Alguns elementos eu consegui aproximar mais do real, mesmo estilizando; outros não, e agradeço demais à comunidade por ter aceitado a minha interpretação desse universo tão rico.

No dia seguinte, ao chegar de barco ao território do Grajaúna, a Karina me fez observar como as montanhas grandiosas e pontudas iam mudando de lugar conforme o barco avançava, sobrepondo-se em camadas, como em uma colagem. Incorporei essas montanhas ao fundo de várias ilustrações.

Houve uma ilustração específica (a terceira dupla-página) em que eu tinha desenhado o Martim perto de um rio, olhando os pássaros na copa das árvores. Fiquei muito feliz ao descobrir que esse rio existe de fato: é um riozinho que passa no quintal deles, onde o Martim, de botas, brinca com seu caminhão. Isso me fez mudar alguns elementos: antes eu tinha desenhado um baldinho para retratar, em algumas ilustrações, o Martim brincando sozinho antes de preferir a brincadeira de virar pássaro, mas depois da estadia mudei para o caminhãozinho. Também mudei a roupa de Martim: antes ele estava descalço e, depois da convivência, coloquei calças e botas amarelas — usadas por conta dos bichos rasteiros e para protegê-lo dos pernilongos e mutucas (ou “butucas”, como dizem por lá).

O Martim e a Jojo também me chamaram para ver, no quintal, a cobra mais bonita que já vi: uma caninana. Muito comum na região, ela é amarela com uma padronagem preta lindíssima. Era grande e se movia calmamente, parecia até estar ali nos observando de perto, entrelaçada nos galhos. Incorporei, então, uma cobra amarela que é presente em vários momentos do livro, é a cobra “fofoqueira”, que faz par com o macaquinho vermelho, personagens que testemunham o momento em que o Martim vira pássaro.

Fora toda essa vivência, o que mais me atravessou foi compreender como a infância vivida ali é, por si só, um ato político: foi o Martim que, ainda na barriga de Karina, impediu que sua casa fosse demolida. É o amor de Jojo pelos peixes que Edmilson pesca, que o faz lutar pelo reconhecimento da pesca artesanal.

A existência dessas crianças que ainda moram ali ou as que não podem mais morar, mobilizou a comunidade a erguer a Escola Caiçara Nancy Prado. Construíram a casinha da escola e quando eu estava lá, tive a honra de pintar um mural em sua parede com a imagem da Vó Nancy preparando a farinha de mandioca. Karina, Edmilson, Dauro e eu construímos juntos a imagem que eu iria pintar. Quando terminei o trabalho, Dauro trouxe bambus arrastados numa moto para decorar o mural.

A iniciativa da comunidade ao fundar a escola e a luta para que a infância possa continuar existindo ali, com sua própria pedagogia e seus modos de aprender, tornaram-se um marco decisivo no processo, ainda em curso, de reconhecimento do direito de permanecer no Rio Verde. Este livro também faz parte de tudo isso.

P: E sobre a técnica utilizada? Fala um pouco sobre suas escolhas, por favor.

BX: Escolhi a colagem como técnica pela necessidade de criar grandes massas de cor e recortes mais interessantes e não tão travados, como acontece quando se cria só no digital. O uso de grandes massas de cor se fez necessário porque o braço de Martim tinha que ser grande para poder ter a mesma proporção dos pássaros e virar asa no livro. Nos estudos dos passarinhos que fiz em Iguape eu utilizei só colagem manual mesmo e estava feliz com o resultado. Porém, por conta do tempo, tive que misturar um pouco de colagem analógica com a digital, o que conferiu outro aspecto, mas ainda mantinha algo do efeito daquela feita a mão, com um frescor nos recortes e nas texturas. o que trouxe outro aspecto às imagens, mas ainda preservou algo do efeito feito à mão, com frescor nos recortes e nas texturas. Utilizei uma transparência para fotolito, um tipo de acetato bem maleável, com uma das faces coberta por uma película adesiva. É essa camada que faz a impressão fixar na transparência; no meu caso, experimentei pintar com guache diretamente sobre ela e funcionou. Se fosse sobre um acetato comum, a tinta não aderiria.

Optei por essa escolha pois gosto de trabalhar com transparências, com sobreposição de elementos, então quis fazer assim, mais por uma escolha estética mesmo.  O processo final foi, então, criar elementos que eu usaria nas ilustrações, como os pássaros, os galhos e as montanhas.  Depois, fui compondo digitalmente e dando acabamento.

P: Você convive com crianças? Como imagina que o livro vai chegar nas crianças?

BX: Convivo super! No espaço em que faço parte chamado Bananal Arte e Cultura, as crianças das ocupações aqui em torno na Barra Funda estão sempre presentes, jogando bola no deck, pedindo palito e saco plástico para fazer pipa. Sempre! Acho que por ser um livro em que a Karina e o Edmilson conseguiram alcançar uma simplicidade extremamente poética, no texto e na dinâmica (e conseguir o simples é sempre mais difícil), acredito que crianças de qualquer idade consigam entrar na brincadeira do Martim e imitar o canto dos pássaros com ele ou, como foi minha proposta de ilustração, até brincarem de virar pássaro. Talvez fiquem mais atentas aos cantos dos pássaros até mesmo na cidade.

P: Junto com o lançamento do livro, tivemos uma boa notícia que é a premiação em Bologna. Comente um pouco sobre este prêmio e a importância de um livro como o Pia o pio, pia Martim ter esse reconhecimento internacional.

BX: Fiquei muito feliz! Principalmente por ter conseguido contribuir para que o livro tenha mais visibilidade e que as pessoas possam conhecer a história do povo da comunidade Rio Verde e Grajaúna e lerem um livro que versa sobre a infância caiçara.

Participar e contribuir para a inauguração da Escola Caiçara Nancy Prado me fez pensar muito como a infância vivida em contextos como este tem sua própria pedagogia. Como no livro, em que aprender a falar é algo ensinado pelos pássaros, ali aprender a viver em comunidade é participar da produção da farinha de mandioca, aprender a música é dançar fandango. Karina me mostrou as pequenas esculturas que as crianças fazem com as argilas de lá. Teve um dia em que o Martim me ensinou a fazer tinta com uma folha de seu quintal. Foi ele também quem me mostrou que uma poça d’água pode ser o brinquedo mais incrível do mundo.

Acho que a visibilidade do livro dada por essa seleção em Bologna poderá fazer com que as pessoas entendam que também existem outras maneiras de se pensar as infâncias, ainda mais num contexto internacional.

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