Segundo título da coleção Livro & Música une bumba-meu-boi e canções de ninar

História pra boi casar, de Alessandra Roscoe, é um livro infantojuvenil que une duas ricas fontes narrativas – as canções de ninar e o folclore brasileiro, alinhavados no enredo que celebra o encontro da “vaca amarela” com o bumba-meu-boi. Os arranjos, a direção e a produção musical do CD que acompanha o livro foram realizados pelo músico Orlando de Sá.

Processo criativo

Para compor a história em texto e em sons, Alessandra e o músico Orlando de Sá buscaram inspiração no Centro de Tradições Populares do Bumba-meu-boi de Sobradinho, fundado pelo maranhense Teodoro Freire, em Brasília.

Alessandra Roscoe divide a criação de letra e música com Raimundo João Ferreira, o Doca, um dos músicos integrantes do Centro.

A ilustradora Mariana Zanetti trabalhou com maestria os ritmos e as cores do folguedo popular.

Abaixo estão disponíveis o texto de apresentação publicado no livro, que foi lançado durante o 12º. Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens.

Texto de apresentação

História pra boi casar surgiu das lembranças de cantigas e histórias plantadas na infância. Carrega em suas raízes a força da oralidade e principalmente da cultura popular e pretende reverenciar uma das mais belas e ricas festas populares do Brasil: o Bumba-meu-boi. Bumba que ganhou diversos modos de ser apresentado e festejado em todo o país. Nessa história, ele tem o sotaque de Pandeirões ou da Baixada, bastante tradicional no Maranhão, e representa o Centro de Tradições Populares do Bumba-meu-boi de Sobradinho, cidade satélite de Brasília.

Há quase meio século, o Centro mantém viva a tradição do Boi maranhense e a história de Pai Francisco e Catirina, empregados de um rico fazendeiro dono de um boi considerado especial por saber dançar. Grávida, Catirina deseja comer a língua do animal e, para atender a vontade da sua esposa, Pai Francisco mata o boi preferido do patrão. Diante da tragédia, a fazenda toda se mobiliza pra fazer o boi reviver. Encantado, ele ressuscita para alegria de todos, que festejam com muita música e dança. Participam dos festejos o boi, homens, mulheres, crianças, índios e seres fantásticos; ao som de tambores, pandeiros, matracas e maracas. A festa, repleta de cores e ritmos, dura o ano todo e é dividida em três momentos: o nascimento, a morte e a ressurreição do boi.

Enquanto trabalhávamos nos arranjos da música e na gravação do CD que acompanha este livro, visitamos algumas vezes o Centro de Tradições Populares do Bumba-meu-boi, que foi idealizado por Teodoro Freire, um maranhense de 90 anos que chegou a Brasília em 1961 para “brincar o Boi” na festa do primeiro aniversário da nova capital. Ele nunca mais deixou a cidade. Nós vimos os festejos da Morte do Boi, nos encantamos com a riqueza estética, rítmica e musical e decidimos que o nosso Boi da cara amarela também seria encantado. Também seria um Bumba! E, com a licença da tradição, celebramos o casamento do Boi da cara amarela com a Vaca que pulou a janela, ao som dos pandeiros e maracas do Bumba-meu-boi.

Vale lembrar que a toada Boi da Madeira cravada que abre a música é de autoria de Raimundo João Ferreira, o seu Doca, e foi cantada e interpretada especialmente para o nosso projeto pelos integrantes do Centro.

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