Cultura de paz: as contribuições budistas

Padma Samten faz parte de um grupo muito especial de autores capazes de construir pontes entre os saberes do Oriente e Ocidente: antes de ser ordenado lama pelo mestre Rinpoche, Samten lecionou física durante 25 anos, encontrando afinidades entre a Física Quântica e o pensamento budista.

Em Mandala do Lótus, o lama Padma Samten revela como o pensamento budista pode contribuir para a construção de uma cultura pacífica, especialmente através da proposta de superação das contradições que ocupam a mente dos ocidentais. Proposta essa que Samten assumiu inteiramente ao criar, em 1986, o Centro de Estudos Budistas, entidade dedicada a promover o estudo e o intercâmbio entre diferentes culturas.

Antes de Mandala de Lótus, Padma Samten publicou outros dois títulos pela Editora Peirópolis: Jóia dos Desejos, em que o autor busca traduzir para os leitores o entendimento do budismo e a prática da meditação, e Meditando a Vida, que traz ensinamentos budistas para a vida cotidiana.

Leia a seguir a orelha de Mandala do Lótus:

A abordagem de cultura de paz apresentada neste livro ? de respeito pela diversidade manifestada na nossa existência, de reconhecimento das possibilidades de harmonia entre diferentes seres, diferentes circunstâncias, e diferentes compreensões da realidade ? utiliza o método de argumentação, compreensão e lucidez, que constitui a primeira parte de um conjunto mais amplo de ensinamentos. Na linguagem budista diz-se que esses ensinamentos descortinam a visão de mundo chamada de Mandala do Prajnaparamita (ou Mandala da Perfeição da Sabedoria).

Lama Padma Samten nos conduz pela trajetória de compreensão desta mandala: ?quando nos construímos, construímos a realidade e quando construímos a realidade, construímos a nós mesmos. Ao construirmos mundos favoráveis, terras puras e manifestações de sabedoria, nossa ação positiva se torna natural, livre, desobstruída, compassiva e amorosa, livre de artificialidades?. Porém, como ele mesmo afirma, não basta saber que isso é possível. O desafio é desenvolver essa compreensão, manter essa visão, e viver dessa forma, com plena consciência a respeito da complexidade de relações entre as nossas intenções, ações, responsabilidades e impactos gerados no mundo e em nós mesmos.

Esta é a trajetória aqui descrita com suavidade e maestria: transformar a visão, meditar, e agir no mundo. Nenhuma delas isoladamente é suficiente para concretizar uma cultura de paz. Mas, quando praticadas de forma integrada, com foco no benefício de todos os seres, nos permitem deixar de viver de forma estreita, guiados por visões estreitas.

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