O trabalho do escritor

O que a gente faz quando não escreve histórias para inventar a vida?

Uma porção de coisas, oras. A gente brinca, estuda, trabalha, sofre, faz e perde amigos, faz outros amigos, assopra o vento, olha e escuta uma pedra, descobre uma coisa, depois outra coisa, apaga tudo, começa de novo, desenha um desejo, um sonho, esconde os dois debaixo de um tapete para lembrar deles de repente, chora um pouco, às vezes bastante, tem um pouco de raiva, de vez em quando muita, e ama a vida que é o nosso sentimento melhor.

É claro que tem mais e mais outras coisas.

Agora, quando a gente escreve e encosta as palavras na vida, não sei não, mas acho que a gente ama mais dentro da vida; a gente ama melhor.
E tem mais: se a gente escreve para crianças como vocês, é um amor sem tamanho, porque, com as crianças, a gente pode ser tudo e é.

Já escrevi vários livros para adultos, jovens e crianças, sem pensar muito nessa coisa de idade. Recebi alguns prêmios, tenho muitos amigos e continuo escrevendo para ficar dentro da vida e amar melhor.

Texto extraído de seu livro O boi cor-de-rosa.

copyright do autor

Professor de Literatura, coordenador de oficinas de criação literária, roteirista, ensaísta e ator. Roteirizou o vídeo “Mário, um homem desinfeliz”, em comemoração ao centenário de nascimento de Mário de Andrade, protagonizando também o Poeta. Tem 25 livros publicados e vários prêmios, entre eles, prêmio Melhor Livro para Jovem por “A visitação do amor”, pela FNLIJ; prêmio APCA por “Na curva das emoções”; prêmio Jabuti por “Te dou a lua amanhã”; e prêmios Jabuti e Orígenes Lessa – Melhor Livro para Jovem por “Lis no peito: um livro que pede perdão”, livro que integrou o catálogo White Ravens da Biblioteca de Munique e da Feira de Bolonha, em 2006, como um dos 225 melhores livros de todos os países do mundo.

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