O menino poeta – release

Editora Peirópolis lança edição renovada de O menino poeta, de Henriqueta Lisboa

Publicada pela primeira vez em 1943, a obra é considerada um marco na literatura infanto-juvenil no Brasil

 

FICHA TÉCNICA

Título: O menino poeta

Organização: Henriqueta Lisboa

Formato: 21 x 28 cm

Nº de páginas: 118

ISBN: 978-85-7596-149-0

Capa: Brochura

O menino poeta não sei onde está. Procuro daqui procuro de lá.

A Editora Peirópolis lança uma nova edição de ‘O menino poeta’, da poeta mineira Henriqueta Lisboa, com ilustrações de Nelson Cruz, prefácio de Bartolomeu Campos Queirós e posfácio da poeta chilena Gabriela Mistral, prêmio Nobel de Literatura em 1945. Publicada pela primeira vez em 1943, a obra é considerada um marco na história da literatura infanto-juvenil brasileira. A edição atual reúne 66 poemas e inclui sete poemas a mais do que a edição original, de 1943, incluídos pela própria poeta quando viva.

“Em 1941, Henriqueta Lisboa, poeta mineira com quem Mário de Andrade manteve uma de suas mais ricas correspondências, recebeu do modernista uma carta, pela qual esperou por dois meses, com o seguinte comentário: ‘são simplesmente um encanto pros ouvidos, pros olhos, pro corpo todo. O menino poeta, isso achei maravilha integral”, relata a editora Renata Borges na orelha da obra. Na época de sua primeira edição, Carlos Drummond de Andrade assinalou que, “Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por este tímido e esquivo poeta”.

Embora O Menino Poeta tenha sido recebido pela crítica como a primeira obra poética escrita no Brasil para o público infanto-juvenil, Henriqueta costumava dizer, nas entrevistas, que não escreveu os poemas pensando na faixa etária do público leitor. “Poesia com destinatário não é de meu feitio. Talvez ainda escreva alguns versos com toque infantil, mas por simples coincidência, digamos, de levitação”.

Entre as correspondências, o poeta modernista ratificou a afirmação de Henriqueta e sobre o título, ressaltava, “não sejam feitos para criança nem tampouco sejam versos interessados, os poemas coincidem, pelo ritmo, melodia e encantamento, com a imagem da infância, cheios de pureza, cristalinidade, alegria, melancolia leve, graça, leveza e sonho acordado. São poemas da plenitude da poeta, com concisão, densidade e estado poético que encantam a todo leitor de qualquer idade”.

Ao lado de Cecília Meirelles, a primeira brasileira a criar uma biblioteca para o público infantil, Henriqueta Lisboa, que foi considerada pelo crítico Sérgio Millet como um dos poetas mais puros do Brasil, foi pioneira na escrita de poemas para crianças fora da tradição moralista ou de cunho meramente pedagógico. A obra foi apreciada por escritores contemporâneos da autora e pelas gerações futuras, crianças, jovens e adultos que, como Mário de Andrade, encontraram na poesia de Henriqueta acalanto para o menino poeta que mora e brinca dentro da alma.

Sobre a genialidade atemporal da autora, Antonio Candido observou que “A não ser em versos do Sr. Manuel Bandeira e da Sra. Cecília Meireles, não sei de outra poesia brasileira moderna que seja mais fluida e etérea do que a da Sra. Henriqueta Lisboa. É uma delícia a perfeição com que sugere e descreve”. “Henriqueta Lisboa é dos maiores poetas em língua portuguesa”, concordava Otto Maria Carpeaux.

No prefácio do livro, o escritor Bartolomeu Campos Queirós afirma que “o desvelo de Henriqueta Lisboa ao construir O Menino Poeta nos revela seu conceito de infância, por não se afastar da criança que respirou em sua poesia ao longo de toda sua existência. Sem se afastar do rigor registrado em seu vasto ofício literário, a poeta nos permite observar que, para se dirigir aos mais jovens, não se faz necessário empobrecer a linguagem e forçar rimas fáceis para revelar o assunto”.

Segundo ele, O Menino Poeta dialoga com a beleza desenhada de Nelson Cruz — ilustrador que encanta ao manipular formas e cores. Ele realiza uma leitura plástica da poesia de Henriqueta Lisboa, confirmando o significado da ilustração e da literatura. “A exatidão do livro em pauta me garante afirmar que os mais jovens têm em suas mãos um livro que vai durar para sempre”, finaliza Queirós.

 

Perfil da Autora

Henriqueta Lisboa (1901-1985), poeta mineira considerada pela crítica um dos grandes nomes da lírica modernista, dedicou-se à poesia, ensaios e traduções. Nasceu em Lambari, Minas Gerais, em 15 de julho de 1901. Formou-se normalista pelo Colégio Sion de Campanha, MG, e, em 1924, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Dedicou-se à poesia desde muito jovem. Com Enternecimento, publicado em 1929, de forte caráter simbolista, recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Aderiu ao Modernismo por volta de 1945, fortemente influenciada pela amizade com Mário de Andrade, com quem trocou rica correspondência entre os anos de 1940 e 1945. Sua produção inclui, além da poesia, inúmeras traduções, ensaios e antologias. Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras, em 1963.

Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Foi professora de Literatura Hispano-Americana e Literatura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica especializada, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e angariou muitos leitores ilustres durante sua vida, dentre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral.

Henriqueta faleceu em Belo Horizonte, no dia 9 de outubro de 1985. Seu Centenário foi comemorado ao longo do ano de 2002 e, além de inúmeros eventos culturais em sua homenagem, várias reedições de sua obra foram feitas com o objetivo de revelar a força de sua poesia para os jovens de hoje.

 

Perfil do ilustrador

Nelson Cruz é autodidata em desenho, estudou pintura por dois anos no ateliê da pintora Esthergilda Menicucci, em Belo Horizonte, onde nasceu no ano de 1957. Começou seu trabalho no mercado editorial em 1988. Em 2001, recebeu o prêmio Jabuti, oferecido pela Câmara Brasileira do Livro, com o texto do livro Chica e João, 2º lugar. O mesmo livro ganhou, pela FNLIJ, o prêmio de Melhor Livro para Criança e de Melhor Ilustração. Em 2002, foi indicado pela FNLIJ ao prêmio Hans Christian Andersen de ilustração e, em 2004, indicado para a Lista de Honra, também promovida pela IBBY (International Board on Books for Young People), da Suíça. Novamente, em 2005, recebeu o Jabuti, 3º lugar, com o texto do livro No longe dos gerais. Atualmente mora e trabalha na cidade de Santa Luzia, a 25 quilômetros de Belo Horizonte.

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