Uma das definições de movimento na Wikipédia aborda a noção de mudança na realidade. Transformação, revolução, reestruturação da ordem constituída são algumas ações que definem o MVMob em todas as suas diferentes experiências, relatadas aqui por Merije. Antes de toda essa transformação, o MVMob quebra, destrói, altera paradigmas. Em uma espécie de “revolução positiva” traz o simples para um mundo complexo e, ao mesmo tempo, simplifica esse mundo. Quando traz o celular como uma ferramenta para a educação, recontextualiza um objeto que já é tão simples e cotidiano para os alunos. Para o professor, que quer sempre melhorar sua prática e inovar na educação, a proposta do MVMob simplifica o desafio, mostrando caminhos.

Já conhecia e acompanhava o trabalho do MVMob, mas conheci Wagner Merije em um debate do Encontro Internacional Educarede de 2011, chamado “Desafios da Mobilidade – O uso de laptops, tablets e celulares na educação”. Por ter editado o blog UCA-SP, conhecia o uso dos laptops educacionais, mas, nem sempre o diálogo com outros projetos que usam celulares e tablets centra-se no mais importante. Esta foi uma das poucas vezes em que percebi que o diálogo centrou-se no mais importante: como melhorar a educação. No debate com participação de internautas de diversos países e mediação de Wagner Merije, mostrou-se que a preocupação da educação com tecnologia deve ir além dos dispositivos. A reflexão sobre intencionalidade pedagógica, sobre o planejamento das atividades com tecnologia, deve ocupar o palco central.

É notável como aqueles que deveriam estar preocupados em primeiro lugar com o planejamento das atividades em educação e tecnologia, tais como universidades e governos, estão tão pouco mobilizados para tal. A mobilização, na atividade do MVMob, é como um despertar, que envolve alunos e professores num processo de reflexão sobre o cotidiano e como a tecnologia nos envolve. Mobilizar não é apenas trazer em torno de um ideal, mas criar ações concretas, transformar processos.

A educação freiriana, referida no trabalho do MVMob, é a educação emancipatória, com professores e alunos como protagonistas do processo de apropriação das tecnologias com finalidades pedagógicas. Esse protagonismo também ultrapassa o espaço da escola e coloca seus atores como cidadãos, criadores de uma nova realidade. Mudanças da realidade como a causada pelo MVMob precisam e devem existir cotidianamente na escola. Movimento que se repita e se amplie, para o bem da educação brasileira.

São Paulo, 20 de maio de 2012

Renata Aquino Ribeiro Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998) e Mestre em Artes – Hipermídia na University of Westminster (2003), reconhecido no Brasil pela Universidade de São Paulo (USP). Cursa o doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação Currículo na PUC-SP, onde é parte da comissão organizadora do evento Web Currículo. Foi pesquisadora do Projeto UCA – PUC-SP e atualmente é coordenadora de projetos na área de educação e tecnologia do Instituto Crescer para a Cidadania.

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