Entrevista com a editora venezuelana Maria Angelica Barreto

O mundo editorial  é composto de grandes empresas e incontáveis pequenas editoras independentes que se embrenham no fazer editorial para compartilhar suas crenças. São editores de vocação, que atuam orientados pela paixão pelos livros,  motivados pela ideia de que a leitura é transformadora. O encontro da Editora Peirópolis com a Camelia Ediciones, pequena editora venezuelana que trabalha numa realidade muito semelhante e ao mesmo tempo muito diferente da nossa, é celebrado com a publicação, no Brasil, deste pequeno e potente livro, Azul e Vermelho, de Mireya Tabuas. Leia a entrevista com Maria Angelica Barreto:

Peirópolis – Como você vê o Brasil?

Cómo usted ve Brasil?

Angelica – É um país que eu adoraria conhecer, vejo como um país cheio de oportunidades, jovem e multicultural, um país de enormes contrastes humanos e geográficos.

Es un país que me encantaría conocer, lo veo como un país lleno de posibilidades, joven y multicultural, un país de enormes contrastes: humanos y geográficos.

Peirópolis – Qual é a graça de ser editor?

Cuál es la gracia de ser editor?

Angelica – É uma profissão que convida a compartilhar aquilo em que se acredita. É um desafio de articular uma imagem e uma ideia, de modo que tanto a abordagem visual como os textos são relevantes.

Es un oficio que invita a compartir en lo que uno cree. Es un reto lograr articular una imagen y una idea, de tal manera que tanto la propuesta visual como los textos sean relevantes.

Peirópolis – Qual é a realidade de publicação de livros para crianças e jovens na Venezuela hoje?

Cuál es la realidad de publicar libros para niños y jóvenes en la Venezuela de hoy?

Angelica – É uma situação muito complexa, porque, por um lado, temos o compromisso com nossos leitores por contribuir para um país melhor e, por outro, temos que lutar diariamente com dificuldades econômicas e de produção enfrentados na Venezuela no momento.

Es una realidad muy compleja, debido, por una parte, al compromiso que tenemos con nuestros lectores de contribuír con un mejor país y por la otra, luchar en el día a día con las dificultades económicas y de producción que atraviesa Venezuela en estos momentos.

Peirópolis – Quanto este livro é universal e quanto retrata a Venezuela hoje?

En cuanto este libro es universal y cuanto retrata a la Venezuela de hoy?

Angelica – Retrata a polarização em que vive nosso país, também por sua vez universal, pois sintetiza o respeito pelas ideias uns dos outros, em qualquer contexto, social, religioso, político.

Retrata la polarización que vive nuestro país, pero que es a su vez universal pues sintetiza el respeto por las ideas del otro, en todo contexto, social, religioso, político.

Peirópolis – Que semelhanças pode indicar entre a infância na Venezuela e no Brasil?

Qué semejanzas puede indicar entre la infancia en Venezuela y en Brasil?

Angelica – A desigualdade social é, talvez, um dos pontos que temos em comum, em nossos países latino-americanos; somos países jovens, cheios de possibilidades, mas agora com problemas de violência, insegurança, confrontação social e se necessitam livros que demandam leitores críticos capazes de assimilar situações difíceis.

La desigualdad social es quizás uno de los puntos que tenemos en común, en nuestros países latinoamericanos; somos países jóvenes llenos de posibilidades, pero ahora con problemas de violencia, inseguridad, confrontación social, y se necesitan libros que demandan cada vez lectores críticos capaces de asimilar situaciones difíciles.

Peirópolis – Qual é o leitor deste livro?

Cuál es el lector de este libro?

Angelica – Este é um livro para todas as idades, com vários níveis de leitura: sua cor, forma e texto, que representam uma reflexão que, desde a voz da criança, nos convida a fazer perguntas sobre o respeito às diferenças, a pensar forma diferente, a partir de uma proposta estética que permite um distanciamento para ver a realidade de outro ângulo.

Este es un libro para todas las edades, con múltiples niveles de lectura: su color, forma y texto nos plantean una reflexión que, desde la voz del niño, nos invita a hacernos preguntas sobre el respeto a las diferencias, al pensar distinto, desde una propuesta estética que permite un distanciamiento para ver la realidad desde otro ángulo.

Peirópolis – Você acha que as crianças são responsáveis por conciliar diferenças de gerações anteriores?

Usted encuentra que los niños son responsables de conciliar las diferencias de generaciones anteriores?

Angelica – Não, não lhes demos essa responsabilidade, o tempo que lhes toca para viver já é suficientemente difícil e desafiador.

No, no les demos esa responsabilidad, ya el tiempo que les ha tocado vivir es lo suficientemente difícil y retador.

Peirópolis – Como este livro pode ser usado em sala de aula ou em espaços de leitura compartilhada?

Cómo este libro puede ser usado en el salón del aula o en espacios de lectura compartida?

Angelica – Este livro pode ser uma desculpa para falar sobre temas complexos, como diferenças de pensamento dentro de um núcleo familiar, a comunidade, o próprio país.

Este libro puede servir de excusa para hablar de temas complejos como las diferencias de

pensamiento dentro de un núcleo familiar, la comunidad, el país mismo.

Peirópolis – O que mais pode dizer aos brasileiros que leem e aqueles que não leem?

Qué más puede decir a los brasileros que leen y a aquellos que no leen.

Angelica – Gostaria de dizer a todos os brasileiros sem distinção, que ler abre múltiplas portas, de mundos distintos, de realidades, de fantasia, que abrir-se para a leitura é entrar com cumplicidade na vivência do outro e nos torna seres humanos melhores.

Les diría a todos los brasileros sin distinción, que leer abre múltiples puertas de diálogos, de mundos distintos, de realidades, de fantasía, y abrirse a la lectura es entrar en la complicidad de la vivencia del otro y nos hace mejores seres humanos.

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