Um canto para o rio – impressão de leitura, por Paulo Antunes

“Em Cadernos de Sonhos, Dea Trancoso transcreve a afirmação de que “Somente os guerreiros-mirins que moram nas nascentes dos rios podem mediar um acordo de paz entre os humanos”.

Li quase como um prefácio mediunizado para Um canto para um rio, livro que sugere às crianças uma compreensão lúdica do que se passou com o Rio Doce. Em tal obra, Roberta Brangioni busca mobilizar um elogiável esforço de intuição para trazer junto de elementos ficcionais um forte lastro de realidade de pequenos e pequenas que vivem num território cheio de belezas, mas também de contradições. Não é tarefa fácil. Mexer com a matéria-viva de um terreno tão sensível e fértil como a infância, ou ainda, remar numa vertente alternativa aos paradigmas mais confortáveis da fabulação tradicional. Como mobilizar palavras e imagens para aludir a uma tragédia que não é de mentirinha? Como levar a imaginação a tocar e, ao mesmo tempo, a sobrevoar uma realidade mais ampla sem perder a leveza ou abandonar a esperança? Esse é o desafio que a autora se coloca, a partir de experiências reais com moradores da bacia do Rio Doce, em um momento em que o meio ambiente e as pessoas se colocam cada vez mais vulneráveis diante de uma certo arquétipo adormecido do humano.

A obra é uma aposta valiosa na comunicação com estes seres que ainda vivem sem se desprender do sonho; que ainda confundem o real com a imaginação.”

Paulo Antunes, filósofo e “cantautor”. 

1 Comment

  • Karina da Silva Maciel Posted 24 de março de 2021 17:21

    Muito bem colocado. O livro consegue trazer o tema com a força e gravidade necessária, sendo, ao mesmo tempo, leve e lúdico. É uma leitura que alimenta nossa esperança no reencontro do humano com as forças da natureza.

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