A arte nas esquinas da vida
A arte nas esquinas da vida
por Gabriela Romeu

As histórias que os Gomide contam nos espetáculos se misturam aos enredos que a família vive nas andanças. Mamulengo é terno divino foi criado com os primeiros bonecos que o pai herdou de diversos mestres mamulengueiros, como Solón e irmãos Relâmpago, além de Antônio do Babau. Depois, com o nascimento de Alegria, o palhaço gigante, saíram os pais pelo mundo semeando brincadeiras, quando viviam de rodar chapéu, “ato heroico”. Então começaram a nascer os filhos. Para educar Maria e os irmãos em cena, os pais criaram Histórias de teatro e circo, espécie de “lavoura” onde brotaram novas brincadeiras. A cada novo filho, uma cena era criada. Um boneco diferente surgia. Os afilhados do padrinho afirma a devoção a padre Cícero, aquele que os ensinou a olhar com generosidade aos excluídos, “náufragos da vida”. Quando a peça Felinda foi montada, os pais já estavam separados, a família dividida entre Nordeste e Sudeste. Mesmo assim, o pai acompanhou a montagem, criou a boneca Felinda, “nem feia nem linda”, inspirada nos muitos artistas circenses que sonharam com o picadeiro. Pano de roda é outra homenagem aos mestres do caminho, em especial ao palhaço Pilombeta, o saudoso mestre Zezito. Janeiros, sobre o forte desejo de seguir na estrada, marca a família dividida em núcleos artísticos menores, alguns descobrindo seus próprios muitos outros caminhos. “Viver de arte no Brasil é um ato de fé”, disse certa vez Maria Gomide, hoje a produtora que faz Carroça de Mamulengos seguir em frente, independentemente dos temporais na estrada.

Mamulengo é terno divino (1980)

Seja noite, seja dia, viva o palhaço Alegria (1982)

A engenhosa história da vida (1992) 

Histórias de teatro e circo (1996)

Os afilhados do padrinho (2003)

Felinda (2010)

Pano de roda (2012)

Janeiros (2016)

Há Felicidade (2017)

O babauzeiro (2017)

Passarinhos (2018)

 

 

 

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